Watck - We Are The Cool Kids
9 NIALL E KAT
Notas iniciais
Eu não ia escrever nada sobre o Niall e a Kat, mas de repente, eles tomaram conta do capítulo. É legal ver um pouco mais sobre a relação deles, que é sempre tão escondida.
Que acham?
(Trilha sonora — Abertura ♪ Fun ft Janelle Monáe — We Are Young)
Uma semana depois...
–Ei, olhem quem finalmente voltou! –Niall sorriu assim que viu Liam atravessando o gramado do colégio. Every vinha ao seu lado, usando seus óculos escuros redondos e gigantes de sempre.
Ana e Zayn viraram o rosto e sorriram ao ver os dois amigos se aproximando.
Todos se levantaram ao mesmo tempo, e os garotos foram os primeiros a ir pra cima de Liam, o enchendo de soquinhos e abraços.
–Ah, você tá bem melhor do que eu pensava –Niall sorriu, pegando Liam e esfregando o punho na cabeça dele, de um jeito carinhosamente masculino.
–Tá um gato! –Zayn lhe deu o maior dos abraços –Estamos aqui cara. Vamos estar sempre –Ele disse, aproveitando que eles estavam ainda abraçados e que ninguém mais podia ouvir.
Liam não pode deixar de dar um pequeno sorriso.
Ana foi a próxima a se aproximar, mais delicadamente que os garotos, claro. Ela o abraçou forte.
–Guardei toda sua lição, e vou te ajudar nos trabalhos pra você recuperar a semana de aula –Ana lhe entregou uma pequena pasta. Aquele era o jeito de Ana dizer que estava ali e queria o melhor pra Liam.
–Obrigado –Ele sorriu, pegando a pasta e guardando na mochila, ao mesmo tempo que escutou um berro escandaloso ao seu lado e viu Louis e Harry aparecerem na sua frente. Os dois largaram as mochilas e pularam em direção a Liam, com o mesmo jeito escandaloso que Niall e Zayn tinham agido minutos atrás. Os dois ficaram pulando em cima dele e dizendo coisas do tipo “Olha só, você tá bem!” e “Estávamos com saudade!”.
Every sorriu ao ver Liam dar seus primeiros sorrisos em dias. Deixou os meninos rodeando Liam e foi perto de Ana.
–E as coisas por aqui, como estão?
–Indo... –Ela respondeu, um pouco pensativa. –Pedi pro Zayn guardar sua lição também. Provavelmente ele deve ter perdido alguns pedaços, mas fiquei no pé dele pra ele pegar o máximo que podia.
Ana entregou uma pilha de papéis pra Every, que guardou sem muito interesse.
–Seu aniversário em Paris ainda está de pé? –Zayn perguntou, se aproximando de Ana e Every.
Todos os anos, desde que Every fez 15 anos, todos eles iam para Paris no aniversário de Every. Ela reservava alguns quartos em um hotel chique perto do Arco do Triunfo chamado Plaza Athénée, e todos eles aproveitavam um final de semana inteiro por lá, de graça. Para Every, seus amigos eram a coisa mais importante que ela tinha e sem eles seu aniversário não teria graça nenhuma.
Agora seu aniversário estava próximo, mas tinha acontecido todas aquelas coisas com Liam e ninguém sabia ainda o que Every ia fazer.
–Eu conversei com o Liam, e ele disse que tudo bem. Acho que vai fazer bem pra todo mundo sair de Bristol um pouco.
Ana abraçou Every, por que sabia que ela estava se referindo a ela mesma também e toda história com Ed. Every estava triste, mas estava tão ocupada com Liam que mal teve tempo de ficar pensando naquilo.
Every tinha ligado pra Ana de Londres, avisando sobre Liam, e elas ficaram por tipo quatro horas no telefone, com Every contando tudo que tinha acontecido entre ela e Ed.
Ana ficou tão furiosa que ligou para o número que Frank tinha deixado com ela e disse um monte. Frank tentou se defender dizendo que ele não queria interferir nas coisas do irmão, que ele já era adulto e sabia o que fazia, e que não sabia que Every e Ana eram garotas tão legais, e que depois que conheceu elas melhor, tentou várias vezes fazer com que Ed parasse com aquilo mas não conseguiu.
