We are Malfoys
6 Chapter Six
Notas iniciais

Miguel
O menino sentia tanto medo quando estava perto dela, mas era tão bom estar com ela. Se sentia tão feliz como jamais havia se sentido, gostava do corpo dela colado ao seu, mas também gostava disso com qualquer garota.
Só que com ela era diferente. Talvez soubesse desde que tinha visto ela subir no banquinho e o chapéu mal encostar nos sua cabeça e gritar "Slytherin". Ela já era linda naquela época, os cabelos já tinham um brilho único, a pele não tinha uma mancha sequer. Os olhos gritavam que ela seria grandiosa. Ou talvez ele soube quando ela roubou o primeiro beijo dele; tinham somente doze anos e ela já era ambiciosa, mas tinha uma coragem admirável. Correu na direção do menino de olhos verdes brilhantes, sorriu mostrando os dentes perfeitamente enfileirados e brilhantes, e o beijou. Se separam ofegantes. Ela sorriu de novo e saiu andando. Como se nada tivesse acontecido...
Nos anos seguintes ele somente via ela andando pelos corredores, mostrando como era fabulosa e que estava crescendo. Seu amigo Scorpius chegou um dia dizendo que haviam se beijado no armário de vassouras. Maldito. Sentiu o coração se apertar naquela hora, mas agiu indiferente. O loiro disse que a menina havia dito que fora o melhor beijo da vida dela. Maldito, maldito, maldito. Como sentiu raiva dele e da menina também, mas não importava. Os anos passaram e ele já havia beijado tantas garotas que tinha perdido a conta, Scorpius também, só que ao contrário dele o melhor amigo repetia a dose com uma especial. A sua garota.
Quando estavam no sexto ano eles haviam se beijado pela segunda vez e fora incrível. Adorava o cheiro de morango dela que invadia o seu nariz, os cabelos dela eram tão sedosos e macios, sentia vontade de toca-lós toda hora. Adorava também quando ela abria os olhos e o encarava, o menino se sentia olhando para o paraíso, como se o céu estivesse bem na frente dele e que só tinha que encara-ló de volta e tudo se encaixaria. Até a maldita traição, tinha perdido as contas de quantas vezes sonhará com o amigo descobrindo.
Com os beijos seguintes ele percebeu que nada se encaixaria. Escondido era bom, claro, mas o menino de olhos claros percebeu que ela nunca seria dele. Como tudo poderia se encaixar se ela era do melhor amigo dele? Ou pelo menos ele achava que era.
Naquele ano ele iria terminar, por mais que doesse e por mais que o magoasse profundamente ter que tomar essa atitude. Odiava trair o melhor amigo, assim como não gostava de mentir. Tudo bem que mentia várias vezes, mas para o melhor amigo era sacanagem. Se lembrava bem como se sentia quando ele falava de Rachel, mas não era culpa dele, ele não sabia, mas Miguel sabia e mesmo assim continuava. Era tão difícil resistir, ela tinha ele na palma da mão. O garoto era submisso a aquela loira, desde das pontas do pé até todos os fios de cabelos.
No primeiro encontro noturno deles ele iria fazer aquilo. Quanto antes melhor, não é? Respirou fundo ao vê-la encostada na parede, os olhos estavam fechados e dava para ver a respiração dela fluir, o peito subia e descia, a boca se entreabria suavemente.
Por que ela tinha que ser tão bonita?
Não ia conseguir. Ele a amava! Com certeza aquilo era amor. Ele achava incrível ver ela respirar! Como podia não ser?
A loira abriu os olhos e ele novamente se viu perdido entre o paraíso. Não tinha dúvidas. Era amor. O rapaz não era corajoso como um Gryffindor, não sabia nem como abrir a boca para falar alguma coisa. Quanto tempo ele tinha reprimido aquele sentimento? Porque pareciam décadas. Se sentiu tão livre só de pensar na possibilidade de ser algo maior que atração; Não era desejo o que fazia eles se atraírem, era saudade, era vontade. Vontade de ter por perto, de sentir junto, de beijar, ser feliz. Poderiam ser felizes algum dia... Poderiam, certo?
"Que se dane!" o garoto de olhos verdes pensou no momento. Se inclinou na direção dela e a beijou.
Os dois se beijavam com paixão, desejo, saudade, carinho, vontade, afinidade, cumplicidade... Eram tantos sentimentos, um misto deles que se enrolavam e travavam uma batalha mais torturante e majestosa quanto suas línguas, travadas numa silenciosa batalha que se repita tantas vezes e que jamais fora vencida.
Ouviram alguma coisa e se separaram. Estavam totalmente encrencados.
Rose
O meu dia poderia ter sido fantástico. Se eu não tivesse visto Miguel Williams se agarrando com uma loira linda nos corredores. No meu papel de monitora-chefe eu teria que dar uma detenção para os dois porém eu não conseguia raciocinar, além de que sentia as lágrimas implorando para saírem.
