We can do it!
1 Como iguais!
Notas iniciais
Trouxe essa One e espero que gostem. Boa leitura!
Todas devem ser respeitadas e tratadas como iguais, veja, somos diferentes deles apenas no gênero, mas somos capazes de alcançar limites e transpor barreiras inimagináveis em cima de um salto alto.
Somos mulheres, fortes e guerreiras, que não merecem menos, merecem mais!
Somos orgulhosas de sermos como somos e vocês devem encontrar um cara assim, que aceitem sua força e te ame como é.
Por que você merece tudo, inclusive amar e ser amada dentro de seus próprios termos.
***
Ser mulher, não é nada fácil.
Começa pelas roupas que por vezes possuem pouquíssimo pano, passa pelos sapatos de saltos altíssimos que precisam ser suportados por no mínimo 8hrs por dia, escorrega pela maquiagem impecável, cabelos bem cuidados, pele macia, unhas bem feitas... E por fim, termina nas infindáveis atrocidades que temos que ouvir todos os dias.
Ser homem também não é fácil... Na verdade, ser humano não é tão simples assim.
Mas, sinceramente... ser mulher, em minha humilde opinião não deveria ser sinônimo de medo ou desconfiança sabiam? Devia sim ser sinal de orgulho, mas anda bem complicado quando começamos a temer nossa própria sombra.
Mas te digo, e ouçam bem... não tive irmãs queimando sutiã e sendo mortas à toa, e eu vou lutar até o fim para ser reconhecida e não precisar desviar o olhar envergonhada a cada suposto elogio.
Sou mulher... Não, mais que isso, sou Haruno Sakura!
***
Achar uma vocação era a coisa que mais se discutia na minha classe do colégio, muitos queriam ser engenheiros, médicos, advogados e professores e eu, bem, eu queria fazer música.
Na verdade, meu maior sonho era ser DJ, e veja onde estamos hoje...
Três vezes por semana toco na maior casa noturna de Tokyo, confesso, não foi fácil conquista esse posto de DJ oficial, passei por muitos problemas para obtê-lo e precisava cuidar muito dele para mantê-lo.
Era uma luta árdua dia a dia.
Sem falar que todas as noites aconteciam as mesmas coisas, é extremamente desgastante para uma mulher desviar de gracejos mal intencionados sabiam?
-- Oi gostosa! -- Havia sequer cinco minutos que eu encostara no balcão para tomar um coquetel, e já era o terceiro que grudava ao meu lado com o mesmo cumprimento.
Para começar, mulher não é gostosa de desconhecido meus caros, ouçam bem, mulher é gostoso pro homem que ama e que a ama tão profundamente de volta.
E só!
Gostosa para um desconhecido era apenas um pedaço de carne, que ele encontraria em qualquer churrascaria da cidade. Alguns estavam realmente confundindo os estabelecimentos.
-- Não estou disponível -- Respondi diretamente antes que ele começasse seus meios de conquista barato, confesso que conhecia a maioria, e não gostaria de descobrir outros novos.
-- Deve ser muito mal comida mesmo! -- Zangou-se com a minha negativa e saiu do balcão, me dando a paz necessária.
Não me ofendi, pois era o que eu mais ouvia ultimamente, para homens como ele, toda mulher autossuficiente é mal comida, é fácil reparar nisso, olhem ao redor, quando somos bem resolvidas nos tornamos as chatas, diferentes de nossas irmãs escravas de piroca que a cada "oi gostosa" abrem um pouquinho as pernas.
Todo gênero tem seu lado bom e seu lado ruim, e é triste que a maioria dos homens pensem que todas nós somos vadias.
Do mesmo modo que nem todos os homens são imbecis, nem todas as mulheres são putas, favor anotar em seu bloco de notas do celular e não esquecer nunca mais.
-- Boa noite! -- Pelo jeito hoje eu sequer poderia comer a azeitona do fim do Martine sem que alguém me incomodasse. -- Tem horas?