Ana não quis saber. Desligou o telefone e deletou o número de Frank. Quando ele insistiu em ligar pra ela, ela ligou para a companhia telefônica e mandou bloquear todas chamadas de NY.
–Todos nós precisamos de um tempo na verdade. –Every suspirou. Olhou pra Harry, que lançava um olhar distante pra Ana, tentando parecer indiferente a ela.
Every olhou pra Zayn, ainda ali perto. Não queria tocar no assunto Harry perto de Zayn.
Ana tinha dito no telefone que ela e Harry estavam no momento mais estranho que já tinham tido. Eles não se falavam, ele estava evitando ela de propósito e fazendo de conta que ela não existia. Ele e Louis tinham se afastado de todos e agora ficavam pelo gramado, conversando e flertando com as garotas da escola francesa. Não era raro, Vitoria estava com eles, pendurada no pescoço de Harry bancando a namorada da vez.
Niall ficava um pouco perdido e ás vezes aparecia para comer no refeitório, ás vezes ficava com Harry e Louis paquerando as garotas. Zayn ficava sempre com Ana, os dois sozinhos no refeitório, já que Ana preferia carregar um sapo na bolsa o dia inteiro do que ficar no gramado vendo Harry e Louis bancarem os conquistadores da França.
–Vamos Every?
Ana e Zayn cortaram seu pensamento e ela viu que todos já estavam indo em direção ao prédio. Harry e Louis mais a frente, abraçando Liam no meio deles, Niall atrás, e Ana e Zayn logo em seguida. Every então correu pros amigos, olhando pro prédio e pensando que ela estava de volta, e que achou que quando estivesse ali, de volta a Bristol, de volta a sua rotina, ao colégio, ao gramado, ela se sentiria melhor.
Mas não se sentia.
Ana escutou o sinal tocar. Harry e Louis se sentavam á algumas cadeiras a sua frente, e Liam sentava na primeira fileira. Ela viu os dois irem até ele depressa enquanto os outros alunos começavam a sair da sala para ir pro refeitório.
Ana guardou as coisas devagar por que sabia que eles estavam chamando Liam para ir com eles pro gramado. Ia esperar pra ver se Liam ia querer, se não, ela ia convidá-lo pra ir com ela pro refeitório.
A sala estava quase vazia, e os três ainda conversavam quando ela viu Zayn aparecer na porta da sala. Ele fez um sinal chamando ela, e ela pediu pra ele esperar. Ela viu Every aparecer atrás dele e olhar pra ela com uma cara de quem pergunta “E ai, vamos logo!”. Ela olhou pra Louis e Harry em cima de Liam, e Liam que parecia um pouco incomodado, como se aquela fosse a resposta.
–Ah, qual é! –Ela resmungou, entrando na sala e indo em direção aos três –Ei vocês, que tá rolando?
–Every, respeitamos muito sua ajuda, mas agora é um papo de homem –Louis disse, em sua voz falsamente séria.
–Que papo de homem o que –Ela se irritou. –Liam, vem, vamos comer alguma coisa.
Liam se levantou e olhou pros meninos.
–Desculpa gente, mas hoje não vai rolar...
–Se você mudar de ideia, estamos no gramado!
Every olhou pelo ombro pra Louis com uma cara brava, e se afastou, com Liam a seguindo. Só mesmo Louis para ser insensível e convidar Liam para ficar paquerando as putas de uniforme logo depois de ter sido traído pela namorada. Isso era algo que Harry e Louis fariam, não Liam.
Ana veio atrás. Olhou pra Louis e Harry, ainda ali. Louis fez uma careta cínica pra ela como quem diz “Que foi, nunca viu?” e Harry apenas ficou sério de repente, parecendo engolir a seco, mas depois virou a cara, olhando pra Louis.
–Anda, a Vitoria deve estar esperando. –Harry resmungou e passou por Ana sem nem olhar ela.
Ana só suspirou, desanimada. Quando chegou na porta, Zayn também estava vendo os dois se distanciarem.
–Não sei o que tá rolando com esses dois. –Ele disse confuso.
–Deixa pra lá. Vamos logo comer...
