We are Doctors

3 Meu colega de quarto é a...tequila?


Notas iniciais
Olá, pessoal. Sinto muito por ter demorado tanto para postar o capítulo, mas o fim de semestre na faculdade sempre é uma loucura, pra mim foi ainda pior porque tive que ir para um congresso fora do estado, então espero que possam me perdoar pelo atraso. Boa leitura!

Lembro de ter lido uma matéria em uma revista de futilidades que dizia que havia grande contraste entre o nível de exigência em relação à organização que a pessoa apresenta em seu trabalho com a maneira em que ela age em sua vida cotidiana fora do trabalho. Logo, uma pessoa que fosse muito metódica e organizada em seu trabalho seria uma pessoa desleixada em seu próprio lar. Considerando isso como verdade, já da pra imaginar o quão deprimente é a vida de um interno fora do hospital.

Depois do choque de realidade que foi meu primeiro plantão de quarenta e oito horas, tudo que eu mais desejava na vida era chegar ao meu minúsculo apartamento e me jogar em meu colchão. Mas qualquer plano que eu tivesse que envolvesse dormir o dia inteiro virou cinzas graças ao meu mais novo amigo, Nico di Ângelo.

Antes de qualquer coisa, devo esclarecer que eu não poderia ficar irritado com ele por impedir meu sagrado sono. Afinal, fui eu mesmo quem o convidou para olhar o apartamento cujo aluguel me obrigava a dividir. Então considerando minha frágil condição financeira, eu segurei meus olhos abertos e passei pela porta do apartamento acompanhado pelo meu colega.

— Bem vindo ao lar. – Eu disse enquanto ele girava analisando os detalhes do espaço.

Não que tivesse muito pra ver. Ao passar pela entrada você estava na “sala de estar”, um espaço atualmente vazio que em sete passos retos você chegava à pequena divisória de mármore que dividia a sala da cozinha tão pequena quanto o espaço anterior. Na direita havia um corredor que dava para os dois quartos e o banheiro do apartamento.

Devo acrescentar que o apartamento não era mobiliado pelo dono, então os móveis do recinto se resumiam ao meu colchão jogado em um dos quartos. Sim, um colchão, se você cogitou a ideia que eu tinha uma cama aqui, pode tirar o cavalinho da chuva.

— Não é exatamente aconchegante, na verdade é nada. Mas é o que eu posso pagar. – Expliquei um pouco constrangido.

No entanto, Nico não parecia compartilhar dessa opinião. Ele olhava casa pedaço do apartamento com um sorriso genuíno no rosto, parecia tão maravilhado que quando eu falei, ele balançou a cabeça negando.

— Não, não, não. Isso aqui é perfeito. Eu quero me mudar hoje mesmo, se estiver tudo bem com você. – Ele falou animado.

Aquilo me causou certo estranhamento, afinal aquela animação toda não combinava com o visual e personalidade de Nico. Parecia-me surreal que um cara que acabara de sair de um plantão cirúrgico de quarenta e oito horas estivesse tão cheio de energia a ponto de querer realizar uma mudança. Ainda estou desconsiderando a cara de sono que ele naturalmente tem.

— Você tem certeza? Não quer... sei lá... dormir antes? – Frisei incrédulo.

Nico novamente negou com a cabeça e ajeitou a mochila que carregava nas costas.

— Eu realmente gostaria de me mudar hoje, eu preciso sair de onde estou logo ou vou enlouquecer. – Ele disse e seus olhos pareciam meio desesperados quando ele acrescentou. – Por favor.

Agora vejam bem, diferente do estereótipo de cirurgiões ateus, eu acredito em Deus e uma coisinha chamada destino. Destino esse que vai se moldando na medida em que certas decisões surgem para serem tomadas. Eu duvido muito que em outra situação eu iria fazer isso com uma pessoa que eu havia praticamente acabado de conhecer e aposto que minha mãe iria surtar se descobrisse que foi assim que eu comecei a morar com Nico, mas o Percy que estava acordado há dois dias direto não ligava nem um pouco para isso.

Eu peguei as chaves reservas e joguei para meu novo colega de quarto.

— Faça o que você quiser, mas eu estou indo dormir. – Eu disse enquanto Nico pegava as chaves assustado, acho que nem mesmo ele acreditava que eu estava fazendo aquilo.

