We Have Cooled Down

1 We have cooled down


Jinki se apoiou na parede mais próxima, esperando encontrar equilíbrio o bastante para chegar ao dormitório. Mesmo que ele tentasse fazer parecer que nada havia acontecido, o garoto apenas não podia conter as lágrimas. Estas continuavam caindo e caindo, sem a permissão do garoto.

Ele levou a mão até o peito, esperando que todos os sentimentos ruins ali contidos fossem embora – e nunca mais voltassem. Mas isso apenas fez ele se curvar e mais lágrimas caírem. Ele estava deplorável, e sabia disso. Se odiava por estar ali, chorando. Chorando como um tolo, por alguém que jamais disse que o ama.

Um tolo por acreditar que um dia, tudo iria ficar bem. Pois não iria! E o pior de tudo, não era o fato de que a garota que ele amava estava com outro – mas sim o fato de ser um tolo, um covarde que não era capaz de sequer enxergar a verdade, que se prendia a somente os seus sentimentos. A verdade, é que Jinki nunca dera ouvidos aos sentimentos de sua amada. Ele a amava, mas era completamente unilateral.

E agora ali ele estava, deplorável, em um beco esperando que toda a dor passasse como mágica. Mas mágica não existia realmente. Jinki escorreu e se sentou, pousando o rosto nas mãos. De fundo, ainda podia se ouvir a música alta, mas ele não ligava. Mais e mais lágrimas escorreram, e ele desejou, do fundo de seu coração, morrer. Simplesmente não havia como suportar.

Ele apenas queria odiá-la, dizer que nunca mais vai olhar para ela, a desprezar. Mas ele não podia. Ele apenas não podia suportar a dor de ter se enganado todo esse tempo. Acreditando que apenas estando ao seu lado a faria amá-lo. Ele soltou um grito frustrado.

Ele se sentia um tolo. O maior tolo do mundo. Ele apenas havia se engado – enfiado na sua cabeça idiota que ela correspondia seus sentimentos – e agora, estava assim. Solou um grito frustrado, e deixou seu corpo tombar no chão. Observou o céu. Suas lágrimas finalmente pararam, ele apenas não tinha mais forças para chorar. Apenas ficou ali, calado, olhado para as poucas estrelas que se podiam ver no céu de Seoul.

Espirrou, e tremeu quando uma rajada de vento cortou sua pele. Aquela era, sem dúvidas, uma noite fria. Ja havia algum tempo que a musica havia parado – provavelmente era mais tarde do que ele pensava. Arrastou seu corpo para ficar de lado, e tremeu de frio pela segunda vez, se encolhendo. Finalmente sentiu as lágrimas voltando, e desabou a chorrar pela segunda vez.

A diferença, era que desta vez, não era tão desesperado. Eram lágrimas de tristeza, não mais de raiva. Ele estava sofrendo, o seu momento de auto-piedade havia chegado. Sentiu a luz começar a encher o beco, e logo as pessoas começaram a passar pra cá e pra lá. Mesmo assim, ele contiuava encolhido, chorando silenciosamente. O choro parou apenas, quando escutou o toque familiar de seu celular – e foi então, que Jinki realmente voltou a realidade.

Ele enxugou as lágrimas, e sentou brevemente, pegando o celular para saber quem ligava. Era o número de Key. Ele apenas ignorou, e se encostou na parede, olhando as pessoas passarem. Logo o celular parou de tocar. Ele o pegou, e percebeu 45 chamadas não atendidas. Como ele poderia não ter notado 44 das 45 chamadas?

E foi então, que ele finalmente entendeu, que estava sendo estúpido. Ele estava ali, chorando, miserável, por alguém que não o considerava, alguém que não tinha um pingo de piedade por ele. Alguém que sequer havia sido capaz de abrir seus olhos sem o machucar. Então, ele foi chorar. Como um bebê, que perdeu o seu doce preferido. Mas que mesmo chorando, não o conseguiria de volta.

Um bebê que devia ao menos fingir que não queria o doce de volta – e talvez, algum dia, ele não quisesse o doce realmente. Talvez esse bebê até esquecesse que o doce existia, se ele tivesse sorte. Jinki soltou um sorriso amargo, e se levantou, pretendendo pegar um táxi pro dormitório. Afinal, Lee Jinki precisava voltar a ser o que era – ou ao menos aparentar isso. Porque, por mais que esses sentimentos fossem embora, ou que sua mente esquecesse, a dor de ver a garota que ele ama com outro iria ficar com ele. Ao menos, ele tinha uma luz. Algo que iria ajudá-lo a superar. Uma hipótese apenas, mas já era o bastante.

Talvez... o amor não existisse.

Notas finais
Então... eu não tenho certeza daonde isso saiu, mas ta ai...
Eu simplesmente precisava escrever isso, e eu espero que tenham gostado.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!