(Trilha sonora — Liam pensando ♪ Gorillaz — Tomorrow Comes Today)
–Liam, você está animado pra ir pra Paris? –Zayn perguntou, enquanto eles almoçavam.
–Sim, acho que vai ser bom –Ele respondeu, colocando uma garfada na boca, como se já tivesse pensado sobre aquilo. Zayn sorriu e olhou pra Ana e Niall, sentados ao seu lado.
–Nós vamos fazer ser a melhor viagem amico! –Niall completou com seu sotaque adorável e a boca cheia de comida.
Liam sorriu de leve, e olhou pra Every, sentada ao seu lado no banco, comendo. Ela também olhou pra ele e sorriu, fazendo um carinho em sua perna como quem diz que tudo vai ficar bem.
Por um segundo, Liam se sentiu leve.
Se sentiu ainda melhor quando Niall e Zayn começaram a contar uma história para Liam, de algo que tinha acontecido quando ele não estava. Um grupo de alunos tinha conseguido inundar a sala dos professores. Ana também entrou na conversa e logo os três estavam falando animadamente daquilo. Every deu uma gargalhada com alguma coisa que eles falaram. Mas Liam não escutava mais nada. Ele só tentava mergulhar naquele sentimento confortável, de estar com as pessoas que amava ao seu lado, pessoas que realmente se importavam com ele, e com dias pela frente com coisas boas para acontecer.
E apesar daquilo ainda doer como uma ferida aberta, apesar de todo instante que ele ficava sozinho ele pensar em Dani, de toda hora a cena dela descendo a rua e beijando outro cara aparecer em sua cabeça como um filme com problema, onde a cena fica se repetindo sem parar, apesar disso, naquele momento ele se sentia quase normal.
Ele sabia que aquele era só o começo de uma longa recuperação. Tinha que repor todas as lições e testes que perdeu, tinha que ir nas consultas com um psicólogo duas vezes por semana, e apenas pra poder viajar com os amigos teve que se submeter a uma conversa com seus pais e com os médicos e discutir aquilo como se fosse uma operação de guerra, com todos detalhes planejados, e com todos se certificando que tudo daria certo.
Era só uma maldita viagem, e ele fazia aquilo todo ano.
Liam se incomodava, por que sabia que estava recebendo o tratamento de um suicida. Todas as pessoas cuidando dele e não deixando ele sozinho, como se ele fosse tentar se matar a qualquer possibilidade.
Ele tentava afastar aquela ideia, e seu psicólogo falava que ele ainda estava no estágio de negação, sem saber que o que tinha feito tinha sido uma espécie de tentativa de suicídio.
Mas naquele momento com seus amigos, estava sendo tratado normalmente depois de muitos dias, pela primeira vez. Nada de olhares de pena, nada de controlar as palavras, nada de vigiar cada passo que ele dava. Os amigos estavam apenas ali e era isso que importava para Liam. E era aquilo que ia o curar, mesmo que as poucos.
Louis viu Every, Liam, Zayn, Niall e Ana surgindo entre as pessoas na hora da saída. Ele e Harry estavam de pé na calçada, longe do gramado, comendo algo do trailer e esperando Vitoria sair do colégio com suas amigas francesas.
Eles pararam e conversaram um pouco numa rodinha, até que Ana, Zayn e Liam se distanciaram, andando juntos pelo gramado. Os três passaram por eles, mas não pareceram ver que eles estavam ali, só continuaram andando até o ponto de ônibus do outro lado da rua.
Louis olhou pra Harry, que olhava pros três com a testa um pouco franzida.
Quando voltou a olhar pro gramado, viu que Every agora vinha em sua direção e já estava perto demais pra Louis poder sair dali.
Ele suspirou, um pouco malcriado. Não queria ter que conversar com Every.
Com certeza ela ia passar um grande sermão sobre como Liam estava doente, como Louis era irresponsável ou qualquer coisa do tipo. Quem ela pensava que era? A mãe de alguém?
–Ei –Ela se aproximou.
–Oi Every –Harry respondeu, mordendo seu lanche. Louis só balançou a cabeça.
–Posso falar com vocês um minuto?
–Uhum –Harry respondeu, já pegando sua lata de refrigerante e se aproximando de Every, inocentemente.
