31 de Outubro de 1999

Era halloween e isso era para Kurt era uma optima oportunidade para usar algo mais bonito e requintado. Durante o ultimo mês o rapaz havia insistido em ajudar a mãe na tarefa de fazer o seu fato, estava decidido a vestir-se de Peter Pan.

Elizabeth acabara de colocar o chapéu na cabeça do filho quando ouvira o marido a chama-los para o pequeno almoço. Kurt apressara-se a correr para os braços do pai mostrando orgulhosamente o seu fato.

-Gostas pai?! Gostas? Fui eu que fiz com a mãe. — Burt pegou no filho ao colo e fez de conta que examinava o fato com bastante atenção, embora não percebesse nada de costuras nem moda.

Apesar de saber que o seu filho era bastante diferente dos outros rapazes sabia que ele era um rapaz forte e decido, mais do que alguma vez Burt fora. Elizabeth acabara de colocar os pratos dela e de Burt na mesa antes de preparar algo diferente para Kurt, sabia que não havia melhor surpresa para o rapaz do que panquecas com a forma da face do Mickey pela manhã.

-Ob'igada mamã!

-Hoje vai ser o Pai a levar-te à escola que a hoje está a sentir-se doente.

-Okay mamã.

Elizabeth sabia que o seu estado estava a piorar de dia para dia, evitava sair de casa, os seus membros já não lhe respondiam, a memória faltava-lhe e necessitava das fotos para poder lembrar-se de pequenas coisas. Começara a espalhar pela casa pequenos papeis com datas importantes e como o aniversário do filho, do marido, o aniversário de casamento dos dois... Sem dar conta que deitara a garrafa de caramelo ao chão. Olhara para Burt preocupada, os dois tinham consciencia que a doença estava a piorar, mesmo que atenuada pelos medicamentos que tomava diariamente. Os dois haviam decidido não informar Kurt sobre a doença da mãe, era segundo eles uma realidade demasiado cruel para uma criança tão pequena enfrentar, mas o filho suspeitava, algo não estava certo apesar de não ter consciencia do quê.

-Mamã toma a garrafa, deixaste cair sem querer. -disse kurt pegando a garrafa do chão e colocando-a sobre a mesa. — Tens de ter mais atenção às coisas mamã.

-Obrigada meu amor, agora senta-se que já te ponho o pequeno almoço na mesa.

Kurt sentara-se na mesa e colocara algum caramelo sob as suas panquecas. Pensava para si mesmo, tentando adivinhar que fato levaria Dave naquele dia. Dave apesar de fã de alguns filmes da disney, tal como Kurt, não parecia o tipo de rapaz que levasse um fato de principe de collants, pronto ao salvamento. Talvez Dave optasse pelo Godzilla visto estar sempre a falar dele.

Enquanto comia ouvia os seus pais a falar e a combinaras tarefas diárias, pois visto naquele dia Elizabeth ficar em casa, seria Burt o encarregue do transporte do filho e das compras, pelo menos se a esposa não se sentir melhor.

De pequeno almoço tomado foram pai e filho para o camiao de trabalho do pai, que seria o coche de Kurt para o infantário. Burt forrara o banco com jornais, pois sabia como o filho odiava sujar-se e era normal os bancos terem algum oleo.

No infantário Dave esperara por Kurt, estava disfarçado de pirata algo tipo um dos subordinados do infame Capitão Gancho. Fora estranho quando vira os outros rapazes reunir-se com de forma a pedir para se juntar a eles para á noite irem pedir doces.

-Queres vir hoje connosco pedir doces? — Perguntara Finn Hudson que estava disfarçado de Michael Angelo das Tartarugas Ninja

Dave não sabia o que dizer, era a primeira vez que o convidavam para tal coisa e sentia-se tentado a aceitar, mas sem ele Kurt iria ficar sozinho e nem sequer iria pedir doces naquele ano.

-O Kurt pode vir comigo?

-Claro que não! — quase gritara Noah Puckerman, um dos rapazes cuja maior diversão era chatear Kurt e tentar faze-lo chorar, disfarçado de Super Mario. Dave lembra-se de diversas vezes que andara à luta com Noah por causa de Kurt. — Nós não queremos meninas connosco. Sabes que no ano passado ele veio vestido de Floco de Neve ou lá como se chama aquela princesa.

