Notas iniciais
Bem, essa fic é um presente de Natal pra minha okaa-san, Dafne, que me mostrou bleach esse ano. Dedico também para a Tah, minha koi e pupila, que está assistindo bleach por insistencia minha. Espero que gostem.

Somebody, somewhere, turns off the lights
Somebody all alone faces the night
You’ve got to be strong when you’re out on your own
Cause sooner or later, we all sleep alone

[Alguém, em algum lugar, apaga as luzes.

Alguém muito solitário enfrenta a noite.

Você tem de ser forte, quando estiver lá fora e sozinho.

Porque mais cedo ou mais tarde, todos nós dormiremos sozinhos.]

Seu corpo esguio e bem dotado continuava repousando sobre a cama. Seus olhos, abertos, fitavam o nada por algum tempo já, mesmo que soubessem que jamais veriam o que queriam em sua frente. Suas mãos enroscaram-se entre os lençóis, apertando-os entre os dedos.

Suspirou. Um suspiro daqueles que se livram da garganta em busca da liberdade, que querem sair por aí a procura de algo... Mas ela não podia, ela queria ser como seu suspiro que fugiu, mas não podia. Seu taichou não ficaria bravo nem nada, mas não iria mesmo enganar seu próprio coração. Já bastava o que ele fizera, ela não iria humilhar-se por um segundo adeus ou... Um até breve.

De fato, os dias correram rápidos depois daquela festa, o tempo passou e as coisas começaram a mudar, a vida teve que ser retomada... Mesmo que a esbelta e exuberante mulher tenha desejado do fundo de seu âmago ter parado no tempo quando seus lábios encontraram os dele.

Ser shinigami e ser fukutaichou eram duas coisas que amava e que se interligavam, mas remetiam a ele, aos seus atos, seu sorriso sempre parecendo congelado, amargurado. E, por ter escolhido uma vez ser shinigami, que agora ele havia se tornado o motivo de seus sonhos e a insônia que lhe acometia em muitas noites solitárias naquele quarto, em que tudo sempre acontecia monotonamente igual.

Sempre era banhar-se, comer e dormir. Vez ou outra, se livrava do peso da dor que lhe fazia repreender-se e ficava na companhia de Shuuhei, Kira ou Renji, apenas para beber sakê o jogar papo fora, despreocupadamente.

Não lhe interessava muito, nessas horas, se ele estava bem ou não. Os amigos conseguiam lhe encobrir uma parte das mágoas e daquilo que lhe afligia... Ou, talvez, eram as garrafas de sake que lhe faziam fechar os olhos – talvez, abrí-los – e ver que ainda restava diversão ao lado deles.

Nobody, nowhere, holds the key to your heart
When love’s a possession, it’ll tear you apart
You may have lovers wherever you roam
But sooner or later, ooh, we all sleep alone

[Ninguém, em lugar algum, possui a chave do seu coração
Quando o amor é uma possessão, ele te fará em pedaços
Você deve ter amantes aonde quer que você vá,
Mas, mais cedo ou mais tarde, todos nós dormimos sós]


Matsumoto levantava-se novamente do futon e vestia-se corretamente para mais um exaustivo dia de missões. Antes de tudo, como habitual, parou na frente do espelho e suspirou. Porém, deparou-se com o reflexo de um pedaço de papel que estava ao lado de sua cama.

Caminhou até lá e sorriu, fraquejante. Era o papel de arroz, daquela festa de Halloween. A mesma festa em que o beijara. Abriu calmamente e retorceu os lábios meio nervosa com aquilo. Lembrava-se de ter jogado fora o convite depois de tanta raiva...

Batidas na porta.

Deixou o papel debaixo do cobertor que estava sobre o futon e abriu a porta, cumprimentando Shuuhei com um sorriso e um bom-dia. O fukutaichou do nono esquadrão pediu licença e a mulher deu espaço para ele. Ele sentou no chão sobre os joelhos e ela sentou-se a sua frente, arrumando sua encharpe rosada no pescoço melhor e tamborilando os dedos no chão.

- Rangiku, preciso de outra ajuda sua para fechar a edição da revista!

- Oh!!! Sobre o que vamos falar dessa vez? — ela perguntou em falsa animação. Sua curiosidade em abrir a carta prevalecia – Vamos falar de sake? Dos homens mais lindos do Sereitei?

- Não. — Hisagi riu levemente, coçando a nuca – Vamos falar sobre as atividades que tem aqui... Como o clube do Kuchiki-taichou e da Unohana-taichou. Sabe que somente alguns taichous e fukutaichous costumam frequentar. Poucos postos abaixo do nosso sabem.

- Hum... Tá legal! Eu ajudo! — ela riu, jogando a cabeça para trás – Agora, você sai logo porque eu tenho que terminar de me arrumar, Shuuhei.

Oh, the young and the young heart wait
But the wait never ends in the soul
When you feel love is all gone away
Independence has come into the night I go

[Os novos e os jovens corações esperam
Mas a espera nunca acaba na alma
Quando você sente que tudo está quase indo pelos ares
A independência vem pela noite afora eu vou![

Despediu-se de Hisagi e fechou a porta, encostando-se nela e olhando fixamente o futon. Seu coração palpitou e a mulher mordeu os lábios apreensivamente. Entretanto, novamente seus pensamentos foram interrompidos pelo bater na porta.