–Olha Every, se você veio dar um sermão na gente, você está perdendo seu tempo. Sabemos que o Liam está doente, e ele é tão nosso amigo quanto seu. Também queremos o bem dele e...
–Shiii, Louis, não é nada disso. Anda, senta aqui.
Louis arrastou uma cadeirinha das mesas de alumínio com um pouco mais de barulho que precisava e se sentou.
–Vocês vão pra Paris com a gente na próxima semana?
–Claro! –Harry arregalou os olhos, mastigando seu lanche.
Mas Every olhou pra Louis, por que na verdade era Louis que a preocupava.
–Se o Harry vai, eu também vou.
Every virou os olhos, suspirando.
–Escuta, não sei o que está acontecendo aqui. Fiquei um tempo fora e sinceramente, não ligo pra o que quer que seja, por que eu estou é preocupada com o Liam, que como você mesmo disse Louis, é nosso amigo, e todos queremos o melhor pra ele.
Louis permaneceu em silêncio, avaliando onde aquela conversa ia levar.
Every olhou pra Harry.
–Espero que possamos ir pra Paris sem dramas. Somos todos amigos, então vamos agir como tal. –E então olhou pra Louis –E vocês sabem que o Liam está assim por que a Dani trocou ele por outro cara. Ele está em tratamento e está deprimido. Então por favor, tratem isso com um pouco mais de delicadeza. Nada de ficar tentando empurrar as garotas pra ele.
Bem nesse momento, como se fosse planejado, três garotas de uniforme da escola francesa se aproximaram. Uma era Vitoria, que sem a menor cerimonia se jogou no colo de Harry e tascou um beijo na sua boca.
–Ei lindo! Estava me esperando?
–Oi Louis! –As outras duas garotas falaram juntas, se sentando nas cadeiras perto de Louis. Every bufou bem alto, esperando que elas se tocassem, e pelo visto funcionou. Vitoria olhou pra ela como se não tivesse nem percebido que ela estava ali.
–Principalmente se forem essas vagabundas da escola francesa –Every completou, olhando diretamente pra Vitoria, pegando sua bolsa e saindo de lá.
–Meu Deus! Você vai deixar ela falar assim com a gente? –Vitoria olhou pra Harry de uma maneira assustada.
Harry não disse nada. Só ficou vendo Every se afastar pelo gramado, sozinha, em direção ao carro preto e ao seu motorista, que sempre estavam esperando.
–Essas suas amigas são muito grosseiras –Vitoria disse, fazendo um biquinho e aproximando seus lábios do rosto de Harry para o beijar.
–Além de serem feias e gordas –A outra garota falou, agora sentada perto de Louis.
–Elas não são feias nem gordas –Harry respondeu zangado.
Louis só levantou uma sobrancelha olhando pra ele. Por que Louis não ajudava?
–Esquece delas docinho. Estamos aqui com vocês –Louis sorriu, virando pra garota do seu lado, e colocando o cabelo dela atrás da orelha. Ela deu uma risadinha.
–Escutei ela falando de Paris –Vitoria começou. –Quem vai pra Paris?
–Todos nós –Harry respondeu, sempre com sua inocência habitual, dando o último gole na latinha de refrigerante e deixando ela de lado. –Vamos todos os anos comemorar o aniversário da Every.
Louis ficou apenas observando e pensando que Harry devia ter inventado uma mentira qualquer e não dito a verdade pra Every. Como Harry conseguia conquistar as garotas era um mistério, por que na maioria das vezes ele agia como se não tivesse a mínima ideia de como elas funcionavam. Esse tipo de coisa nunca se conta para a garota que você está, ao menos que queira que ela vá junto. E claro, Vitoria entendeu que podia ir junto.
–Eu amo Paris! –Vitoria disse empolgada –Vai ser ótimo estar lá com você.
Louis virou os olhos. Harry olhou pra ele meio sem saber o que fazer. Louis estava cansando de ter que salvar Harry.
–Ei Vitoria, não é por nada, mas é aniversário da Every, e ela só leva a gente. E vocês não gostam dela de qualquer maneira. –Louis respondeu, um pouco sem paciência.
