We are young!
4 Party Rock
Notas iniciais
!: Alicia? Que saudades..
– Quem é? – falei assustada. Eu conhecia aquela voz, era de mulher, era a voz da vagabunda da minha mãe.
– Não lembra mais da sua mãe? – ela falou com uma voz de choro. Fazendo ceninha, certeza !
– O que tu quer? – falei seca.
– Nada, só estava com saudades.
– Ah claro, depois de 4 anos ficou com saudades? Depois de ter me abandonado aqui começou a se importar comigo? – ela tinha ficado quieta, então continuei – Quer saber, sabe o que tu faz? Pega essa saudade e enfia no cu! – gritei.
Ela não respondeu nada, ficou muda. Então desliguei o celular, já não basta me acordar cedo ainda tem que fazer ceninha. Isso é o que eu mais odeio nela.
– Al, o que aconteceu? Por que você estava gritando? – Tess falou com a maior voz de sono possível.
– Ah, a vagabunda da minha mãe me ligou e.. – sentei na cama e contei o que ela tinha me falado. A Tess odiava minha mãe, assim como eu. Ela não aceitava o modo que a minha mãe me abandonou aqui.
Ficamos conversando qualquer bobagem até eu terminar de me arrumar para ir pra aula.
(...)
Chegamos na sala, sentei no mesmo lugar de sempre e fiquei escutando música até a professora chegar. Era aula de Química, com a vadia da professora que eu odeio. Graças a Deus eu não fiquei muito na aula dela, porque a diretora mandou chamar eu e a Tess, não sabia o que ela queria, até porque eu não fiz nada de errado depois de ontem. Chegamos a diretoria e fomos direto para a sala da diretora Adams. Nem tive o trabalho de sentar.
– O que aconteceu diretora ? – falei seca.
– Eu chamei vocês porque vai entrar uma menina nova aqui na escola e o pais dela são ricos e etc,etc,etc..
Não ouvi o resto, mas eu não sei o que essa menina nova tinha haver comigo e com a Tess. Essa diretora é louca!
– E por que chamou a gente ? – a Tess falou com pouco interesse.
– Então, é ai que vocês entram.. Não temos mais vagas em nenhum dormitório do ano de vocês e, como eu sei que as duas gostam de socializar, a senhorita Nathália ficará no quarto de vocês e é isso! – ela terminou e começou a olhar uns papéis.
CARALHO ! Hoje o dia não estava bom para mim, primeiro a ligação da minha mãe, segundo que eu vou ter que dividir o quarto com uma patricinha mimada.. Era só o que me faltava mesmo !
– E por que ela vai ficar no NOSSO quarto ? – Tess falou meio irritada.
– Porque eu sei que vocês não param lá e não vão se incomodar, certo ? Só trate ela bem, é uma aluna muito especial aqui.
Claro que ela é especial, os pais dela pagam bem !
Sai da sala da diretora sem falar nada, estava irritada, se eu continuasse lá iria acabar socando alguém. A Tess ficou lá perguntando algumas coisas, eu acho. Depois de um tempo ela saiu da sala.
– E ai ? .. – falei enquanto acabava de fumar.
– Ela vai chegar depois do almoço.. – ela disse seca.
– Ótimo – sorri cinicamente.
Ficamos em silêncio até bater o sinal para o intervalo, já que não podíamos entrar no meio da aula, essas frescuras de escola e tal. Fomos para o refeitório, ficamos falando com o Matt e uns amigos dele, tive que ficar esperando o Caio e todo mundo sair daqui para poder começar a limpar a sujeira deles. Que saco!
Todo mundo saiu e como sempre, o Caio estava atrasado, não sei porque isso não me surpreendia nem um pouco. Ele podia não estar lá, mas eu estava e tinha que começar a limpar aquela merda toda. Fui limpando de mesa em mesa, jogando copos e embalagens de barras de cereais, limpei o chão e quando estava terminando de organizar as cadeiras o Caio apareceu.
– Desculpa a demora, estava dormindo e ac..
– Tá, tanto faz – falei seca.
Eu não estava brava com ele por ele ter se atrasado, nem por ele ter me colocado nesse castigo, eu só não estava afim de conversar, ainda mais depois das coisas que aconteceram hoje.
– Tá brava comigo ? Tipo, por eu ter te colocado nesse castigo.. – ele falou.
– Não, to de boa – sorri forçado.
