WebNovela - SAFIRA
3 3 e 4° Capítulo
Notas iniciais
Esse programa não é recomendado para menores de
12 anos
CENA 01 (DIA) – CASA DE ELISA, PARTE INTERNA.
Elisa está prestes a revelar para Débora que Alberto é seu pai. Do lado de fora, Ágata tem na mira de sua arma Débora.
Elisa: Débora. O Alberto… O Alberto não é um amigo da família. Ele é mais que isso.
Débora: O quê? Mas… Mas como assim? Não to entendendo nada. Me explica mãe!
Elisa:O fato é que esses anos todos eu vi o quanto você sofreu pela falta de um pai. Alguém que te desse o carinho e a atenção que só um pai tem.
Débora: Mãe, mas…
Elisa: Por favor, me deixe falar. Não me interrompa filha, por favor. A hora chegou. Se dependesse de mim isso iria demorar muito mais, mas não posso. O Alberto minha filha, ele é… — Elisa olha para Alberto. Alberto põe suas mãos no ombro de Elisa – O Alberto é seu pai.
Débora fica sem reação, sem palavras, em choque.
Débora (abalada): Mas o que você está me dizendo mãe?!
Alberto: Débora…
Elisa (interrompendo): Não! Deixa que eu falo.
Elisa senta com Débora no sofá.
Elisa: Eu vou te explicar tudo minha filha.
CENA 02 – CASA DE ELISA, PARTE EXTERNA.
Ágata permanece com a arma apontada para Débora. Elisa se sentou no sofá, então ela poderia ter a chance de acertar as duas. Ágata destrava a arma e de longe Tomás percebe. Ele vai correndo até Ágata.
Tomás (gritando): ÁGATA! ÁGATA!
Tomás chega e tira a arma das mãos de Ágata.
Tomás (irritado): O que você ia fazer?!
Ágata (também irritada): O que você fez?! Eu ia acabar com isso de uma vez por todas!
Tomás: Você ia acabar com nossas vidas, isso sim!
Ágata: Você é um idiota Tomás! Agora meu pai sairá dessa casa trazendo com ele mais duas herdeiras!
Tomás: Aé? E o que você ia fazer? Ia simplesmente assassinar as duas aqui, no meio da rua?! Acha mesmo que ninguém iria ver?!
Ágata desvia o olhar.
Tomás: Agora que você já sabe que seu pai tá aqui não adianta fazer nada! Vamos voltar pra Pluma antes que ele saia!
Ágata e Tomás entram no carro e voltam para a Pluma.
CENA 02 – CASA DE ELISA, PARTE INTERNA.
Débora (interrompendo): Como você diz que esse homem que eu nunca vi na minha vida é meu pai?!
Elisa: Minha filha essa história é muito complicada. Há muito tempo atrás eu e o Alberto tivemos um relacionamento. Eu engravidei e…
Alberto (complementando): E eu pensei que ela tivesse perdido a criança.
Elisa: Bom — Elisa olha para Alberto – isso eu não sei. — Alberto abaixa a cabeça, Elisa se volta para Débora – Mas o fato é que eu nunca perdi. E eu sempre tive a imagem do Alberto como um homem que nunca quis assumir a filha que teve comigo, principalmente porque enquanto estava comigo, estava também com a Dora, não é?! — Elisa olha para Alberto.
Alberto se aproxima de Débora.
Alberto: Mas eu não sou assim! Se eu soubesse que tinha uma filha eu jamais abandonaria a mãe dela e muito menos ela! Por isso eu estou aqui.
Débora começa a chorar.
Débora: Isso tudo está muito confuso pra mim… Muito difícil!
Elisa: Eu sei filha. Peço desculpas… – Elisa se levanta – Alberto, acho melhor você ir agora.
Alberto: Sim. Eu entendo. Eu vou – Alberto se aproxima mais de Débora – Débora, pense que se eu fosse um monstro eu não estaria aqui disposto a assumir você e a te dar tudo que você tem direito — um silêncio invade a conversa – Eu volto.
Elisa acompanha Alberto, ela está preocupada e Alberto sai dali com a mesma preocupação. Assim que ele sai, Elisa vai consolar sua filha.
CENA 03 (TARDE) – AVENIDA PAULISTA
Maria está aproveitando seu horário de almoço com sua amiga, Giovana – Giovana trabalha na Revista Coxixo! Ela é muito amiga de Maria — As duas sentam em uma mesa de uma lanchonete.
Giovana (entusiasmada, sentando): Sério Maria? Me conta mais!
Maria: É exatamente isso que eu te falei. O Alberto jura que tem uma filha desconhecida!
Giovana fica boquiaberta.
