Wayward

15 Capítulo 14


Notas iniciais
bah, eu nem ia postar de novo hoje, mas vou postar só mais esse (olha o tanto de atualização que os fantasminhas aí tão ganhando) e vou dormir e sim, esse é o episódio 02x09 ;)

Aquilo era...

Bem mais do que a minha rasa imaginação poderia supor.

Eu não tinha lido o suficiente do diário de John para saber daquilo, mas pelo visto, não havia muito a respeito escrito lá. Os segredos mais pesados dos Winchesters só existiam em suas memórias e agora eu fazia parte daquilo.

Mary Winchester foi assassinada pelo demônio de olhos amarelos, Sam, de alguma forma, tinha poderes psíquicos que estavam conectados ao demônio, tinha premonições da morte de outras pessoas. O caso que eles não sabiam se era um caso se tratava de uma visão que ele teve de alguém sendo morto em Rivergrove.

Alguém sendo morto por Dean. Ao que parecia, Sam não fazia ideia do motivo, e Dean achava que se havia matado alguém, tinha razão para isso ou não teria feito.

E eu não sabia o que pensar. Dean parecia não gostar nada do lance psíquico do irmão e Sam parecia se sentir deslocado e desconfortável consigo mesmo, afinal, não era uma coisa que ele escolheu ter, mas o clima dentro do Impala não parecia melhorar conforme as horas se passavam e o silêncio estava me deixando doida.

Me obriguei a cochilar durante boa parte da viagem. Ninguém parecia em clima de conversa e eu não sabia o que fazer para dissipar a tensão, então fiquei na minha.

Somente quando chegamos na cidade é que eles voltaram a se falar. Sam reconheceu um homem na rua, disse que ele estava em sua visão e Dean decidiu que deveriam falar com ele. Quando eu estava prestes a sair, ele colocou a mão na porta.

— Fica no carro, a gente não vai demorar.

Aquele não me parecia ser um bom começo de primeira caça, mas não protestei. Queria ver até quando as coisas ficariam daquele jeito.

Passaram poucos minutos conversando com o estranho antes de atravessar a rua de volta, e então algo em um poste chamou a atenção deles, fazendo-os voltar para o carro.

— A gente vai precisar de ajuda do Bobby – Sam me fitou.

— Por que? O que tá rolando?

— Tá escrito ‘‘croatoan’’ num poste bem ali – ele apontou.

— Croatoan? – a palavra me parecia familiar. – Não é isso que ficou escrito numa árvore como último sinal de vida da colônia Roanoke?

— Tá vendo só? – Sam encarou o irmão. – A Bella fez o dever de casa.

Dean apenas riu sem graça, dando de ombros enquanto pegava seu celular.

— Ué – franziu o cenho. – Tá sem sinal.

Sam pegou seu celular no bolso, constatando o mesmo problema. Assustada, procurei pelo meu em meu bolso da jeans e percebi que também não tinha sinal.

— Que diabos tá rolando? – os entreolhei.

— Não sabemos – Sam suspirou. – Talvez tenha alguma coisa sobre isso no diário do papai. Poderia dar uma olhada?

— Sim, claro – respondi enquanto tirava o mesmo da minha mochila. – O que vamos fazer agora?

— Vamos atrás do cara da visão do Sam – Dean deu a partida. – Não sabemos com o que estamos lidando, então precisamos de atenção redobrada, especialmente você, Bella. Se alguma coisa representar perigo, e eu digo qualquer coisa, não é pra pensar duas vezes, entendeu? É pra atirar.

Crispei os lábios, estranhando aquele tom da parte dele, assim como Sam.

— Papinho motivacional bacana, hein, irmão? – o mais novo o encarou.

— Tô apenas sendo sincero. Atire primeiro, pergunte depois, especialmente se tiver demônios envolvidos nesse caso. Balas comuns não matam demônios, então se você atirar e a coisa continuar se movendo e falando, pode apostar que humano não é.

— Tá legal – voltei minhas atenções ao diário de John.

E o silêncio retornou ao carro tal como antes, para a minha infelicidade. O diário de John tinha muita informação relevante, mas organização não era nem de longe o forte do patriarca no que dizia respeito à escrita. Não era como um caderno de anotações divididos por partes, diferenciando monstros. Havia linearidade, sim, afinal era um diário, mas as informações estavam espalhadas nas muitas páginas e eu precisei memorizar o que estava lendo que julgasse ser relevante.

Quando chegamos na casa, Dean novamente me mandou ficar no carro para terminar de ler o diário, e no começo, eu até ponderei obedecer, mas quando percebi que os dois estavam rondando a casa com desconfiança, percebi que algo mais perigoso estava rolando e saí do carro, checando o pente com as balas na Glock e a destravando.

Minhas mãos suavam e era como se meu coração fosse pular da minha boca, mas procurei me manter o mais calma que podia enquanto circundava a casa. Os dois pararam em uma janela, observando o que quer que fosse com espanto, e logo deram meia volta.

Dean prendeu a respiração por um momento com o susto que dei nele.

— Eu disse pra ficar no carro – sussurrou enquanto dávamos a volta.

— Eu ia ficar, mas vocês começaram a rondar a casa.

