Notas iniciais
Olá, pessoas! Esperamos que tenham tido um Natal legal (: Estamos postando mais cedo para não ter que postar no sábado. Vamos "tirar férias" do Nyah! por tempo indeterminado, okay? Nos vemos lá embaixo! Boa leitura! PS: (Kiseki) Esse foi um dos capítulos que eu mais gostei de escrever. Espero que gostem dele...

–Isto é sério? –Perguntou Cindy, tirando os olhos de seu prato cheio de pães de queijo.

Myranda e Risuka estavam sentadas à mesa do café da manhã, cada uma com seu pedaço gigante de bolo de chocolate. Cindy raramente se sentava na companhia de outras pessoas, mas as duas garotas lhe convenceram de que o assunto era importante.

–Sim, é sério como dançar com um dragão. –Disse Risuka, e as outras duas garotas a olharam como se ela fosse louca. –Que foi? Vão me dizer que dançar com um dragão não é um caso sério?

Myranda e Cindy a ignoraram.

–Então... Se essa tal Esfera Branca sumiu e agora os monstros que estão presos na escola voltaram a sua natureza selvagem, e também agora a escola está visível aos olhos dos humanos comuns... –Cindy sussurrou para si mesma. –A situação é muito ruim. Nós estaremos perdidos sem isso.

–Sim... –Sussurrou Risuka. –É por isso que nós precisamos encontrar a Esfera. Você precisa nos ajudar... Está dentro?

–É óbvio... –Cindy fez uma expressão amargurada. –Não é como se eu pudesse voltar para casa, de qualquer forma.

–O que quer dizer com isso? –Sussurrou Myranda.

A garota colocou uma mecha dos cabelos castanhos para trás e olhou para seu prato novamente, deixando claro que preferia não falar sobre aquilo, e nenhuma das duas outras garotas insistiu.

(...)

–Ah, por favor, parem de brigar... –Pediu Coraline a Tsuimi e Kenai, que trocavam olhares irritados.

O pátio da escola, já seco após os dias de chuva que ocorreram em praticamente toda a semana de provas, estava animado e cheio de alunos. Os passarinhos cantavam alegremente, e até as borboletas pousavam rapidamente em flores coloridas. Tudo parecia melhor, apesar de o céu ainda estar nublado.

Tsuimi, Coraline e Kenai estavam sentados no mesmo banco, ela sentada entre eles como se fosse uma mãe separando os filhos que discutiam. Perto deles, Charles ria baixinho enquanto desenhava em seu caderno.

–Meus queridos, preciso da ajuda de vocês. –Disse ela do nada, e então olhou para Charles de olhos semisserrados. –Você também, lourinho!

Ele levantou a cabeça, confuso.

–Eu?

–Sim. Venha até aqui, vou lhes explicar a situação. –Ela fez um gesto para que Charles de aproximasse. Ele assentiu e andou lentamente até os três.

Coraline lhes contou tudo o que escutara da conversa entre as duas professoras e Leere Collins. Quando terminou seus relatos, todos os garotos pareciam chocados.

–Os monstros estão ficando revoltados? –Disse Kenai.

–A escola está visível aos humanos? –Disse Charles, no mesmo tom preocupado.

–Leere Collins é mesmo neto da nossa diretora?! –Disse Tsuimi, boquiaberto.

Todos olharam para ele.

–Como se esse fosse o grande problema. –Bufou Coraline, e então ela olhou nos olhos de cada um deles. –Precisamos encontrar a maldita esfera e salvar a escola. Caso contrário... –Ela fez uma careta. –Bem, prefiro nem pensar no que vai acontecer. Para onde terei que voltar.

–Mas... –Disse Charles. –Se nem a diretora e as professoras estão encontrando... Como nós encontraremos?

–Não sei. –Admitiu Coraline. –Mas... pensem bem: nós seremos mandados de volta a um lugar onde somos diferentes. Onde somos considerados anormais, por que podemos fazer coisas que os outros não podem. Vocês querem voltar?

Todos olharam para baixo, pensando. Mas Charles foi o primeiro a responder num murmúrio triste:

–Não vou voltar.

–Nem eu. –Apoiou Kenai. –Deus me livre.

–Então estamos de acordo. –Disse Tsuimi.

Coraline sorriu. Só então ela percebeu que Charles abraçava com força o caderno de desenhos, como se sua vida dependesse daquilo, e ela ficou observando-o com curiosidade.

(...)

–Não acredito... –Murmurou Alícia, observando boquiaberta enquanto Gilbert Belshimit levava ao chão violentamente dois garotos bruxos, de olhos dourados, que tinham quase o dobro de seu tamanho e o triplo de sua massa corporal. Ele riu com arrogância e então se sentou em cima de um deles como se fosse uma cadeira.

–Quem é o paspalho fracote agora, hein? –Riu-se ele aos dois grandalhões caídos.

Alícia pigarreou, e Gilbert olhou para ela. É claro que não havia notado sua presença antes, pois estava “um pouco” ocupado.

