We are Doctors
11 Ser dramático tem seus benefícios.
Notas iniciais
30 de novembro de 2018, 23h10m, Bar Dakota’s, Nova Iorque.
Ok, pessoal, vamos fazer isso mais uma vez. Meu nome é Percy Jackson e pelos últimos doze meses eu fui um interno no programa de residência cirúrgica mais prestigiado dos Estados Unidos. Vocês sabem o resto. Eu passei vergonha no meu primeiro dia, ganhei um colega de quarto, fiz amizades com pessoas incríveis, fiquei bêbado e torci meu tornozelo enquanto cantava em uma mesa de bar, acordei de ressaca com uma mulher seminua em cima de mim, conheci cirurgiões lendários, tive um encontro fracassado com uma melhor boa demais para mim, transei com essa mesma mulher em um dos quartos do Olympus... Acho que vocês não precisavam ler isso... Enfim, fiz a prova dos internos e finalmente me torneio um residente de segundo ano junto com meus amigos.
Tudo que eu queria agora era aproveitar minha vida sem dramas, não seria pedir demais, certo?
— Quem convidou aquele idiota? – Thalia reclamou enojada enquanto o homem loiro pálido parecia tentar engolir a pobre moça que estava agarrada com ele.
— Ele é um interno assim como o resto de nós, Thalia. – Nico respondeu, embora o cenho franzido em seu rosto indicasse que ele também não estava apreciando aquela cena.
— Não mais, meus queridos. Não mais. – Eu acabei concluindo por ele, afinal de contas, Octavian havia sido o quinto pior interno do programa.
— Amém a isso. – Thalia disse erguendo o pequeno copo.
Nós três brindamos e viramos as doses de tequila de uma vez. Se eu me sinto culpado por estar brindando pelo fracasso de alguém como Octavian? Nem um pouco. Thalia devolveu o pequeno copo vazio e recebeu a bandeja com os cinco copos altos completos com coquetéis brilhantes que eu não fazia a mínima ideia do que eram feitos.
Era a tradicional festa de Halloween do Olympus e estávamos comemorando os resultados da prova dos internos realizada a quase no mês anterior. Annabeth e Nico haviam empatado no primeiro lugar ao obterem a nota máxima no exame, feito que só havia sido realizado duas vezes na história do mais prestigiado programa de residência cirúrgica dos Estados Unidos. Thalia ficou com o segundo lugar com uma nota de 99 (ela insiste que a nota se deve ao fato dela ter desenhado no fim da prova) e eu fiquei em décimo primeiro dos quarenta internos que haviam prestado o exame naquele ano. Sinceramente, eu estava bem orgulhoso, provas escritas nunca foram minha especialidade. Enfim, seguindo a tradição do Olympus, os cinco internos com as notas mais baixas no exame seriam expulsos do programa ou convidados a repetir o primeiro ano como interno, embora ninguém jamais escolhesse a segunda opção por não suportarem a humilhação.
Bianca e Annabeth aparentemente estavam tendo um bom momento quando voltamos a nossa mesa. A loira ria abertamente do que parecia ser uma história que a mais velha contava.
—... Ele os seguiu durante o dia inteiro naquele parque de diversões se achando um espião, foi bem patético porque ele estava usando um sobretudo preto surrado em pleno verão, parecia mais um daqueles maníacos de Columbine. Hazel deveria ter voltado para casa para o almoço, mas ela convenceu Frank a passear com ela o dia inteiro só para ver Nico cambalear morto no calor o dia inteiro. Quando finalmente escureceu e eles se preparavam para deixar o parque, Hazel deu meia-volta e arrancou Nico da cobertura de uma barraca de tiro ao alvo e o fez voltar o caminho inteiro usando um chapéu de panda que Frank havia ganho para ela em um jogo de arco e flecha. Veja, eu ainda tenho a foto! – Ela narrou e exibia a tela do celular para Annabeth que começou a rir com ainda mais intensidade.
