We Might as Well Be Strangers
4 Capítulo 4
18 de Dezembro de 1999
Kurt acordara cedo, estava em extase para a festa daquele dia, a actuação de teatro da pquena turma e ainda por cima teria um pequeno solo durante a actuação do coro. Na peça de teatro, que pretedia alertar para a necessidade da solidariedade naquela epoca do ano, desempenharia o papel do anjo que estava a convencer o jovem, papel desempenhado por Noah, dos beneficios de ajudar os outros, enquanto Finn lhe dizia que apenas iria perder o seu tempo e mais valia a pena ficar em casa a dormir e brincar com os presentes novos. Dave infelizmente não tinha um papel muito activo na peça ficando apenas como narrador, papel que o rapaz agradecia pois nunca fora grande fã do palco e das atençoes.
A peça não fora um grande sucesso pois Finn tropeçara num dos fios fazendo cair metade do cenário por cima de Dave e Noah, que decidira sabotar praticamente metade do diálogo. Não era dificil ver que Kurt estava à beira de um ataque de lágrimas, o rapaz tremia e controlava-se para dizer as suas falas sem actualmente ter a voz a tremer. Dave precisava de ajuda-lo ver o amigo naquele estado no momento em que devia estar a brilhar fazia-o sentir-se mal, mas para sua felicidade fora obrigado a ouvir vezes sem conta as falas de Noah durante os ensaios o que lhe permitiu no minimo ter alguma ideia sobre o que a personagem dizia. Precisava apenas de se encher de coragem e assumir o papel de Puck. Várias coisas ocurreram na sua cabeça, e se falhasse e apenas piora-se a situação, fazendo com que todos se rissem dele e arruinando ainda mais o momento a Kurt, e acabava por deixar mal os seus pais e irmã; mas felizmente Dave maioritariamente agia sem pensar nas consequencias e por isso subiu ao palco, tentando improvisar alguma coisa relacionada com a peça. As palavras que dizia pareciam não ser as correctas, mas faziam algum sentido pois pelo menos Finn e Kurt respondiam de forma fiel à peça. Este ultimo sorria e sussurrou-lhe “obrigada por-me ajudares”.
No fim fora algo estranho ouvir os aplausos dos pais, via a sua mãe ao fundo de pé dizendo que estava orgulhosa dele. Saira do palco o mais depressa possivel, sentia as pernas a tremer e um nó gigantesco na garganta, decididamente o palco não era a sua zona de conforto. Kurt puxava-o pela manga da camisola para o obrigar a voltar ao palco e agradecer ao publico. Dave sente-se pequeno no palco, sente-se um pequeno alien sob a sombra de Kurt que sorria.
Após o espectaculo Dave pedira permissão a Burt e Elizabeth para levar Kurt ao pequeno quarto que servira de bastidores pois queria fazer uma suspresa. Elizabeth concordara de imediato mas Burt ficara apreensivo, era normal ver o filho chegar a casa com feridas pelas pernas e a chorar, e não queria que isso acontecesse naquele dia, mas acabara por ceder ao ver o olhar que a sua esposa lhe lançava.
Pegara na mão de Kurt e levara-o para os bastidores, pegara num pequeno embrulho que tinha para o amigo e entregara-o desejando que este gostasse do presente. Não esperava era que o pequeno rapaz também tivesse um presente para ele. Olhava fixamente para o presente que recebera esperando que Kurt abrisse o dele, mas pareciam estar a mesma coisa pois ambos efectuavam a mesma acção.
-Acho que é melhor abrirmos ao mesmo tempo, aos tres abrimos. Um...Dois... e Três...
Dave pegara no pequeno pacote e abrira-o rapidamente, a curiosidade de saber o que estava lá dentro era demasiada para conter-se, afinal era um presente dado por Kurt. Soltara um enorme sorriso ao ver a foto, tirada precisamente à três meses emoldurada num caixilho azul bebé que que Dave conseguia adivinhar ter sido pintado manualmente por Kurt devido às pequenas impressoes digitais que percorriam toda a superficie. Tanto no canto superior esquerdo como no canto inferior direito Kurt tinha colado algo que caracteriza-se cada um deles; uma pequena tiara, com uma estrela com um K, e um dinossauro com um T, de Teddy, pintado na barriga. A foto causara um sorriso no rapaz, era a foto que Elizabeth tirara no dia em que os dois se tinham conhecido.
O rapaz mais pequeno por seu lado não conseguia esconder a felicidade ao ver o presente de Dave, eram uns patins, os mesmo que usara sempre que estava em casa de Dave e que um dia lhe haviam pertencido. Na caixa ainda tinha mais um cartão e outra embrulho mais pequena.
-A mamã disse-me que só podias abrir a embrulho pequeno no Natal, mas eu deixo-te abrir agora para veres. — Kurt dera-lhe a embrulho às mãos, e pedira para que abrissem juntos.
As mãos de Dave tremiam sem razão aparente, sentia a boca seca e um nó na garganta, não sabia exactamente o que fazer, e se Kurt não gostasse, e e... sem dar conta tinha as mãos do rapaz mais pequeno sob as suas tentando acalmando-o. Rasgaram o papel cuidadosamente, afinal o rapaz mais pequeno queria utiliza-lo para uma das suas colagens, e Dave dissera a Kurt que teria de ser ele a abrir a caixa.
Os olhos azuis do rapaz ganharam uma nova vivacidade, dentro daquele embrulho estava uma pequena tiara em prata, que haveria sobrado dos trabalhos anteriores de Alexandra e que ela aproveitara. Era um trabalho simples, uma forma que embora algo complexa, via-se completamente deporada sem decorações que não fossem construidas pela propria forma do objecto, era uma peça que poderia pretencer a uma princesa ou um principe algo que
-A mamã sabia que gostavas de coroas e tiaras e resolveu fazer-te isto. — Kurt começara a chorar – Não gostas? Eu pedi para a mamã fazer uma coisa que não parecesse muito de uma menina, eu sei que não gostas que te chamem menina, tipo és um rapaz e ...
-Não, não é isso Teddy- dizia em soluços enquanto limpava as lágrimas do rosto. — É que nunca tive um amigo que me desse uma coisa tão bonita. Agora estou a ficar triste porque tu deste-me algo tão bonito e eu só te dei uma moldura mal pintada.
Para Dave não era verdade, aquela moldura e a foto valiam bem mais do que uma tiara e uns patins, era um presente que só o amigo lhe poderia dar, algo só dos dois, uma foto do primeiro dia em que fazia alguem que não fosse da sua familia, feliz. Pegara na tiara cuidadosamente e pousara sobre a cabeça de Kurt. Ele parecia não uma princesa, mas um principe de uma historia digna de um filme.
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