We married? No way!
19 Sempre amei e sempre amarei. -Capítulo Final
Notas iniciais
Cada segundo parecia um minuto, toda acção se assemelhava a um enorme filme em câmara lenta, à medida que o corpo de Regina caia no chão amparado pelos braços de Emma que tinha uma expressão atónita com o sacrifício da rainha.
Toda a sala permanecia em um silêncio quase solene ao presenciar a cena, o sangue da prefeita manchavam as roupas da Salvadora.
EP: -Re..Regina..-os lábios na loira estavam trémulos, uma angústia se apoderava dela enquanto que prensava mais o corpo da mulher contra o seu. –Não..por favor não..não podes..tu...
A morena deu um leve sorriso seguido de um gemido sofredor, o tiliar do metal soou quando Hook, petrificado com o que estava a acontecer, largou a espada, sendo logo detido pelo David, que já acordara e a Ruby, pondo-o no chão sem resistência alguma vindo dele, ainda a olhar horrorizado para a cena.
EP: -Não me deixes...-a voz da loira misturava-se com o som do choro, um soluço rasgado saía de dentro de si.
Aos poucos toda uma aglomeração se juntava ao redor do casal, Emma e Regina, também acordadas agora, olhavam tudo em completo choque e melancolia, a xerife puxou a sua esposa para sim automaticamente, sentindo toda uma onde de desespero a passar por ela.
Regina, já num estado bastante debilitado, levou a sua mão ao rosto da outra, dando uma leve carícia.
RP: -Lamento muito..-fala num fiapo de voz, mais rouca ainda do que o natural. –Devia ter vindo antes..
EP: -Não, não fales, não penses nisso, está bem? Vai dar tudo certo. –respondeu abraçando-a mais, lágrimas grossas a escorrer-lhe da face.
RP: -Emma..
EP: -Não, eu não posso... O Henry, como..como é que eu vou...Não.
O desespero era cada vez mais notável no rosto dela. Inúmeras possibilidades passavam-lhe pela mente, mas nenhuma boa suficiente. Nem a magia lhe salvaria naquele momento.
RP: -Emma...-a prefeita deu-lhe mais carinho no rosto e soltou um leve suspiro, olhando para a outro numa maneira terna e apaixonada. –Eu amo-te..
Lágrimas caíam do rosto da Salvadora enquanto esta se abaixava, encostando a testa na dela.
EP: -Também te amo, Regina, sempre amei. –respondeu num tom quebrado, vendo o sorriso tão perfeito, o seu favorito, perto da sua pele, antes de sentir a última respiração do seu amor verdadeiro.
Nenhuma palavra arriscava ser pronunciada, parecia que todos tinham até deixado de respirar naquele momento tão fúnebre, tão pesado, tão depressivo.
Emma sentia-se inundada de emoções, a tristeza, a revolta, a raiva, a frustração misturavam-se ao ponto de só um grito com todas essas emoções contidas sair dos seus lábios ao abraçar mais fortemente o corpo da sua amada, agora morta.
—Não vale a pena gritar, dearie, ela já não te pode ouvir. –Rumple fala no seu tom característico de voz, frio e irónico.
A loira levanta os seus olhos numa direcção remota em qualquer ponto da parede, o seu olhar estava vazio, sem vida ou resquício algum de emoção.
O que tenha havido antes naqueles olhos verdes brilhantes, morreu juntamente com a rainha.
A salvadora pousou o corpo cuidadosamente no chão e se levantou, a roupa agora manchada e ainda sem se mexer um timbre nunca antes ouvido saiu da boca dela.
EP: -Tu....
A frieza na pronuncia destas palavras praticamente imobilizou os outros, à medida que a Emma se virou e num movimento pegou na adaga, antes na posse de Belle, levando-a ao pescoço do homem, que mesmo ameaçado de morte não deixava aquele sorriso presunçoso.
—Vejam só quem temos aqui.. Parece que a tão magnífica e bem-feitora Salvadora não é só feita de amor e luz.
EP: -Tu... Tu és o culpado disto tudo. Tu és responsável dela estar morta! –a xerife praticamente berrou, aproximando mais a lâmina do pescoço do outro homem.