— Bianca! Você deveria parar de contar essas coisas, já faz dois anos! – Nico reclamou sentando-se ao lado da irmã e empurrando-a com o ombro. – Isso foi antes de eu conhecer ele, ok? Eu só estava me certificando que minha irmã estava segura no seu primeiro encontro.
— Frank já era um doce com dezesseis anos e Hazel já tinha mais juízo do que você tem hoje, fratello. – Ela rebateu ácida, mas deu um beijinho na bochecha de Nico que o fez fazer uma careta.
— Frank Zhang, o “doce” do namorado da minha irmã Hazel hoje tem quase dois metros de altura e faz qualquer jogador de futebol americano chorar se o encontrar em um beco escuro. – Nico explicou para mim e Thalia que já havíamos ocupados nossos lugares na mesa. – Bianca as vezes aparenta amar mais ele do que eu.
— Talvez isso se deva ao fato de que Frank é mais carinhoso comigo do que meu próprio irmãozinho. Ele sempre me leva para tomar meu milkshake favorito quando nos encontramos. Enquanto um certo ingrato sequer me confia o nome da garota com quem saiu no Valentine’s Day. – Ela comentou apertando os olhos para o irmão que se encolheu um pouco e focou o olhar no copo de álcool na sua frente.
Eu senti a dona do tal nome também reagir a minha esquerda, embora Thalia fosse bem menos óbvia que meu amigo. Eu não entendia aqueles dois, eles sempre desviavam do assunto quando eu mencionava o fatídico dia em que Atena Chase interrompeu meu primeiro encontro com Annabeth. Eles estavam fazendo de tudo para esconder que haviam ido pra cama naquele dia, eu mesmo só descobri graças a Annabeth que havia me contado alguns dias atrás, mas eu não havia tocado no assunto com Nico ainda, mesmo que morássemos juntos, eu havia decidido que tentaria respeitar sua privacidade.
Felizmente, eu não tenho esse tipo de problema. Eu pensei quando passei o braço sob os ombros da loira sentada a minha direita e a trouxe um pouco mais para perto de mim.
Eu ainda estava com um pouco de receio, mas Annabeth se limitou a sorrir com minha atitude e até aconchegou um pouco seu corpo ao meu. Não estávamos juntos oficialmente, ou sequer não-oficialmente. Claro, havíamos transado uma vez naquela On-Call Room e desde então trocávamos beijos sempre que o clima estava presente, o que parecia ser toda hora, mas eu não sabia o que éramos. Namorados? Amantes? Ficantes? Amigos com benefícios? Para ser sincero, eu não tenho a mínima vontade de tentar buscar um título para o que está acontecendo entre a gente, não quero estragar isso.
— Você está pensativo hoje. – Ela sussurrou no meu ouvindo e eu percebi que estava inconscientemente enrolando uma mecha dos fios loiros em meu dedo. – Aconteceu algo?
— Não, não é nada demais. – Me assegurei de responder logo e virei o rosto para observar sua expressão. – Estou apenas pensando em como estou gostando de como a minha vida está agora.
Annabeth sorriu, à medida que eu passava cada vez mais tempo em sua companhia, eu acabei identificando várias expressões diferentes que costumavam emoldurar seu belo rosto. A mais comum que ela tinha, principalmente fora do hospital, mostrava um sorriso que mal exibia seus dentes e os olhos ficavam brilhantes como se ela estivesse em uma brincadeira particular que ninguém mais entendia, mas que mesmo assim era incrível de se admirar.
— Algum detalhe em particular? – Ela perguntou como quem não quer nada, mas seus olhos não mentiam.
— Talvez. Uma mulher loira anda perturbando meus pensamentos a ponto de não me deixar dormir à noite. É uma pena que eu não saiba se eu significo tanto para ela. – Respondi ao mover minha mão de seus cabelos até seu rosto em uma carícia suave.
