We Don't Fight Fair
3 Capítulo 3, A melhor chance
Ainda não tínhamos visto nenhum mordedor, Leo tinha achado algumas barrinhas de cereal, conseguimos bastante gasolina, não nos faltaria por bastante tempo.
Luke não tinha nos ajudado muito para falar a verdade, ele achou algumas coisas péssimas, sapatos largados, chaves de casa, roupas, o melhor que ele tinha conseguido até agora tinha sido um carro com um facão, mais duas pistolas e algumas balas.
Então ele farejou algo e foi correndo até um carro, latindo.
Uma mão surgiu no vidro, pulei para trás e dei um grito.
— MAREENA! Tudo bem? – Adam veio me perguntando.
Olhei para o carro e assenti com a cabeça.
— Está sim, foi só um susto.
Luke ainda latia para o mordedor dentro do carro, enquanto os outros voltavam a procurar coisas, fiquei o encarando por um pouco mais tempo, costumava ser um homem, novo, eu acho, uns 34 anos, não sabia se ele realmente tinha parte do cabelo faltando na nuca ou foi efeito de se transformar em uma dessas coisas, ele usava um macacão jeans, tinha o logo de uma mecânica, em uma plaquinha grudada dizia-se: Jooey Tockle.
— Sinto muito por você Jooey – disse saindo de perto da coisa tentando inutilmente quebrar o vidro do carro e com a boca aberta tentando me engolir. – Venha Luke!
Luke parou de latir mas continuou com um pequeno rosnado, continuamos procurando, vi Jessie parada vendo a janela de um carro.
— O que foi? – perguntei.
Ela estava com lágrimas nos olhos, apontou para o vidro do carro.
Olhei, Jessie não chorava pelo vidro, pelas condições do carro ou nada disso, tinha uma cadeirinha de bebê lá dentro, cheia de sangue.
— Não olhe, vamos, está ficando tarde.
Assentindo com a cabeça, ela se virou na direção de Leo que acenava para nós, esperei ela enxugar os olhos e fomos.
— Achei algo, precisamos quebrar o vidro do carro mas não consigo.
— O que é? – Adam, que chegava agora, perguntou.
— Uma mochila, deve ter muitas coisas dentro, está bem fechada e vi que tem algo no porta malas, deu para ver por uma fresta, pode ser importante para nós a essa altura do campeonato, imagina o que essas pessoas tem por ai?
— Afastem-se – pediu adam.
Ele tirou o machado das costas e quebrou o vidro, nenhum alarme tocou.
Pegamos a mochila e Jessie olhou dentro.
— Bom, tem um casaco, moletom, garrafinhas de água totalmente vazias, temos balas para armas de caça, isso é bom, tem bastante aqui, tem da pistola que achamos também, palitinhos de queijo! Tem algo a mais... – ela fuçava na mochila nos falando o que encontrava – UOU! Vocês não vão acreditar!
— O que achou? – perguntei.
— O que precisávamos.
Então ela tirou cinco aparelhos de dentro da mochila e algumas pilhas e bateria, eram walkie-talkies.
— PERFEITO! – Leo exclamou.
— Estamos com sorte gente, melhor voltarmos, estamos chegando perto da cidade e olhamos a maioria dos carros por aqui, duvido que tenha muita coisa a mais do que isso, as pessoas que conseguiram fugir realmente pegaram o que precisavam e as que passaram depois limparam tudo. – Adam comentou.
— Bom, então o que estamos esperando? Vamos! – apressei-os levando Luke na guia.
Jessie deu de ombros, colocou seu bastão de beisebol entre as costas segurando-o dos dois lados e me acompanhou, Leo e Adam fizeram o mesmo.
Quando voltamos, Max estava brincando com alguns bonecos e vestindo sua fantasia de Homem Aranha que eu tinha pego para ele, meu pai o olhava a distância e minha mãe conversava com tom, Brend estava a maior distância possível de meu pai, os dois evitavam se falar.
— MARE! – meu irmão gritou e veio correndo me abraçar.
— Eai pequeno, como vai?
— Bem, LUKE!
