Notas iniciais
Eu não vou pedir perdão por demorar, porque tenho noção que excedi o que é razoável, e não, também não vou dar desculpas por isso. Neste momento tenho um único motivo para continuar aqui, que tem sido a minha força para tudo o resto, e sabes bem que estou a falar de ti, minha linda. Se continuo a escrever é por ti, é por aquilo que esta fic significa e ao que levou. Por isso, este capítulo é para ti. Para felicidade ao desgosto geral tenho que admitir que se o programa está certo, este pode ser ante-penúltimo capítulo, pois é... Mas sem mais delongas, espero que tenham uma boa leitura. Qualquer erro a culpa é minha mesma, eu não revi.

Existe vários tipos de sons que podem levar uma pessoa à loucura.
O giz quando é carregado num quadro e faz aquele chiar irritante, o som das unhas a bater numa mesa, o mastigar de uma pastilha, mas na minha opinião há um que bate todos eles com uma distância impressionante, o som do relógio.

Tic, tac, tic, tac, tic, tac, tic, tac...

Podes pensar que o ódio que as pessoas têm por esse som deriva de uma simples analogia entre a pressão que o tempo tem sobre nós, porém, na minha opinião, o som é simplesmente irritante.

Tic, tac, tic, tac, tic, tac, tic, tac...

Eu realmente gostava de saber quem foi o filho da mãe que pôs a merda deste relógio aqui.

–Pára... -falei meio rouca.

Não conseguia ver nada à minha frente. Sentia que estava numa sala pequena, e que o ar tornava-se cada vez mais escasso, tentava mover-me, no entanto algo prendia os meus membros, uma pressão fazia-se presente, mas não conseguia identificar o que era.

–Pára. -disse com a voz mais firme agora sentindo a minha garganta arder devido a esforço.

Tentei mexer-me, contudo não surtiu nenhum efeito, continuava presa naquele lugar minúsculo com um som que parecia cada vez mais alto a ecoar em tudo.

Tic, tac, tic, tac, tic, tac, tic, tac....

***~***

RF: -Onde é que está?

A rainha olhou para todos os lados à procura de algo, um sinal, uma força, qualquer coisa.

Regina parou no centro do que era uma clareira, e respirou fundo. Uma brisa gelada passava o que não ajudava ao facto de ela estar só de camisa no meio da madruga. Um arrepio percorreu o seu corpo e instintivamente ela levou as mãos aos braços esfregando-os.

RF: -Onde é que estás? -disse a olhar ao redor.

Um suspiro saiu de seus lábios enquanto fechava os olhos, deixando-se estar parada.

O som da brisa, as folhas a moverem-se, um pássaro ou outro, e..aquilo!

A morena abriu os olhos sentindo uma energia diferente, avançou alguns passos parando em frente a o que era uma grande rocha mais ou menos do seu tamanho. Levantou uma mão movendo-a para a frente ligeiramente, mas logo afastou-a sentindo um choque.

A prefeita estreitou os olhos, enquanto olhava para a sua mão dirigindo de seguida para a rocha de novo.

Afastou-se uns passos levantando ambas as mãos deixando a energia sair tentando quebrar o feitiço de proteção.

Sentia as mãos a tremerem enquanto que cada partícula era esgotada naquele ato falhado.

Os seus joelhos cederam caindo no chão, a sua respiração descompassada.

A morena olhou para frente cerrando o maxilar.

Tão perto...

Com algum esforço a rainha levantou-se estendendo os braços, a magia a fluir mais uma vez.

***~***

Não fazia muito sentido...Não fazia sentindo de todo aliás.

A morena levou as mãos aos cabelos ruivos abraçando com um pouco mais de força o corpo colado ao seu.

Não sei se aguentaria...

A loba olhou para o corpo adormecido da sua esposa. Tão serena, tão calma, tão...linda...

Tinham se casado à pouco mais de três meses e ainda parecia um sonho.

Ruby levou uma mão ao rosto da ruiva dando uma leve carícia, tirando de seguida uma mecha de cabelo do rosto da outra mulher.

Um leve suspiro saiu dos seus lábios enquanto fechava os olhos.

Era uma situação complicada, até delicada, muito aliás, e o seu papel no meio daquela confusão toda não era muito nítido.

O que fazia ali afinal?

A atendente olhou para o lado vendo o sol a subir anunciando um novo dia.

Não entendia...

Um movimento na cama fê-la despertar dos seus pensamentos . A morena olhou para baixo vendo a sua esposa a acordar lentamente.

—Bom dia. -A loba sussurrou .

—Bom dia. -A bibliotecária respondeu ainda meio grogue do sono.

—Dormis-te bem?

—Sim...- a ruiva respondeu ajeitando-se melhor no peito da mais alta voltando a olhar para ela. -Mas não me parece que vás responder o mesmo se eu perguntar.

A morena sorriu levemente voltando a olhar para a janela.

Era impossível esconder-lhe algo.

—O que aconteceu?

—Só estou um pouco confusa. Toda esta situação... -A morena respondeu fechando levemente os olhos.

—Penso que toda a gente pensa o mesmo, amor.

—Sim, capaz. -Disse olhando de novo para a ruiva. -Só não percebo qual é o meu lugar ali. O que estou a fazer no meio daquilo tudo.

Um momento de silêncio fez-se presente no quarto.

Belle olhou para a esposa tendo um leve sorriso nos seus lábios.

—Sabes, muitas vezes nós não sabemos o porquê de estar a viver uma coisa ou outra, ou o que é suposto fazer. No entanto, se calhar não é suposto saber, ou então a resposta vem mais tarde, nós só temos de estar lá. Só temos de vivê-la.

