Notas iniciais
wow, depois de muito, muito tempo estou de volta ao fandom de spn. E com isso decidi fazer uma fic para o meu casal favorito. Destiel. Não garanto que esteja boa, mas farei o meu melhor.

A moça de cabelos negros e olhos verdes adentrou a ala médica, o rapaz acabará de terminar seu turno e iria para casa, como todo dia, como sempre, nada à mais e nem nada menos do que o cotidiano. Tessa esperou que o mesmo terminasse de organizar seus pertences e pediu permissão para falar:
- Dr. Novak?
- Sim, o que deseja? — os olhos azuis a fitaram curiosos, a observando de cima a baixo, e se concentraram de certa forma indignados na ficha em suas mãos, seu turno havia terminado, deveria ir para casa.
- Há um paciente na sala de espera — ela deixou a frase de certa maneira no ar. — ele e seu irmão gostariam de ser atendidos pelo senhor.
O fato de ser constantemente chamado de senhor pelas pessoas no hospital realmente o incomodava, não era velho, apenas possuía um cargo médico, e nem por isso demandava tanto respeito, ele era apenas mais um dentre tantos.
- Meu turno acabou, peça que eles sejam atendidos por Gabriel, ele está assumindo o próximo turno.
- O irmão do paciente deixou bem clara sua preferência, pelo senhor Dr. Novak.
- Oh pelo amor de Deus, me chame de Castiel! — ele bufou — Qual o nome do paciente? e por gentileza diga-me também o do acompanhante.
Ela tremeu um pouco pelo tom de voz de Castiel, que nunca se alterava com ninguém, mas continuou a procurar as informações na ficha.
- Dean Campbell Winchester e Samuel Campbell Winchester, senhor Novak — ela enrusbeceu — perdão, é o costume.
- Qual dos dois — ele empalideceu. — Qual dos dois é o paciente, Tessa?
- Aqui consta como Dean Winchester, senhor.
Castiel colocou o jaleco novamente, e seguiu para o consultório. Estava com medo, muito medo. A moça perguntou do corredor se deveria permitir que ambos entrassem, recebeu a resposta positiva quase inaudivel de longe.
O consultório não era exatamente grande, era um consultório regular, em uma clinica regular, nas paredes haviam diplomas, graduação em psicologia, especialização em neuropsicologia. Se sentou e fitou as paredes brancas por um bom tempo esperando a chegada de Tessa junto aos pacientes, Tessa era a recepcionista do lugar, mas sabia de tudo um pouco, ele lembrava-se da vez em que ela teve que acalmar os nervos de uma mãe cuja a filha havia apenas caído, nesse momento ele pensou "Senhor Dr. Castiel Novak, de que me valem todos esses diplomas e respeito? Eu trocaria tudo para sorrir como aquela recepcionista, ah trocaria sim". Ele abriu a gaveta da mesa, dentre toda a papelada havia uma foto, três garotos. Cas, Sam e Dean. Havia sido tirada a mais ou menos 10 anos atrás.
- Samuel Winchester e Dean Winchester entrando, senhor. — ela interrompeu os pensamentos do rapaz na mesa, que parou para pensar novamente no "senhor", não era mais um rapaz, olhou novamente a foto e guardou.
- Tudo bem, Tessa, qualquer coisa lhe chamo. — ele sorriu.
- Acredito que seria muito mais efetivo contatar uma das enfermeiras, senhor. — ela se encolheu e se retirou, dando passagem aos dois.
Sam estava maior, realmente estava maior, apenas 4 anos de diferença de idade para Cas, mas ainda se sentia responsável pelo menino, o tempo havia passado, Sam deve ter se casado, e o que ele havia feito? Havia ficado sentado em uma cadeira estudando, e após isso sentado em uma cadeira tratando pessoas, que às vezes nem precisavam realmente ser tratadas, ter um psicologo era um luxo. Não estava reclamando, ele se mantinha vivo devido a luxos como esse, já que a maioria dos casos reais era encaminhada a outros médicos.
- Sentem-se, por favor.
- Cas — Sam olhou para Castiel de forma desesperada — Cas, o que ele tem? Por favor, eu preciso, preciso do meu irmão de volta.
Castiel pegou a ficha e leu.
- Então, ele não se lembra de você? Alguma batida na cabeça, alguma suspeita de amnesia?
- Na verdade, não. Ele simplesmente, acha que eu não sou eu.
Dean estava sempre atrás de Sam, quando finalmente parou de ofegar um pouco e se sentou. Ele olhou diretamente para Sam, não dirigiu nenhum olhar para Castiel desde que entrou na sala, na verdade, era como se estivesse seguindo os passos de um criminoso passivel a pena de morte.
- Sabe Sam, você precisa de um médico, eu não, você é quem precisa — ele segurou a camisa de Sam pela gola. — Você precisa, eu não, você é quem deveria ser mandado para algum lugar — ele continuou olhando fixamente, e os olhos começavam a marejar. — um lugar onde eles possam arrancar toda essa pele de impostor! E eu espero que eles te matem como você fez com meu irmão.