Eu não daria o gostinho deles me verem mal, tudo bem que Miguel nunca tinha realmente me ofendido, mas sempre ria das piadinhas de mal gosto que faziam com minha aparência. Sinceramente eu não sabia o que via nele. Acho que os olhos verdes que me atraíram, eles demonstravam perigo e eu adorava aquele jeito que ele tinha, tirando a parte de que ele sempre estava agarrado com uma menina diferente. Ignorei os dois e me virei querendo ir embora, mas me atrapalhei quando trombei em um ser loiro paralisado.
Nunca na minha vida tinha visto Scorpius Malfoy daquele jeito, na verdade, acho que ninguém já tinha visto. Os olhos cinzas-gélidos estavam escuros quase negros e o desapontamento era claro no rosto do rapaz, e tinha algo mais, acho que era ciúmes.
"Claro que sim, Rose." Pensei irônica. O Malfoy não sentia ciúmes, nem sentimentos ele parecia ter. Parecia ser mais frio que gelo. Completamente mais gelado que os olhos profundos que estavam tristes. Engoli em seco ao perceber que ele estava magoado.
Só havia duas possibilidades para aquela cena: ou ele era gay e estava perdidamente apaixonado pelo melhor amigo. Opção Descartada. Fala sério, ele não poderia ser gay, a fama de garanhão só garantia isso e ia ser um baita desperdício, até eu que não admirava ele, sabia que sim. Ele é uma perdição. Os lábios carnudos rosados em contraste com a pele cor-de-leite, os cabelos loiros sempre tão bem arrumados e o uniforme impecável. Oh, com certeza era uma coisa bonita de se ver. Afastei os pensamentos um tanto infelizes fazendo uma careta. Como eu poderia sentir atração por um Malfoy? Já não bastava Molly! Argh!
E então havia a segunda opção: Aquela era Rachel Parkinson, a Deusa. Era assim que a chamavam, todos os garotos querem ela e todas as garotas querem ser ela. Obviamente, quem não queria uma linda menina de cabelos loiros — praticamente dourados — que iam até a cintura bem desenhada, os olhos azuis tem a cor de um céu limpo e maravilhoso, a pele dela é bronzeada na medida certa, a menina tinha a cor do pecado. E como já ouviu James dizer "Ela era o pecado, era uma mistura de todos. Principalmente ganância, luxúria e vaidade." E ela acreditava. James era o seu melhor amigo, mas tinha se formado no ano anterior. Como sentia falta dele! O menino ganhava até do Malfoy no quesito pegação; cada dia era uma diferente, e até Rachel tinha caído nos seus encantos. Rose também. Não que eles saíssem contando por aí que já haviam se beijado. Várias vezes.
Merda. Por que sempre fugo do que interessa?
Observei Malfoy fechar o punho e soltar um grunhido, virei para trás mesmo não querendo voltar a observar aquilo. O casal se separou num pulo e nós fitou com receio, não soltaram as mãos por nenhum segundo. Morria de medo do que Scorpius faria a seguir, será que bateria no menino? Será que gritaria? Choraria? Não exagera Rose! — Mas para a minha surpresa ele sorriu. Engoli em seco. Aquilo não acabaria bem.
Como eu estava certa. Aquela noite iria dar tanta encrenca.
Sabe porque eu sei disso?
Logo depois de sorrir Scorpius Malfoy me beijou.
Senti seus lábios se chocarem com os meus, relutei no começo, não sabia o que fazer. Mas não aguentei por muito tempo, acabei aceitando o pedido de passagem para a língua, ficamos assim por algum tempo. Os olhos dele ainda estavam escuros e os outros dois não estavam mais no corredor.
— Por que... — comecei a pergunta, mas parei ao ver o olhar ainda magoado dele. O loiro realmente deveria gostar daquela garota.
— Scorp! — alguém gritou. Ele se virou e então vi uma castanha nos fitar curiosa, percebi também o olhar malicioso em nossa direção. Oh, será que ela viu o beijo?
— Você sabe que seu rosto está sujo de batom, não é? — disse para o irmão e se virou na minha direção — e o seu batom está borrado.
Arregalei os olhos e passei a mão pela boca tentando limpar o local. A menina gargalhou sonoramente e tive que pedir para ela fazer silêncio porque se algum professor chegasse teria que dar detenção para ela. Ela parou levantando os braços e sacudindo como se dissesse "me rendo". Já não estava entendo nada e estava totalmente curiosa para saber qual era a do beijo e fiquei mais ainda quando o garoto saiu correndo, grunhi com raiva ao perceber que talvez nunca tivesse a resposta.
— Você poderia, por favor, me dizer que porra aconteceu aqui?
A voz dela parecia de um anjo, inocente e meiga, mas o palavrão fez parecer que talvez não fosse bem assim. E a saia curta que usava também denunciava isso, ela parecia ter uns quinze anos, mas sabia que ela era da turma do meu irmão. Apenas 13 anos e parecia tão avançada para a idade. Pelo que via de Hugo e Lily eles ainda eram meio infantis na maior parte do tempo, a castanha parecia ser forte e uma mini-mulher. Os olhos azuis piscavam tão docemente que não tive como negar um pedido para ela.
Oh Morgana, como Weasleys e Malfoys se conectaram tão livremente assim? Onde tudo começou a mudar? Merlin, eu não entendo mais nada!
LEIAM AS NOTAS FINAIS.
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