Notas iniciais
(Capítulo único)
Não tem NADA a ver com a letra da música Cancer, ok? Eu só peguei uma frase da música.
Era sempre assim. Eu não recebia ligações, nem ouvia qualquer respiração por de trás da minha porta. Nem mesmo pedrinhas na janela. Nada que mostrasse que Gerard ainda dava a mínima para mim. Eu sei, acabou. Pareço uma garotinha quando não consigo esquece-lo, ainda mais quando derramo lágrimas por ele. Ele me esqueceu. Mas eu não fiz o mesmo...Eu pelo menos deveria saber o por que, não deveria? Talvez pensar nele todos os dias desde que nos conhecemos, não conseguir fechar os olhos a noite, de tanta felicidade, enquanto estávamos juntos. E agora isso. Não conseguir fechar os olhos pois as lágrimas ainda não se esgotaram. Talvez essa seja a razão por eu não conseguir convencer a mim mesmo que esse foi o fim. Talvez essa dorzinha no peito que eu sinto todo minuto seja ele tentando sair. E eu não permito. Por que deixa-lo ir é como perder metade de mim. E essa metade é justamente, a que me mantém vivo, ou pelo menos mantinha. Ultimamente, essa parte minha só tem almejado minha morte. Agora estou olhando uma folha de caderno vazia, pois não consigo encontrar as palavras certas para escrever uma carta para ele. Eu nem ao menos sei o objetivo disso. Dizer adeus? Dar algum sinal de vida? Mostrar o quão terrível está meu estado sem ele? Por que dizer tudo isso, quando na verdade, o que eu realmente quero é ligar só pra dizer um oi? Por que não consigo ouvir sua voz? Digo, realmente, pois a ouço ecoando em cada passo que eu dou pelo corredor vazio. Nós costumávamos correr um atrás dos outros nesse corredor. E costumávamos brincar na mesma cama que agora eu durmo sozinho, no frio. Morrendo cada dia mais um pouquinho. Quando viro meus olhos para a mancha de café no tapete, me lembro de cada sorriso bobo dado naquele dia. De cada besteira dita, de que nós não nos preocupávamos com nada. Com as contas atrasadas, com o telefone quebrado por acidente. Eu fui feliz. Por que eu não percebi o quão importante aquele idiota era pra mim? Eu o deixei ir. E agora não consigo ter coragem o suficiente para fazê-lo voltar. Um pássaro pousou em uma arvore bem em frente a minha janela. Não havia ninho, e nem folhas nas quais ele pudesse se abrigar. E a chuva caía sem piedade sobre suas asinhas frágeis, ele piava. Parecia pedir socorro. Doeu. Doeu ver aquela criaturinha naquele estado. Doeu principalmente pois, eu era como ele. Procurava algum colo para chorar, mas a dor não parava de cair sobre minhas costas. Eu sou tão frágil... Levantei-me da cadeira e abri o vidro dando uma oportunidade á ele de entrar. Quem sabe me fazer alguma companhia. Ele entrou pela janela tão rápido que eu mal o vi, logo estava me agradecendo com uma música. “Eu gosto de música.” disse-lhe. Mas não obtive resposta. Não que precisasse de uma. “Estou escrevendo uma carta.” um som saltou do bico da ave amarelada. Sorri. Pela primeira vez em três meses consegui sorrir. “Como vão as coisas? Ouvi dizer que você andou fazendo muitas coisas interessantes. Bem, você já percebeu como pássaros são fascinantes, querido? Eles podem fugir sempre que quiserem, de qualquer coisa. Podem chamar qualquer um para segui-los. É só abrir as asas e ir embora, pra qualquer lugar. Gostaria de ser um pássaro, e gostaria de fugir com você. Tentei ao máximo não fazer isso ser um pedido de desculpas, mas vejo que é impossível. Pois não posso parar de pensar que eu errei. Eu não deveria descarregar toda a minha merda de vida na sua. Me perdoe, não foi a intenção. Eu só não agüentei mais guardar tantas dores só para mim. Mas dividi-las com você, obviamente, foi a pior coisa que eu poderia ter feito. Eu não vou mais arruinar você. Já fiz isso o suficiente. Sei que, para mim, será pior do que ter todas as unhas arrancadas, mas eu não quero acabar com a sua felicidade como fiz com a minha. Só quero lhe pedir uma coisa, Gerard. Por favor, não se esqueça. Te imploro que não se esqueça. De mim, da nossa velha cama com as molas enferrujadas, da mancha de café no tapete, das contas, até mesmo das brigas, dos despertadores arremessados, das portas batidas. Da noite em que saí de carro depois que discutimos, e você me seguiu. Acabamos dormindo juntos no tapete. Você ouviu eu chorar baixinho no chuveiro, e perguntou por que eu não sofria na sua frente. Eu não queria que você entristecesse. No final, tudo o que fiz foi isso.
The hardest part of this is leaving you. “ Não esperei uma resposta. Sempre soube que não a receberia. Já encaixotei todas as memórias que tive nesse apartamento sujo. Eu vou embora. Vou deixar tudo isso de uma vez. Eu preciso aprender a seguir em frente. E mesmo que eu não consiga, tudo bem, a morte não é uma idéia tão ruim assim, é? Um toc toc irritante soou. Uma. Duas. Três vezes. Ninguém nunca me visita. Não mais. Deixei uma pilha de livros sobre uma das caixas, e fui em direção a placa de madeira. Girei a maçaneta e ali estava tudo que eu queria. Mas nada do que eu esperava ver. Gerard segurava uma mala marrom na mão direita e vestia uma feição séria, enquanto fitava meus olhos escuros, eu analisava cada traço de seu rosto. Passava os dedos sobre suas bochechas não tão fartas, e deixava que pousassem em seus lábios. Seu rosto estava tão próximo do meu, eu podia sentir fios de seu cabelo roçando meu nariz. Ele beijou minha testa, e em seguida tocou os lábios nos meus. Sua boca era doce, ainda tinha o mesmo gosto de cereja. Nossas lágrimas se encontravam em certos pontos. — Eu sempre vou segui-lo, Frank. — Esboçou um sorriso nos lábios e eu me senti...vivo.
Notas finais
Deixem reviews, sei lá. Me fazem feliz ]~ÇLKJHGF
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