- Dean, eu não morri, Dean, sou eu. Eu juro, olhe para mim. Você tem medo de avião lembra? — Sam continuou. — E eu tenho, não muito, mas tenho medo de palhaços, lembra? Lembra aquela vez no circo, não lembra?
Castiel não sabia o que diagnosticar, mas tinha uma noção, era algo deveras raro, realmente raro.
Dean cuspiu na cara de Sam e continuou murmurando a palavra "impostor" seguida de "assassino" várias e várias vezes.
- Dean, se eu não sou o Sam, por que eu lhe trouxe para perto de alguém importante?
"Alguém importante" refletiu Castiel, ele era alguém importante? Ele foi embora por que precisava estudar quando John morreu, ele não era alguém importante, ele sumiu por 10 anos.
Dean virou o rosto para Cas, ele fitou o mesmo por um bom tempo, o olhou de cima em baixo, e parou os olhos verdes na direção das orbes azuis de Castiel.
- Cassie? — ele sussurou
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Novak, Castiel; maio 1991.

- Cassie? — A voz ao telefone me sussurou — Hey, Cassie, eu preciso falar com você.
Era obviamente Dean, não havia no mundo nenhuma maneira de me fazer não reconhecer sua voz. Soltei um pequeno riso.
-Por que está me ligando a essa hora, Dean? Ninguém acorda a essa hora! — eram 6 da manhã, e o sol estava deliberadamente quente, mas era sua função afinal, eu não devia reclamar.
- Eu preciso muito falar com você, Cassie.
Eu nunca suportei esse apelido, realmente nunca, conheci Dean no colégio, sempre fui chamado de Castiel ou Cas, e muito raramente Jim ou Jimmy, meu segundo nome. Mas Dean queria ser diferente, ele disse que me chamaria de Cassie para o resto da vida. E é o que faz, repete várias e várias vezes "Cassie" durante o dia, eu não estou reclamando, eu realmente não gosto do apelido, mas de certa forma, vindo dele, não me incomoda.
- O que você quer Dean?
- Preciso que você me encontre no galpão, eu preciso muito que você me encontre no galpão.
A voz dele parecia falhar, mas poderia ser o telefone também, eu não tenho exatamente as condições para comprar um telefone novo, ou até mesmo uma mobilia decente, eu apenas mantive a dos donos antigos, e reformei as que pude. No momento minhas prioriadades são meus estudos.
- Ok, mas por que a pressa?
- Apenas faça isso, Cassie. Por mim.
Me vesti como sempre, não era de fato uma emergência, era apenas Dean. Ele sempre entrava em problemas, e sempre saia de problemas. No final, eu podia apenas chegar no galpão e descobrir que ele tinha apenas ligado para me incomodar.
Mas mesmo assim, eu gostaria muito de ver ele, então simplesmente segui em frente, liguei o carro fui para o galpão.
O galpão é um lugar bem no meio entre a linha tênue do indiferente e especial, quando eu conheci Dean, nós costumavamos ir para lá encontrar amigos, conversar. E ele gostava de levar seu irmão mais novo, Sammy. Na época Sammy tinha apenas por volta de 8 anos, o que de certa forma prendia Dean a não fazer coisas erradas, ele realmente achava que tinha uma obrigação imensa com a criança. Sua mãe morreu quando ele tinha apenas 6 meses, e depois disso seu pai ficou de certa forma, louco. Ele tratava os garotos quase em regime militar, e batia em Dean, batia muito em Dean.
Chegando ao galpão estava estacionado o carro de Dean, ele tinha tanto ciúmes daquele carro quanto tinha das garotas que ele namorava, a maioria acabava terminando com ele por motivos bem parecidos com esse. Eu entrei e o vi sentado em cima das caixas envoltas de pixações.
- Cassie! — ele pulou da caixa e se direcionou a Castiel.
- Eu já disse pra não me chamar assim. Parece nome de garota.
Dean se aproximou de mim, eu realmente não sabia como proceder. Ele estava chorando. Ele se abraçou em mim e estava chorando, repetia várias e várias o apelido irritante.
- Cassie, meu pai, Cassie, nós vamos embora!
Eu não entendi exatamente o que ele quis dizer "vamos embora" aquilo ecoou na minha cabeça durante alguns segundos. O afastei de mim por um instante e limpei as lágrimas de seu rosto.
- Tudo bem, o que aconteceu? E por favor poderia me explicar a parte de ir embora.
- Meu pai, Cassie — ele apenas chorava mais e mais. — Ele sabe, sabe que eu — ele engoliu a seco e eu esperei o final. Dean sussurou para si mesmo. — ele sabe, Cassie, ele descobriu.
- Pelo amor de Deus, Dean. O que diabos ele sabe?
Eu sempre achei um tanto irônico o uso de Deus e Diabo em uma mesma sentença, não que eu seja religioso, eu não sou exatamente religioso, eu apenas tenho um certo respeito.