Annabeth riu antes de unir nossos lábios em um beijo breve e suave, porém cheio de significados para mim.
— Você fica muito dramático quando bebe, Percy. – Ela reclamou sorrindo quando nos separamos.
— Eu?! Claro que não. – Neguei indignado.
— Cara, você está a um gole de subir na mesa e cantar Love Hurts...— Nico apontou para meu copo.
— Outra vez. – Thalia provocou.
Bianca conseguiu conter o riso com a mão, mas Annabeth gargalhou abertamente com a lembrança. Traidora...
— Vocês todos são um bando de invejosos. – Eu declarei apontando para eles e tomei um gole da minha bebida que apelidei de Chernobyl por causa da sua cor de material radioativo.
A irmã mais velha do meu colega de quarto foi a responsável de mudar o assunto.
— Então, estão se sentindo prontos para os novos internos? – Bianca girando o copo, que já estava na metade por sinal, de maneira calma.
— Você já os conheceu? – Annabeth se inclinou para a mesa com os olhos cinzentos exalando interesse.
— Ah, sim! Eu esbarrei em alguns quando Quiron estava fazendo as entrevistas na semana passada. Eles pareciam filhotinhos fofos completamente perdidos. – Bianca balançou a cabeça com um risinho como se a visão de candidatos ao programa completamente nervosos fosse a coisa mais adorável que ela já tinha visto. – Inclusive, conheci um garoto loiro com seu sobrenome, Thalia.
A morena de olhos azuis se remexeu desconfortavelmente na cadeira e Annabeth olhou para ela surpresa.
— Seu irmão se inscreveu para a residência no Olympus?! — Ela perguntou exasperada.
— Sim. Por que a surpresa? – Thalia indagou como se estranhasse a reação da amiga.
— Seu irmão não tem tipo, 16 anos? – Nico perguntou.
— Claro que não, Jason é um ano mais novo que eu. – Ela respondeu ainda confusa. – De onde vocês tiraram essa ideia?
— De você! — Nós falamos em uníssono.
— Você sempre fala dele como se ele fosse uma bebê enquanto você cuidava dele quando era adolescente. – Nico afirmou.
— Ao ponto de você visto ele tentar comer um grampeador quando você tinha dezessete anos. – Annabeth adicionou.
— Ou quando ele tentou beijar um tijolo logo depois que você tirou o grampeador dele. – Eu completei.
Thalia bufou e tomou um belo gole da sua bebida antes de responder.
— Isso tudo foi o resultado da primeira vez que Jason bebeu. Ele tinha dezesseis anos. Herdou toda a aparência de Beryl e nada do fígado de aço dela, então aquela foi uma noite longa. – Thalia explicou dando de ombros. – Somos o oposto nessas características.
— Eu até vi a cicatriz no lábio dele! Foi assim que eu o reconheci como seu irmão. Vocês são muito diferentes no quesito aparência mesmo. – Bianca comentou.
— Se ele for aprovado e virar o seu interno? O que você vai fazer? – Annabeth perguntou um pouco preocupada.
Thalia, mais uma vez, fez pouco caso da inquietude da amiga.
— Se ele for azarado a esse ponto, eu vou fazê-lo sofrer todos os dias como pagamento por todos os dias que eu tive que cuidar dele. – A morena disse com um sorriso diabólico no rosto.
Eu e Nico recuamos nas cadeiras instintivamente com simpatia pelo loiro ainda desconhecido. No último ano, nós é que havíamos sofrido continuamente sendo os alvos das torturas de Thalia Grace. E nós nunca demos um motivo para ela querer se vingar de verdade, então eu já tinha pena do que Jason Grace iria passar caso a irmã mais velha fosse a sua residente supervisora.
— Você é cruel, Grace. – Annabeth disse com uma careta de desaprovação.