–Ah, oi... –Gilbert a encarou de olhos semisserrados.

–Alícia. –Ela o lembrou.

–Ah, sim. Alícia. O que você quer?

–Bem, eu... –Ela olhou para os dois meninos gigantes jogados no chão de testa franzida, esquecendo-se até do que tinha para falar, mas então se lembrou de que era algo realmente importante. –Vim pedir que nos ajudasse a encontrar algo.

–Algo?

–Sim, mas... –Ela apontou para os grandalhões. –Eles não podem escutar.

Gilbert bufou, um pouco irritado por ter sua diversão interrompida, mas ao ver o semblante preocupado dela, decidiu escutá-la. Alícia o conduziu a um corredor quase vazio e o contou sobre a conversa entre Leere e as professoras. Quando terminou de falar, ele a observou com uma das sobrancelhas levantadas.

–Esfera Branca, hum? –Gilbert parecia pensativo. –Por que está me pedindo ajuda? Não sou exatamente o que você chamaria de “amigo”.

–Você foi um dos poucos que nos ajudou contra o dragão, semanas atrás. Além disso, esta também é sua escola. Não quer ajudá-la?

Ele hesitou.

–Humpf... Acho que posso fazer alguma coisa a respeito. –Disse, por fim.

Alícia abriu um sorriso iluminado e lhe deu um tapinha no ombro.

–Obrigada! Sabia que podia contar com você!

E então ela saiu correndo para avisar aos outros, deixando Gilbert sozinho. Ele olhou para o teto.

–Ah, claro. –Murmurou.

(...)

Aquela noite estava estranhamente silenciosa na Amethyst. As estrelas brilhavam no céu escuro, os morcegos voavam naturalmente, as árvores balançavam ao redor da escola, do mesmo modo sombrio de sempre, fazendo do leve som das folhas se batendo um som calmante.

Mas Kenai não conseguia dormir naquela noite. Ele havia tido um estranho pesadelo em que um demônio em forma de corvo arrancava suas pernas com seu bico. E o pior de tudo era que ele estava amarrado em uma cadeira de ferro, completamente imobilizado. Nem sequer conseguira gritar.

Estava suando frio. Observou seus companheiros de quarto: Tsuimi, Charles e Gilbert, dormirem tranquilamente em suas camas. Suspirou pesadamente e então ficou de pé. Andou até a janela e começou a encarar a noite lá fora.

Quase soltou uma exclamação de surpresa ao ver Cindy Cole andando pelo pátio, trajando um vestido branco esvoaçante –que não parecia muito ser do estilo dela, e sim do de Alícia. Ela parecia um espírito, mas ele a reconheceu por causa dos cabelos castanhos e ondulados.

Sem nem pensar direito, vestiu sua camisa e abriu a porta do quarto. Só quando estava no corredor foi que percebeu Tsuimi o seguindo.

–Ei. –Sussurrou o garoto caolho. –Aonde está indo?

Kenai não estava com muita vontade de responder, mas o fez.

–Acho que vi Cindy andando pelo pátio.

Tsuimi fez uma cara engraçada e soltou um baixo assobio.

–Acho que você está vendo coisas, hein?

–Cale a boca.

–Calma... Eu estou brincando. Vamos.

–Como assim, “vamos”?

–Eu vou com você. –Tsuimi abriu um largo sorriso. –Até porque se não for ela de verdade, eu vou ter um bom motivo para te encher.

–É ela. –Disse Kenai, sério, e sem realmente se importar com a presença de Tsuimi, partiu pelo corredor escuro.

Os corredores da Amethyst à noite não eram lugares pelos quais alguém deseja passar. A escola era tão decorada e cheia de detalhes, que à noite, esses detalhes e decorações faziam sombras sinistras nas paredes, levando qualquer um a pensar que está diante de algo horrível, o que poderia muito bem ser um simples jarro florido. Além do silêncio mortal, claro. E raros eram os alunos que andavam por ali, com todos os boatos de fantasmas que a escola tinha.

–Lugar legal. –Comentou Tsuimi, olhando para tudo que é lado com desconfiança.

–Silêncio.

Quando chegaram perto do salão principal, Kenai teve a ideia de pular uma janela, afinal, provavelmente haveria um fiscal ou vigia na porta da frente.

Quando os garotos haviam acabado de puxar a janela, deram de cara do Risuka Charlotte e Myranda Willoy; a primeira com um pijama de seda lilás com renda nas mangas, e a segunda com uma camisola longa e preta. Risuka abriu um sorriso.

–Oi. –Disse ela, como se o fato de eles estarem ali fosse a coisa mais normal do mundo.

Atrás dela estava Coraline, olhando para todos os lados de testa franzida e com as mãos na cintura. Ela usava uma camisola preta e curta com renda vermelha.

–O que estão fazendo aqui? –Perguntou Tsuimi. –E de pijama...