E novamente o silêncio tomou conta do lugar. Era bom, porque assim eu conseguia colocar os pensamentos no lugar, ou tentava pelo menos. Terminamos de organizar o refeitório, me despedi do Caio e fui para o dormitório esperar a nova amiga de quarto.
Fiquei deitada, olhando para o teto e esperando a tal Nathália aparecer. Não demorou muito tempo e ela chegou cheia de malas e bolsas. Ela se apresentou e ficou organizando as coisas dela. Ela era simpática, mas era filhinha de papai, daquelas que moram em casas enormes e nunca está satisfeita com nada.
Enquanto ela contava sobre a antiga escola dela e o porque dela ter mudado para cá, eu recebi um sms.
“Baixinha, fiquei sabendo que tem integrante nova no grupo HAHA. Se arrumem tem festa no nosso bloco hoje. Beijos.”
Mesmo o Caio não querendo, ele era um idiota. Sorri e respondi o sms:
“Para de ser idiota, é mais uma para a sua listinha HAHAHA pode deixar, estaremos ai as 22:00.”
Ele respondeu:
“Ela vem logo depois de você, baixinha HAHAHA!”
Respondi:
“Se fode Caio.”
Bloqueei o celular e olhei para as meninas, a Tess tinha se dado bem com a Nathália. O que custa tentar não é mesmo.
– Olha guria, eu não sei se você gosta de festa, de bebida e drogas. Mas a noite eu e a Tess vamos numa festa do sexto ano, se você quiser ir, sinta-se convidada. – eu sorri.
– Claro que gosto de festas, ainda mais no meio da semana. – ela riu.
Até que essa garota não era tão chata como eu pensei HAHA.
– Beleza então, a festa é as 22:00 – eu pisquei.
Ela assentiu e sorriu. Terminou de arrumar as coisas dela e nós a levamos para conhecer o Campus. Ficamos sentadas num banquinho perto de umas árvores.
– Oi meninas – era o Mat, ele tinha acabado de sair da aula. Estranho ..
– Oi Mat – falei e sorri.
– E ai peste – a Tess falou.
– Oi – a Nathy disse, os olhos dela brilhavam e ela não parava de sorrir.
Enquanto elas ficavam falando com o Mat, eu fiquei fumando. Eu queria saber o que minha mãe queria comigo, ela nunca ligou pra mim desde quando ela me deixou nesse lugar. Só não gostei dela ter falado que estava com saudades. Pff.. meio impossível acreditar na mentira dela, na verdade, é impossível acreditar em tudo que ela fala.
!: Olha quem está aqui, Alicia..
Não não, é o gasparzinho que está aqui. Eu conhecia a voz, era uma voz de vadia, claro, a vadia da Anne.
– O que tu quer em garota? – falei enquanto soltava a fumaça na cara dela.
– Só queria te avisar que.. – ela tossiu por causa da fumaça na cara – que o Caio não é o príncipe que tu imagina ok ? Ele tá tão na minha – ela sorriu.
– E eu com isso guria ? Eu hein, sai de mim – falei seca.
O que ela pensava ein? Que eu tinha um caso com o Caio, pff.. Por favor né, ele não ia gostar de mim, ele é meu melhor amigo. Que guria escrota!
Ela riu e voltou para o grupinho de vadias dela. A Anne falou alguma coisa para elas que fizeram as mesmas olharem para mim e começarem a rir e cochichar algo. Não sei, mas acho que todas as meninas dessa escola são escrotas ou vadias sem cérebros. Mereço!
Olhei no celular e eram 19:00, falei para as meninas que estava indo para o quarto me arrumar, até porque a Anne não parava de me olhar. Elas assentiram e falaram que daqui a pouco estavam indo também – elas iam ficar conversando com o Mat, porque a Nathy estava encantada com ele, segundo a Tess — . Atravessei o Campus e entrei no meu dormitório, fui direto pro banho, precisava me desestressar.
Terminei de me arrumar e as meninas apareceram. A Nathy foi tomar banho enquanto a Tess arrumava a roupa que ia na festa. Deitei um pouco enquanto elas terminavam de se arrumar. Quando deu 22:00 nós saímos do dormitório e fomos até o bloco do sexto ano, pelos boatos que eu ouvi, quem estava dando a festa era a vadia da Anne. Passamos pela monitora e entramos nos quintais do sexto ano, estava tocando Black and Yellow – Wiz Khalifa, ela colocou umas luzes coloridas e na pista luz negra. Ela podia até ser vadia, mas sabia dar uma bela duma festa.