Giovana: Hãm! Não acredito! Mas que notícia poderosa! O povo da editora vai adorar! E vem cá… — Giovana se aproxima de Maria –Você, por acaso, tem o endereço de onde ela mora?
Maria: É, eu tenho, mas você tem que ser discreta! — Maria começa a sussurrar – Se descobrem que fui eu que te dei essas informações já era seu cargo na editora. Vou ficar sem emprego e você vai ficar sem notícias! — Maria entrega um papel com o endereço para Giovana.
Giovana: Amiga! Quanto a isso você não tem que se preocupar — Giovana sussurra – Será mais um segredo nosso…
Maria (sorrindo): Assim espero!
Giovana: Mas e você? Acha mesmo que essa garota é filha dele?
Maria: Olha, pelo jeito desesperado dele em encontrar essa garota… Posso dizer que desconfio.
Giovana: Mas como é a vida, não?! Essa garota de repente descobre que tem um pai.
Maria (complementando): Um pai rico! Podre de rico! Queria eu ter essa sorte — Maria ri.
Giovana: E eu então. Se tivesse como eu sairia daquela revista agora mesmo! Não aguento mais as cobranças do Anderson.
Maria: Mas esse Anderson pega muito no seu pé, em. Engraçado que é só com você!
Giovana olha no relógio.
Giovana: Nem me fale! Aproveitando que tocamos no assunto, preciso ir!
Maria: Ué, mas não é seu horário de almoço?
Giovana: Sim! Mas depois de uma notícia dessas não posso perder tempo! Tenho que levar alguns créditos às vezes — Giovana ri e se levanta – Tchau amiga! Até depois.
Maria se despede de Giovana e faz um pedido em seguida.
CENA 04. REVISTA COXIXO!
Giovana vai direto ao diretor da revista, Anderson. Assim que entra em seu escritório, ela se apoia na mesa dele.
Giovana: Você vai cair pra trás com a notícia que eu acabei de conseguir.
Anderson: Olha aqui, se for mais uma dessas asneiras que você anda me entregando, pode dar meia volta!
Giovana: Mas você não tem jeito né Anderson. Sempre me subestimando. Não devia duvidar da minha capacidade chefinho.
Anderson se levanta.
Anderson: É porque você sempre dá bola fora.
Giovana: Ah, mas pra que ficar remoendo o passado? O que importa é essa notícia que eu tenho pra te dar.
Anderson: Vou te dar uma chance. Vamos ver se vale a pena.
Giovana: Alberto, dono da Pluma, está em busca de uma filha desconhecida, fruto de um amor do passado… — Giovana se aproxima de Anderson – E talvez eu tenha o endereço de onde essa garota mora.
Anderson: Como é que é? — Anderson se afasta de Giovana – Você… Você tem certeza disso?
Giovana: Absoluta!
Anderson: E como você ficou sabendo disso?
Giovana: Ah chefinho, eu tenho meus métodos. Eu disse.
Anderson (mais firme): Giovana se isso for mais uma das suas paranoias, eu juro que…
Giovana (interrompendo): Chefe! Não tem com o que se preocupar! Quem me deu a notícia garantiu que ela é verdadeira! Agora, se você não quiser agarrar essa bomba é só esperar pra se arrepender amargamente depois…
Anderson pensa um pouco.
Anderson: Tá bom vai. Vou lançar a notícia… E me passa o endereço dessa moça, quero alguém lá.
Giovana comemora.
Giovana: Ai obrigada chefe!! Não vai se arrepender!
Giovana sai da sala eufórica. Seu amigo Luiz percebe a alegria.
Luiz: Posso saber o motivo dessa felicidade toda?
Giovana: Em breve você vai saber meu amigo. — Giovana coloca uma mão sobre o ombro de Luiz – Pode ficar orgulhoso da sua amiga aqui.
Luiz : Eu prefiro não comemorar antes do tempo. Já que você sempre se atrapalha… – Luiz ri.
Giovana: Mas dessa vez não vou! — Giovana tira as mão de Luiz – Dei uma informação quentíssima pro Anderson. Depois dessa ele vai me agradecer por muito tempo! — Giovana sai caminhando.
Luiz: Eu posso saber que informação bombástica é essa?
Giovana ri.
Giovana (virando-se para trás): Não! Vai ter que esperar, como todo mundo! Mas vai valer a pena pode ter certeza.
Luiz abaixa a cabeça e ri.
CENA 05. CASA DE ELISA
Débora está mais calma.
Elisa: Minha filha, eu fiz isso porque mesmo contra minha vontade, acho que você tinha o direito de saber.
Débora: Eu sei mãe. Não estou nervosa nem chateada com você — Débora respira fundo – É só que… Fui pega de surpresa, entende?
Elisa: Mas é claro que entendo! — Elisa abraça Débora – E você tem todo o direito de estar assim!
