We die cause we SURVIVE.
1 Noite no banheiro.
Notas iniciais
Relato pós-apocalíptico- dia 001
Sobrevivente: Dave Green
Nova York amanheceu com o inverno mais frio dos últimos cinco anos. A crise de combustível continuava e os relatos de uma doença que levava a insanidade ficavam mais frequentes a cada dia.
Dave estava cansado quando pegou o metro para o trabalho. Mais um dia em um escritório o aguardava. O metro parou na estação e Dave desceu. Passou pelas ruas lotadas e viu de relance seu reflexo em uma TV desligada. A visão não o animou muito.
Dave tinha os cabelos claros, não chegavam a ser loiros, olhos castanhos, pele clara e seus míseros 1,77 de altura combinados com 84 kg.
Chegou ao escritório mais cedo e cumprimentou Jim, que ficava no assento a sua direita. Pegou um café e começou a digitar. Três horas depois, foi almoçar. Pegou seu casaco e saiu.
A lanchonete do Moe estava praticamente vazia, o que era um milagre, pediu o de sempre e sentou-se na frente da TV. A manchete dizia: “Canibal louco é preso e morde três policias”. O fato tinha ocorrido na manhã da semana passada teve que ser editados várias vezes devido as imagens além de aprofundar os estudos, pois os policiais tinham ficado agressivos, possivelmente devido a um vírus.
Dave suspirou, aqueles fatos eram cada vez mais frequentes nas áreas rurais do estado, estava sendo explicado como uma onda de loucura coletiva.
Quando terminou o trabalho, Dave voltou à estação de metrô e embarcou. Depois de cinco minutos no vagão, uma mulher uns cinco assentos a sua direita gemeu de um modo estranho, levantou-se meio trôpega e caiu. Um homem ajudou-a e levantou-a, então ela agarrou o braço do homem e mordeu-o vorazmente. Os passageiros começaram a gritar enquanto o sangue escorria no piso.
Os gritos preenchiam o ambiente fechado, Dave sabia da existência deles, mas não conseguia ouvi-los. Tudo o que lhe importava agora era o fato de aquela mulher estar devorando aquele coitado. Ela puxava a carne mais para si como se jamais tivesse comido nada na vida, com o rosto manchado de sangue, a mulher não falava nada, só gemia enquanto arrancava os pedaços e os enfiava vorazmente na boca.
O rosto do homem não mais se mexia. Estava morto. Só de pensar nisso Dave quis sair dali o mais rápido possível, mas o terror o paralisava. Ele ouviu as portas do metro se abrirem e todos os passageiros saírem correndo, gritando e chorando. Somente ele, a mulher e, obviamente, o homem permaneceram lá.
Dave desistiu de se mexer, sabia que não conseguiria, então ficou parado o maior tempo possível sem fazer barulho algum. Meio minuto depois, os únicos barulhos que se ouviam eram os da mulher que vorazmente devorava o homem e o barulho repugnante de sangue pingando até que o metro começou a andar. Com a partida, o solavanco inicial fez a mulher olhar para cima, exatamente onde Dave estava. Ela o havia notado.
Dave engoliu em seco quando a louca olhou-o e soltou um gemido levantando meio trôpega e indo em direção a Dave. Dave levantou-se e disse quase que num chiado:
– Por que... por que você está fazendo isso? –tentou falar um pouco mais alto – Por que você está fazendo isso? – então finalmente gritou – ME RESPONDA SUA VADIA! POR QUE CARALHOS VOCÊ ESTÁ FAZENDO ISSO?!
Ela estava a menos de um metro dele agora e Dave sabia que ela não iria parar e se não se mexe-se teria o mesmo destino que o pobre coitado que estava no chão. Esse pensamento foi o suficiente para dar-lhe coragem, deu meia-volta e saiu em disparada pelos corredores.
Para a sorte e felicidade de Dave a mulher não era muito rápida, para falar a verdade, ela não corria, ela cambaleava de forma rápida. Dave correu como nunca tinha corrido até chegar ao fim do metro, onde virou-se para trás e viu a louca três vagões de distancia. Tinha no máximo um minuto até que ela o alcançasse, e então seria seu fim.
Dave entrou em pânico e sentiu uma lágrima escorrer, mas reprimiu o choro, não tinha tempo para isso. Dois vagões de distância e Dave não com seguia pensar em nada. Um vagão, nenhuma ideia. A louca entrou no vagão de Dave. “FUDEU” pensou.
Então, quando Dave já tinha se preparado para a dor, ouviu o metro desacelerar, as portas se abriram e ele saiu de lá correndo e despistou a louca.
Correu para as escadas mas o que viu foi devastador, carros virados e pegando fogo ou quebrados, as lojas haviam sido saqueadas e ouvia-se para todos os lados pedidos de socorro, mas o pior foram os corpos. Todos jogados de maneiras estranhas e faltando pedaços.
Dave voltou para dentro da estação de metro, foi até o banheiro e incrivelmente, caiu no sono e lá passou a noite, desejando que acordasse no escritório depois de um cochilo.
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