-O Kurt não é uma menina, é um menino, e parem de ser maus para ele! -Dave estava furioso, cerrava os pulsos irritado

-Alguem irritou o Hulk~ohhh~! — as gargalhadas enterraram por completo os murmurios irritados de Dave. — O Dave gosta do Kurt, o Dave gosta do Kurt... — Estas palavras ecoavam nos ouvidos do rapaz, o tom de troça parecia magoa-lo mais do que qualquer murro que já tenha levado.

-Ewwww mas eles são dois rapazes! — Apontara Puck, tal como era conhecido Noah.

-Deixem-me em paz! Eu não vou com vocês, se o Kurt não for não vou, ele é meu amigo e prefiro ir com ele. — A cantoria voltara a ressoar, e agora também as raparigas se haviam juntado. Dave nunca se sentira tão pequeno e abafado.

Burt chegara com o filho ao infantário e esperara com ele por alguma das educadoras para anotar a chegada do filho ouvira os comentários pouco felizes das outras mães em relação ao seu filho. “Pelo menos este ano dignou-se a não o deixar vir de vestido...”; “Mas que tipo de pais deixam o miudo sair de casa assim...”, “Espero que o meu filho não lhe siga o exemplo e nem lhe fale...”. Estes comentários partiam-lhe o coraçao, seria impensavel que alguém se referisse com palavras tao crueis a uma criança, muito menos alguem doce e simpatico como Kurt.

-Olá Kurt! — Cumprimentara Alexandra Karofksy ao ver a criança – Estás tão bonito hoje, meu anjo.

-Ob'igada.

-Olha o Dave já está lá dentro à tua espera.- Os seus olhos focavam agora Burt a quem estendera a mão –O senhor deve ser o pai do Kurt, nota-se, têm o mesmo olhar. Alexandra Karofsky, muito prazer.

-Burt Hummel, e o prazer é todo meu.

Alexandra despedira-se de Kurt e de Burt, deixando os dois à mercê dos comentários desagradáveis de outras mães, mas reparara que desta vez alguem tinha intervido na conversa delas pois pareciam chocadas. “Sinceramente Carole, custa a crer que digas isso, até parece que queres que o teu filho fique da mesma maneira, embora não seja dificil prever que tal aconteça visto não ter nenhuma presença masculina em casa...”, a mulher a quem as palavras se dirigiam parecia magoada. Do que Burt sabia Carole Hudson criava sozinha o filho desde a morte do marido à dois anos, e tentava fazer o melhor que podia, conciliando o trabalho na merciaria e a familia. Ouvira a mulher retirando-se magoada, desculpando-se que teria de abrir a loja naquele dia.

-”Kurt já podes ir lá para dentro, depois esperas aqui por mim ou pela mãe.”

-”Sim papá.”

Kurt dirigia-se para dentro do edificio e facilmente identificara Dave no meio dos outros rapazes o que o deixara algo triste, se calhar tinha arranjado novos amigos que fossem brincar com ele e não ficavam a manhã a desenhar nem a planear festas de chá entre a Barbie e os Power Rangers. Olhava à sua volta para os disfarces de toda a gente, e apesar de estar contente com o seu fato de Peter Pan não conseguia deixar de sentir inveja do vestido de Cinderela de Quinn Fabray, ou do fato de vampira de Tina, mas depois dos acontecimentos do ano anterior, Kurt aprendera da maneira mais cruel que usar um disfarce de princesa não era das melhores ideias. Lembra-se dos olhares estranhos que as mães dos outros miudos lhe lançavam, das palavras que diziam embora não soubesse o significavam metade delas, e do sorriso da mãe que tentava esconder a tristeza que sentia ao ouvir tais coisas sobre o seu filho. Passara aquele dia sozinho, pois nenhuma das outras crianças sequer se aproximara dele, por isso decidira naquele ano optar por um fato mais discreto.

Mas ouvira algo que chamara a sua atenção; “Deixem-me em paz, a mim e ao Kurt!” o que no fundo tornara o coração do pequeno rapaz mais leve, perder o unico amigo que tinha ia ser cruel. Dave afastara-se dos outros rapazes vindo ao encontro de Kurt, que achara bastante engraçado o facto do amigo estar disfarçado de pirata, afinal os piratas tinham uma grande importancia na historia de Peter Pan, fazia parecer que no fundo tinham combinado o fato.