Débora: Eu só espero que tudo se resolva. Apesar de ser difícil, com o tempo eu tenho certeza que essa situação vai melhorar. Mas agora é muito complicado…
Elisa: Leve o tempo que você precisar. Sem pressa… Pode ter certeza que vamos respeitar seu tempo, obrigada por tentar compreender.
CENA 06. REVISTA COXIXO!
Anderson chega para Giovana.
Anderson: Bom, Giovana, é melhor você ter mesmo certeza de tudo isso que disse porque… Já está lançado. Lancei primeiro online porque se isso for realmente verdade não quero perder tempo com toda aquela burocracia pra lançar a notícia na revista. E também já mandei a Letícia pra casa da garota.
Giovana (desaprovando): A Letícia?! Não tinha alguém melhor não?! — Anderson encara Giovana e ela muda suas palavras rapidamente – Bom, mas de qualquer jeito, fez bem! Não vai se arrepender.
Anderson: É… Eu espero que não.
CORTA PARA:
Letícia está em frente à casa de Elisa. Ela bate palma, ninguém sai, então ela chama por Débora.
Letícia: Débora! — Letícia espera uns segundos – Débora!
Dentro da casa:
Débora: Mãe, tem alguém chamando…
Elisa se levanta e vê quem é pela janela.
Elisa: Ué. Não conheço… Mas parece uma daquelas jornalistas daquela editora famosa que tem aqui perto. Ela tá chamando pelo seu nome.
Débora (surpresa): O que será que ela quer?
Elisa: Não sei… Mas só indo lá pra saber não é? Claro, se você tiver condições.
Débora (tentando se recompor): Eu vou mãe! — Débora levanta e enxuga seu rosto – Afinal de contas, minha vida continua.
Letícia avista Débora e Elisa saindo.
Letícia: Oi… Queria falar com a Débora.
Débora (se aproximando): Sim, sou eu.
Letícia: Oi. Sou da editora Coxixo! Estou incomodando?
Elisa (interrompendo a resposta de Débora): Depende do motivo que você está aqui.
Letícia: Mas como assim? Vão me dizer que vocês não sabem? — Letícia ri. Elisa e Débora continuam sem entender – Por acaso não é você a mais nova filha e herdeira do grande empresário Alberto Garcia?
Débora olha para sua mãe chocada. Elisa tenta contornar a situação.
Elisa: Mas… Quem te disse isso?!
Letícia: As notícias correm gente…
Débora: Olha. Você não tem o direito de fazer isso. Não pode ir se metendo assim na vida das pessoas, licença
Débora e Elisa dão as costas para Letícia.
Letícia (falando mais alto): Pelo visto já vi que é verdade! Olha, podem acreditar que vou me lembrar disso — Letícia dá um sorriso de quem conseguiu a informação que queria.
Débora e Elisa entram em casa.
Débora: Mãe… Mas como já estão sabendo?!
Elisa: Eu não sei minha filha, não sei!
Débora: Será que o Alberto…
Elisa: Não sei, mas acredito que não. Afinal, ele insistiu tanto pra que você soubesse a verdade. Acredito que não colocaria sua confiança em jogo.
Débora (preocupada): Ah! Mas minha vida virou uma bagunça de uma hora pra outra! O que eu vou fazer, mãe? O quê?!
Elisa abraça Débora com um semblante de preocupação.
CENA 07. ALGUNS METROS LONGE DA CASA DE ELISA.
Alberto está preocupado com o que pode acontecer se Débora e Elisa acharem que ele quer se aproveitar da situação. Ele está com seu celular em mãos, está prestes a ligar para Coronato ir buscá-lo. De repente se depara com a notícia da editora Coxixo!
Alberto (espantado): Eu não acredito! Não imaginei que eles fossem ser tão rápidos! – Alberto fica pensativo por alguns segundos – Eu preciso voltar para a casa da Elisa!
Alberto volta correndo em direção à casa de Elisa.
CORTA PARA:
CENA 08 (NOITE) – PLUMA, ESCRITÓRIO DE ÁGATA.
Ágata está preocupada. Tomás fala com ela enquanto mexe no celular.
Ágata (andando de um lado para o outro): Meu pai que não voltou até agora! Só estou aqui nessa empresa até essas horas porque preciso saber o que tá acontecendo! Eu sabia que devíamos ter ficado lá!
Tomás: Seu pai, a essas horas deve estar curtindo a nova filha — Tomás ri – Ficar lá não ia adiantar nada!
Ágata: Isso! Vai brincando! Só não esquece que se isso realmente acontecer, eu não sou a única a ficar prejudicada.
Tomás: O pior é que eu sei! Mas ficar aí pensando no que está acontecendo do lado de lá não ajuda em nada.
