Water Flames

2 Primeira Impressão


– Bem... Tem certo charme. — Disse Ayume colocando suas malas no chão.
– Você está sendo gentil. — Ele respondeu. Ele sentia-se inseguro sobre o que deveria fazer em seguida. Talvez ela estivesse esperando que ele segurasse suas malas e as guardasse em algum lugar.
Ou ainda, em situações como aquela, não seria esperado que ele a segurasse em seus braços?
– Não, não. É verdade. Sua casa tem personalidade.
Ele assentiu simplesmente, pois ele já havia esquecido do que eles estavam falando.
– Hã... Primeiro as damas.
Ayume sorriu timidamente de um jeito encantado e então entrou no apartamento. Ela não estava sendo meramente gentil antes, ela realmente achava que o ambiente tinha muito da personalidade dele. A pequena sala abarrotada de livros de conteúdo adulto — e todos de um único autor; a cozinha com uma quantidade limitada de produtos — comprados para durarem, no máximo, uma semana; o quarto muito arrumado — que fez com que Ayume se sentisse um pouco deslocada... Tudo isso refletia que ele era um homem organizado, mas não muito, simples, reservado e com boa capacidade de planejamento.
Enfim, todo o apartamento devia ter, aproximadamente, a área do banheiro de seu quarto na casa de seu pai. Talvez fosse um pouco menor.
Ainda assim, mesmo tendo olhado para o ambiente apenas uma vez, Ayume já sentia mais confortável ali do que jamais se sentira na casa dos Mikuno durante toda a sua vida.
– Eu gosto. — Declarou definitivamente, ainda sorrindo. Ele talvez tenha retribuído, mas Ayume não foi capaz de dizer.
Ela apertou as mãos, desconfortável com a próxima pergunta.
– Onde eu... hum... posso colocar as minha coisas? — Não era bem isso que ela queria perguntar, porque, afinal a cama dele era de solteiro...
– Ali no quarto. — Ele respondeu. — Eu vou...
Ayume o interrompeu estendendo a ele um envelope vermelho. Ela pode ver a confusão estampar seu rosto.
– Isso é... — Ele falou apanhando o envelope.
– É a lista das minha recomendações médicas. Eu achei que você devia ter uma dessas também, já que agora...
– Vou estar sempre com você. — Ele completou com tanta intensidade que Ayume até perdeu o fôlego.
– Eu... — Ela começou, mas o barulho de alguém entrando no apartamento a interrompeu.
– Kakashi-senpai! Tsunade-sama pediu que eu...
Uma jovem de cabelos escuros e curtos entrou num rompante. Ela parou sua frase no meio ao ver Ayume.
– Ah, Shizune! Eu já esperava que você fosse aparecer!
Shizune se sentiu terrivelmente deslocada. Tsunade havia pedido para que ela se certificasse que Kakashi cumprisse os prazos de sua missão, o que era relativamente compreensível, levando-se em conta o histórico de Kakashi, mas a Quinta Hokage esquecera de avisar que ele estaria acompanhado. E bem acompanhado, Shizune viu-se obrigada a acrescentar.
A linda jovem de cabelos longos e negros sorriu para Shizune de um jeito que fez com que seu rosto se iluminasse. Ela estendeu uma de suas mãos pálidas para a outra moça.
– Olá, eu sou Mikuno Ayum..., quero dizer, Hatake Ayume.
Shizune apertou a mão de Ayume, chocada. Bem, ela não era nem um pouco parecida com Kakashi, então eles não deviam ser parentes. Dessa forma, a única explicação para terem o mesmo sobrenome era se eles fossem...
– Ah, sim. Shizune, quero que você conheça minha esposa, Ayume. — Disse Kakashi solenemente.
Shizune assentiu, surpresa.
– Muito prazer.
– E diga Godaime que eu entendi o recado da primeira vez, e que, sim, darei toda a atenção possível para as implicações de minha última missão. — Contiunou ele.
– Sim. — Respondeu Shizune sem saber mais o que responder. Então, com um sorriso tímido, ela se afastoua passos rápidos.
Quando já estava na rua, ela suspirou, aliviada. "Bem, isso foi inesperado" pensou. "Kakashi-senpai... está casado! Eu não esperava que ele fosse o tipo de ninja que se casa..."
– Shizune-san! Olá! — Saudou Iruka do outro lado da rua.
Shizune acordou de seus devaneios.
– Ah, oi, Iruka-san...
O outro ninja se aproximou rapidamente da colega com um leve sorriso em seus lábios.
– Voltando para o prédio da Hokage-sama?
– Sim.
– Se importa se eu acompanhá-la? Eu tenho que entregar um relatório de uma missão...
– Claro. Fique a vontade.
Eles continuaram sua caminhada lenta e silenciosa. Shizune parecia muito distraída e distante, e isso fez com que Iruka se preocupasse.
– Você parece muito pensativa. — Comentou ele tentando parecer casual.
– Estou... surpresa. — Shizune declarou. — Iruka-san, você sabia que Kakashi-senpai se casou?
– Kakashi? — Iruka arregalou os olhos. — Hatake Kakashi? O ninja copiador, que tem centenas de volumes das coleções de livros eróticos de Jiraya-sama? Esse Kakashi se casou?
Shizune assentiu simplesmente.
De repente, Iruka entendeu o espanto da moça. De todos os nijas de Konoha, Kakashi era o último que Iruka esperava que se casasse. Principalmente de maneira tão repentina.
– Isso é... inesperado. — Iruka declarou lentamente.
– Eu sei. Acabei de conhecer a esposa dele. Foi assim que descobri.
– E como ela é? — Perguntou Iruka. Na sua imaginação, ela devia ser alguma outra ninja de Konoha, muito bonita e forte.
– Ela é... encantadora. — Respondeu Shizune. — Não me pareceu uma ninja... e ela é provavelmente de outra vila, pois eu nunca a tinha visto antes. Seu sobrenome de solteira é Mikuno, temos algum clã Mikuno em Konoha?
– Não. Não temos. — Respondeu Iruka. Ele estava completamente errado antes, que estranho. Talvez ele realmente não soubesse nada sobre Kakashi...
Shizune finalmente sorriu.
– Bem, é inesperado, mas... boa sorte ao novo casal, não é mesmo?
Iruka deu uma risada leve.
– É, boa sorte.


O jovem rapaz balaçou a cabeça. Não, esse plano também não daria certo.
Ele suspirou fundo, tentando manter a calma. Seu plano teria que ser perfeito se ele a quisesse de volta.
– Céus, um casamento... — Ele sussurrou.
Isso era mais do que ele esperava, até mesmo vindo do velho Hisaishi. Agora, seu principal obstáculo não era Mikuno Hisaishi, ou as pessoas da Vila das Lágrimas, e sim um ninja mais mais poderoso do que ele — Hatake Kakashi.