Deixei Max brincando com Luke e fui falar com meu pai:
— Está ignorando Brendan, isso vai acabar mal.
— Ainda sou o pai por aqui Mare, sei o que eu estou fazendo, aliás eu deveria ter ido nessa coisa, não você, é muito nova, tem que cuidar de sua mãe e seu irmão, não é nem maior de idade ainda, precisamos revisar essa sua posição de autoridade que está tentando tomar, quando as coisas voltarem ao normal mocinha vamos ter problemas.
— SE as coisas voltarem ao normal pai, eu sou mais rápida que você, não pode negar isso, não tem uma posição de autoridade por aqui, se alguém ver alguma oportunidade de sobrevivermos tem que falar imediatamente, estava até com algumas ideias sobre como vamos decidir as coisas e....
Meu pai me interrompe com um gesto de mão.
— Sinceramente, precisa parar Mare, você não é tão adulta quanto pensa que é, está somente no colegial, vai acabar mal desse jeito, precisa ouvir o que os outros falamos, é miúda filha, precisa tomar cuidado.
Ele tocou em meu ombro, tirei a mão dele de lá e respondi:
— Não sou tão despreparada quanto você pensa pai, eu consigo fazer as coisas por mim mesma, agora com licença que vou descansar um pouco e pegar um dos turnos da noite.
Aquelas palavras poderiam doer para o meu pai, mas eu não era um bebê, ele precisava aceitar que seu eu não fizesse alguma coisa, todos acabaríamos nos dando mal.
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Ficamos por ali durante mais duas semanas, as coisas começavam a ir mal, a comida não durava tanto, estávamos racionando, alimentar Luke era ainda um peso a mais, Adam saia as vezes com meu pai para caçar alguma coisa, esquilos no máximo, quase não conseguíamos, a comida estava ficando escassa, um grupo de mordedores com pelo menos meia dúzia tinha nos atacado, foi quando decidimos começar a nos mover.
— Poderíamos ir para alguma praia – minha mãe sugeriu em nossa última noite onde estávamos.
— Acha que no litoral seria mais seguro? – perguntei.
— Bom, tem que ser não é mesmo? Temos mais alguma opção?
— Alguma fazenda? – Leo sugeriu.
— Não, seria difícil achar uma – discordou Brendan — talvez os donos também estejam ainda as ocupando, melhor deixar para lá, mais alguma ideia?
— Poderíamos somente ficar por aqui, o que acham? Na estrada. – Jessie sugeriu.
— Temos que voltar para nossa cidade, ainda podemos ficar lá, achar mais pessoas, torna-la segura, conseguiremos fazer isso! – meu pai falou.
— De forma alguma vamos conseguir voltar! – Brendan interferiu – La já deve estar infestados, essas coisas se multiplicam como coelhos!
— É NOSSA MELHOR CHANCE!
— A MELHOR CHANCE DE NOS MATAR!
— VOCÊ PODE MUITO BEM FICAR SE QUISER!
— MELHOR DO QUE IR EM UMA MISSÃO SUICIDA! VAI ESTAR MATANDO A SUA FAMÍLIA!
— CHEGA! – uma terceira voz gritou – Sei para onde ir.
Era Tom, olhamos todos para ele, insisti com a cabeça para que ele continuasse:
— Tem uma base militar velha, as pessoas não a usam mais acho eu, fica em uma praia que os salva vidas colocaram como “perigosa” e fecharam a área, conseguiríamos ir até ela sem nenhum problema eu espero, é uma das nossas melhores opções.
Nos entreolhamos todos, Tom nos garantiu que lá seria seguro, seria uma boa ideia, de acordo com ele a base tinha sido projetada como uma instalação rápida mais eficiente para a segunda guerra porem nunca tinha sido utilizada, conseguiríamos comida por lá, armas, o mais importante de tudo, um teto sobre nossas cabeças. Com certeza se essa coisa de apocalipse acabasse iriam procurar pessoas lá, poderíamos plantar algumas coisas, tornar aquilo uma coisa boa, uma comunidade, abrigar mais pessoas. Seria perfeito.
Concordamos em ir para lá, era nossa melhor opção.
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