Tomás vê a notícia da Coxixo! sobre Débora.
Tomás (desacreditado): Ah, não! Ágata, olha isso aqui!
Ágata vai até Tomás e pega seu celular. Ela lê a notícia.
Ágata (sendo consumida pela raiva): Eu não acredito! Não pode ser! — Ágata se vira para Tomás – Como eles sabem disso?!
Tomás pega seu celular.
Tomás: Não me pergunte. Mas tenha certeza que se a situação era ruim, agora é muito pior!
Ágata: Agora mais que nunca nós vamos ficar aqui até o meu pai voltar! Ele vai ter que me dar boas explicações!
Tomás: Se ele viu essa notícia com certeza deve estar lá consolando as novas queridinhas de sua vida… O que você acha de darmos uma checada pra ver se ele não esconde as jóias aqui na Pluma?
Ágata: Quer saber? Ótima ideia! Melhor irmos logo!
Ágata e Tomás saem em direção ao escritório de Alberto.
CENA 09
Alberto chega na casa de Elisa e Débora. Ele chama por Elisa, ela o atende depois de um tempo. Ele entra na casa, então começa a falar com as duas.
Alberto (receoso): Como vocês estão?
Elisa (alterando o tom de voz): Como nós estamos?! Ah, mas que pergunta em Alberto!
Débora: Calma mãe! Ela está assim porque veio uma mulher daquela editora perguntar sobre nossa relação de pai e filha.
Elisa: Exatamente Alberto! — Elisa se aproxima lentamente de Alberto – E sabe o que eu quero saber? Como é que ela sabe disso?!
Alberto: É exatamente por isso que eu estou aqui! Tive a certeza de que pensariam que fui eu quem disse isso a eles, mas não! Eu não fiz isso!
Elisa: Eu bem disse Alberto! Eu disse que era uma péssima ideia revirar o passado de um jeito tão rápido assim! Agora veja no que deu!
Débora: Minha mãe tem razão Alberto… E agora? Como vamos sair na rua sem ser paradas por um jornalista?
Alberto: Bom… Eu gostaria muito de dizer a vocês que tenho uma solução pra isso, mas a verdade é que tentar achar uma solução só ia dar mais corda pra todos falarem a respeito disso! O fato é que agora não tem mais o que fazer. Só tem uma saída… Assumir tudo isso! E eu não me importo em falar pra todo mundo que você é minha filha!
Elisa (inconformada): O quê?! — Elisa expõe toda sua inconformação – Como você pode querer expor minha filha desse jeito?!
Alberto: Elisa eu entendo sua preocupação! Mas pense bem… Se não for assim, a vida de vocês duas vai virar um caos! Não terão paz! Vocês precisam assumir essa realidade mais cedo ou mais tarde. E melhor agora que depois!
Elisa: Mesmo assim eu não acho que…
Débora (interrompendo): Não mãe! Ele está certo — Nesse momento Elisa fixa o olhar em Débora – Não podemos viver nos escondendo… Eu não quero uma vida assim!
Elisa (tentando mudar a opinião de Débora): Minha filha, mas eu acho que é muito cedo pra isso! Assumir uma coisa dessas assim, de uma hora pra outra!
Débora: Mãe pense comigo: Quanto mais cedo passarmos por isso, mais cedo iremos nos libertar. É o melhor para todos nós. E o senhor Alberto já mostrou ser uma boa pessoa…
Alberto: Eu sou Débora! Mais que isso, sou seu pai! Jamais faria mal a vocês.
Elisa: E o que você sugere Alberto? Que saiamos nas ruas gritando por aí que a Débora é sua filha?!
Alberto: Primeiro eu sugiro que vocês duas venham comigo. Antes de qualquer coisa, quero apresentar vocês a alguém…
Elisa: Nos apresentar a alguém? Você por acaso viu o estado em que ficamos quando aquela mulher veio aqui?!
Alberto: Elisa tenha certeza de que eu jamais constrangeria vocês! A pessoa que quero que conheçam faz parte da minha vida! É a irmã da Débora.
Débora fica boquiaberta ao ouvir isso. Lágrimas começam a escorrer em seu rosto, mas ela estava feliz em saber que tinha uma irmã.
Débora (chorando, mas sorrindo): Então eu tenho uma irmã? Há algum tempo atrás era tudo que eu queria… Alguém com quem ficasse comigo.
Elisa: Mas minha filha, eu sempre estive com você!
Débora: Eu sei mãe, e é a melhor companhia que eu poderia ter! Mas o que eu quero dizer é que sempre me senti muito sozinha em relação a outras coisas…
Alberto: Então minha filha! O que importa agora é que a vida de vocês vai mudar! Vocês merecem isso depois de tanto tempo! Por isso eu imploro, venham comigo!
