Notas iniciais
Carolike ou Mikelina? Nosso casal vai aprontar poucas e boas neste capítulo.

– Mike, aonde vamos afinal?

Eu estava meio emburrada nessa ultima semana, sentia falta da escola e dos meus amigos, e também do meu antigo porto seguro, minha casa, também tinha toda a pressão de tentar fazer minha energia se libertar e as frustações com o fracasso que isso estava sendo. Alan estava me tratando melhor apesar dele ainda me evitar. Paula sumia e só voltava nos dias de treino o que era muito estranho. Mas eu estava levando tudo isso bem, eu tinha que levar.

– Resolvi que você hoje precisa relaxar, vamos à cidade!

– Mike – eu falei desesperada- Você sabe que eu não posso, olha pra mim, o que as pessoas farão se me virem assim?

– Calma linda, eu não sou assim tão burro! Hoje é dia das bruxas, a Carolina do norte fica linda e todo mundo usa e abusa da criatividade nas fantasias, vão achar o obvio!

Eu dei risada, ele era tão maravilhoso, preocupado comigo com tudo isso pra acontecer, era realmente incrível. E então chegamos a principal vila do dia das bruxas, estava tudo tão maravilhoso, eles se esforçaram muito para que tudo parecesse muito assustador, tinha um corredor da morte, as abóboras para pedir doces, o lago do tubarão e a casa fantasma. Mike e eu fomos pegar aboboras pros doces.

– Desculpe, mas qual a idade de vocês? –um senhor baixinho de cabelo branco e bochechas ruborizadas perguntou

– Ela 16, eu 17.

– Desculpe- me mas a idade máxima permitida para pegar doces são 10 anos. Vocês estão muito velhos pra isso!

– Desculpa, mas você esta me chamando de velha?

– Mas que preconceito- explodiu Mike- está falando que só porque não sou uma criança de 10 anos eu não posso pegar doces no dia das bruxas? Cadê a compaixão no coração desse povo? Vocês vão para o inferno por destruir o sonho de adolescentes!

Eu mordia o lábio para não rir da dramatização exagerada de Mike.

– Mas respeito comigo seu pirralho- berrou o velho- eu ainda tenho forças suficientes pra lhe dar umas palmadas!

– E eu ainda tenho força pra isso

Mike jogou as aboboras no chão e derrubou todos os doces recolhidos pelas crianças e empurrou a mesa com tanta força na parede que ela se partiu ao meio, eu fiquei de boca aberta, mas não tive tempo de fazer nada, Mike pegou a minha mão e começamos a correr enquanto o velhinho gritava pela policia. Quando chegamos a praia eu me virei fazendo a carta mais carrancuda que consegui

– O que foi aquilo Mike? Você ficou doido? E se fossemos pegos?

– Uai foi divertido, e se aquele velhinho não ia nos deixar participar, não parecia justo sair sem um pouco de diversão e sinceramente Cah, eu sou um lobisomem você acha mesmo que um homenzinho iria conseguir me pegar correndo?

Então eu explodi em risadas, Mike era a pessoa mais louca que eu conhecia, e sim ele fazia tudo por impulso, era muito egoísta, e era exatamente por isso que eu estava apaixonada por ele. Mike me pegou no colo e me levou de encontro ao mar, aquela noite iria ser mágica e ninguém iria tirar isso da gente.

Resolvemos voltar pra casa, o caminho inteiro ficamos cantando loucamente pela janela, e de vez em quando eu olhava pro céu e pensava em toda maluquice que eu estava vivendo. Quando chegamos, Paula não estava, de novo, eu sentia falta da minha melhor amiga, eu queria conversar com ela, lhe pedir conselho e sentar em frente a tv comer sorvete e assistir séries, sentia falta da parte normal da minha vida.

Resolvi tomar um banho, e quando coloquei meu pijama de borboletas e me joguei na cama para ler crepúsculo pela 15º vez, tia Sophia, Mike, Alan e até Paula entraram pela porta com as expressões mais estranhas que eu já vi, era um misto de horror com medo e incredulidade.

– Gente, mas que cara de funeral, o que houve?

Ninguém falou nada por uns 3 minutos, deixando minha pergunta ecoar pelo ar, eu odiava aquilo.

– Anda desembucha! Posso ser vampira, mas não sei ler mentes não!

– Chegou a hora – disse Alan em um sussurro.

– Ela não está pronta – disse tia Sophia subindo o tom rangendo os dentes.

– Ela precisa ir – rebateu Paula

– Ela precisa escolher – disse Mike se colocando do lado da tia Sophia

– Ela precisa saber o que está acontecendo, pra decidir se esta pronta e pra escolher se precisa ou não ir- eu disse bufando e rebatendo o argumento dos quatro de uma vez só- E ela ficaria muito feliz se vocês sentassem e contasse o que está acontecendo!

