Waterion

2 Capítulo 2 - Vidraceiro


_Muito bem... — disse o homem alto, vestido estranhamente. — Venham comigo...
_O que você acha Patrícia? — pergunta Paulo, muito desconfiado.
_Tudo bem, não parece que ele quer machucar alguém...
_Então vamos. — decide Guilherme
E vão os três, seguindo o estranho homem de roupas estranhas
_Hei, qual o seu nome? — Paulo continuava desconfiado
_Rezzo, com dois z.
_O quê?
_Rezzo.
_Hum, Rezo.
_E pra onde está nos levando? — pergunta Guilherme
_Para a Vila de Pampoya.
_E onde fica isso?
_Quando chegarmos, vocês saberão.

O silêncio se estendeu até a chegada, onde todos perceberam como era o lugar, pessoas em trajes estranhos, cabelos trançados, botas de couro animal, casas construídas a mão, vasos cheios de água, não tinha energia elétrica e nem água encanada.
_É, definitivamente não estamos no Brasil... — suspirou Patrícia.
_Brasil?! Você disse Brasil? — Rezzo estava assustadíssimo, e logo pegou a garota pelo braço e começou a correr desesperadamente, Paulo e Guilherme começaram a segui-lo e chegaram até o centro da aldeia.
_Vidraceiro! Vidraceiro!
_Rezzo! — Respondia um velho — Faz tempo que não vem aqui!
_Ela falou do Brasil!
_Do Brasil?! Garotinha, você conhece o Brasil?
_Err... Não por completo, mas uma pequena parte, na verdade,
só o bairro onde eu moro, e uma parte de Espírito Santo,
onde fui em Janeiro, mas não muito mais que isso... — Patrícia estava muito nervosa, não sabia por que estava falando isso ao homem, que aparentava ser muito velho,
tinha cabelos grisalhos e barba longa, estranhamente vestido e luvas de couro.
_Hum... — respondeu o velho, alisando a longa barba, pensando, nisso, entra Paulo e Gui.
_Hei você! Onde queria levar a Paty?
_Ah! Chegaram!!! — o velho saltitou de felicidade.
_Heim? — disseram todos enquanto o velho saltitava e corria para buscar algo.
_É o seguinte: o último protetor de Waterion falava muito do Brasil, e ao ouvir ela falando sobre o Brasil, tive que trazê-la ao conselheiro de Waterion... – responde Rezzo.
_Hum...
_Protetor do quê? – Pergunta Paulo.

_De Waterion, ora!

_O que é isso?

_Isso o que?

_Waterion! – Diz Gui, com um brilho nos olhos – O nome do livro!

_É mesmo!

_Do que vocês estão falando?

_É que, nós estamos perdidos... Estávamos na escola, e apareceu um livro, e estava escrito Waterion, e viemos parar aqui... – Paulo quase chorava.

_Entendo, agora entendo...

_Se só entende agora, por que nos trouxe até aqui? – Pergunta Guilherme.

_Na verdade, minha intenção não era trazê-los para a Vila, simplesmente fui notificado que Hydeo estava na floresta, então fui impedi-lo de fazer alguma besteira, daí vocês apareceram, e pensei serem escravos de Pantallar, mas depois do que fizeram, resolvi trazê-los para a Vila, para que o Vidraceiro os julgasse.

_Você não me convenceu. – Responde Gui.

_Então, parece que o Vidraceiro nos julgou bem, certo? – Pergunta Paty, que acompanhava a conversa.

_Não sei, ele é muito imprevisível.

_Falando do Vidraceiro? – pergunta o próprio Vidraceiro, segurando uma trouxa de roupas.

_Não! Não senhor...

_É você a quem chamam de Vidraceiro? – Pergunta Gui.

_Sim, sou eu.

_Quem te deu o poder de julgar os outros?

_Eles mesmos, ora.

_Pois eu não te dou o poder de me julgar, ouviu?

_Mas que garoto atrevido, você é muito atrevido para o seu tamanho!

_VOCÊ ESTÁ ME JULGANDO!

_É verdade, sabe por que isso aconteceu?

_Não.

_Por que sou atrevido também.

_Não diga... – Responde irônico.

_Bem, onde estávamos? Ah, sim. Eu sou o Vidraceiro, conselheiro de Waterion. Waterion é uma província do Continente Nevoeiro, Pantallar é uma província vizinha. Waterion e Pantallar estão num tipo de guerra não-declarada.

Hydeo é filho de Ômega, Senhor de Pantallar.

_E por que te chamam de Vidraceiro?

_Vejo coisas nos vidros...

_...

_Vidraceiro! – Gritava uma mulher entrando no recinto, de longos cabelos castanhos, ondulados e olhos vermelhos. – Um enxame está cercando a vila!