–Eu não vou deixar você sozinho com aquelas garotas –Vitoria disse olhando pra Harry, numa vozinha de bebê, enterrando o rosto no pescoço dele. Aquilo fez ele ficar irritado e se levantar. Vitoria fez uma careta não muito boa e ia começar a dizer algo quando Louis interviu.
–Podemos ir pra Paris com vocês outro dia.
Vitoria continuou emburrada, então Louis continuou.
–Não é Harry? Vocês não vão querer ir dessa vez, acredite em mim.
Harry também estava meio emburrado, e não respondeu nada, só balançou os ombros como se não ligasse pra aquilo.
–Não vai nem ser legal, sempre tem esse jantar chato com todos nossos amigos, e nós ficamos no hotel sem fazer nada e depois vamos todos os anos pra mesma balada, como é mesmo o nome Harry? –Louis continuou se esforçando pra convencer as garotas.
–Olímpia. –Harry respondeu. Não entendia por que Louis estava se esforçando tanto pra explicar algo pra aquelas garotas –Enfim. Vou pra casa, tenho tarefa pra fazer –Ele pegou a mochila e jogou no ombro. Vitoria ainda estava com bico. Ele se questionou se devia a beijar e pedir para ela esquecer daquilo, mas não valia a pena. Ele nem gostava tanto dela.
Então só deu as costas e seguiu pra casa.
Niall ficou observando Every enquanto ela andava em direção a Louis e Harry, esperando que ela pegasse leve com eles. Não entendia muito bem qual o problema de tentar animar Liam convidando ele pra paquerar algumas garotas no gramado, mas não se atreveu a falar nada. Every parecia não gostar muito daquela ideia e pra Niall tanto fazia, ele só queria que Liam ficasse bem. Se ele quisesse sair pra paquerar umas garotas, Niall iria com ele, e se ele quisesse ficar curtindo uma fossa no refeitório, Niall também estaria ali, afinal, pra isso que serviam os amigos.
Ele enfiou as mãos no bolso, pronto pra cruzar a avenida e a ponte do outro lado do colégio e andar até em casa. De novo, Greg tinha pego todo o dinheiro que o pai tinha deixado na vasilha de “emergência”, e quando Niall foi pedir mais pro pai, Greg disse que Niall já tinha pego e gasto tudo. Não sabia por que Greg tinha cismado em pegar no pé dele nas últimas semanas, mas tinha que se fazer de durão e pensar em alguma revanche, e não ficar choramingando pelos cantos.
Era assim que os homens da família Horan faziam, eles resolviam seus próprios problemas e davam o troco.
As garotas do time de vôlei cruzaram o caminho de Niall, e ele olhou pra elas, todas com uniformes e shorts curtinhos. Elas eram umas gracinhas. Bem que alguma delas podia dar bola pra ele, ele adoraria sair com uma delas. Qualquer uma.
Viu uma que Harry tinha ficado no primeiro ano, e outra que ela tinha tentando apresentar pra Niall sem muito sucesso. Aquelas garotas eram exigentes.
Niall então sentiu o celular tremer no bolso da sua calça.
Parou, e tirou ele, vendo uma mensagem na tela.
“Faz tempo que a gente não se vê. Se quiser, pode passar em casa hoje, depois das 4 minha mãe tem aula de piano. Vou ficar sozinha.” A mensagem vinha de “PIZZA”.
Era assim que Niall tinha salvado o número de Kat na agenda do seu celular, pra ninguém descobrir que ele tinha o celular dela gravado.
Fazia mesmo um tempo que Niall não marcava nenhum encontro com Kat. A última vez talvez tinha sido na festa no começo do semestre e talvez um ou dois amassos no banheiro da quadra de esportes durante o intervalo.
Ele suspirou, vendo as garotas do time de vôlei se afastando.
Bom... não seria nada mal ficar com Kat.
“Ok” ele respondeu, e apagou todas mensagens em seguida, como sempre fazia. Every e Louis sempre pegavam o celular dos outros e ficavam fuçando. Every por que ela achava que podia, e Louis por que gostava de mandar mensagens de pegadinha para as pessoas do celular dos outros.