Se aquilo era uma cantada, era a mais estranha que eu tinha ouvido dentro de 23 anos. Olhei para o lado e em meio às sombras das luzes coloridas vi um rapaz alto apontando o pulso.
-- Horas? -- Ele assentiu -- 01:15 -- Respondi vendo-o coçar a nuca
-- Droga! -- Resmungou olhando ao redor
-- Moço, está tudo bem? -- Ele parecia aflito
-- Acabei de ser assaltado no banheiro -- Disse simplesmente
-- Aqui dentro? -- Levantei do banquinho parando ao seu lado
-- Claro! -- Rispidamente me encarou -- Desculpe, você não tem nada a ver com isso e eu aqui sendo grosseiro. -- Voltou a coçar a nuca e eu entendi isso como um sinal claro de nervosismo.
-- Posso entender -- Deixei o resto do Martine sobre o balcão, de todo modo, já estava quase morno pelo calor do local -- Venha comigo, vou levá-lo até a sala da segurança.
-- Você trabalha aqui? -- Perguntou já me seguindo
-- Claro! – Não era obvio?
***
Ele não recuperou seus pertences, mas conseguiu dinheiro para o táxi e muitas desculpas do dono da balada. Acompanhei o rapaz até a porta e ele a todo momento foi polido e educado, me agradecendo pela ajuda. Antes de partir estendeu a mão e com um sorriso singelo apresentou-se
-- Uchiha Sasuke.
-- Haruno Sakura
E sem qualquer outras palavras, ele partiu e eu fiquei, apenas para ouvir um palhaço bêbado qualquer gritar "Oh lá em casa"
Seria uma longa madrugada.
***
Involuntariamente fiquei pensando naquele rapaz o resto da semana, havia muitos homens bonitos me cantando todos os dias, mas ele era bonito de um modo diferente, de um modo sério, respeitoso e extremamente educado.
E homens educados ganhavam meu coração facilmente.
Passei todos os dias seguintes sendo acuada por um mesmo cara, aparentemente ele não gostava de levar um não, ou entendia que eu era obrigada a dizer sim.
-- Escuta aqui, o problema é dinheiro? Quanto você quer? -- Até aqui eu apenas o ignorava, não precisava armar um barraco por causa de um boboca como ele, mas as coisas mudaram quando fui agarrada pelo pulso -- Acertamos valores depois.
O imbecil me puxou, os amigos o incentivaram e eu me debati em vão, estávamos perto demais da saída do estacionamento e os piores pensamentos possíveis começaram a rondar minha mente, quantas como eu não haviam sido arrastadas e estupradas em seguida?
E a sensação de impotência era horrivelmente dolorosa.
Atravessamos o estacionamento, meu sapato hora ou outra prendendo no concreto e me dando tempo para tentar pensar em um jeito, qualquer um.
Mas não havia!
Por mais que eu me considerasse uma igual e pleiteasse esses direitos eu sabia que ele era mais forte, dolorosamente sabia que ele pela força, maldade e covardia podia fazer qualquer coisa comigo sem arrependimentos posteriores.
A única coisa que me restava era um milagre.
E ele aconteceu!
A voz estava próxima e logo senti a mão quente repousando em meu pulso
-- A moça pediu para soltá-la -- Aliviada, reconheci aquele cabelo negro -- Você não ouviu?
-- Quem é você?
-- Isso interessa? -- Perguntou e antes que houvesse resposta o punho fechado dele planou sobre o cara que me segurava e acertou sua mandíbula.
Eles não brigaram, já que o covarde correu para junto dos amigos e fugiram, no entanto, eu fiquei lá, parada, alisando o pulso e vendo o tamanho do estrago.
-- Vai ficar roxo! -- A voz dele era suave
-- Verdade! -- Certamente ficaria, encarei os olhos negros que pareciam compadecidos -- Obrigada!
-- Lamento por ter chego tarde, gostaria de ter evitado isso -- Coçou a nuca
-- Acho que chegou no momento certo! -- Ele fechou os punhos e percebi que ele, com raiva, entendeu o que eu dizia -- Realmente, muito obrigada!