Rangiku deu um pulo de susto e virou-se, abrindo-a e deparando-se com seu taichou. Hitsugaya estava com aquela cara habitual de mal-humorado, o que fez com que a mulher relaxasse um pouco. Ele apenas avisou, muito breve, que estaria indo ver porque tinham chamado novamente todos os capitães para se reunirem, que ela estava livre até o momento do termino.

A fukutaichou apenas assentiu, mostrando que havia entendido o que o taichou dizia, e fechou novamente a porta quando ele saiu. Passou as mãos pelo rosto, visivelmente apreensiva, e caminhou até o futon, sentando-se sobre ele e pegando o papel em mãos, observando-o com atenção antes de voltar a abrí-lo com cuidado.

A escrita, os kanjis e kanas que o recheavam... Até o perfume. Tudo fazia ela lembrar dele, tudo fazia com que ela senti-se ele ali.

Seus olhos traçaram um caminho sobre o papel escrito, lendo tudo com atenção, até mesmo cada apalavra que era preciso reler para entender o que Gin realmente queria com aquilo. Seu coração pulsava, insistente, e seus olhos quase nem piscavam.

Droga... Parecia que Ichimaru já previa exatamente o que ela faria, machucar-se pensando nas coisas, culpando-se por não ter feito algo. Por não ter nem impedido o homem de ir para o Hueco Mundo... Ela não pode prever, é fato, mas poderia ter tentado impedí-lo de alguma outra forma, não apenas deixando a espada mirada em seu pescoço com o corte preparado para cortá-lo sem ter coragem para isso de verdade.

Ridículo.

Deixou a carta sobre o futon e sentiu um forte vento entrar. Virou-se imediatamente para a porta, que estava fechada ainda, mas voltou a olhar o espaço ao lado da sua cama, agora ocupado por exatamente ele. Que a olhava atento, passando a mão por seus cabelos.

- Bom dia, Rangiku-san.

Seus olhos encontraram os dele, seus rostos a milímetros de distância... Inebriante ele estar a seu lado, enlouquecedor saber que alguém poderia vê-los... E apaixonante saber que ele realmente tinha mandado aquela carta.

- O que faz aqui, Ichimaru?

- Visitar o Kira é que não. — ele sorriu, daquele seu jeito — Vim vê-la. Saber se tinha recebido minha carta. Estive vendo você falar com Shuuhei... Com o seu taichou... Todos eles. Mas tinha na mente que só iria falar com você quando você já tivesse lido a minha carta.

A mão de Gin desceu pelos cabelos dela e logo subiu, segurando-a pelo queixo. Ele aproximou o rosto, deixando os lábios bem próximos, mas afastou-se dela quando a viu fechar os olhos.

- Me diz, Rangiku. Por que você é assim?

- Assim?

- Por que está se entregando com tanta facilidade para um inimigo? — os olhos dela olharam diretamente na roupa branca dele — Por que você é assim? Me ama tanto assim, Rangiku-san? Tadinha... deve estar sofrendo sem mim...

Don\'t make no promises that I can\'t keep
I won\'t be no prisoner of somebody\'s needs
You may have lovers wherever you roam
But sooner or later, ooh, we all sleep alone...

[Não faço promessas que não posso cumprir
Eu não quero ser prisioneiro das necessidades de alguém
Você deve ter amantes aonde quer que vá,
Mas, mais cedo ou mais tarde, todos acabamos dormindo sós]

Matsumoto tomou coragem e tirou a mão dele de seu rosto. Gin não oferecera mesmo resistência alguma, mas impediu-a de levantar-se, segurando-a pelo pulso e puxando-a de costas, de encontro a seu peito.

Beijou a orelha dela, sorrindo continuamente como costumava fazer. Apertou mais os braços em torno da cintura dela ao ver que a mulher cerrava os olhos e arrepiava-se leve com o simples toque de seus lábios ali. Curvou-se um pouco mais, depositando um beijo leve em seu pescoço e então...

Soltou-a, levantando-se e parando na frente dela.

- Eu virei te visitar. Todos os dias que eu puder. Mas não faça essa cara de cachorro sem dono, porque isso me deixa um pouco chateado.

Matsumoto apoiou as mãos ao lado do corpo e ficou olhando fixamente nos olhos de Gin. Ele abaixou-se, ficando apoiando nos joelhos, e roubou um beijo dela, sem pedir licença nem nada, mas beijou-a. Com desejo, talvez sem amor.

- Não... Ichimaru... Não me faça promessas... Não quero ouví-las...

- Então não quer que eu venha?

- Não quero me enganar. — olhou-o, cheia de mágoa — Agora... me deixe sozinha...

Ele riu baixinho ao estilo Ichimaru e sumiu, tão rápido que a mulher mal teve tempo de olhar novamente para ele e guardar seu rosto que já conhecia tão bem. Passou as mãos pelo rosto, deitando-se no futon e olhando o teto.

Ea sabia que pedira para que ele não fizesse promessas, mas quando menos esperasse... Ela também sabia que iria estar dormindo sozinha, pensando se ele viria ou não...

Notas finais
Reviews? Ah~~ A música é da Cher.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!