Já basta quando ele quase teve um enfarte, naquela vez que Louis pegou o celular dele e disse em voz alta “O Niall é tão comilão que tem o telefone da pizzaria gravado no celular!”.
Niall pensou no por que ele tinha escolhido o nome “Pizza” pro celular de Kat. Era um motivo tão cruel que até ele ficava se sentindo mal em lembrar.
Pensou que devia ser um pouco mais carinhoso com ela de vez em quando. Ele realmente pegava pesado com a garota na maioria das vezes. Nem sabia como ela ainda ia atrás dele, mesmo ele tratando ela tão mal.
E poxa, ela nunca tratou ele mal. Pelo contrário. Ela sempre sorria quando via ele, como se estivesse esperando por aquilo por semanas.
Talvez Niall devesse parar de ver ela.
Uma última vez. Ele ia tratar ela bem e depois tentar com carinho acabar com aquilo.
–OHMEUDEUS! ELE DISSE QUE SIM!
Hanima começou a dar gritinhos junto com Kat, as duas paradas no meio do quarto pequeno e rosado de Kat. Ela ainda tinha o mesmo papel de parede de quando tinha oito anos: pequenas bailarinas, um fundo rosado, metade com bolinhas claras.
O resto tinha decorado como dava: a cama, pequena demais, com algumas lampadinhas brancas em volta da cabeceira, a estante de livros com alguns bichinhos e fotos dela e de Hanima, sua melhor amiga desde sempre, seu computador e o armário.
–Eu disse pra você mandar a mensagem! –Hanima disse orgulhosa, se sentando na cama e quicando.
–Eu quase não mandei! –Kat sentou do lado dela, sentindo as mãos tremerem, ainda segurando o telefone –Ele nunca responde quando eu mando mensagem...
–Mas hoje ele respondeu e vem pra cá –Hanima espantou a insegurança da amiga. –Eu queria ter essa sorte.
Kat nem ia discutir dessa vez, por que sentia seu corpo inteiro soltando fogos de artifício. Geralmente respondia pra Hanima o velho discurso que, de nada adiantava beijar Niall de vez em quando se tudo era sempre escondida, desde a primeira vez que eles ficaram, numa festa de um garoto do colégio no ano passado, escondidos na dispensa da casa, até a última vez que tinham ficado, no banheiro da quadra desativada do colégio, por trinta minutos durante o almoço.
–Meu Deus, o que eu vou vestir? –Kat de repente deu um pulo, e Hanima também pulou da cama, indo direto pro armário de Kat.
–Acho que você devia vestir aquele vestido azul que ficou lindo em você. Aquele com bolinhas brancas.
Hanima fuçou no armário e achou o vestido, coberto por um plástico. Kat só tinha usado ele uma vez, no seu aniversário, quando ela e Hanima foram numa lanchonete legal no centro da cidade jantar e comemorar. E Kat lembrava de ter passado o jantar inteiro imaginando como seria se Niall a ligasse e quisesse a encontrar, ou se ele aparecesse lá.
Ela estava sempre pensando nele, de alguma maneira.
Niall parou na casa da rua Reed Hall um pouco inseguro. Olhou pros lados, como se não quisesse que ninguém o visse, mas depois pensou que era bobagem. Aquele bairro era afastado do centro e nenhum de seus amigos costumavam frequentar aquele lado da cidade. Ficava perto do parque, cercado de arvores, com casas muito maiores e mais afastadas uma das outras.
A casa de Kat era grande, bonita e bem cuidada. Havia um jardim bem florido, com uma pequena horta e um pequeno balanço branco de dois lugares.
Niall tinha que confessar que estava meio sem jeito. Afinal, ele estava ali, na casa de Kat e por isso perdia um pouco do controle que sempre tinha. Ali era o espaço dela. Uma coisa era ficar com ela em festas e lugares afastados, outra coisa era entrar na casa dela para isso. Andou vacilante até a porta, e procurou algo que parecesse uma campainha.
Ele não teve que esperar muito, e logo escutou uma movimentação do outro lado e a porta se abriu.
Kat apareceu ali, atrás da porta de tela. Ela parecia usar um vestido bonito e tinha prendido o cabelo de um jeito bem legal. Usava pouca maquiagem, do jeito que Niall preferia, apesar dele nunca ter dito nada pra ela sobre aquilo.
