We Found Love In A Hopeless Place
15 Capítulo 13
Notas iniciais
Eles tavam se beijando. Apaixonadamente. E eu que achava que ele não amava mais ela, mas óbvio que não se podia confiar no Justin. O que ele era? Só mais um garoto com hormônios a flor da pele. Querendo se satisfazer com a EX-namoradinha. Ela era uma vendida, e eu? Uma idiota assistindo aquela cena sem conseguir sair do lugar, porque era sim que tava me sentindo. Meus pés parece que travaram no chão e eu não conseguia mover se quer um fio de cabelo. Por mais que eu quisesse, não conseguia. E minha garganta tava trancada, como se eu tivesse um nó nela, meus olhos lacrimejando, e uma vontade imensa de chorar. Mas eu não podia, não podia fazer isso. Não podia bancar a fraca, tinha que sair dali, tinha que ser forte, é claro que tinha, afinal eu sou a Melody Braun não sou? Sou forte o suficiente pra ver meu melhor amigo se atracando com outra. Isso mesmo, MELHOR AMIGO e nada mais, por isso eu não podia ficar assim.
Enquanto eu lutava comigo mesma pra sair dali, tentando desviar o olhar no máximo, ouvi algo que não consegui decifrar o que era. Não tava prestando atenção em mais nada, só tava em choque.
–Melody? – Não olhei exatamente, mas quando voltei minha atenção na cena, vi que Justin tinha chamado meu nome e olhava suplicante pra mim.
–Ã? – Fingi estar distraída, Justin empurrou Selena que resmungou um “au” ela me fuzilava com o olhar, mas eu não me importava. Justin pegou minha mão e eu sabia que tinha que agir se não quisesse ficar igual uma boba ali. Puxei minha mão.
–Acho que atrapalhei algo não é? – dei um sorriso trêmulo fingindo estar envergonhada. – Bom, eu to saindo. Desculpem! – Torci para que meu corpo não me entregasse e eu ficasse paralisada, Mas pra minha sorte eu consegui sair dali normalmente. Lutei pra que minha voz saísse normal e ela saiu tranqüila, me surpreendi.
–Até! – Virei-me pra trás de novo e depois segui pra sala. Ainda bem que minhas técnicas teatrais me ajudaram. Sempre fui boa em atuar, e isso foi mais que uma atuação. Desci rápido e sentei-me nos degraus da escada. Agora já era inevitável não chorar, meus olhos estavam marejados. Mas eu não podia. Contive minhas lágrimas e respirei fundo. Contei até 20 mentalmente mais algo me interrompeu.
–A gente ainda ta brincando? – Disse Chaz confuso. Ele se escorou no corrimão da escada.
–Não sei. – Disse olhando para os meus pés.
–O que aconteceu? Você ta chorando. – Droga, porque Chaz tinha que perceber tudo?
–Cólica! – Foi a primeira coisa que veio a cabeça. Ele deve ter acreditado porque disse um “ah” sem sinais de desconfiança.
–Eu preciso tomar água. Dê graças a Deus porque você não tem a sensação de um dinossauro estar comendo seu útero todo mês Chaz! – Disse rindo, ele me olhou assustado.
–Amém senhor! – Disse Chaz levantando as mãos pro alto, eu ri e segui para a cozinha. Tomei um gole de água e me sentei no chão. Olhei para a porta de vidro e vi que a chuva já tinha parado, agora só tava ventando um pouco e a noite cinzenta e triste, combinando com meu humor.
–Eu posso explicar! – Disse alguém, me assustei de inicio e olhei para a pessoa. Justin parecia ta bastante preocupado e aflito. Não consegui formular uma frase de imediato.
–So-sobre o que? – Porque a gente tinha que gaguejar? Hein? Af.
–Aquilo que você viu...não foi nada, eu...
–Você, só tava satisfazendo seus hormônios com sua namorada. Olha como isso faz sentido! – Disse ironicamente me levantando, me escorei na pia.
–Ela NÃO é minha namorada. – Seu humor era um misto de raiva, irritação, preocupação e acima de tudo, tristeza.
–Quer saber? Dane-se o que ela é ou deixa de ser. Você continua mentindo pra mim. – Disse me virando e praticamente jogando o copo na pia, sorte a minha que não quebrou, se não tia Pattie não hesitaria em me matar. Virei-me novamente.
–Mentir? Sobre o que eu menti? – Disse Justin se aproximando.