Elisa: Tudo bem… Já que minha filha aceita, nós vamos!
Alberto (muito feliz): Ótimo! Vou ligar agora mesmo pro meu motorista vir nos buscar!
CENA 10. PLUMA, ESCRITÓRIO DE ALBERTO.
Ágata e Tomás vasculham as coisas de Alberto para ver se acham alguma pista sobre onde ele esconde as jóias.
Tomás (vasculhando a mesa de Alberto): Pelo jeito não vamos achar nada aqui!
Ágata (procurando algum ponto oco na parede): É impossível que não estejam em lugar nenhum!
Ao se aproximar da janela, Ágata vê que seu pai chegou.
Ágata (apressando Tomás): Ferrou! Ele chegou! Arruma tudo e vamos sair daqui antes que ele suba!
Tomás ajeita uns papéis na mesa de Alberto e em seguida volta correndo para o escritório de Ágata. Assim que eles entram, as portas do elevador se abrem e Alberto entra no escritório de Ágata.
Alberto: Ágata! Que bom que você ainda está aqui, eu preciso mesmo falar com você.
Ágata: Pai! — Ágata caminha em direção a Alberto – Quem precisa falar aqui sou eu!
Alberto (interrompendo): Depois eu dou as explicações que você quiser! Mas agora quero que você conheça duas pessoas.
Ágata fica paralisada no mesmo momento, ela já imagina quem são essas pessoas. Alberto pede para que Elisa e Débora entrem na sala de Ágata.
Ágata (pasma): Quem são essas duas?!
Alberto: Ágata essas são Débora e Elisa, aquelas que vimos na rua aquele dia. E adivinha só? Débora é a sua mais nova irmã!
Enquanto Alberto sorri de alegria, Débora e Elisa permanecem receosas. Ágata fixa uma expressão de espanto/inconformação.
FOCO NO ROSTO SE ÁGATA E DÉBORA, QUE ESTÃO FRENTE À FRENTE. A IMAGEM GANHA TONS AZUIS, CONGELA.
SAFIRA CAPÍTULO 4
CENA 01 (NOITE) – PLUMA, ESCRITÓRIO DE ÁGATA.
Alberto: Essa é Débora, Ágata. Ela é minha filha, mas só fui descobrir agora. Isso significa que ela é a sua irmã.
Ágata não fica nada feliz com isso. Seus olhos começam a se encher de lágrimas de tanto ódio, ela começa a tremer, mas se contém.
Ágata: Oi! — Ágata e Débora se abraçam – Então você é a garota que mexeu com a vida do meu pai?!
Débora (tímida): É… Eu acho que sim.
Ágata: E essa quem é, sua mãe?
Débora: É sim.
Alberto: Ágata, essa é a Elisa. Eu me envolvi com ela há muito tempo atrás, como te disse.
Elisa e Ágata se abraçam.
Ágata: Nossa! — Ágata respira fundo – Como é bom finalmente conhecer vocês! Confesso que estava ansiosa. Esse aqui é o Tomás, ele trabalha aqui comigo.
Tomás cumprimenta as duas.
Débora: Que bom conhecer vocês.
Ágata: Digo o mesmo! Tenho certeza que vamos nos dar muito bem, ser mais do que irmãs!
Alberto: Que bom que vocês se entenderam, confesso que foi mais fácil do que eu imaginei que seria… Agora licença que vou levar as duas pra conhecer mais da empresa. E tenho que conversar algumas coisas com elas, depois nos vemos.
Todos saem. Ficam só Ágata e Tomás. Tomás fecha a porta.
Tomás: Ferrou!
Ágata começa a respirar mais aceleradamente, ela apoia as mãos numa mesa.
Ágata: Que inferno! — Ágata leva as mãos à cabeça – Tudo o que eu mais temia aconteceu!
Tomás: Pois é… E pelo visto seu pai tá bem empolgado com a filhinha nova.
Ágata: Eu sei! — Ágata começa a chorar de raiva – Ah! Por que isso foi acontecer logo agora?! Isso não pode ficar assim, não pode! Tenho que agir antes que seja tarde demais, antes que ela conquiste ainda mais o velho idiota que é meu pai!
Tomás: E o que você vai fazer?
Ágata: O que eu vou fazer? — Ágata olha para Tomás – Eu vou dar um jeito nisso! Pode ter certeza!
CENA 02. ESCRITÓRIO DE ALBERTO
Alberto: Bom, agora que vocês já conheceram tudo e todos por aqui… Tá na hora de todos conhecerem vocês, não?
Elisa: Isso pra mim ainda é muito precoce. Eu sei que sua filha foi um doce de pessoa, mas acredito que pra ela também vai ser difícil.