_Kwaga! Que bom que chegou!

_Todos aqui tem nomes estranhos? – Pergunta Paty para Paulo.

_Kwaga, Rezzo, preciso que impeçam o enxame de destruir a vila.

_Mas... O que fez o enxame tão furioso? – Pergunta Rezzo.

_Nossos convidados...

_Rezzo, diga aos habitantes para ficarem em casa, eu farei a Barreira de Fogo. – Diz Kwaga.

_Barreira de Fogo? Como assim? Você vai chegar lá e simplesmente criar uma barreira de fogo? – Pergunta Paulo.

_Err... Isso!

_Você é algum tipo de bruxa?

_Bruxa? – Kwaga se ofende com isso, e acerta Paulo em cheio. – Bruxa é a sua mãe!

_Tudo bem, pessoal, mas... E os outros? – O Vidraceiro abre a trouxa de roupas e revela uma esfera de vidro que mostra Victor e Jussara.

Não muito longe dali, Victor e Jussara ainda corriam do enxame.

_Pára Victor! Não agüento mais correr...

_Jussara, temos que continuar! Olha o tamanho daquelas abelhas!

Victor puxava Jussara pelo braço e continuava a correr.

Ainda assim, não era o suficiente, não conseguiam despistar as abelhas, e o cansaço aumentava cada vez mais.

_Victor, o que vamos fazer?

_Vamos começar parando e falar! – Victor avistava de longe um riacho – Vem!

Victor continuava puxando Jussara pelo braço, quando pulou no riacho junto da moça.

As abelhas, na pressa, passaram direto e continuaram seguindo sem uma direção.

_Conse...

_Shiiiiii... Quer recomeçar a brincadeira?

_Não.

_Então vamos seguir por aqui, deve dar em algum lugar.

_Claro que dá em algum lugar, né?!

_Eu quis dizer um lugar seguro.

_Qualquer lugar é melhor que aqui.

Seguiram por pouco mais de cem metros quando avistaram a entrada do vilarejo.

_Vamos por ali!

_Tudo bem! Mas devagar!

-De volta ao Vidraceiro-

_São Victor e Jussara! – Diz Paulo. – Temos que ajudá-los.

_O que estão esperando, vamos logo! – Diz Gui.

_Vocês estão loucos? – Pergunta Rezzo – Se vocês forem picados por uma dessas abelhas, a única coisa que conseguirão é morrer!

_Isso não importa, Victor e Jussara estão lá, o lugar deles é aqui com a gente! – Responde Paty.

Os três saem correndo da casa do Vidraceiro e seguem para a entrada da Vila, onde de longe avistam seus amigos.

_Veja! A Paty – Diz Jussara, feliz por ver sua prima. – PATY!

_SUA BURRA! NÃO GRITA, SE NÃO AQUELAS ABELHAS VOLTAM! – Victor gritava, e tudo que ouviu depois foi um zumbido caótico.

_Burro! – Responde Jussara.

As abelhas logo chegaram, descontroladas e furiosas, ainda mais numerosas devido ao enxame que cercava a vila.

_AHHH!!! NÃO VOU PERMITIR ISSO! – Gui vinha correndo com um pedaço de madeira e acertando violentamente as abelhas que passavam.

_Esse garoto é retardado? – Rezzo estava indignado, e foi correndo ao auxílio.

_Rezzo, não – Grita Kwaga – Traga as crianças, eu cuido do resto.

_Está bem! – Numa fração de segundos, Rezzo estava junto das crianças e pegou Jussara e Victor pelos braços, e mais que depressa, chutou Guilherme com força, na intenção de afastá-lo do perigo e salta para a vila – Retardado!

Guilherme já estava se levantando e partindo para o ataque contra as abelhas quando Kwaga surge na sua frente e cria uma incrível Barreira de Fogo ao redor da Vila inteira, impedindo assim o avanço do enxame. Guilherme estava deslumbrado com o fogo, era algo de tirar o fôlego!

Depois de alguns minutos, o enxame foi embora, e todos da vila bateram palmas para Kwaga.

_Parabéns, Kwaga, sempre nos surpreendendo. – Parabenizava Rezzo.

_Não seja tolo, só fiz o que tinha de ser feito!

_Tem razão.

_Hei, garoto – Kwaga chamava por Guilherme.

_Eu?

_Sim!

_Sua barreira de fogo foi incrível, simplesmente maravilhosa!

_Muito obrigada, mas... Não banque o herói, por que isso não é uma brincadeira! – Kwaga golpeava Guilherme com muita força.

_Acho que já apanhei demais hoje!

Após todos se entenderem e se acalmarem, o Vidraceiro chegou

_Pois bem... Está na hora de chamar os outros Mestres...