—Desculpa desapontar-te, mas a última vez que verifiquei foi o teu pseudo-namorado que atravessou o corpo da tua tão desejada rainha. Eu estava aqui preso, tal e qual como agora. –respondeu num tom escarnecedor.
EP: -Não..eu sei que foste tu. Killian não tem a capacidade de tudo isto, ele precisaria de alguém para fazer-lhe a cabeça, para garantir-lhe que esta era a única maneira, alguém, que de alguma maneira doentia, tira-se proveito disto. Alguém como tu. –falou cada vez mais pausadamente sem desviar os olhos dele.
—Bem, estou lisonjeado. –o Senhor das Trevas respondeu.
EP: -Só não entendo porquê... Porquê tudo isto? –ela perguntou mais friamente. –Responde.
A sala permanecia em silêncio com a simples excepção deles, todos os outros continuavam num silêncio de luto, Snow sem conseguir tirar os olhos da sua antiga madrasta, sendo abraçada pelo David.
Ruby continuava ao lado de Killian, agora amarrado, Belle com a cabeça deitada no ombro dela, que lhe dava uma leve carícia nos seus cabelos.
O pirata ainda estava imóvel, sem entender a razão de tudo isto.
Emma e Regina, do futuro, apresentavam um estado atónito sem largar uma à outra, ao tentar processar que tinham falhado, o seu futuro não ia existir, perderiam tudo o que conquistaram até agora, os seus filhos, a sua felicidade, uma a outra, tudo. Nada restaria, nada alguma vez existiria.
—Eu tenho os meus motivos.
EP: -Não foi isso que eu perguntei. –respondeu entre-dentes e agarrou o cabo da adaga com mais força.
Rumplestilskin cerrou o maxilar e olhou de relance para a sua antiga companheira, abraçada com uma loba qualquer em vez de estar com ele, trocado por uma cadela de rua.
—Eu fiz para conseguir o meu final feliz. –disse desviando o olhar da cena desprezível do canto, e olhando para a loira. –Eu tinha que mudar o futuro, alterá-lo, e para isso acontecer tive que sacrificar algo, neste caso alguém. –continua e olha para o corpo de Regina, jazido no chão. –Se te serve de consolo, não queria que fosse ela a morrer bastava-me que se separassem, ou que tu morresses, é me igual.
A xerife estreitou os olhos e virou o rosto para onde antes ele olhava, percebendo tudo naquele momento.
EP: -A Belle? Fizeste tudo isto para consegui-la? Mataste a Regina para isso?! –a raiva da mulher parecia cada vez maior ao mesmo tempo que o Senhor das Trevas nada respondia.
Ao ver toda a situação, David achou que seria melhor intervir antes que algo terminasse mal.
—Emma? Hey, já chega. Nada disto vai servir agora. –ele fala no seu tom paternal, pondo a mão no ombro da filha, que logo rejeita o toque.
EP: -Não! Eu estou farta disto! Porque ele tem sempre que sair de ileso enquanto que nós lutamos vez após outra?! Porquê?! Onde está o meu final feliz? Onde está o final feliz da Regina? –as lágrimas voltaram a rolar livremente na sua face, o seu maxilar cerrado. –Chega, eu não vou aturar isto mais.
Snow aproxima-se cautelosamente, os olhares postos na Salvadora visivelmente nervosa.
Mary chega ao pé da filha que se afasta, dando um passo atrás.
—Emma..dá-me adaga..
A loira cerra mais o punho ao redor dela e volta a encarar o Senhor das Trevas com uma expressão de puro ódio.
EP: -Não..
—Emma, não faças isso..Emma, não!
Antes que algo pudesse ser feito a adaga fora cravada no peito de Rumple, densas trevas rodavam ao redor de todos até que por fim atingiram o corpo da antiga Salvadora que apresentava naquele momento umas roupas negras, o seu cabelo platinado e um olhar de maior vazio que antes, o corpo do homem à sua frente desfalecido no chão, morto.
Não havia mais palavras que pudessem ser ditas, afinal o nome na adaga mostrava tudo, revelava o que pudesse estar ainda nublado na mente deles.
Regina estava morta, Rumple estava morto, a Emma é a nova Senhora das Trevas.
