Weasley
1 Percy Weasley
Notas iniciais
Percy encolheu-se ligeiramente no banco, encostando-se na parede de modo automático; sempre gostou mais de estar longe da vista de olhares curiosos, ou até mesmo amistosos, era preferível se esconder nas sombras e passar despercebido.
E tinha dado certo, ele conseguiu se esgueirar até o último vagão – felizmente vazio – do trem que já estava começando a partir. E quando chegou lá, perceber que pudera finalmente respirar em paz foi um enorme alívio, sem ter pessoas enchendo-o de perguntas e empurrando a si próprias animadas, exclamando alto e com sorrisos largos – que irritava-lhe um tanto.
Percy poderia dizer que por um pequeno e rápido momento sentiu um leve desconforto no peito, no entanto, ignorou-o como se não fosse nada, mesmo que tivesse lhe machucado; ele estava bem, afinal, não precisava de companhia. Já tinha se acostumado, não precisava de ninguém além dele mesmo – era seu próprio melhor amigo. Remexeu-se e folheou o livro mais uma vez, dando-lhe toda a sua atenção tentando fugir dos pensamentos melancólicos.
E muitas vezes repetia aquele exato cenário na biblioteca, no tempo livre após as aulas, e se escondia atrás das estantes, com o rosto escondido no livro; seus lábios crispados, as sobrancelhas arqueadas e o olhar concentrado, que costumava intimidar os outros alunos. Mas Percy nunca importou-se, era apenas ele e as histórias, sem pessoas rudes e vozes altas por todos os lados. Era silencioso e confortável, como ele sempre gostou.
E mesmo que as outras crianças costumavam cochichar sobre ele sempre estar sozinho, Percy tinha orgulho de respondê-las mentalmente, como um doce cachorro feliz por ter alcançado o graveto, ele apenas sabia prezar sua própria companhia. Sentia como se fosse irmão único, porém, não era. Tinha os outros Weasley para atormentá-lo, infelizmente.
Pois sempre valorizou o velho ditado “Melhor só que mal acompanhado.” e costumava o repetir convencido toda vez no espelho. Até porque, quanto mais você conta uma mentira, um dia, ela vira a verdade.
Porque Percy não era solitário, era unicamente independente, e estava feliz com isso.
E para ele, livros sempre foram melhores que pessoas e eventos sociais.
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