Alberto: Claro que não Elisa! A Ágata sempre soube dessa minha procura pela Débora. Ela é super madura pra isso.
Débora: Mesmo assim eu ainda me sinto uma intrusa na vida de vocês.
Alberto: Débora, jamais! Vocês fazem parte da minha família! É por isso que eu quero registrar a Débora como minha filha legítima e até já comecei a preparar uma festa para recepcionar vocês! Na boate mais reconhecida de São Paulo!
Elisa: O quê? Mas já?! Ai, meu Deus! Isso não vai dar certo Alberto! Registrar minha filha eu até posso concordar, mas uma festa?!
Débora: Talvez seja um pouco demais…
Alberto (interrompendo): Não, não é! Eu preciso disso pra mostrar pra todo mundo de uma vez o quanto eu amei ter descoberto você! E olha que eu vou ficar muito magoado se vocês recusarem…
Débora olha para Elisa preocupada.
Elisa: Bom, já que entramos nessa. Já estamos envolvidas com isso até a cabeça… Fazer o quê?
Alberto sorri.
CENA 03 (DIA) – CASA DE EDGAR.
Edgar está ao telefone. Mariana está deitada no sofá folheando uma revista.
Edgar (ao cel): Ótimo Alberto, ótimo! Pode ter certeza que vai ser tudo de primeira! (…) Que isso, eu que agradeço. Um abraço!
Edgar desliga o telefone e vai até Mariana.
Edgar: Você não acredita quem acabou de confirmar uma festa na nossa boate!
Mariana: Alberto? Acertei?!
Edgar: Na mosca!
Os dois comemoram.
Mariana: Ah! Que ótima notícia! Vou até abrir um champanhe pra comemorar!
Edgar: Faça isso meu amor. Faça isso! Já imaginou o quanto vamos faturar?
Mariana: O Alberto é um ótimo cliente. Não podemos perdê-lo jamais!
Edgar: É por isso que eu já vou indo pra boate pra organizar tudo. Quero tudo impecável!
Mariana: Vai lá.
Edgar: Cadê a Juliana?
Mariana: A Juliana vive enfurnada naquele quarto. Mas por enquanto melhor assim. Tudo que eu menos preciso agora é ter que dar conta de conflitos de adolescente.
CENA 04. QUARTO DE JULIANA.
Juliana é um dos filhos de Edgar. Ela está falando com Luiz no celular.
Juliana: Ah você nem imagina a correria que essa casa tá nos últimos dias! E a Mariana continua mais insuportável que nunca!
Luiz: Ah, Ju. Você precisa ser mais amiga da sua madrasta… Nem parece que vocês são da mesma família!
Juliana: Amiga? Daquela lá? Você acha mesmo que ela gosta de mim? Só tá aqui por causa da fortuna que meu pai ganha com a boate!
Luiz: É… Bom, retiro o que eu disse. A Giovana tá mandando um oi pra você! Daqui a pouco vamos sair pra comer alguma coisa… Não quer vir?
Juliana: Ah, ótimo! Vou sim. Tudo pra poder escapar desse inferno. Jajá encontro vocês na editora.
Juliana desce as escadas. Mariana a vê.
Mariana: Vai sair?
Juliana: Desde quando você se importa com isso?
Mariana: Eu não me importo. Só preciso saber onde você vai pra se caso o Edgar perguntar eu dê a impressão de que me importo com você.
Juliana: Vou sair com meus amigos.
Mariana: Amigos? Que amigos? Aqueles dois que trabalham fazendo fofocas naquela editorinha?
Juliana: Olha eu vou ignorar esse seus comentários. Mas são eles sim dona Mariana.
Mariana: Olha, muito cuidado com o que você fala pra eles em! Daqui a pouco você fala alguma coisa sem perceber e no outro dia já tá na primeira página. Juízo!
Juliana: Irônico você me pedir juízo. Já que você é casada com um dono de boate!
Mariana: Ah! E por falar nisso, nada de arrumar compromissos pra essa noite em! Quero você na festa do Alberto. Tá avisada!
Juliana vira os olhos e sai.
CENA 05 – PRAÇA
Débora, Pablo e Gabi estão sentados em uma mesa de uma praça.
Gabi: Então ele tá mesmo levando a sério tudo isso em amiga.
Débora: É, vocês tinham que ver! Sabe, pode ser tudo muito precoce, mas eu consigo ver verdade nos olhos do Alberto. Quando ele fala que gostou de ter me descoberto.
Pablo: É, mas não deixa de tomar cuidado. Duvido muito que aquela outra filha dele vai levar isso tudo numa boa.
Débora: Sabe que ela também me pareceu uma boa pessoa? Me tratou super bem, minha mãe também. Até disse que vamos ser mais que irmãs.