Enquanto eu fui andando até meu querido colchão, juro que escutei um “Obrigado” do meu colega, mas sequer dei atenção. A única coisa que me importava era apagar no canto do meu quarto, e foi o que eu fiz, sem sequer colocar um pijama ou tirar os tênis.

Eu gostaria muito de dizer que dormi maravilhosamente bem e que acordei muitas horas depois, completamente revigorado, como geralmente acontecia quando eu ia dormir longos períodos após estar exausto e com um cansaço acumulado. Mas não foi isso que aconteceu.

Existem dois tipos de sensações após acordar. A primeira delas é a mais comum ao ter uma boa noite de sono, quando você acorda se sentindo revigorado e tem plena consciência que passou um tempo considerável dormindo. A segunda é quando temos pouco tempo de sono e acordamos tão sonolentos quanto estávamos antes, porém diferente da primeira, aqui você vai ter a sensação que apenas piscou e a noite toda passou, é uma sensação idêntica à que os pacientes que recebem anestesia para cirurgia sentem ao acordar, como se fosse um tempo perdido.

Eu acredito que falo por todos quando digo que essa segunda sensação é a pior. E como vocês já têm conhecimento da minha sorte (ou falta dela) habitual, já devem imaginar qual tipo de sono tive.

Acordei com o barulho de passos e conversa no corredor. Por um momento eu fiquei confuso até lembrar que eu tinha um colega de quarto recém chegado. Provavelmente era Nico levando suas coisas para o seu quarto. Não deixei de ficar curioso, porém, em relação à conversa que se desenrolava fora do meu quarto. Afinal eu não esperava que Nico fosse ter alguma ajuda para fazer sua mudança, até onde eu sabia, ele era recém chegado na cidade assim como eu e não conhecia ninguém.

Foi movido por essa curiosidade que eu me forcei a levantar do colchão, embora quase conseguisse ouvir meu corpo implorando para ficar deitado. Fui cambaleante até a porta e a abri, me apoiando no batente para evitar voltar a dormir e desabar no chão. Embora a imagem que presenciei foi o suficiente pra me despertar.

Em frente à porta, um pouco assustada pela abertura abrupta, estava uma mulher da minha altura, ela usava uma regata preta de alguma banda que eu não reconheci a primeira vista e shorts jeans. Os cabelos negros lisos estavam presos em um coque que já estava para se desfazer e seus olhos, tão escuros quanto seus cabelos, me olhavam surpresos. Ela trazia uma caixa de papelão nas mãos preenchida com revistas difíceis de identificar.

Eu devo ter encarado ela de maneira bastante patética por alguns segundos porque ela logo arrumou a postura e me deu um sorriso confiante. Foi naquele momento em que eu a reconheci, era a mesma atendente que havia estado na galeria assistindo Nico realizar o primeiro procedimento dos internos.

Buona notte, Dr. Jackson. É um prazer finalmente lhe cumprimentar. – Ela disse com a voz carregada com um sotaque europeu. – Nicolas me falou bastante de você.

Eu tentei devolver o cumprimento de maneira adequada. Mas com meu estado de sono combinado com a surpresa de rever aquela mulher ali no meu apartamento, o que saiu da minha boca foi algo como:

— Eu.. Prazer...Quem...Também...

Aquilo não pareceu ofendê-la, entretanto.

— O primeiro descanso pós plantão é sempre inesquecível. Se Nicolas não fosse praticamente um zumbi, ele estaria assim também. – Ela brincou, sem conseguir conter um risinho ao notar meu estado.

— Desculpe-me se eu soar indelicado, mas o que você está fazendo na minha casa? – Perguntei depois de esfregar o rosto na tentativa de despertar.

Embora ela não tenha vacilado na postura relaxada e confiante, notei que suas bochechas ganharam um tom um mais corado.

Perdono, que imbecil eu sou, sequer me apresentei. – Ela disse com o inglês vacilando enquanto ficava possivelmente envergonhada. – Eu sou...

Sorella, Ti stavo aspettando... – A voz de Nico soou com o mesmo sotaque carregado da mulher enquanto ele aparecia no corredor, mas interrompeu-se eu notar minha presença. – Ah, Percy, você acordou.