Tia Sophia sentou-se ao meu lado e ficou brincando com os meus cabelos, Mike deitou na beirada da cama e me observou, Alan sentou-se no chão e Paula continuou a me fitar com os imensos olhos Roxos de fada. Alan foi o primeiro a falar

– Ah cah, queríamos muito esperar sua energia liberar, mas não da mais, te ensinamos tudo o que podíamos nessas poucas semanas, e agora precisamos ir pra Watertopia!

– Não, não precisamos!- tia Sophia explodiu- se a levássemos pra lá ela seria morta, o povo de Watertopia a entregaria pra morte, ela precisa liberar sua energia pra depois ir!

– A coisa está tão feia assim?- eu perguntei vendo o medo nos olhos de todos-

– Chamaram os darks- Alan disse e o silêncio tomou contado ambiente

– Darks? Aqueles Darks? Isso significa que eles vão morrer! Vai ser um banho se sangue! Não posso permitir!

De repente eu fiquei sem fala, não estava mas no quarto, estava em uma vila, tinha uma criança, uma vampira, ela estava ajoelhada sacudindo o corpo de uma mulher quando um dragão grande, muito grande, azul na cabeça amarelo na barriga e vermelho na cauda passou lançando lhes chamas verdes, eu rapidamente comecei a bloquear a imagem mas ouvi Alan sussurrar:

– Abra sua mente para mim cah, me deixe entrar, e contemple Watertopia, veja o perigo diante dos seus olhos, veja a sua nação!

Eu estava de volta eu via dragões lutando com lobisomens, via feitiços sendo jogados, vi um vampiro atacar uma fada, vi sereias morrerem sufocadas e vi uma névoa de longe, vi watertopia de cima, vi cada partizinha dela sendo destruida, um misto de horror e culpa tomou conta de mim e então vi meu quarto de novo

– Temos 1 semana até eles chegarem!

– Os darks não moram lá?

– Não- Paula finalmente falou- eles têm uma fortaleza própria!

– Eu vou!- eu disse olhando direto para tia Sophia- é por minha causa essa guerra e sou eu quem vai impedi-la!

– Você vai precisar aprender muita coisa em pouco tempo- Mike disse brincando com a barra da minha calça- precisa aprender técnicas de luta, precisa aprender também sobre watertopia, sobre suas espécies, sua geografia, seus poderes e muito mais.

Alan jogou um livro muito grosso de mais ou menos 800 páginas, a capa era branca e tinha vários desenhos, dragões, fadas, vampiros, duendes, elfos, sereias, mares, lagos, florestas, arvores, um palácio e uma mão com um círculo vermelho no meio, dentro do circulo tinha o símbolo do infinito e em volta do círculo havia 5 estrelas 4 pequenas e uma grande.

– O que isso?- apontei para mão. -

– Isto cah – disse Alan paciente- é o símbolo da nossa nação. A mão significa proteção, as 5 estrelas significam as 5 divisões, as pequenas são: Floresta sombria, Bosque da luz, Vale das águas e dracconcity e a grande são os Darks. O circulo vermelho significa o sangue de todas as espécies e o símbolo do infinito ali no meio significa a união do povo de waterpoia, pra lembra que estaremos sempre juntos e interligados.

Ficamos conversando durante um bom tempo, lutei contra a relutância da tia Sophia em não me deixar ir, aprendi o máximo que podia pra um dia com Alan, conversamos sobre as espécies e então Alan, Paula e tia Sophia se retiraram.

– Mike?

– Hum?

– Você acha que eu vou conseguir?

– Tenho certeza! Nossa energia precisa de algo forte pra se liberar, acho que quando você chegar lá e ver tudo o que estão fazendo você vai conseguir.

Mike se levantou e se deitou ao meu lado então me beijou, e me aninhou nos braços dele.

– Cah?

– Hum?

– Há quanto tempo você conhece o Arthur?

– Desde os 12 anos , ele sempre esteve comigo.

– Não gosto dele!

Eu me virei pra fitar seus enormes olhos castanhos.

– Por que?

– Porque ele te ama.

– Bobagem, Arthur jamais sentiria algo por mim.

– Ta na minha hora!

Antes que eu pudesse protestar ele levantou e saiu. Uma sensação horrível tomou conta de mim, eu não sabia se conseguiria salvar aquela gente, também não sabia se eles queriam que eu os salvasse, seria muito mais fácil eu simplesmente me entregar e acabar com a guerra, porque mesmo que eu salvasse a nação muita gente morreu por mim, pais sem filhos, filhos sem pais, bebês jogados, gerações encerradas, muitas pessoas machucadas, por minha culpa, tudo por minha culpa.

Se à 16 anos atrás meus pais tivessem me entregado tudo isso estaria acabado. Então eu dormi com minha decisão tomada, ao chegar em Watertopia eu iria até dracconcity e me entregaria. Eu iria salvar aquela nação por bem ou por mal.

Notas finais
xiiiii e agora ?