Os olhares eram incompreensíveis, todos estavam em choque até mesmo o seu eu do futuro, por mais que houvesse uma outra expressão no olhar, um entendimento mútuo.
Emma nada disse.
Em passos firmes, mas nervosos, andou até o corpo da morena, ajoelhou-se, largou a adaga e voltou a abraçar quem deveria ser a sua futura esposa, a futura mãe dos seus filhos, o seu amor verdadeiro.
EP: -Eu lamento tanto...-Emma disse num tom ainda trémulo, acariciando o rosto agora frio. –Eu queria lutar, eu queria continuar, mas...não consigo..estou cansada, Regina. –uma lágrima escorreu no seu rosto à medida que acariciava os seus cabelos negros. –Eu amo-te Regina..sempre amei, sempre amarei.
A loira aproxima o rosto do da prefeita e como uma despedida, sela os lábios nos dela, no entanto quase que no mesmo instante uma forte luz rodeia-os, envolvendo-os completamente.
***~***
Storybrooke 9 de Novembro de 2023
Regina e Emma estavam reunidas no Granny's juntamente com o resto na família, o que neste caso implicava a Snow, o David, o Henry, o Neal, o Ethan e a Alison.
—Então, vocês ficam com eles este fim de semana e depois nós vamos lá buscá-los domingo ao fim da tarde, certo? — Regina pergunto pela terceira vez.
—Sim Regina, nada mudou desde a última vez que perguntaste, neste caso à cerca de 3 minutos. — Snow falou a conferir o relógio.
A rainha deu um sorriso embaraçado e olhou para os seus filhos que estavam entretidos a comer uma torta, juntamente com o Neal, que tinha agora 8 anos.
—Relaxa amor, vai correr tudo bem.
Regina olha para o lado e encara o sorriso que a sua esposa direcionava-lhe, observando de seguida os seus olhos verdes e as suas mãos unidas em cima da mesa.
(...)
Storybrooke, 9 de Novembro de 2015
—E por que é que eu haveria de ser a ridícula aqui?! Toda a gente fica a relembrar-me que eu sou uma heroína, que sou o fruto do amor verdadeiro e tudo isso, e no momento em que eu ajo como tal...é isto que acontece! –Emma fala já cansada de tudo aquilo.
—Pois, quão irónico! Quando deves agir como uma, só medos, e no momento em que a única coisa que tens que fazer é ficar quieta, tu arranjas uma maneira de estragar tudo! -Regina falou .
—Eu não podia deixar que tu a matasses! Ela é uma inocente!
—Isso não importa! Não agora!
Emma ficou calada durante alguns segundos, esta não era a Regina que ela conheci-a.
—Tu conseguiste arruinar o meu final feliz, tal e qual como a tua mãe o fez. Parece que há certas características que são genéticas.- A perfeita falou.
—Nem tudo gira há volta do Robin, Regina. –a loira comenta se sentindo um tanto ansiosa.
—E por que é que isso te interessa!?
—Por que eu amo-te!
A declaração saiu como uma bomba, ninguém estaria à espera, muito menos a mulher ali parada a quem tinha acabado de se declarar.
A xerife solta um leve suspiro e passa a mão pelos seus cabelos, olhando de seguida para a rainha.
—Eu amo-te, Regina.. Sempre amei. –acrescenta com um ar vencido e dá um pequeno sorriso.
—Eu...- Regina tentava pensar em algo para responder, no entanto uma onda de emoções era a únicaa coisa que sentia, era demasiado. –Eu não posso...não agora. –disse e com isso desapareceu na sua típica nuvem de fumo, deixando uma loira bastante frustrada para trás.
***~***
De facto, o destino pode dar conta de muitas coisas. Outras, simplesmente, não, e ainda outras somos nós que precisamos de construir e fazer o nosso próprio destino.
No fim, Regina, no dia 24 de Novembro, acabou por se render ao que sentia e se juntou à xerife, o que resultou em mais duas crianças gémeas.
“Então, mas e tudo o que vimos até agora? “, devem me perguntar.
Digamos que nada aconteceu, o “destino” tratou dele mesmo, todas as linhas do passado, presente e futuro foram fiadas devidamente, e o que deveria ser uma catástrofe, no final, resultou.
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