–Estamos procurando Cindy. –Disse Myranda, tensa. –Escutei um som estranho no meio da noite, mas era apenas Cindy mexendo-se inquieta em sua cama. Ela me disse que estava sem sono, mas pediu que eu voltasse a dormir. Quando voltei a abrir os olhos, ela não estava na cama.

–Acho que o bicho-papão a pegou. –Murmurou Risuka, olhando para tudo que é lado com uma expressão felina. –E eu vou dar uma surra nele.

Kenai lançou um rápido olhar debochado a Tsuimi, que o ignorou.

–Para onde ela foi? –Ele perguntou.

–Não temos ideia. –Disse Myranda. –Ela até gosta de ficar sozinha... mas sair no meio da noite é meio estranho, ainda mais depois do sumiço da Esfera... –As palavras ficaram presas na garganta dela.

–Myranda? –Risuka a chamou, estalando os dedos em frente ao rosto da amiga. –O que foi?

–Vocês acham que... um monstro... –Murmurou Myranda, empalidecendo.

Kenai entendeu imediatamente o que ela queria dizer.

–Mais um monstro pode ter escapado. E pode ter feito com que Cindy saísse sozinha, controlando-a. –Ele olhou para as árvores do pátio. –Se isso for verdade, ela deve estar encrencada.

–Então vamos atrás dela! –Falou Coraline um pouco alto demais, e eles puderam escutar seu eco vindo de dentro da escola. Ela sussurrou: –Opa.

–Sim, vamos. –Concordou Myranda, indo em direção às árvores e puxando Risuka pelos braços consigo, enquanto fitava o pátio escuro com frieza.

(...)

As sombras pareciam abrir caminho para Myranda enquanto ela andava no escuro, tornando as coisas um pouco mais assustadoras. Era como se as sombras formassem estranhos tentáculos ao redor dela, e a garota mal parecia notar, mas seus amigos nervosos, sim. Os cabelos dela brilhavam mais ainda à noite, tomando uma espécie de brilho avermelhado.

–Deve ser esse negócio de bruxa das Trevas... –Comentou Coraline, olhando para tudo que é lado com desconfiança.

–Temos que nos apressar... –Murmurou Myranda à frente deles.

–Sim, milady. –Brincou Risuka. Mas no momento em que escutou o som de um galho se partindo, o sorriso sumiu de seu rosto tão rápido quanto a cor dele. –O que raios foi isso?

–Um coelho? –Chutou Tsuimi.

–Nunca vi um coelho na Amethyst. –Disse Kenai.

–Agora você me acalmou. –O garoto revirou o olho não enfaixado.

E eles escutam o som novamente. Desconfiados e apurando seus sentidos, as cores dos olhos de cada um deles mudou: os olhos de todos para prata, menos os de Kenai, que ficaram dourados. Mas ninguém ligou para isso.

–De onde vem o som? –Perguntou Coraline, lançando um olhar afiado às sombras.

–Dali. –Indicou Myranda, que lidava com o escuro muito melhor do que qualquer um deles. Ela apontou para um conjunto particularmente mais sombrio de árvores grossas e curvadas.

–Ah, claro. –Suspirou Coraline. –Por que eu contaria que vinha de um lugar mais bonitinho?

O grupo andou até as árvores sombrias e então eles passaram por elas, ignorando ao máximo o som dos insetos que estavam ali. Quando atravessaram as árvores, ficaram de frente para um pequeno –bem pequeno mesmo – riacho azul-escuro. As águas dele brilhavam sob a luz da lua de modo fantasmagórico.

–Ali! –Gritou Myranda, apontando para uma pequena rocha cinzenta, onde Cindy estava deitava como se estivesse dormindo tranquilamente, seu vestido branco esvoaçando e fazendo-a parecer um fantasma. As garotas fizeram caretas.

–Ela não estava vestindo aquilo... Cindy nem tem uma camisola. –Disse Risuka, olhando para tudo que é lado com cautela. Seus olhos, que à noite pareciam ser completamente roxos, se arregalaram e ela soltou uma exclamação.

–O que é aquilo?! –Gritou Risuka, apontando para algo que se formava ao lado de Cindy, uma espécie de vulto negro tomando forma. A primeira coisa que eles viram foi uma fileira de dentes afiados como lâminas.

Continua...

Notas finais
(Quem não quiser ler reclamações, pode pular isso aqui ¬¬) Pessoas... eu admito que fiquei muito puta com o capítulo anterior, viu? Parece que algumas pessoas só comentam a fanfic quando jogamos os holofotes sobre seus personagens! Eu até entenderia se o seu personagem só apareceu uma vez e depois nunca mais... mas a gente não fez isso, fez? Cara, só tivemos quatro reviews. Isso desanima demais, sinceramente. De um ou outro leitor que não quis comentar, eu nem sinto fala. Mas quatro reviews apenas?? Na boa... assim fica foda (desculpem-me pelo "linguajar culto" -.-). -Kiseki Obrigada por ler. Feliz Natal atrasado.