Waterabout: island in the sun
9 Comfortably Numb
E então eu fui usada de refém por aquele canalha. Forçaram o Tallon a se entregar e nós colocaram de joelhos um do lado do outro algemados e com armas apontadas para nossa cabeças. Nisso eles tinham a simples ordem de puxar o gatilho sem hesitação caso nos mexêssemos um centímetro.
Nós ainda estamos na área industrial da cidade. Não muito distante de onde eles nos capturaram. Encostados na parede de uma fábrica de tecidos.
Logo após eles instalam rapidamente um dispositivo a nossa frente. Ele parecia com um hidrante preto fosco e emitia algumas luzes enquanto fazia um zumbido chato. O Tallon ao ver o aparelho fica inquieto.
—O que é isso?- Dirijo a pergunta a Tallon mas logo depois forçam o cano da arma contra minha cabeça como sinal de eu ficar quieta.
—É um dispositivo de P.E.M minha fia. Serve pra inibir o poder de magnetismo do seu amigo. Lidar com elementais de tipo metal é um saco sabia?- Responde o sargento enquanto se aproxima da gente.
Ele fica olhando para nós por um tempo, sorrindo, provavelmente aproveitando seu complexo de superioridade ou seja lá qual é o problema desse cara.
Até que chega mais um veículo da união. Ele estaciona de ré perto da gente e o sargento já se levanta indo de encontro a ele de forma bem animada.
—Finalmente! Já era hora!- Exclama ele.
As portas traseiras do veículo se abrem como uma Van e de dentro são chutados o Victor e a garota do fogo. Ambos aparentam estar extremamente feridos mas, dou atenção especial ao Victor que está com várias queimaduras e com um sangramento no ombro.
—Victor! Victor! Você tá bem?- Grita Tallon em desespero.
Então o mesmo responde ao chamado com uma certa dificuldade.
—Eu tô vivo. Agora para de gritar.
—Ótimo agora me responde uma coisa. Tu perdeu pra ela desgraça!?
—Claro que não. Fechamos em empate.
—Você perdeu! Eu fiz uma baita propaganda dizendo que tu era forte e você me faz uma vergonha dessa? Era pra você conseguir ganhar daquela fracote fácil!.
—Eu tô aqui!- interrompe a garota da espada de fogo.
—Não é bem assim, ela virou o cão botou fogo no lugar inteiro e quando eu percebi já tinha demolido o lugar. Ela é meio forte pra alguém que usa catalisador.
—Chega de conversar fiada! Lembrem-se vocês não tem direito a nada enquanto estiverem perante a mim.- Ordena o sargento.
Logo depois um soldado desce do veículo e entrega a infame espada para o Sargento que analisa ela minuciosamente. Nisso ele faz uma coisa que eu não entendi muito bem ele tira a faca e passa a ponta contra a lateral da espada. Logo depois ele se abaixa na frente da garota da espada de fogo.
—E pensar que uma ferramenta tão arcaica matou tantos homens, você é uma praga saiba disso. Agora você vai me dizer do que é feito isso.- Ele diz isso para a garota enquanto segura o rosto dela.
—E eu juro que essa ferramenta “arcaica” vai corta a sua garganta.
Ele imediatamente aperta o pescoço dela apertando-o o mais forte possível a sufocando enquanto olha para um relógio em seu pulso.
— Um, vocês não tem DIREITO a nada enquanto estiverem perante mim! Isso inclui falar e até respirar se eu decidir que não podem. Entendeu?
Ela olhando para ele em desgosto começa a entrar em combustão botando fogo em si mesma. Mas quanto mais ela tentava aumentar as chamas mais forte ele a apertava e em nenhum momento ele parou de olhar para o relógio.
—Dois, vocês só falam quando forem responder alguma pergunta minha e se eu não gostar do que ouvi vocês morrem.
As chamas diminuem com o tempo até que se apagam completamente e quando isso acontece ele solta o pescoço dela.
—E três. Em nenhum momento eu estarei aberto a negociações.
Ela recupera a consciência e ele logo continua a com seu discurso de semelhante a de uma professora gorda e psicopata que gosta de expor a fraqueza de seus alunos.
—E por último saiba que você está muito longe de ser a primeira pessoa a me fazer juras de morte. E eu lhe garanto que não vai conseguir cumprir com isso mas, não se preocupe eu passo no inferno pra te fazer companhia.
Ele logo se levanta com um sorriso no rosto. E começa a olhar para a gente como quem estivesse se lembrando de algo e então ele vem em minha direção. Conforme ele se aproxima eu fecho os olhos e inclino a cabeça com medo. E então para minha surpresa ele solta as algemas.