–Sobre amar. Você ama ela Justin, assume! – Ele se aproximou, acariciando meu rosto. Minha raiva aumentou.
–Okay, se você vai fazer ela de boba tudo bem. Mais EU você não vai. – O empurrei com força, o que foi meio inútil pois ele era bem mais forte que eu.
–E se eu amasse ela hein? O que você tem a ver com isso Melody? – Ele se afastou e parecia com o mesmo nível de raiva. Aquilo doeu em mim. Mas não podia deixar ele me humilhar, tinha que tomar uma atitude.
–Nada! Absolutamente nada! Só queria fazer com que você não agisse como um idiota que passa por cima dos sentimentos dos outros. Infelizmente eu falhei, mas não vou continuar bancando a babá aqui! Se você quiser amar quem você quiser, AME. Mas pensa que as pessoas também tem sentimentos e não são obrigadas a agüentar um garoto que simplesmente age por aliviar seus hormônios. – Me surpreendi comigo mesma. Sorri pra ele, e ele ficou de boca aberta, devia estar processado tudo ainda pois não conseguiu falar nada. Eu simplesmente passei por ele e fui até a porta da cozinha. Mas antes de sair, virei-me pra ele de novo.
–E só mais uma coisa...amanhã eu vou embora. Vou ligar pra mamãe. Não vou suportar mais ficar aqui. Agüento até morar com Scooter, mas não quero mais ficar aqui.
–Chegamos! – Disse Scooter largando as malas na soleira da porta. Observei a casa e ela era bem ajeitada, mas dei a falta de algo, melhor dizendo, alguém.
–E a Carin? – Isso doeu, saber que agora era Carin sua mulher a não a mamãe. Agora Carin era...minha madrasta.
–Ela vai passar uns dias fora, ela achou que você ia se sentir melhor assim. Carin quer que você goste dela. – Ele riu e eu ri também.
–Ela não precisava sair da própria casa. Mas acho que assim é melhor! – Ele assentiu. Dei um passo pra frente.
–Não quer me contar o que aconteceu com você e Justin? – Perguntou Scooter hesitante.
–Não...na verdade não tem o que contar. E mesmo assim, prefiro não falar disso. – Abaixei a cabeça.
–Tudo bem! Eu entendo. – Assenti e prossegui.
–Sua mãe disse que quando ela conseguir, vem te buscar. – Disse Scooter.
–Pai...não precisa fazer tudo pra me agradar! – Eu sorri e ele pareceu surpreso.
–Pai? – Disse Scooter com os olhos arregalados, eu ri.
–Prefere Scooter? – Eu sugeri sorrindo.
–Não...não, eu gosto de...pai! – Nós rimos.
–Então, onde eu vou dormir? – Perguntei olhando a casa novamente.
–Seu quarto já ta pronto, vem! – Ele disse estendendo o braço para me abraçar. Seguimos pro quarto abraçados.
Os dias se passaram. Cada dia que passava eu me entendia mais com Scooter. Depois de alguns dias Carin voltou, e nós nos entendemos, vi o quanto ela era legal e gostava de mim. Claro que eu e Scooter estávamos distantes ainda, não é fácil recuperar uma convivência depois de 7 anos. Mas com o tempo isso volta ao normal. Também nunca mais falei com o Justin. Ele ligava sempre pro meu celular, mas eu não atendia e nem retornava, sabia que isso era infantilidade minha, mas eu não ligava. Quanto ao resto dos outros, eu continuava falando e brincando, Kenny um dia me levou pra tomar sorvete e nós nos sujamos todos de sorvete. Tentei convencer minha mãe de que eu tava bem no telefone, mas ela não acreditou muito, não quis contar sobre o ocorrido. E também sempre mantinha contato com uma pessoa, que eu tinha certeza que ele não ia mais falar comigo depois que eu saí de la. Chaz! Ele se mostrou meu amigo, Ryan também, mas Chaz é quem tava me dando consolo, ele vinha quase sempre aqui.
Ouvi a campainha tocar de leve. Tava escutando Paramore no meu quarto e escrevendo poesias. Scooter e Carin tinham saído, ele ia resolver alguma coisa antes da turnê voltar, coisa essa que eu não fazia a maior questão de saber. Levantei-me e desci as escadas correndo. Abri a porta e vi a última pessoa que queria ver na minha frente.
–Oi Mel! – Disse Justin sorrindo.
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