Waterfall
2 Capítulo 2
Notas iniciais
*Giulia parte*
Acordei com os berros desesperados da minha mae na cozinha por causa de uma pequena baratinha. A única coisa que a minha mae tinha medo era barata, na verdade era mais nojo do que medo. Poderia aparecer uma cobra ali que ela mataria sem a menor preocupação. Desci ate la, e com toda a minha sutileza dei uma chinelada na barata. Aproveitei o ensejo e já tomei o meu cafe da manha antes do serviço: Uma tigela de cereal com uma quantidade media de leite, torradas com manteiga e suco de laranja fresco.
- Domiu bem minha princesinha? — Era como a minha mae me chamava desde que me conheço por gente, se ela me chamar pelo nome, a coisa ficou preta para o meu lado.
- Sim, apenas tive um sonho meio estranho, mas, deixe pra la…
- Que sonho? Quero ouvir.
- Sonhei que o papai tinha voltado, mas foi apenas um sonho.
- Sonho? Isso ta mais pra pesadelo. Agora va se trocar, esta atrasada.
Subi ate o banheiro e tomei uma ducha de água fervendo. Nada melhor do que um banho bem quente para começar o dia. Escovei meus dentes e como me preocupo muito com a minha pele, passei meus cremes hidratantes habituais, coloquei uma calça legging preta, a camiseta que eles me obrigavam a usar e uma sapatilha preta lisa, comum. Prendi meus longos cabelos castanhos em um coque bem no topo da cabeça e fui andando ate o meu destino.
Todos os funcionários eram meus amigos e ambos tínhamos um ódio em comum: Nosso chefe, Gregory. Ele era (literalmente) o diabo em pessoa, nunca concordava com as nossas idéias para melhorar o estabelecimento e nunca vi um sorriso no rosto daquele rapaz.
Trabalhei todo o meu turno. Eu era como uma faz-tudo, aonde precisavam de mim, eu dava uma ajuda. Graças ao verão, iria pedir a minha folga, como de todos os anos, para poder ajudar mamãe com a casa. A única preocupação era se este novo chefe iria deixar. O antigo era super gente boa, uma amor de pessoa e entendia meu caso, mas a hora dele chegou e seu filho ficou com a posse do mercadinho, infelizmente.
- Senhor Gregory, poderia dar uma palavrinha com você?
- Diga logo, nao posso gastar meu valioso tempo, tens 5 minutos.
- Sim, claro. E que assim, eu e minha mae moramos na casa em que ela trabalha, e seus patrões apenas freqüentam-na no verão, sera que o senhor pode me conceder o tempo que tenho de ferias neste período? Para poder ajudar minha mae com as tarefas básicas.
- Meu pai te concedia?
- Sim
- Entao pode ir, mas nao vou te pagar nada.
- Ok, nao precisa, muito obrigado mesmo senhor Gregory.
- Por me chamar de Greg, e tire este senhor, nao sou nenhum velho, agora vá, seu tempo já terminou.
- Obrigado mais uma vez, Greg.
*Liam parte*
Nao via a hora de ir para a fazenda. Aquele lugar sempre foi o meu "refugio", vamos dizer assim. Acordar com o sol nascendo, olhar pela varanda e avistar de longe as plantações, nada melhor. Lembro-me de todas as aventuras que passei por ali, com Giulia, a filha de nossa caseira. Nao vejo ela ha alguns anos, sera que ela ta bem? Bom, veremos. Meus quatro melhores amigos de todo o universo, Harry, Louis, Niall, Zayn, e a minha namorada, Dani, viajariam comigo ate la, com certeza seria o melhor verão de toda a minha vida, ate agora.
Partiríamos na segunda de tarde, para de noite poder já estarmos acomodados e se tivermos sorte, pegar uma piscina e uma sauna. Estava arrumando a minha mala ao som de Marron 5 quando recebi uma mensagem da Dani, dizendo:
"Boa noite bb, nao vejo a hora de viajar com você, XX ;)"
Dani e do tipo que manda mensagem por qualquer motivo. Nao respondi nada, porque nao vejo motivos de gastar meus créditos com mensagens bobas. Sou bem romântico com ela, mas de verdade, posso usufruir melhor de meus créditos.
Assim que terminei de arrumar a minha mala, minha mae gritou para pegar a pizza la em baixo no portão, entao desci correndo pois estava morrendo de fome, e em um domingo a noite, nada melhor do que uma pizza de calabresa e uma coca estupidamente gelada.
- Entao Liam, esta ansioso para voltar a fazenda após 2 anos? — Mamãe disse com um sorriso maior que o proprio rosto.
- Sim, muito animado, nao vejo a hora! Com certeza vai ser muito bom, passar um tempo com a minha família, amigos, namorada.
- Entao, sobre isso — Mamãe olhou para baixo e soltou um suspiro de leve, sabia que alguma coisa havia acontecido — Seu pai nao vai mais.
- Por que? Ah, esquece, já sei… TRABALHO! Como sempre, sera que ele nao pode tirar da vida dele, pelo menos por um final de semana, as palavras "empresa, trabalho, tecnologia" e aproveitar com a família?
Peguei meu prato, meu copo e subi para o meu quarto. Tranquei a porta e fui para a minha varanda, sentei na rede e terminei de comer sob a luz do luar. A lua cheia brilhava no céu e junto com as estrelas, formavam uma noite perfeita.
Tudo que eu mais queria era ter um pai um tanto quanto mais presente em minha vida. A prioridade na vida de meu pai era "Trabalho". Sempre tento convence-lo a largar um pouco, relaxar com a família, mas obtenho a mesma resposta em todas as tentativas: "Se eu nao trabalhasse, vocês nao teriam nada que esta aqui, apenas me agradeçam a parem de reclamar". Pensando bem, se ele fosse, com certeza ficaria rabugento por nao pegar sinal de celular no interior de Londres, entao, melhor que ficasse no meio da civilização mesmo.
Deitei em minha cama, apaguei a luz e fiquei pensando sobre a vida ate pegar no sono, o que nao demorou muito…
Fale com o autor