- Ele sabe sobre, eu e você.
- Dean, o que... — engoli seco. — Dean, o que ele fez.
Dean subiu a blusa, o peitoral estava marcado, haviam marcas grande e algumas menores destribuidas pelo peito. Ele havia sido obviamente espancado.
- Eu achei que isso fosse apenas quando, você era menor.
- Não, Cassie, não. Ele faz em lugares onde ninguém pode ver. Ele bateu no Sammy também. O Sammy não tem culpa, ele disse que ele sabia o tempo todo e ficou acobertando.
- Nós vamos, definitivamente nós vamos. Eu, você, Sammy. Para algum lugar, qualquer lugar. Nós não precisamos de casa, eu posso, não sei, trancar a faculdade, eu já estou no último ano mesmo.
- Não, Cassie, desculpa, eu — ele estava ofegante devido ao choro — eu não posso deixar. Eu e o Sammy vamos, você não.
Eu não posso deixar ele ir sozinho, eu não posso deixar ele ir para qualquer lugar longe de mim. Eu não posso deixar ele ir.
- Eu vou com você, Dean. Amanhã você vai passar exatamente nesse mesmo horário na minha casa, e eu vou te esperar, vou ligar para a faculdade hoje mesmo, e falar com o síndico. E você vai estar amanhã na minha porta.
Ele me abraçou, e ficou ali por um bom tempo, eu o ouvia sussurar meu nome, eu não podia perde-lo, ele era importante. Eu não queria solta-lo nunca mais, poderia ficar ali por toda a eternidade. Ele poderia ouvir aquele "Cassie" por toda a eternidade.
- Dean, se nós vamos ­­­embora de Lawrence, para onde vamos?
Ele limpou as lágrimas e se afastou um pouco do mim, a tristeza parecia ter passado de uma hora para outra. Ele sorriu, não era fácil descrever seu sorriso, eu nunca havia tentado na verdade, era como pedir para descrever o amor, ou o infinito. Ele olhou fixamente para mim com seus olhos verdes.
- Para o mundo, meu Cassie. Para o mundo.
- Como assim para o mundo?
- Não sei, algum lugar onde eu possa dizer que te amo a cada segundo, para mim isso é o mundo.
Enrusbeci, nunca soube como reagir a essas coisas. Então ele sempre continuava para mim.
- Eu te amo, Cassie, lembre-se que eu te amo.
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- Meu Cassie? — ele sussurou mais uma vez olhando incredúlo. — é o meu Cassie.
- Sou eu, Dean. Por que você acha que não é o seu irmão?
- Por que ele foi trocado, Cassie, eu sei que foi. Você acredita em mim não acredita, Cassie?
- Eu acredito, acredito sim. Eu posso pedir para Tessa lhe levar um pouco? Ela uma amiga minha, eu apenas quero falar com o impostor, se ele for mesmo o impostor, nós vamos dar um jeito nele, ok?
- Ok, Cassie, fale com ele, eu sempre cuidei do Sammy, você sabe não sabe, Cassie? Ele sumiu, eu lembro que ele sumiu, foi alguns anos depois que você sumiu, mas o Cassie está aqui, e o Sammy não.
Castiel apertou o botão da recepção no telefone e pediu para que levassem Dean para uma sala separada, uma sala segura, e colocou ênfase no segura. Não demorou muito e Tessa chegou. Ela levou Dean, deixando apenas Sam e Cas.
- Escute Sam, eu suspeito que o que ele tem é chamado de Síndrome de Capgras. Ela é relacionada a uma série de coisas inclusive esquizofrenia. Mas o mais comum é a desordem chamada de Prosopagnosia, que afeta a identificação e a associação de rostos. — ele suspirou. — Agora por favor, escute exatamente o que eu vou dizer, raras as terapias efetivas nesses casos, muito raras, mas os individuos que desenvolvem a mesma conseguem aprender a rememorar rostos apartir caracteristicas como cor do cabelo, roupa, voz. Entretudo, ele esta muito agressivo, e desenvolveu paranoia relacionada a sua identidade, de fato sinais muito relacionados à esquizofrenia.
- Mas o que pode ter provocado isso, Cas?
- Eu não sei, Sammy, eu realmente não sei, se de fato for esquizofrenia, ele pode ser controlado com rémedios e viver uma vida deveras normal na medida dos padrões da doença.
- Cas, sabe, esse tempo todo, 10 anos, quanto tempo. Depois de todos os lugares que nós passamos, eu fui praticamente criado com vocês.
- Eu sei, Sammy, eu sei.
- Não, Cas, você não entende, ele nunca esqueceu todos esses anos.

Notas finais
Obrigada por ler, espero que tenham gostado. Reviews são bem vindas, caso você conheça alguma coisa sobre doenças neuropsicológicas e percebeu que eu esqueci algum detalhe ou exagerei, sinta-se a vontade para me dizer. Criticas são realmente bem vindas.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.