Notas iniciais
Oii gente :) espero que gostem

Eu me perguntava se ela iria realmente voltar,os anos se passavam e nós íamos envelhecendo gradualmente, e ela não. Eu sei o que a mãe dela sentiu quando disse:

“- A Meiko não está mais aqui, e mesmo assim vocês continuam sendo os mesmos de sempre, ela é a única que não mudou desde aquela época, mas por que vocês estão se tornando adultos?”.

E por que eu ainda não consigo parar de pensar nela?!


Era um dia comum para nós os super protetores da paz. Uma tarde ensolarada de fim de verão, nós 5 na base secreta, sentados em volta da mesa, tomando um chá em nossas canecas.



–Eu estou sem ideias para meu novo mangá –Disse Anaru, sentada em uma pilha de pneus velhos, de braços cruzados olhando para o teto, tentando sem sucesso pensar em uma ideia nova para seu mangá.


Mesmo Anaru não tendo tanta fama, ela é parada na rua por crianças, sempre meninas, que apreciam seu trabalho. Ela se sente feliz e prestigiada e é isso que importa, mesmo não sendo a pura verdade.

–Eu acho que você deveria fazer sobre ursos- Sugeriu Poppo, segurando sua caneca

–Você deve fazer sobre algo que domina, tipo amores não correspondidos na infância- Sugeriu Yukiatsu, dando um sorriso malicioso no final da frase.

Eu estava morrendo de sono. Com a cabeça apoiada na mão, eu ia devagarzinho, fechando meus olhos. Quando eu vi percebi, estava sonhando.

Menma estava no meu sonho, como uma criança, a criança que morreu a muitos anos atrás. Ela me dava um beijo na testa, enquanto eu estava sentado em um tipo de pedra. Era comum eu sonhar com ela, mas nunca tão real como este. Eu podia sentir seus lábios molhados tocando minha testa e suas mãos, frias sobre meu joelho, se esforçando para dar o beijo.

De repente, alguém começou a me chamar e tudo foi ficando preto. Era a voz de Menma ecoando no meu ouvido.

Acordei assustado e gritei:

–MENMA?

Quando eu olho pro lado era a Anaru que estava sussurrando. Como eu pude confundir duas vozes tão diferentes? É, eu estou ficando louco.

Todos me olhavam assustados como se eu falasse a palavra proibida. Depois daquele dia nunca mais tocamos no assunto Menma. Deixamos isso enterrado com ela. Havia muito sentimento ainda por parte de nós 5 que era melhor não relembrar, para o nosso bem.

Eu me levantei, indo para o lado de fora. Os olhares assustados me acompanharam até a porta.

Lá fora passei a admirar o céu que dava sinais de uma longa tempestade vindo. Mesmo assim fiquei parado observando.

Yukiatsu veio atrás de mim e colocou sua mão sob meu ombro perguntando:

–Que tal termos uma conversa de homem para homem?

Eu olhei surpreso e respondi:

–Cara, eu tava dormindo, se for me dar bronca....

–Não vou dar bronca, só quero conversar apenas nós dois –Disse me interrompendo.

Concordei e fomos andando, descendo devagar o morro aonde a base secreta fica.

–Eu sei que você ainda pensa na Menma, eu também penso nela as vezes, é normal, mas você tem que cuidar de Anaru- Yukiatsu falou enquanto colocava suas mãos no bolso – Ela está viva e é sua namorada agora

–Aonde você quer chegar?

–Jintan, Anaru é uma moça bonita, se ela não conseguir amor vindo de você, ela vai procurar em outro

–Você se baseia nisso no seu relacionamento com Tsuruko?- Perguntei num tom sarcástico

–Sim claro,eu ainda gosto da Menma, mas eu sei que o passado não volta mais e que temos que viver o agora.

Eu sorri e ele sorriu de volta.

–Você sabe de algo que eu não sei sobre minha namorada?- Perguntei desconfiado, afinal Yukiatsu não faz nada por acaso.

–N-Não – Gaguejou ficando meio nervoso –Eu estou dizendo ape....

Nossa conversa foi interrompida por um latido de cachorro, que vinha na nossa direção, correndo que nem louco com a língua de fora. Era um labrador amarelo bem formoso e com cara de sapeca.

–Mas o que um cachorro tá fazendo aqui? –Perguntou Yukiatsu suspreso como eu, de como um cachorro foi parar em um morro como aquele.

–Eu acho qu...

Novamente nossa conversa foi interrompida. Dessa vez por uma menina que corria atrás do cachorro com a corrente dele na mão. Ela usava uma capa de chuva de bolinhas, o que dificultava ver seu rosto. Seus passos não eram firmes e ela tropeçava no próprio pé com frequência.

O cachorro passou reto da gente e correu em direção da base secreta e a menina cada vez que se aproximava parecia mais e mais atrapalhada.

Ficamos ali observando a cena cômica da menina atrás do seu cachorro que deve ser o dobro da sua altura, quando de repente ela pisou em falso e caiu, rolando em direção ao rio, o mesmo rio em que Menma morreu.

Corremos para vê-la. Nós dois estávamos surpresos em como tudo aconteceu rápido. Ela rolou e bateu a cabeça com força nas pedras, e por fim caiu no rio gelado.

–Chama o Poppo aqui que eu vou ajuda-la – Gritei para ele e corri para ajuda-la.

Tirei uma jaqueta fina que eu estava usando e fui indo em direção a ela.

Fui descendo rapidamente, me segurando em algumas árvores e tropeçando em uns gravetos e folhas secas que estavam anunciando o fim do verão e começo do outono.

Ela boiava no rio, que aos poucos ficava vermelho por causa do sangue que escorria do seu tão frágil e imóvel corpo. A corrente que ela segurava estava mais longe, boiando em direção as plantas que ficam do outro lado.

Me agachei e delicadamente a puxei até a beirada. Virei seu corpo. Seu rosto tão delicado estava com um grande corte na testa que jorrava sangue e seu lábio estava com pequenos cortes mas que ao contrario do corte da testa, não sangravam.

A segurei como se fosse um bebê, colocando sua cabeça em meu ombro e seu corpo contra o meu. A segurei com força sentindo a minha roupa começar a ficar molhada. Também sentia o sangue dela escorrer pelo meu corpo.

Subi rapidamente sempre a segurando firmemente em meus braços. No topo, Poppo e os outros esperavam aflitos.

Entreguei ela ao Poppo e corremos leva-la para nossa base secreta.