— Você é sensata, Grace. – Bianca corrigiu olhando para o próprio irmão. – Eu daria tudo para ter a chance disso com meu fratello.
Nico encarou a irmã com uma careta no rosto.
— Quando foi que eu dei tanto trabalho a ponto de você precisar de vingar, Bianca? – Ele perguntou indignado.
— Quando foi que você não me deu trabalho, Nicollas? — Ela rebateu irônica cutucando o mais novo com o dedo. – Começando por todas as suas muitas ex-namoradas, quem você acha que ficava ouvindo as lamúrias delas depois que você quebrava o coração delas?
— Muitas ex-namoradas? –Thalia perguntou quase que inocentemente.
Eu vi Nico empalidecer, algo que era bem assustador já que ele era pálido naturalmente.
— Nã... Não é bem assim! Bianca está exagerando! – Ele se defendeu.
— Estou? Algumas pessoas podem discordar disso. – Ela rebateu sorrindo ao notar o desespero do irmão. – Lita, Trish, Megan, Holly, Tracy, Penélope, Marie, Daisy, Lucy, Samantha, Zoe...
— Você está enumerando pessoas que eu sequer cheguei a namorar, Bianca! – Nico reclamou. – Muitas aí se irritaram porque eu recusei as declarações delas.
— Então teve algumas dessas que você realmente quebrou o coração, Di Angelo? – Thalia alfinetou e Nico negou com a cabeça veementemente em um ato de desespero.
— E todas elas ficaram muito tristes com isso. Lembra do Giotto em nossas férias na Itália dois anos atrás? – Bianca acusou.
— Eu só disse que não era gay e ele pirou, como eu posso ser o culpado? – Nico perguntou exasperado.
— Ele chorou durante três dias. – Bianca comentou baixinho e Nico bateu a cabeça na mesa derrotado.
Por estar com a cabeça abaixada, Nico não percebeu quando Bianca piscou para Thalia que sorriu cúmplice em resposta.
É, meu amigo nunca teve a mínima chance contra aquelas duas.
31 de novembro de 2018, 03h42m, Residência de Annabeth Chase, Nova Iorque.
— Você pensou sobre a pergunta de Bianca? – Annabeth perguntou com a voz baixa ao meu lado. – Sobre estar preparado para guiar os novos internos, eu digo.
Eu virei o rosto para encarar seus olhos. Estávamos sentados confortavelmente em um dos sofás na sala de estar da casa dela enquanto um programa qualquer era transmitido na televisão de tela plana. Havíamos retornado da festa de Halloween há poucos minutos e Annabeth já havia trocado sua roupa para um pijama confortável que consistia em uma calça larga de moletom cinza e uma regata preta. Seu cabelo cacheado estava preso em um rabo de cavalo e a maquiagem leve já havia sido retirada do rosto. Mesmo assim, ela continuava tão linda como em todos os outros momentos em que eu a via.
Thalia havia se recolhido para seu quarto logo quando chegamos na casa em que as duas moravam com a desculpa da cabeça estar girando demais para seu gosto. Nico havia desabado na cama do quarto de hóspedes e já deveria estar no mais profundo sono. Bianca havia se despedido de nós na porta do Dakota’s retornado para seu próprio apartamento. Mesmo depois de uma noite bebendo e me divertido com meus amigos, eu não estava tão cansado a ponto de dormir, então havia optado por ficar na sala de estar assistindo televisão. Annabeth aparentava ter a mesma vontade, pois logo se tratou de aconchegar ao meu lado me fazendo uma companhia silenciosa até aquele momento.
— Para ser sincero, estou tentando não me preocupar com isso. – Eu respondi enquanto tocava em uma mecha do cabelo que havia escapado da liga que os prendia. – Eu sempre soube que teria que ensinar, é o natural para o programa de residência.
— E então? – Ela perguntou, notando uma hesitação que eu esperava ter tido sucesso em esconder, mas aparentemente falhara.