Nico estava com caixa média no braço que pelo aspecto parecia ser pesada. Ao ouvir suas primeiras palavras, eu finalmente notei de onde eu sentia certa familiaridade na mulher. A voz de ambos apresentava o mesmo sotaque estrangeiro, embora o de Nico fosse consideravelmente menos aparente até aquele momento onde ele falara em outro idioma espanhol, talvez?

— Vejo que conheceu minha irmã. – Ele disse com a voz monótona.

— Irmã?! – Eu perguntei mais confuso que surpreso.

— Irmã. – A mulher confirmou com um sorriso no rosto. – Me chamo Bianca di Ângelo, sou a irmã mais velha de Nicolas, obrigado por cuidar dele.

Ela ofereceu a mão desocupada para que eu apertasse, a qual eu logo tratei de aceitar. Como ela aparentemente já sabia meu nome, eu achei meio idiota repetir, mas Nico me salvou do silêncio quando passou por nós com a caixa para seu quarto.

— Não exagere, Bianca, você só é dois anos mais velha que eu. – Nico disse rolando os olhos enquanto entrava no quarto.

Bianca apenas riu suavemente com a resposta de meu amigo e o seguiu. Eu até teria feito o mesmo, mas quando olhei para minhas roupas abarrotadas (que eu estava vestido há mais de dois dias), achei melhor ir tomar um banho e me por em melhor estado para ficar no mesmo ambiente que a irmã bonita do meu colega de quarto, que também calhava de ser minha superior no hospital.

Foi somente após tomar um banho suficientemente longo para me sentir limpo e acordado novamente, que me troquei e fui até a minha “sala de estar”, onde Nico e Bianca estavam sentados em grandes pufes roxos que não estavam ali antes, e ainda havia mais novidades.

Havia quatros pufes roxos ao redor de uma pequena mesinha no centro da sala, os dois Di Ângelo ocupavam dois deles enquanto comiam fatias de pizza, cuja caixa repousava em cima da mesinha. Mais ao canto, rente a parede, havia uma estante de madeira não tão grande preenchida com várias revistas de medicina.

Quando eu saí do corredor, os irmãos estavam absortos em uma calorosa discussão sobre pizza, aparentemente.

— Não é possível você estar falando isso, fratello, é uma blasfêmia contra sua cultura italiana. – A mais velha dizia indignada quando eu cheguei.

— Você está exagerando, não tem nada de errado com ela. – Nico retrucou apontando para a caixa. Ele virou o olhar e me notou ali. – Percy! Ótimo, venha e me ajude a convencer essa cabeça dura que não tem nada de errado com nossa pizza.

Apesar de estranhar a fala, eu me aproximei e sentei em um dos pufes, embora fosse uma sensação estranha de afundar ali, era melhor que o chão.

— Ele não conta, americanos não tem direito de opinar sobre isso. – Ela disse com deboche.

— Eu sou americano. – Nico resmungou.

— Nunca diga isso na frente de nossa mamma se não quiser vê-la chorar. – Bianca disse com uma pitada de diversão na voz.

Eu estava completamente perdido, então levantei a mão antes que eles continuassem.

— Do que vocês estão falando? – Perguntei tentando ficar menos confuso naquele meio.

— Bianca é neurótica com pizzas americanas e insiste que são horríveis comparadas com as italianas. – Nico disse com uma careta. –Ela fica indignada porque eu adoro o gosto delas.

— Como você pode dizer que gosta delas e tem que colocar ketchup e beber coca-cola para comê-las? – Bianca retrucou, embora sua voz estivesse divertida.

Eu não me importava com a nacionalidade da minha pizza, então apenas dei de ombros e me inclinei pra pegar a última fatia que restava na caixa, aproveitei o período de silêncio pra mudar de assunto.

— Então... Bianca, Nico não havia me dito que tinha uma irmã trabalhando no Olympus. – Eu disse após morder meu pedaço de pizza. – Não quero ofender, mas você não é muito nova para estar na sua fellowship?

— Ora, eu não sou uma fellow, eu fui contratada como atendente de Neurocirurgia. – Ela respondeu casualmente, aumentando meu espanto.

Embora ela falasse como se não fosse nada demais, aquilo era incrível. Veja bem, considerando que ela entrara na faculdade de Medicina na idade normal, ela deveria estar no seu segundo ou terceiro ano de residência cirúrgica agora, ela ser uma atendente nessa idade deveria ser impossível. Mas algo em seu perfil me fazia aceitar que ela não era uma pessoa comum.