***~***

Regina mal se mexia naquela cadeira. O seu semblante demonstrava cansaço e até angustia.

RF: -Eu não sei mais o que fazer Emma... Estou exausta. Sinto-me perdida. -A morena falava acariciando de leve a mão da loira que mantinha-se naquela cama. O único sinal de vida sendo o seu peito que se mexia de acordo com a sua respiração fraca. -Nada mudou. A Emma continua desaparecida; nenhuma pista foi encontrada de onde ela possa estar. Todos estão cada vez mais stressados com esta situação, e tu... -a sua voz falhou enquanto cerrava o maxilar, os olhos a arder das lágrimas. -Eu não consigo melhorar nem uma coisa nem outra, Emma. Não sei como te ajudar, nem como ajuda-los. Nós estamos a perder a nossa família e é minha culpa. -As lágrimas no rosto da rainha agora caíam impiedosamente a sua voz trémula. -Desculpa, Emma. Eu falhei.

O moreno cerrou o punho enquanto via a cena. Regina a chorar ao pé do corpo desfalecido da sua esposa. Uma cena trágica. No entanto, havia um propósito a ser comprido.

O homem respirou fundo e foi-se afastando a passos largos saindo daquela casa.

Tinha que seguir com o plano.

***~***

Respiração irregular, suor a escorrer pelo seu rosto, o seu corpo tremia enquanto a sua visão ficava cada vez mais turva.

Só mais uma vez.

A rainha levantou-se de novo sentindo todo o peso das horas do uso de magia a consumi-la.

Estendeu os braços deixando a magia fluir tentando quebrar a barreira.

O seu corpo tremia com cada vez mais impulso, enquanto ela fazia de tudo para manter-se lá.

A prefeita mordeu o lábio com força sentindo como que uma força a empurrá-la no entanto fez um último esforço mantendo-se lá em vão. No segundo seguinte, foi impulsionada para trás batendo com as costas numa árvore caindo no chão.

***~***

Só temos de vivê-la.

As palavras da Belle não saíam da sua cabeça.

Como era suposto viver uma situação que não não fazia o mínimo sentindo.

A loba suspirou enquanto continuava a sua corrida. Era de manhã perto do meio dia, e apesar de o sol estar alto, como era típico de Maine, fazia frio.

A estrada estava deserta como sempre e chegando a um certo ponto virou para a floresta continuando o seu trilho até que um certo barulho chamou-a à atenção.

Ruby parou olhando ao redor à procura da sua fonte não encontrando nada.

Deve ter sido só um animal.

A mulher continuo a sua corrida, porém aquela sensação não saí do seu peito.

Só temos de vivê-la.

A morena bufou parando de correr e virou-se para o outro lado onde parecia ter vindo o som.

—Eu vou chegar lá e não vou encontrar coisa alguma. -reclamou correndo naquela direção.

A velocidade da sua corrida foi aumentando, contudo algo a fez parar.

A empregada inspirou sentindo algo no ar. Havia um outro cheiro.

Ela continuo a andar sendo guiada por aquela fragrância chegando ao que parecia uma clareira. Era o mesmo sítio onde o feitiço localizador tinha-a levado.

A loba olhou ao redor tentando achar de onde vinha o aroma, ficando estática quando encontrou.

—Regina... -a morena andou rapidamente até ao corpo da mulher desmaiada vendo se havia algum ferimento à mostra.A loba levou a mão à frente da boca da prefeita verificando se respirava ou não, vendo que sim. Pegou gentilmente no seu braço com o intuito de pegá-la ao colo, mas logo que lhe tocou a rainha começou a balbuciar algo até que abriu os olhos tentando se levantar alarmada.

—Regina, hey! Regina. -Ruby chamou-a agarrando-a pelos ombros até que a morena foca-se os olhos nela.

RP: -A Emma, eu tenho que ir buscá-la. -Regina dizia olhando para a rocha e de seguida para a loba.

—Tu não podes ir a lado nenhum assim. -Falou tentando acalmá-la.

RP: -Não, não estás a perceber. Eu sei onde ela está. Está ali, bem ali! -Disse apontando para a rocha.

—Como assim? -A morena apontou um tanto confusa. -Não está ali nada Regina.

RP: -Está! Puseram um feitiço de proteção para não vermos nem podermos entrar. Eu tenho que quebrá-lo. -Respondeu levantando-se tirando as mãos da loba dos seus ombros.

—Eu não percebo muito de magia, mas acho que não estás em condições para fazer algo. -Ruby disse acompanhando o gesto da rainha ficando ligeiramente atrás dela.

RP: -Eu tenho que estar. -Sussurrou voltando a estender os braços tentando se equilibrar.

—Não podes fazer isso. -Ruby interveio pegando no seu braço, contudo ela reagiu puxando-o de volta.

RP: -Por favor, eu tenho que tentar. -A sua voz soou tremida notando-se o óbvio desespero.

A loba engoliu em seco suspirando dando um passo atrás como que dando uma permissão silenciosa.

Regina respirou fundo olhando para a frente fazendo o mesmo ritual, logo sentindo a magia a manifestar-se. Estreito os lábios sentindo o seu corpo em esforço e deixou fluir,contundo sentiu uma mão a agarrar o seu pulso interrompendo-a. A prefeita olhou sentindo-se em choque com a visão.

RP: -Emma...

Notas finais
Então...sugestões? Não me matem, vá. Que acharam? Estamos mesmo na reta final, então comentem o que acharam, aquelas que não comentaram ainda não é tarde demais. Força aí, e até o próximo.