-- Disponha!
***
Comecei a trabalhar todos os dias, diminui as horas e conseguia pelo menos dormir um pouco na madrugada, agora que eu fazia faculdade, precisava desse tempo de descanso.
Iniciei o curso de Economia, não era bem o que eu queria, mas eu tinha ciência que não poderia tocar nas madrugadas para a vida toda. Sendo assim, optei pela área que mais tinha facilidade e claro, que me ofereceria um ótimo emprego por ser um negócio de família. Não havia um Haruno vivo que não fosse economista, eu conseguiria um emprego em algum jornal facilmente graças as boas referências do parentesco.
Veja bem, eu tinha cabelos rosados, olhos verdes e noção do meu corpo, minha avó era brasileira e minha mãe mestiça, então eu realmente estava fora dos padrões asiáticos. Então, por mais desconfortável que fosse para mim, os homens achavam-se no direito de exaltar essas qualidades.
Na faculdade não era diferente, por mais que fossem discretos e não tentassem me agarrar.
Era incômodo ver rapazes acompanhados pelas namoradas me encarando, porque não demorou muito para que as meninas em conjunto, acreditassem que eu era a oferecida da história, e não seus pobres namorados enfeitiçados pela bruxa de Economia.
Fora isso, muitos me conheciam da mesa de som da balada, o que eu percebi com o tempo, não ajudou muito em minha construção de imagem dentro da instituição.
Para eles, uma garota que trabalha tocando na madrugada não deveria ser levada muito em consideração, principalmente fazendo “um curso tão sério e distinto”, um curso que certamente era específico para pessoas que não são como eu.
Conheci algumas pessoas, tão gentis que não pareciam reais, e logo, inesperadamente pude revê-lo.
Ver Uchiha Sasuke cruzando o campus foi interessante, pois meu estômago contraiu-se e explodiu em diversas pétalas de cerejeira, que eram a sensação da primavera. Devia esperar que ele me ignorasse como alguns velhos conhecidos do colégio faziam atualmente, afinal, eles eram veteranos e eu era a caloura que possuía um trabalho não muito digno na visão de cada ser retrogrado daquele lugar.
Mas ele era diferente, deixou os amigos com o cumprimento na língua e caminhou até o banco onde eu estava sentada, parando na minha frente.
-- Sakura -- Disse animado -- Ouvi uns comentários sobre uma garota de cabelos rosados no campus, torci para que fosse você
-- Torceu? – Meus olhos estreitaram-se desconfiados
-- Claro! -- Sorriu e me estendeu a mão -- Deixe eu ver seu pulso, fiquei realmente preocupado.
-- Não foi nada demais e... -- No momento seguinte eu estava em pé com ele virando meu pulso de um lado para o outro
-- Continua roxo! – Havia passado um mês e meio desde o fato, no dia seguinte, tive que ir ao médico, e descobri que meu pulso havia passado por um entorse, e agora, algumas sequelas permaneciam, como leve dor e inchaço, mas nada que não pudesse ser aguentado.
-- Isso não é nada! -- Tentei me desvencilhar do seu toque, outras pessoas já olhavam e isso me incomodava.
-- Estava pior? -- Os olhos negros cintilaram quando levemente assenti -- Desgraçado! -- Rosnou e finalmente me soltei
-- Obrigada pela preocupação!
-- Não tem porque agradecer -- Sorriu, um sorriso tão bonito que prendi a respiração momentaneamente -- Podemos almoçar juntos? Isso é, se você não se incomodar ou não tiver outros planos... Não se sinta obrigada sabe eu só...
-- Claro! -- Assenti receosa e ele voltou a sorrir
-- Ótimo! -- Te pego aqui... Não, quer dizer, nos encontramos aqui, nada de pegar ninguém sabe? -- Coçou a nuca -- Desculpa
-- Nos encontramos aqui -- Confirmei e ele afastou-se, tropeçando duas vezes no meio do caminho
Logo, sem querer, tornou-se um hábito almoçarmos juntos, éramos bons amigos e eu via a medida que o tempo passava, as pessoas comentando menos sobre nós dois.