— Bem, essa é minha hora de ir. Meu plantão começa daqui a meia hora. – Bianca disse levantando-se olhando o celular.

Nico levantou do pufe e eu segui o seu exemplo, fiquei um pouco assustado quando vi que já passava de onze da noite.

— Foi um prazer te conhecer, Percy, cuide bem do meu irmão por mim, certo? – Ela disse enquanto apertava minha mão, despedindo-se.

Quando ela foi até Nico, ela inclinou-se e beijou o irmão em ambas as bochechas para depois abraça-lo fortemente por um longo tempo. Quando se afastou, Nico estava vermelho e constrangido, mas não fez qualquer ação para repelir a irmã. Bianca parecia que iria dizer algo, mas se conteve e apenas sorriu para o irmão antes de apanha sua bolsa e sair do apartamento.

Foi só depois que a porta se fechou atrás da mulher que Nico virou sua atenção pra mim, notando meu constrangimento.

— Desculpe por te fazer presenciar essa cena, Percy. Bianca só está estranha porque eu saí da casa dela. – Ele suspirou deixando-se cair em um dos pufes.

Segui seu exemplo, aproveitando para olhar com mais atenção os novos móveis.

— Você trouxe tudo isso de lá? – Questionou apontando para os objetos ao nosso redor.

Nico deu de ombros.

— Obras da minha irmã mais nova Hazel, quando disse que iria me mudar ela insistiu que eu levasse algo de casa. – Ele comentou empurrando levemente a mesa com o pé. – Espero que você não se incomode.

Aquilo me fez rir.

— Está brincando?! Eu nunca reclamaria de não sentar no chão na minha folga. – Eu disse me ajeitando no pufe roxo, era mais confortável do que eu imaginava.

Ficamos em um silêncio um pouco desagradável. Foi ali que eu percebi que apesar de Nico ser meu novo colega de quarto, eu não tinha assunto para conversar com ele, afinal eu mal o conhecia.

Aquilo poderia ser um problema, afinal, apesar de ser quase meia noite, eu havia acabado de acordar e Nico não mostrava estar com um pingo de sono. O que diabos iríamos fazer? Ficar nos encarando sem falar nada até a hora do próximo plantão?

Felizmente, Nico parecia estar tão desconfortável quanto eu, então fez a melhor pergunta para um interno de folga.

— Que tal irmos beber alguma coisa?

Há muitas maneiras de se conhecer uma pessoa. Colegas de faculdade se conhecem nos intervalos, médicos e pacientes se conhecem em questionamentos para diagnósticos. Internos de cirurgia se conhecem bebendo em suas folgas.

O Dakota's era um bar que ficava praticamente em frente ao Olympus Royal Hospital, era um bar mais aconchegante do que grandioso e grande parte de sua clientela se resumia os funcionários do Olympus. Logo, era algo muito comum encontrar médicos e enfermeiros bebendo ali em busca de um alívio após um plantão exigente. Obviamente, não tinha lugar melhor para eu e Nico irmos.

Um fato curioso sobre minha pessoa e álcool é que eu sou bem resistente, porém o mundo do álcool é maravilhoso e ele vem em todas as formas e cores, logo, é lógico que uma dessas combinações será o ponto fraco de alguém. No meu caso, é a tequila. Então logo depois da quinta dose que virei junto ao meu mais novo amigo, não posso dizer que nossa conversa tinha algum nexo.

— Ela sempre faz isso! Eu disse que não queria ela me vigiando no meu primeiro dia! – Nico disse, entenda-se berrou, logo depois de virarmos a dose de tequila.

— Você é italiano? Sua irmã é italiana, então você também é italiano? Por que não disse que você era italiano? Você não parece ser italiano. – Eu disse meio tonto, mas assim mesmo fiz um sinal para o bartender nos trazer outra dose.

— Eu não sou italiano, meus pais são e minha irmã também, mas eu nasci aqui. – Nico resmungou enquanto brincava com o pequeno copo de shot.

— Mas você fala italiano. – Eu argumentei baixinho.