— A gente vai entrar – checou sua Colt. – Você fica aqui fora, ouviu? Não entra, fica atenta pro caso de alguém aparecer.

— Tá legal.

Os dois continuaram caminhando abaixados até a entrada dos fundos da casa e eu fiquei em posição, atenta às saídas e às janelas.

Dean arrombou a porta com um chute e dois entraram apontando as armas para quem quer que estivesse lá dentro. Sam gritou para que alguém largasse alguma coisa e então eu ouvi disparos.

Alguém se jogou contra uma janela, que se quebrou toda, e caiu na grama como se não fosse nada e então me percebeu ali. O cara provavelmente tinha a minha idade ou até era mais novo e eu não sabia como reagir. Ele tinha uma faca e seu braço estava sangrando.

— Larga! – ameacei, o dedo sobre o gatilho. – Larga a faca!

Mas ele não largou. Em vez disso, começou a correr na minha direção e eu atirei em sua perna.

Contra tudo o que eu imaginava, ele não parou de correr. Lembrei do que Dean me dissera e comecei a atirar sem parar, nas pernas e nos braços dele. Queria que ele parasse de correr e ele não parou.

No último instante, quando percebi que ele iria me matar, atirei em sua cabeça. Só então ele caiu, morto, obviamente.

Eles me disseram que quando alguém é possuído, é possível ver uma fumaça negra entrar na pessoa. O processo reverso deveria acontecer quando o demônio deixa o corpo de alguém e eu encarei o corpo por um bom tempo, esperando que a fumaça saísse, mas não havia nada além de sangue saindo dele.

— Ei! Bella!

Dean estava me sacudindo pelos ombros, quando percebi.

— O que?

— Cê tá bem? Tá ferida? Ele te machucou?

— Não, eu tô legal. Eu pedi pra ele largar a faca, mas ele veio com tudo e eu... Eu atirei na cabeça dele.

Por algum motivo, Dean suspirou aliviado naquele momento.

— A gente tem que levar a mãe dele pro hospital. Vem, me ajuda a carregar ele.

— O que vai fazer com o corpo? – o encarei assustada.

— A gente precisa descobrir o que rolou com eles, vamos precisar de uma mãozinha médica pra desvendar esse mistério. Vamos levar o corpo dele e do pai pro hospital, ver o que conseguimos descobrir. Trava a arma, vem.

~

Eu estava enjoada.

Um corpo no porta-malas, um corpo embrulhado ao meu lado, e a matriarca da família no banco da frente, entre Sam e Dean.

Dean havia matado o marido dela e eu o filho e ali estávamos nós. Me esforcei como podia para não chorar, afinal, era um caso, era um trabalho, e não importava que aquele fosse o meu primeiro oficialmente, não havia tempo para choro.

Mas por que eu estava me sentindo tão horrível?

Chegamos no consultório mais próximo, já que a cidade era pequena para ter um hospital adequado, e enquanto eu levava a senhora para o atendimento, Sam e Dean traziam os corpos para dentro.

A médica havia falado algo comigo, mas eu não estava processando o que deveria responder. Dean falou algo em meu lugar, mas não prestei atenção.

Eu me sentia entorpecida. Só conseguia pensar na expressão que o cara estava fazendo quando avançou para me matar. Não era normal, eu sabia que não, e no primeiro tiro ele deveria ter caído e parado, como era de se esperar, mas ele apenas...

— Bella?

Sam estava na minha frente, me encarando.

— Você tá bem?

O que ele queria que eu dissesse? Sim, eu estava inteira, mas a minha cabeça não.

— Vem cá, senta aqui – ele me conduziu até a sala de espera do consultório, me fazendo sentar em uma das cadeiras e então fechando a porta atrás de si. Se sentou ao meu lado, me observando. – Você deve estar assustada com tudo isso.

— Eu atirei nele... – minha voz quase não saiu. – Tantas vezes... E... Foi como se ele nem tivesse sentido.

— Olha, o Jake não estava no estado normal, tá legal? Você fez o que precisava fazer. Se ele não te matasse, ele mataria outra pessoa. Você agiu rápido, fez o que era certo.

— Atirar na cabeça dele, executando como se fosse um animal, era a coisa certa? – o encarei. – Meu Deus, Sam, eu não tô aqui pra matar pessoas, eu tô aqui pra matar monstros! – disse entredentes.

— Bella, você viu como ele estava. Ele bateu na mãe, amordaçou ela, e eu sei que você pediu pra ele parar. Não sei o que tinha de errado com ele, mas ele não estava normal, entendeu? Era ele ou você, e eu sei que é horrível, eu sei o que deve estar sentindo, mas você fez o que precisava fazer, tá legal?

— Parece tão fácil, falando assim... Que tipo de demônio faz isso com as pessoas?

— Eu não sei, mas temos que descobrir – ele se levantou. – Vou pegar o diário do papai pra continuar procurando. Fica calma, tá? Vai dar tudo certo.

Eu queria acreditar naquilo, de verdade, mas não sabia como.

Que ótima primeira caçada aquela estava se saindo!

Notas finais
os próximos capítulos serão... intensos. e vai ter lágrimas, discussões e talvez vocês queiram dar um tapa no Dean.