Tempo depois, começamos a tomar um drinque e comer alguns petiscos no meu intervalo da noite na balada, conversávamos bastante, coisas agradáveis e desagradáveis também, não tínhamos pudores para assuntos que iam de futebol e política à liberdade sexual em segundos.
Sasuke era um rapaz esperto e sagaz, com uma pitada de humor inteligente e muito respeito pelo movimento feminista, na verdade, eu o via como feminista também, por ver-se como um igual e defender essa igualdade.
No começo, pagávamos a conta meio a meio e ele compreendia meus motivos e até os incentivava, depois de quase três meses de almoços diários e encontros noturnos deixei que ele pagasse sozinho a conta que ele tanto pleiteava de forma discreta.
Foi naquela mesma noite que ele me beijou pela primeira vez, porque esperto como era entendeu que agora, eu confiava nele ao ponto de compartilharmos histórias e romantismo.
Sasuke confiava em mim, aprendeu muito sobre meu jeito e meu modo de lidar com homens e notou, lentamente que a cada dia eu me tornava mais receptiva e mais próxima à ele, demorou pouco para que me pedisse em namoro e começássemos a andar lado a lado, não como amigos, mas como um casal.
Eu confiava e respeitava plenamente o homem que agora estava ao meu lado, dei-lhe tudo o que tinha e recebi muitas coisas mais em troca. Descobri que ser chamada de gostosa pelo homem que compartilha emoções, sentimentos e momentos com você era muito diferente daquelas vezes que havia sentido pejorativo na palavra.
-- Sasuke-kun -- Sussurrei deitada em seu peito, que havia tornado-se o melhor lugar para se dormir
-- Hm? -- Ele alisava meu cabelo levemente com os dedos todas as noites, e eu havia me acostumado com isso
-- Aishiteru! -- Murmurei em seu pescoço e ouvi seu riso preenchendo o quarto
-- Aishiteru Sakura! -- Virou-se beijando minha testa e parando em minha boca logo em seguida -- Aishiteru!
Foi gratificante descobrir que existe esperança quanto aos homens, podem existir milhares que pensam que acham que detém o direito sobre nossos corpos ou vontades, que pensam que somos objetos para serem possuídos e descartados, que não nos olham como iguais, ou pior, como gente. Mas, tenham certeza, se um dia assim você desejar e aguardar, surgirá a exceção a regra, que te compreenderá e respeitará do modo como você é: mulher, batalhadora, guerreira, igual.
E também, se for do seu desejo ficar sozinha, tenha certeza, enquanto seus anseios ganham o mundo, o machismo deles torna-se obsoleto. Pois você não será a "mal amada", você será a mulher que muitas querem ser, mas não tem a força que você tem para tentar!
Feminismo, é a ideia radical de que mulheres são gente!
Notas finais
Fiz essa fic, pois há dias atrás uma conhecida minha foi estuprada.
Pois é, ainda existem homens assim, que simplesmente agarram uma estudante na rua, batem, ferem, acabam com suas esperanças e a jogam no meio do mato, apenas esperando pela morte, cruel não é?
Ela, assim como todas nós, tem direito sobre seu corpo, sobre sua vida, não importa sua profissão, as roupas que você usa, o modo como fala, o esporte que pratica... Você, eu, nós somos mulheres e devemos, acima de tudo, defender nossos direitos.
Minha amiga sobreviveu, por pouco, com sequelas, com marcas que nunca vão sair, mas tantas e tantas outras, não tiveram a mesma sorte. A fic é simples, é sútil, é pequena... Mas dentro dessas poucas palavras deixo minha tristeza por ver, que meninas, mulheres, senhoras não estão seguras em lugar nenhum, por simplesmente ser mulher...
Até breve!
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