—Nós não terminamos a conversa de mais cedo.
Eu engulo seco me perguntado a onde ele quer chegar. E então ele tira algo do bolso. E são uma série de fotos instantâneas.
—Sabe infelizmente não deu pra fazer uma ligação de vídeo por causa desse seu telefone então eu tive que tirar algumas fotos pra poder te mostrar.
Ele pegas as fotos e começam a jogar elas em mim como se fossem cartas de baralho. Algumas batem em meu rosto e caem no chão. Está meio escuro pra ver mas graças ao reflexo dos faróis dos carros eu consigo ver mais ou menos o conteúdo das fotos...
—Não sei se você já ouviu falar nisso mas, a mãe de todo demônio deve ser uma bruxa?
As fotos são todas sobre minha mãe. Nelas ela está chorando enquanto tem o nome witch tatuado na testa, todas as fotos estão em diferentes ângulos e em algumas tem armas apontadas para ela.
Bruxa! Bruxa! Bruxa! Bruxa! Bruxa! Bruxa! Bruxa! Bruxa! . Bruxa! Bruxa! Bruxa! Bruxa! Bruxa! Bruxa! Bruxa! Bruxa! Bruxa! Bruxa! Bruxa! Bruxa! Bruxa! Bruxa! Bruxa! Bruxa! Bruxa! Bruxa! Bruxa! Bruxa! Bruxa!
Eu olho para as dezenas de fotos enquanto me ponho em lágrimas mas, abruptamente eu paro e engulo o choro. Por algum motivo eu senti como se um uma lâmpada acendesse dentro de minha cabeça.
—Olha não era bem essa reação que eu estava esperando mas, isso prova minha teoria. Bem vamos parar de enrolação e vamos aos negócios.
Ele se vira e direciona atenção para Victor e Tallon e então se aproxima deles.
—Para quem vocês trabalham?
—...
—...
—Respondam!
—Para ninguém, somos só dois Zé ruelas fazendo a coisa certa.- Responde Tallon.
E então prontamente ele dá um soco com toda a sua força na cara de Tallon.
—Mente pra mim de novo pra vermos o que acontece. Agora me responde, para quem vocês trabalham!?
—Não sei, pro circo de Soleil?
Imediatamente ele toma mais um soco.
—E dos palhaços tú deve ser o Bozo?
Tallon inclina a cabeça para baixo e fica assim por uns três segundos e depois cospe no chão.
—Há você bate igual uma mulherzinha. Na verdade eu tive uma namorada que batia mais forte do que você.
O sargento parecia estar sem paciência. O que não era surpresa já que as palavras de Tallon eram uma afronta a “auto” autoridade dele.
E então ele saca o revólver dele e o aponta para a cabeça de Tallon.
—Ultima chance. Você vai fala exatamente o que eu quero ouvir.
Tallon então pensa por alguns segundos olhando para o cano da arma e então ele suavemente se estica e força sua cabeça contra o revólver.
—Vamos puxa o gatilho. Não estou nenhum pouco disposto a negociar vidas.
O sargento engatilha a arma.
Eu fecho meus olhos e viro a cabeça para o outro lado esperando pelo fim.
—Vamos logo! Puxa o gatilho!
E tudo que eu escuto depois foi um apenas um (teck).
Eu lentamente abro meus olhos e vejo que ainda tá todo mundo vivo. Em algum momento o aquele sargento tirou uma bala do revólver e usou o susto para tentar arrancar alguma informação dele. Mas ainda sim o Tallon teve a frieza de aceitar a morte ao invés de entregar o que eles queriam. Isso é algo que eu invejaria já que acho que não sou capaz disso.
—Mas que saco ein. Como eu odeio esse papo de lealdade cega!- Reclama o sargento enquanto recarrega o tambor de sua arma.
—Nada do que você fazer vai adiantar estamos dispostos a morrer para proteger a nossa casa de vocês.- Diz Tallon olhando nos olhos do sargento. E então imediatamente ele dirige a sua atenção para Victor.
—E você? O cara das pedras?
—A mesma coisa que meu amigo estamos juntos nessa.
Ao ouvir isso ele fica um pouco pensativo o que é uma surpresa já que eu esperava que ele começasse mais um showzinho.
—Então você estão dispostos a sacrificar SUAS vidas? Diz ele enquanto caminha na minha direção. Imediatamente meu sangue gela.