Gabi: Ah, Débora! Como essa garota pode falar isso? Ela nem te conhece! Você sempre tem que ficar com um pé atrás com isso. Mesmo assim eu to super feliz por você, amiga! Eu sei como você sentia a falta de ter a companhia de um pai do seu lado.
Pablo: Ainda mais rico do jeito que ele é! — Pablo ri.
Débora dá um tapinha em Pablo.
Débora: Ah, claro que não Pablo! Eu sentia sim a falta de um pai. Fiquei até feliz em descobrir que meu pai de sangue tá vivo. Mas em momento nenhum levei em consideração toda fortuna que ele tem.
Pablo: Eu sei meu amor. To brincando.
Gabi: O que importa agora é a felicidade da nossa amiga!
Débora: Ah, gente… O que seria de mim sem vocês? E olha! Quero todos vocês na festa em!
Pablo: Eu jurava que ele não ia levar essa festa adiante.
Débora: Ah. Se dependesse de mim eu não ia, nem tinha festa! Mas como ele insistiu muito eu não tive como negar… E sem vocês eu não vou!
Gabi: Ah, Débora, não sei… Ele nem conhece a gente.
Débora: Mas eu conheço! Vocês são tudo pra mim! E vocês vão sim, não tem mais o que discutir. — Débora sorri.
CENA 06. CASA DE ALBERTO.
Ágata: Uma festa? Fala sério pai! Você nem conhece essa garota direito!
Alberto: Ágata ela é minha filha, assim como você!
Ágata: Uma filha que até dois dias atrás era uma bastarda! Você não sabe quais são as verdadeiras intenções dela pai. E dar uma festa assim, do nada, vai chamar muita atenção!
Alberto: É exatamente isso que eu quero que aconteça. Quero que todo mundo saiba que a Débora é minha filha! E as intenções dela são ótimas, até porque foi eu quem fui atrás dela.
Ágata: Se continuar assim, daqui a pouco você vai querer dar tudo que tem pra ela!
Alberto se aproxima de Ágata.
Alberto: Ágata, minha filha, isso não é hora pra ter ciúmes.
Ágata: Ciúmes?!
Alberto: Deixa seu pai ser feliz um pouco. Ãn?
Alberto dá um beijo na testa de Ágata e sai.
Ágata: O problema pai, é que sua felicidade é a minha infelicidade!
Ágata pega seu celular e liga para Tomás.
Ágata: Tomás? Se prepara, porque essa festa vai resolver nosso problemas!
CENA 07 – LANCHONETE.
Juliana: Nossa, se eu pudesse eu passa o resto da minha vida aqui com vocês! Bem melhor do que ter que aturar aquela chata da Mariana!
Luiz: Ah, gente! Mas passou tão rápido!
Giovana: Também acho. Temos que arrumar mais passeios assim.
Juliana: Se eu pudesse eu ficava mais, mas não dá. Tenho que me arrumar pra festa do Alberto na boate.
Luiz: Festa? Por quê? Algum motivo especial?
Juliana: Ah, parece que o Alberto encontrou não sei quem e isso deixou ele muito feliz.
Giovana dá um tapinha em Luiz.
Giovana: Tá vendo Luiz! Eu falei, eu falei! A notícia era verdadeira!
Juliana: Notícia? Que notícia gente?
Giovana: Ah, então. É que eu fiquei sabendo que o Alberto estava procurando uma filha de um romance antigo da vida dele. Então eu resolvi apresentar pra editora. E eu estava certa!
Luiz: É… Dessa vez eu tenho que admitir que você me surpreendeu!
Juliana: Bom, deve ser mesmo! Porque a festa que ele vai dar não é fraca não!
Giovana: Luiz! A gente precisa ir nessa festa! A editora ia ter muito reconhecimento se cobrisse esse evento!
Luiz: Ah vai sonhando! Até parece que o Alberto vai deixar a gente entrar lá.
Juliana: Acho que é o dia de sorte de vocês! Pelo que eu vi, o Alberto quer que todo tipo de jornalista vá. Ele quer espalhar pro mundo inteiro a nova filha que descobriu!
Giovana: Ah, mas então ele já deve ter comunicado a editora, e nós vamos! Pode ter certeza!
CENA 08. (NOITE) – CASA DE ELISA
Alberto e Elisa esperam por Débora na sala.
Elisa: Filha, está pronta?
Débora: Tô sim mãe! Prontinha.
Débora vai até a sala, revelando seu visual.
Alberto: Você está linda! — Alberto olha para Elisa – Vocês duas estão!
Débora sorri.
Débora: Alberto, eu chamei uns amigos meus e meu namorado… Fiz mal?
Alberto: Não! De modo algum! Eu quero que vocês duas sintam mesmo que a festa é de vocês.