— E você parece um idiota, mas não é um. Eu espero que não seja. Caso contrário quem te deixou entrar no programa de residência cirúrgica é um idiota ainda maior. – Ele retrucou com uma careta, ao que parecia ser uma reação ao álcool.

O garçom chegou a nossa mesa com os dois copos equilibrados em uma bandeja, mas antes mesmo dele ter a chance de colocar na mesa, uma mulher pegou os dois copos e virou um depois do outro, soltando um gemido insatisfeito logo depois.

— Tequila?! Agora sim vocês parecem ser homens de verdade. –A mulher disse lambendo os lábios rosados e sentando-se antes de virar para o garçom: – Mais quatro, por favor.

— Não basta encher o saco no hospital, mas até aqui você nos persegue? – Nico bufou enquanto Thalia sorria com escárnio pra ele.

Foi quando eu senti a mão de alguém em meu ombro.

— Se estivermos incomodando vocês, podemos ir para outro canto. – A mulher atrás de mim disse e sua voz foi capaz de me deixar sóbrio novamente.

Você não incomoda, Annabeth. Não posso dizer o mesmo desse embuste aqui. – Nico disse e gemeu de dor quando levou uma cotovelada de Thalia.

Annabeth soltou uma risada suave e passou por mim, sentando-se no ultimo lugar vago da mesa. Ela estava linda, os cabelos loiros agora estavam soltos e caiam livremente pelos seus ombros. Seu rosto ainda estava um pouco marcado de cansaço, mas o jeito que ela sorria fazia essa imperfeição sumir. Era uma versão bem mais alegre e relaxada da Dra. Chase que era interna no Olympus.

— Oi, Percy. – Ela me cumprimentou após sentar-se. – Não esperava encontrar você neste lugar.

Eu juro que tentei responder de maneira adequada, mas como eu já deixei bem claro, tequila é o meu ponto fraco, então o melhor que eu pude fazer foi balbuciar coisas desconexas em voz baixa. Felizmente, Nico não deixou eu me envergonhar quando chamou a atenção pra ele.

— Por que diabos você não usa maquiagem pra ir a um bar, mas usa quando vai trabalhar? – Ele questionou Thalia, notando a mudança em sua aparência.

De fato, Annabeth não era a única que estava diferente. Thalia estava sem a maquiagem que dava aquele ar de punk a ela. O que era irônico porque era em bares como aqueles que eu geralmente encontrava garotas com aquele visual, mas ali estava ela, com os lábios rosados e a pele branca limpa, dando destaque as sardas que ela tinha espalhadas pelo rosto e os olhos azuis tempestuosos.

— Na minha lista de “a quem eu devo satisfações”, você está atrás da tequila, Di Ângelo. – Ela disse se erguendo para pegar a bandeja com o garçom que acabara de retornar.

— Eu não bebo tequila. – Annabeth disse quando Thalia distribuiu um shot para cada um da mesa.

— Ah, fala sério, Chase. Foi você quem me chamou para sair na nossa primeira folga como internos. Você não vai me deixar beber sozinha com os dois patetas, não é? – Thalia reclamou.

— Hey! – Eu e Nico reclamamos em uníssono.

Thalia levantou um dedo impaciente para nos calar e continuou a encarar a loira em sua frente. Annabeth encarava o pequeno copo na mesa como se fosse uma bomba, mas acabou pegando-o e o erguendo para um brinde.

— Bem, o que de pior pode acontecer, não é? – Ela disse ainda com a voz meio insegura, mas eu, Thalia e Nico não compartilhávamos dessa preocupação quando sorrimos e erguemos nossos shots.

— O que de pior pode acontecer! – Falamos em uníssono como um brinde e viramos as doses.

Antes de continuar, devo deixar claro uma coisa: Nunca brinque com o karma.

Notas finais
Espero que tenham gostado do capítulo, ele em si pode parecer meio incompleto, o que seria meia verdade, já que o que estava escrevendo ficou tão grande que eu tive que dividir em duas partes, mas espero que esse capítulo tenha agradado vocês. No próximo capítulo veremos melhores (ou piores) interações entre nossos quatro protagonistas, então aguardem ansiosamente, ok? Como sempre, dúvidas, sugestões, elogios, críticas ou até mesmo um "oi" são muito bem vindos nos comentários, eu sempre respondo todo mundo com muita satisfação. Até o próximo!