— E então que eu só queria ser capaz de ser um professor tão bom quanto Reyna foi para nós...
— Percy... – Annabeth tentou falar, mas eu continuei sentindo minha voz ficar cada vez mais baixa.
— Mas eu não tenho ideia do que vou fazer. Eu consegui uma boa nota na prova e de alguma maneira eu consigo lidar com o nosso cotidiano no Olympus, mas eu não sei se consigo ser um professor incrível para alguém que se inscreveu em um programa de elite... – Minha voz falhou quando eu senti a garganta apertar.
— Percy... – Annabeth tentou virar meu rosto de maneira delicada para que pudesse olhar nos meus olhos, mas eu virei o rosto para o lado oposto.
— Eu não sou um gênio como você, Nico ou Thalia. Eu sou o cara que cai na fonte de água no primeiro dia de trabalho, você consegue imaginar o estrago que vai ser um interno se espelhar em mim? – Lamentei e senti um aperto no estômago quando ouvi a risada contida de Annabeth.
Ótimo, até ela me achava uma piada agora.
— Perseu, olhe para mim. – Annabeth... Não, aquele era o tom de voz autoritário e firme que a Dra. Chase usava para dar uma ordem. Ninguém ousava desobedecê-la, eu não era uma exceção à essa regra.
Apesar do tom de voz usado, Annabeth ainda mantinha uma expressão suave em seu rosto.
— Você já parou olhar bem cara um de nós? – Ela questionou com uma voz irônica. – Thalia provavelmente vai matar os coitados que tiverem que trabalhar com ela, Nico odeia interagir com desconhecidos, imagine então ele ensinando. E eu tenho muito da minha mãe em mim para não ser uma péssima professora.
Enquanto eu tentava assemelhar aquelas informações, Annabeth continuou:
— Além disso, você é o único que todos do hospital sabem que será um excelente professor desde o primeiro dia, Percy.
— Até mesmo quando eu caí na fonte de água? – Perguntei de maneira boba e vi um sorriso tomar conta dos seus lábios.
— Ok, talvez desde o segundo dia então, Cabeça de Algas. – Ela respondeu rindo enquanto se levantava para vir e se sentar em meu colo, enlaçando meu pescoço com seus braços finos. – É claro que o homem que me atrai seria excepcional.
— Então se eu não tivesse esse talento, você não me daria bola? – Reclamei enquanto me inclinava para beijar seus lábios, mas ela me negou aquilo se afastando brevemente.
— Você realmente fica muito dramático quando bebe, Percy. — Ela disse e então me beijou.
Ser beijado por Annabeth sempre parecia ser uma experiência nova a cada vez que acontecia. Era como se eu estivesse conhecendo uma nova face da personalidade dela sempre que nossos lábios se uniam. Era viciante, intenso e extremamente satisfatório sentir sua língua enquanto ela comandava o ritmo do beijo.
Quando eu quebrei o contato para tentar recuperar o ar, Annabeth grunhiu e puxou meu rosto para ela novamente me beijando de uma maneira mais feroz. Pelo jeito, eu estava conhecendo mais uma de suas faces naquele momento.
— Annabeth... – Minha voz sumiu quando eu vi a expressão em seu rosto. As pupilas dilatadas, a respiração forte, os dentes mordendo levemente os lábios inchados.
Eu havia topado com aquela visão somente uma vez e foram as melhores horas da minha vida.
— Vamos subir para o seu quarto. – Sugeri com a voz afetada. – Nico e Thalia estão na casa, não podemos f...
— Eu vou ter você aqui e agora, Perseu. – Ela sussurrou de maneira predatória em meu ouvido e eu senti um arrepio tomando conta do meu corpo.
Naquele momento eu lembrei que eu não era o único que tinha uma peculiaridade que só aparecia quando eu ingeria álcool.
Não que isso fosse ruim...
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