Débora: Você tá sendo realmente muito bom com a gente. Obrigada.
Alberto: Preciso compensar os anos perdidos. Bom, agora vamos!
Eles saem da casa de Elisa. Pablo e Gabi estão do lado de fora.
Gabi: Nossa, como vocês estão lindas!
Pablo: Minha namorada, sorte minha!
Débora beija Pablo. Elisa os cumprimenta.
Débora: Alberto esses são Pablo e Gabi.
Alberto: Que prazer conhecer a melhor amiga da Débora e seu namorado!
Eles se cumprimentam. Em seguida entram no carro.
CENA 09. NIGHT PRIME.
A boate está cheia. Estão lá convidados e jornalistas.
Mariana: Essa noite entrará pra história!
Edgar: Pode ter certeza!
O carro com Ágata e Tomás chega. Vários jornalistas os cercam.
Ágata desce e Tomás a acompanha. Eles desviam dos paparazzi e ficam à sós.
Tomás: Tem certeza que vai mesmo fazer isso Ágata?
Ágata: Tenho sim, e essa é a hora! Vê se vai fazer tudo certo. Você sai com ela pelos fundos da boate!
Tomás: Só espero que tudo dê certo!
Em seguida Alberto chega com Débora, Elisa e seus amigos. O carro é tomado por fotógrafos e jornalistas. Eles fazem várias perguntas a respeito dos motivos da festa de última hora.
Alberto (para os jornalistas): Na hora vocês irão saber de tudo!
Alberto protege Elisa e Débora dos fotógrafos, eles entram na boate. Ágata as cumprimentam.
Ágata (para Débora): Oi! Aproveita, é a sua noite!
Ágata cumprimenta Gabi também, e depois se volta para Tomás.
Ágata: Olha que espaçosa, chamou até a amiga favelada pra festa.
Tomás: E pelo visto chamou o amigo também.
Pablo cumprimenta Ágata e Tomás.
Pablo: Oi!
Ágata fica surpresa com Pablo.
Ágata: Oi…
Após isso, Tomás a puxa pelo braço.
Tomás: Qual foi Ágata? Parece até que gostou do cara!
Ágata: Que?!Nem pensei nisso! Se toca!
Tomás: Eu acho bom!
***
Após alguns minutos Alberto chama todos para fazer um comunicado. Ele ajunta todos os convidados envolta dele e Débora.
Alberto: Bom! Alguns já devem saber, mas muito de vocês devem estar se perguntando o verdadeiro motivo dessa festa… Na verdade, hoje é um dia muito especial pra mim! — Alberto chama Débora para mais perto – Essa menina! Muitos não a conhecem. mas ela é a verdadeira razão de tudo isso! — Todos na festa se olham sem entender anda – Ela, Débora, é minha filha!
Os convidados ficam surpresos. Alguns fazem cara de espanto e até mesmo insatisfação, mas após ver Alberto dar um abraço em Débora, a grande maioria os aplaudem.
Alberto: Pode parecer muito confuso, mas não é! Ela é filha daquela mulher incrível ali — Alberto aponta para Elisa – fruto do maior romance que eu já tive na vida!
Elisa se sente envergonhada. Enquanto isso fotos continuam a ser tiradas. Edgar então toma a palavra.
Edgar: Bom! Isso é mais que perfeito! — Edgar levanta uma taça de champanhe – Um brinde a eles!
Todos comemoram.
CENA 10 – NIGHT PRIME, HORAS DEPOIS.
Elisa conversa com Alberto e Débora resolve ir até o banheiro.
Débora (para Alberto): Onde é o banheiro? Preciso ir…
Alberto: Ah! Claro filha! É bem ali! — Alberto aponta para a direção em que o banheiro está.
Débora se levanta e caminha em direção. Ágata, um pouco mais próxima ao banheiro percebe.
Ágata: Vamos Tomás! Essa é a hora! Segue ela e sai pelos fundos! Eu vou te esperar com o carro lá!
Débora se dirige ao banheiro, Tomás a segue. A área do banheiro está vazia. Tomás sorrateiramente entra no banheiro sem Débora perceber. Quando Débora entra Tomás a pega por trás e a coloca um lenço cheio de clorofórmio em seu nariz. Ela cai desacordada. Tomás sai pelos fundos com ela sem que ninguém perceba. Ele a coloca no carro em que Ágata os espera, após ela abrir a porta.
Ágata (apressando): Coloca ela ai atrás, vai! Anda!
Tomás a coloca no carro e olha fixamente para Ágata muito preocupado. Ágata então fecha a porta do carro, olha para Tomás e sorri.
FOCO NO OLHAR VITORIOSO DE ÁGATA. A IMAGEM FICA AZUL. CONGELA.
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