We Have Got A Bit Of Love Hate
26 É, eu sei, amor existe sim.
Notas iniciais
POV LIAM
- Então? Você aceita? — Simon olhou fixamente nos olhos de Clarie, com um sorriso que poderia enganar a qualquer um que não o conhecesse. – Só uma tentativa, só isso.
— Eu... Não sei. O que eu vou fazer exatamente? – Clarie parecia bem mais calma depois da conversa de mais de uma hora no telefone com a sua amiga conversa a qual não tinha acabado ainda segundo ela. Pelo o que entendi parece que sua melhor amiga está se mudando para Londres. Isso deve ser bem importante, já que a propria estava escutando atentamente tudo o que Simon falava, sem brigas e nem nada.
— Bom você vai vir aqui amanha, e eu vou te explicar tudo. Mas é tecnicamente o seguinte: Você vai ter algumas aulas de canto sob a minha supervisão, vamos conversar, e depois... Bom, depois é depois, não é?
— Otimo, que seja, tenho de sair daqui. – O barulho da porta batendo quando ela saiu ficou ecoando na minha mente mesmo depois de alguns segundos. Harry levantou para ir atrás dela mas Simon o impediu.
— Vocês têm de manter essa garota na linha. Ela entrou na vida de vocês, e agora ela não pode sair. Tenho planos para ela. Entenderam? — O encarei mais uma vez no dia pensando em dizer algumas verdades em sua cara. Ele fala da Clarie como se ela fosse algum tipo de objeto, é desprezível isso.
— Ela não vai sair minha vida, não precisa se preocupar com isso. Agora posso ir? – Harry com seus braços cruzados sobre peito dava a imagem de rebelde ou algo do tipo.
— Mais uma coisa. A turnê de vocês vai ser adiada, vocês tem mais 2 meses de férias. – Niall revirava os olhos olhando para o nada. Com certeza eu estava com vontade de fazer o mesmo. Não que eu odeie Simon, sabe? Mas algumas ações dele me fazem pensar sobre quem ele realmente é.
— Claro, até mais. – Louis disse já saindo da sala.
~
— Harry, deixa ela sozinha, ela precisa de espaço. – Clarie se tracou no quarto. Não acho que ela esteja triste ou algo assim, só precisa pensar, sabe? Quando você precisa se fechar do mundo e deitar na cama, só ficar lá olhando para o nada durante um tempo, só se perdendo na onda de emoções e pensamentos que te cercam.
— Liam! Não era assim... Ela... Ela costumava dividir todos os pensamentos comigo... – O olhar perdido de Harry apertou meu perto de uma forma que... sei lá. Ele parecia tão confuso, estranho , tão não ele.
— As coisas mudam Harry, deixa ela sozinha um pouco. – Coloquei a mão em seu ombro, apoiando-o. Embora não seja a pessoa certa para dar conselhos amorosos a ele, tenho certeza que ele sabe que eu estou aqui não importa o que nem onde nem como.
— Liam eu preciso... Sei lá, cara. Eu preciso conversar – Seu rosto dizia mais do que qualquer palavra sua que ele realmente precisava conversar.
— Quando você quiser. – Depois de um abraço rápido ele se virou e foi andando pesado em direção a sala de estar, suspirando alto.
— O que foi Harry? – Ouvi o grito alto de Louis. Nem sei por que ainda digo “grito alto”, se é do Louis, obviamente vai ser o grito. Daqueles que furam seu tímpano.
— Preciso sair beber, não sei. Vem comigo?
— Claro! Vamos aonde? – Já podia ver os quatro garotos enfileirados na porta.
— Qualquer bar por ai.
~
Your beautiful eyes
(Seus lindos olhos)
Stare right into my eyes
(Olham nos meus olhos)
And sometimes I think of you late at night
(E às vezes eu penso em você até tarde da noite)
I don't know why
(Eu não sei porque)
I wanna be somewhere
(Eu quero estar em algum lugar)
Where you are
(Onde você esteja)
I wanna be where
(Eu quero estar onde)
Fechei os olhos no sofá e senti a voz de Clarie entrar em mim. A calma que ela me trouce foi profunda, e isso era tão agradável... Estava a uma hora ouvindo-a cantar, acredito eu, compondo musicas. Além das letras serem incrivelmente perfeitas, a voz dela era... Era diferente, eu não sei explicar... Sabe aquele tipo de coisa que não da pra explicar, só para sentir? Então, ouvi-la era quase isso.