Ele sem aviso prévio me agarra pelo pulso esquerdo e me levanta a força. E quando meu braço está para o alto ele força a sua arma contra minha mão e então ele puxa o gatilho.
Eu imediatamente grito o mais alto que eu já gritei na vida. O que eu sinto é uma dor imensurável uma mistura de vários tipos de dores diferentes. A bala arrancou meu dedo mindinho e eu senti a dor de quebrar um osso ao mesmo tempo de ter a carne dilacerada e ainda sentia como se toda a minha mão queimasse em brasas. Eu me debatia em gritos enquanto ele apertava ainda mais.
—Para com isso!- Grita Tallon e Victor ao mesmo tempo.
—Eu paro mais isso é uma decisão de vocês dois. Mas se duvidam saiba que eu estou disposto a fazer essa aposta.
—É bem simples minha arma tem seis disparos, um pra cada dedo e o último para a cabeça. Cada vez que eu ouvi um não de vocês eu puxo o gatilho. Agora me digam onde fica o Porto seguro de vocês?
Ambos ficam em silêncio pesando sobre se diriam ou não. E nesse momento eu olho para eles e vejo no rosto deles a resposta antes que eles digam qualquer coisa.
É óbvio que a minha vida vale menos que essa informação. Vendo na pele como a união é eu sei o que vai acontecer se eles contarem. Eu não sei quantas pessoas tem na ilha que eles me contaram mas se tiver no mínimo algumas dezenas de pessoas isso já é suficiente para eles escolherem a vidas deles ao invés da minha.
“No final de tudo eu só posso depender de mim mesma”
Eu engulo meu choro e começo a olhar em volta procurando alguma forma de escapar.
—N-n-nos...- Tallon inicia falando. Sua voz está fraca e ele parece gaguejar um pouco.
Olhando para cima eu vejo no topo da fábrica uma caixa d’água.
—Diremos...
Eu então estico meu braço em direção a ela e o sargento apenas levanta ainda mais a minha mão. Ele provavelmente pensou que eu iria tentar segurar a arma dele para impedir o disparo. Mas daí eu começo a tentar replicar o que eu fazia com os copos de água em casa.
E os três me olham com um certo ânimo. Tanto Victor Tallon e a garota da espada.
—Apenas mais uma vez...
E então eu sinto. Sinto como se minha mão estivesse envolta em faixas da mais pura seda. Eu sinto que a energia do meu corpo foi direcionada a água de forma física, eu sinto que estou tocando a água.
—Nos! Não! Negociarmos vidas! Seu filha da puta!- gritam os dois ao mesmo tempo.
No mesmo instante eu agarro essas faixas e as puxo com toda a minha força . E a caixa d’água despenca do edifício. Todos olham para cima com o barulho de metal rangendo e então eu ouço um grito muito alto vindo do Victor.
—Earthquake!!
E então a terra começa a tremer fazendo todo mundo perder o equilíbrio até que a caixa cai no chão bem ao nosso lado arrebentando e inundando o lugar onde nós estávamos. A água atinge o dispositivo de P.E.M que entra em curto e para de funcionar permitindo que Tallon conseguisse novamente usar seus poderes. Por conta do intenso terremoto o prédio que estávamos começa a rachar e desabar.
Logo em seguida tudo que eu vejo são blocos de concreto e chapas de metal voando por aí. Enquanto Victor combatia os soldados Tallon os imobilizavam.
Porém ainda tinha alguns soldados próximo a garota de fogo que desesperadamente lançava bolas de fogo mas com a mobilidade reduzida por conta das algemas.
E próximo a mim está a espada dela caída no chão. E eu sem pensar muito a chuto em direção a ela . A mesma a vê e imediatamente a pega do chão empunhando-a. Ao segura-la a espada volta a pegar fogo e então ela avança contra os soldados os fatiando e contando as suas cabeças de uma forma muito sanguinolenta.
“Talvez eu tenha tomado a decisão errada “
E o que mais me assusta e que em seu rosto eu vejo a mais pura expressão de prazer.
Logo após terminar o serviço ele se vira para mim e entra em estância de estocada.
“com certeza eu tomei a decisão errada”
E então como um vulto rápido ela avança em minha direção mas, passa direto por mim acertando um soldado que se escondia atrás da caixa d’água que eu derrubei.
No final de tudo cerca de vinte homens caíram antes de se quer terem a oportunidade de sacar suas armas. E por mais que eu estivesse um pouco mais segura agora e feliz por estar viva um sentimento estranho vinha a minha garganta. Talvez por quê ver Isso me relembra o do porque os humanos temem tanto assim os elementais.
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