Waterion

3 Capítulo 3 - Espírito Guia


_Chamar os outros, tem certeza? – Pergunta Rezzo.

_Claro, claro... Acho que tive uma grande idéia. – Dizia o Vidraceiro se retirando.

_Acho que ele teve foi uma péssima idéia... – Diz Kwaga para Rezzo.

Os jovens estavam juntos novamente, e conversavam muito.

_Ah! Eu te mato! Que idéia maluca é essa de chamar todo mundo para ler um livro? Imbecil! – Jussara estava realmente nervosa.

_Calma, Ju. Ele não fez por mal, né? – Pergunta Paty.

_Claro que não, ora! (u.u’) Só estava fazendo o que me pediram...

_Ah, sim, claro! – Diz Paulo ironicamente – Mandaram você pegar um balde e você abre um livro, muito didático da sua parte!

_Droga! Não importa o que eu diga vocês jogam a culpa pro meu lado! Vocês sabem que tenho essa mania de fazer tudo errado, por que vieram?

Todos ficaram calados com a atitude de Guilherme.

_Muito bem, crianças, vocês devem estar com fome, vamos comer. – Chama Rezzo.

_Moço, qual o seu nome? – Pergunta Jussara.

_Rezzo.

_Obrigada.

_... E o seu nome, qual é?

_Jussara.

_E o seu, rapaz?

_Victor.

_Muito bem, então, Jussara, Victor... E vocês três aí?

_Guilherme.

_Paulo.

_Patrícia, mas me chamam de Paty.

_Tudo certo então, venham, vamos comer...

Rezzo levou as crianças para dar uma volta pela vila, mostrou as casas, as frutas, os poços, e, por fim, pegou alguns peixes para comerem. Sentaram-se na beira do riacho e assaram os peixes.

_Então... Como é o Brasil? – Pergunta Rezzo.

_Eu não o conheço tanto para arriscar um palpite... Mas gosto de lá, até porque, é a primeira vez que saio dele! – Responde Paulo.

Rezzo olha para os outros e eles demonstram a mesma opinião.

_O último protetor de Waterion que falava muito nesse Brasil, ele dizia que era enorme, um paraíso natural.

_É verdade. Em relação ao Brasil, vocês são muito estranhos!

_Vocês são estranhos, usam roupas estranhas, fala de um jeito estranho, andam de um jeito estranho, comem de um jeito estranho.

_Eu percebi uma coisa: Você simplesmente pegou os peixes da bancada do peixeiro, isso é certo? – Questiona Guilherme.

_Em Waterion, diferente das outras províncias, tudo que conseguimos é dividido. Então, o pescador pesca para todos, o agricultor planta para todos, o ferreiro forja para todos, todos trabalham para todos.

_Isso é interessante...

_Bem, eu tenho que ir, eu encontro vocês ao anoitecer. – Rezzo desaparece num piscar de olhos.

_Muito bem, gente, vamos conversar.

_Diga, Gui.

_Não acham isso tudo muito estranho?

_De que forma?

_Bem, estamos longe de casa num lugar onde todos têm nomes esquisitos, existem abelhas gigantes, um velho que chamam de Vidraceiro, uma mulher que cria uma parede de fogo do nada, um cara alto que nem nos conhece e já está fazendo um peixe para nós. Agora os pontos que eu achei mais absurdos: Não sabemos voltar, não estamos sonhando, e eles falam nosso idioma! – Guilherme estava ofegante.

_Não havia pensado em tantos aspectos... – Pensa Paty

_Isso está me deixando doido! Não é o mesmo mundo! Aqui não existe nem dinheiro, nem energia elétrica! E se ficarmos presos aqui, minhas férias e o torneio de videogames estarão acabados!

Com o passar do dia os jovens observaram e aprenderam como é a vida neste mundo novo, viram os animais que domesticavam e os hábitos mais comuns.

Com a chegada da noite, Rezzo aparece.

_Muito bem, o Vidraceiro chama. – Diz Rezzo, seco.

_Lembrem-se, não estamos em casa... – Cochicha Paulo.

Rezzo leva os jovens a uma parte mais alta da floresta, onde é frio e úmido.

O Vidraceiro esperava por todos.

_Oh, vocês já chegaram, que bom. Bem, tenho que esclarecer algumas coisas para vocês, então, atenção.

Vocês não estão aqui por acaso, foram escolhidos por forças maiores.

Vocês são os novos guardiões de Waterion. Cada um de vocês é uma peça chave para a sobrevivência de todos nós.

Para isso, vocês precisam de um Espírito Guia, que dirá a cada um o que deve fazer e quando fazer.

Então, para cumprirem seus objetivos, vocês precisam, inicialmente de três coisas:

Treinar um Espírito Guia, ou seja, cuidar de um Wid para que o mesmo possa vir a se tornar um Espírito Guia futuramente. Adquirir um Espírito Guia, para que possam despertar todo o poder que há em vocês. Por fim, dominar o Espírito Guia.

Alguma dúvida?

_Como assim, treinar um espírito? – Pergunta Victor.

_Simples! Vocês colocam suas mãos dentro da Estátua de Hippotarak, e receberão o jovem espírito.

_Hipo o quê?

_Hippotarak, o Wid mais próximo dos Deuses.

_Hei, deixa eu ver isso! – Diz Paulo, destemido.

_Por aqui... – O Vidraceiro leva Paulo e ou outros até a Estátua de Hippotarak – Pronto, basta colocar suas mãos por dentro e receber o ovo.

Paulo coloca as mãos dentro da estátua e nada acontece.

_Que ovo? – eis que o ovo surge de uma forte luz branca.

_Esse ovo! – Responde Rezzo.

Paulo estava surpreso, era um ovo enorme, do tamanho de um ovo de avestruz, branco, com manchas ligeiramente esverdeadas. Então Paulo retira o ovo e se senta.

_Quem é o próximo? – Pergunta Rezzo.

_Eu! – Diz Jussara, que corre para a estátua, e o processo se repete, tirando assim um ovo parecido, completamente branco.

_Estranho... Geralmente todos os ovos possuem manchas. – Diz o Vidraceiro.

Após Jussara, Patrícia retira um ovo com manchas amarelas, e Guilherme retira um ovo maior que o normal, com manchas vermelhas.

Chega a vez de Victor.

Victor não tinha uma boa impressão sobre aquilo, e não se sentia bem. Colocou as mãos na boca da estátua, e a luz branca o ofuscou, ao voltar a enxergar, não via nenhum ovo.

_Como assim? –O Vidraceiro estava assustado – É a primeira vez que isso acontece! Vocês são muito diferentes!!!

_O que significa o Victor não ter ganhado um ovo? – Pergunta Guilherme.

_Bem, eu não sei se ele poderá começar a ser treinado sem o ovo.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.