We Might as Well Be Strangers
8 Capítulo 8
5 de março de 2001
Desde a morte de David que Alexandra evitava ter de trabalhar ao sabado, insistia que iria passar o máximo de tempo possivel com os filhos e até mesmo Kurt que já era praticamente considerado membro da casa.
Era sábado à tarde o que normalmente significava que iria ter o Kurt em sua casa e iriam patinar, não fosse o facto da sua mãe naquele dia ter de apresentar um novo projecto de joias e figurinos para uma peça de teatro numa companhia sedeada a duas horas de viagem de carro de Lima.
Anya iria para casas de umas amigas, e Paul iria ficar a trabalhar no escritório o que queria dizer que ou Dave iria para casa da tia Joahnna. Fora salvo pelo pedido de ultima hora de Elizabeth Hummel que perguntara se Dave não poderia ir para casa deles fazer companhia a Kurt, proposta que Alexandra aceitou, manda-lo para a casa da cunhada enquanto ela estava a tentar resolver uma crise no casamento dela não parecia uma boa ideia.
Eram 10 da manhã quando Dave tocara à campainha dos Hummel. Levava consigo uma caixa com uns bolos que a mãe havia preparado na noite anterior e um ramo de flores para a mãe de Kurt porque supostamente ela estava doente. Para Kurt, levava um pequeno queque decorado por ele, e o seu Power Ranger vermelho, que sabia ser o unico que o rapaz não tinha. Fora Kurt que abriu a porta e ao ver o rapaz o pequeno coração de Dave dera um pulo.
Olá Teddy! — Dave corara e estendera a mão com as flores – São para mim?
Sim, … quer dizer não, são para a tua mãe, a mamã mandou entregar. Mas se quiseres um ramo eu posso ir ali apanhar umas flores só para ti! — Kurt rira-se baixinho, sinceramente ele tinha um amigo muito estranho. — Já agora isto é para ti.-disse entregando uma caixinha.
Obrigada.
Kurt abrira a caixinha com o queque e o boneco do Power Ranger vermelho que supostamente estava a guardar o queque para ninguem o comer sem ser Kurt mas que acabara por não resistir ao bolo estando com a cara enterrada no creme. "Ohhh" suspirava Dave, passara tanto tempo a tentar fazer aquela estrela no bolo. O rapaz tentara desculpar-se mas viu-se arrastado para a sala dos Hummel e sentado numa pequena cadeira à volta de uma mesa redonda repleta de chavenas de chá e agora alguns dos bolos que trouxera. Nas cadeiras ao seu lado estavam ocupadas pelos Power Rangers de Kurt que agora supostamente estava a cumprimentar o novo colega de equipa, e um urso de peluche, o Mr Tummus. Ouvira Kurt chamar a mãe e traze-la cuidadosamente para a sala pelo braço como um pequeno cavalheiro e ajuda-la a sentar-se no sofá. Agradecera a Dave pelas flores e perguntara se algum dos rapazes queria ver um filme, ou ouvir uma história. Kurt pedia-lhe para contar a história do capuchinho vermelho enquanto os dois lanchavam na pequena mesa que o rapaz tinha preparado. Colocava com cuidado o sumo de laranja nas pequenas chávenas de chá e pedira à mãe para cortar as fatias do bolo. Dave olhava confuso para a chávena, pensara em pedir um copo, mas ver o cuidado com que o amigo preparara tudo ao mais pequeno promenor tirara-lhe a coragem.
-Po'quê que não estás a beber, Teddy? Não gostas do sumo?
-Não, não, é que eu nunca bebi dum copo destes e tenho medo de virar tudo na mesa.-
-Oh Teddy, podias ter dito! Isso não é um copo é uma chávena de chá, pa'a seres minha namorada tens de saber isso.- Elizabeth não podia deixar de soltar uma pequena risada ao ouvir o filho referir-se ao amigo como namorada.
-Kurt, o Dave é um menino por isso não é namorada mas sim namorado. — Dave sentira a cara a ficar mais rosada, não fazia a minima que Kurt já tinha falado com a mãe sobre ele. — Percebeste Kurt? -Este apenas abanava a cabeça a concordar.
-Mas mamã, a professora disse na escola que só as raparigas podiam ter namorados e que os rapazes só podiam ter namoradas porque se tivessem um namorado iam parar ao inferno. — Dave olhava agora para o chão, lembrava-se daquele dia.
"Fora no dia 14 de Fevereiro, vulgo Dia de São Valentim, e Kurt e Dave pretendiam trocar cartões um com o outro, com um coração colado ou desenhado e as palavras "Gosto de ti", mas a professora proibira-os, começando aos berros dizendo que iriam para o Inferno se continuassem assim, pois pessoas como eles iam lá parar, e obrigara-os a dar o cartão a uma das raparigas. Dave tentara dizer alguma coisa contra e discutir, dizendo que os seus tios eram das pessoas mais carinhosas que conhecia e que não ia ser uma professora velha que iria dizer que eles iam para o inferno, acabando de castigo sem intervalo para brincar. Kurt estava irritado, e como forma de protesto recusara-se a dar o cartão a uma das raparigas, e dera-o a Dave que o guardara no bolso antes que a professora o pudesse tirar, acabando também ele de castigo. Foram postos em dois pequenos quartos desprovenidos de luz sem o lanche. Dave que tinha medo do escuro enrolara-se sobre si mesmo a chorar baixinho, sentia um aperto na garganta parecia que não conseguia respirar. Ouvia a voz de Kurt do outro lado de uma das paredes, sussurando e dizendo para não ter medo que dali a nada já iriam sair dali. Dave encontrava algum conforto naquelas palavras."
-A vossa professora não sabe o que diz, amor é amor e tem várias formas, perceberam? Kurt, Dave?
Os rapazes acenaram positivamente e voltaram ao seu pequeno chá, Elizabeth observava-os de sorriso nos lábios, o seu filho parecia tão feliz na companhia de Dave que ela temia o dia em que se separassem.
Parecia de mau tom, mas ela poderia dizer que no futuro isso iria acontecer, apesar de tudo eram tão diferentes, diferenças que agora não importam muito, mas que em periodos da vida como a adolescencia podiam estragar tudo. Kurt era alguem sem medo de dizer o que pensava e agir sem medo do que fossem pensar, tinha uma personalidade muito forte, que muito contrastava com a personalidade reservada de Dave.
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