You're here
Você está aqui
Your eyes are lookin' into mine
Seus olhos olham nos meus
So baby make me fly
(Então, baby, me faça voar)
My heart has never felt this way before
(Meu coração nunca sentiu isso antes)
I'm lookin' through your
(Estou olhando em seus)
I'm lookin' through your eyes
(Estou olhando em seus olhos)
Ri fraco do jeito brusco como ela parou de tocar o violão, em um momento ela estava cantando, e no outro ela simplesmente saia do quarto e batia a porta com força. Me virei no sofá e a observei entrando na sala confusa.
— Onde está todo mundo? – Com um suspiro veio se sentar ao meu lado. Um sorriso calmo no rosto e um caderno azul em mãos, era só isso que ela tinha por agora.
— Foram beber – Encarava a televisão, como se de repente tivesse ficado muito interessante o programa que eu nem ao menos sabia qual era... O olhar fixo que Clarie fazia as vezes me deixava desconfortável.
— E você? O que está fazendo?
— Ouvindo suas musicas... Eu não bebo.
— Me ouvindo? – Riu pelo nariz, ainda me olhando fixamente – Me ouvir não é interessante... E, por quê?
— Logico que é interessante. – Desviei o olhar da televisão e devolvi o teu, olhando fixamente para ela. Não costumo fazer isso, mas acho que preciso conversar olhando pra ela, devolver esse olhar tão... Tão... Clarie – Por que o que?
— Por que você não bebe?
— Tive um problema quando era criança, e só tenho um rim funcionando. Na verdade, os dois estão funcionando atualmente, mas eu ainda não me acostumei com isso. – Sorri fraco vendo a surpresa em seu olhar – Fora que não acho interessante beber, gosto de ficar são. Nesse mundo, por enquanto, pelo menos.
— Eu... É... Desculpa, eu não sabia.
— Você não sabe muita coisa sobre mim Clarie. – Ela deitou a cabeça no próprio ombro e ficou me observando por um tempo, pensando além. De repente, se esparramou no sofá, deitando no espaço que eu ainda não tinha ocupado.
— Então, deixe-me saber mais sobre você, s.r. Liam James Payne. – Clarie sempre me surpreendendo, quando você acha que sabe tudo dela, a garota vai lá e faz algo pra te deixar surpreso e confuso.
— Claro, se você me contar sobre você também, será uma honra. – Lembrei do nada do dia que nós nos conhecemos e alguns depois. A forma como toda hora ela me irritava e falava que me odiava... – Mas eu ainda te odeio.
— Eu também te odeio – Disse ela se apoiando nos cotovelos e olhando para mim, com um sorriso tão doce no rosto que nem parecia ela mesma.
~
— Então, eu fui com ele, não sei por que escolhi meu pai, talvez por que eu o admirasse mais do que admiro minha mãe... Mas hoje não tenho certeza se faria a mesma escolha. É complicado, pensar nas suas ações, não ter certeza que escolheu certo... – Acompanhava a linha de pensamento de Clarie sem interromper nem se quer uma vez. Ela me ouviu contar minha historia com atenção, fazendo perguntas necessárias nas horas convenientes. Estava tentando fazer o mesmo – Essa separação me afastou da minha mãe de uma forma que... Sei lá sabe? E eu acho que fiquei traumatizada.
— De que forma?
— Quando meu pai e minha mãe eram casados, eu tinha 10 anos, eu acho... Por ai. Eles eram tão lindos juntos, um casal perfeito. Meu sonho era encontrar um homem para ser feliz do jeito que mamãe era. Eu acreditava no amor, acreditava em contos de fadas e sabia que um dia o melhor aconteceria comigo.
— E depois?
— Depois eu conclui que amor não existe, é tudo coisa da nossa cabeça. Que o meu príncipe de cavalo branco nunca vai chegar e eu não posso ficar esperando isso acontecer. – O olhar distante dela me dizia que alguma coisa nessa frase estava errada.
— Mas você sabe que isso não é verdade. Contos de fadas não existem, realmente, mas amor obviamente que sim. Historia de amor não podem ser perfeitas, por que o ser humano não é perfeito, mas não adianta se fechar para o mundo e se impedir de viver.
— Eu sei Liam. Hoje eu sei. – Novamente me encarava sorrindo – Amor existe sim.
— Só não é tão fácil, não é mesmo?
— É... Na verdade é bem complicado, mas, o que na vida não é?
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