Cada uma das meninas tinham ido para um canto: Tess foi atrás de guri para ficar – até porque ela não é de ir para festa e não ficar com ninguém –, a Nathy foi direto para a pista de dança e eu fui atrás de bebida – claro -, até porque festa só começa depois que se bebe. Tinha uma mesa com uns barris de gelo com Absolut, Heineken e Whisky dentro, peguei uma garrafa de Absolut e fui para a pista dançar. Não tinha visto o Caio ainda e esperava não ver, por mais que ele seja meu melhor amigo queria dar um sumiço nele.
Estava de boa até que umas unhas agarrou me braço. As unhas da guria eram grandes, porque estava começando a me machucar. Me virei pra ver quem era.. para melhorar a noite era a Anne, a vadia.
– Que foi guria? – falei assustada.
– Tu pode até ficar na festa, mas longe dele ok? – ela disse com um tom de raiva.
Pera ai, do que ela estava falando cara? Longe de quem? Eu hein, guria esquisita.
– Primeiro, solta meu braço – fiz força até ela soltar – segundo, ele quem? – falei.
– Não da uma de desentendida garota, você sabe de quem eu to falando.. do Caio.
– Ah guria, me poupe, não vou gastar meu tempo discutindo contigo por causa de moleque. Dá licença né.. – falei enquanto me virava.
Ela ficou me olhando com a pior cara possível, mas e eu com isso? Agora não posso ter amizade com um garoto que ela fica me enchendo. Meu deus, o mundo ta perdido mesmo. Mas foda-se Anne, hoje eu vou me divertir porque nunca se sabe se vamos acordar vivos amanhã!
Vi que tinha um pessoal que passava drogas e essas coisas, comprei um beck e uns tiros. Acendi o beck, fiquei fumando ali mesmo e bebendo o resto da vodca. Fiquei brisando um tempo e depois subi para uma salinha onde eles davam os tiros. No meio do caminho encontrei o Caio – para variar -, mas ele não tinha me visto eu acho, ele estava conversando com uma guria loira, não tive tempo de reconhecer. Terminei de beber a Absolut e continuei subindo para a tal salinha.
Logo quando cheguei perguntaram o meu nome e a série que eu estava cursando, respondi tudo direito e me levaram até uma mesinha, me entregaram um dólar e fizeram a carreirinha. Quando estava terminando a mesma vi o Caio na porta, quando ele me viu, fez uma cara que eu não consegui entender direito – também uma garrafa de vodca, um beck e uns tiros não era pra mim ver muita coisa mesmo – e saiu correndo. Terminei a carreirinha, me despedi dos caras e fui atrás do imbecil do Caio.
Andei para todos os lados daquele lugar e nada do Caio, fui até a piscina – sim, o bloco tinha uma piscina, uma enorme piscina. Na verdade em todos os blocos tem — , ele estava sentado na beirada da mesma com os pés na água. Me aproximei e sentei ao lado dele.
– Caio..
– O que tu quer – ele falou seco.
Fodeu!
– Por que tu ta bravo?
– Por que Alicia ? Porque eu não quero ver guria minha dando uns tiros, não quero que você comece a passar mal por causa dessas drogas.. – ele falou com a cabeça baixa.
– Caio, me desculpa.. de verdade. – eu falei.
Ele ficou em silêncio, não fez questão de responder. Claro, ele estava bravo comigo, por que responderia ? Comecei a ficar meia zonza, uns refluxos e ficar tudo meio embaçado.
– Caio..
Ele não respondeu, continuava olhar para a merda da piscina. Comecei a ficar mais fraca, minha voz estava mais fraca ainda e não estava aguentado meu corpo.
– Caio.. por.. favor.. – falei tentando recuperar a respiração. Impossível! Estava com falta de ar.
Ele me olhou e viu que eu estava quase desmaiando. A expressão fácil dele mostrava que ele estava com medo e ao mesmo tempo assustado.
– Alicia – falou assustado – calma, vou te tirar daqui.
Eu assenti e ele me pegou no colo, começou a correr para fora da casa. Mas eu já não estava aguentando, não conseguia respirar e já estava perdendo a consciência. Meus olhos pesavam, meu corpo estava mole.
– Por favor Alicia, aguenta mais um pouco.. não fecha os olhos! – ele falou com voz de choro.
Eu sorri, já não lembrava mais de nada, nem porque estava ali. De repente não conseguia ouvir mais nada, só um barulho abafado e tudo ficou escuro.
(...)
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