–Oi... –Ela sorriu, exatamente do jeito que ela fazia sempre. Niall também sorriu, meio sem jeito.
–Ahn, oi.
Ele se distanciou e ela abriu a porta de tela.
–Entra.
Niall entrou em silêncio e ficou ali parado na entrada. Era uma casa bem arejada e iluminada, toda de madeira, o piso, as paredes. Havia retratos, livros, mesinhas com enfeites. Era exatamente do jeito que ele imaginava uma casa de uma família certinha.
Nenhum de seus amigos tinha uma casa certinha.
Louis cuidava basicamente sozinho de sua casa e tudo era sempre muito escuro e empoeirado. A casa de Zayn sempre era cheia de barulho, com as irmãs e a mãe dele passando de um lado pro outro falando no telefone e tudo mais. A casa de Harry era muito moderna, e não tinha aquele ar de que você não podia se mover muito sem derrubar algo. A casa de Every era sempre enorme e assustadoramente vazia, com todas aquelas obras de arte e tudo branco e caro.
–Quer beber alguma coisa? Ou comer? –Kat fez ele parar de pensar sobre aquilo.
–Hum, eu aceito sim. –Niall nunca negava comida.
–Legal –Ela sorriu e Niall podia perceber que ela parecia meio nervosa, quase mais incomodada que ele –Quer suco, coca cola?
–Na verdade, eu estava pensando em algo mais forte... –Niall seguiu ela pra cozinha, e ficou olhando em volta. Era uma cozinha bem espaçosa, cheia de detalhes.
Kat ficou olhando pra ele um pouco sem saber o que fazer. O que ele queria dizer com “mais forte”?
–Você não tem vodca? –Ele perguntou, sem notar que ela estava confusa. Kat olhou pro relógio na parede, que marcava quatro e quinze. Parecia um pouco cedo pra vodca.
–Ahn...acho que meu pai tem uma garrafa de vinho em algum lugar. Nós não bebemos muito... –Ela fez uma careta como se se desculpasse.
–Tudo bem – Ele se apoiou no balcão. –Vou beber uma Coca.
Ela sorriu, e depressa abriu a geladeira. Encheu um copo e passou pra Niall, e ele bebeu um gole olhando pra ela. Ela podia sentir suas bochechas arderem, por isso desviou um pouco o olhar.
Niall pensou que ela era uma garota legal, afinal de contas. Parecia ter uma família legal (tinha visto um monte de fotos na mesinha da entrada da casa), morava num bairro legal. Ele definitivamente não entendia bem por que ela ainda ficava com ele.
Olhou pra ela. Ela estava encostada na pia, bebendo seu copo de refrigerante sem olhar pra ele, olhando pro chão. Ele desceu os olhos pelo corpo gordinho dela.
O decote do vestido, o jeito que as dobrinhas da barriga marcavam o tecido, como era bonitinho o vestido rodado e as sapatilhas brancas que ela usava. De repente, ele sentiu vontade de sentir o perfume dela. Será que ela estava usando algum?
Niall gostava de meninas com perfume doce.
Ele então se aproximou dela. Foi algo meio instintivo, ele nem pensou muito, só fez o que tinha vontade. Era sempre assim com Kat.
Ela se assustou, sem esperar por aquilo (já que estava olhando pro chão), mas ele já estava ali do lado dela. Deixou seu copo sobre a pia e delicadamente, encostou seu nariz no pescoço dela, os lábios roçando na sua pele de leve.
Ela tinha exatamente o cheiro que ele pensou que teria, e aquilo fez ele sorrir.
Kat fechou os olhos, sentindo seu corpo inteiro eletrificar. Ele estava tão perto, ele estava tão perto. E dessa vez, estava sendo diferente. Ele estava... sem pressa.
A mão dele deslizou pela barriga dela, quase na dobra de seu peito, e ela quase gemeu com aquele carinho. Niall só queria sentir a pele dela, as dobrinhas... o perfume dela ficava cada vez melhor.
E ele sentiu vontade de beijá-la, por isso a beijou.
Tirou a mão da barriga dela e envolveu seu rosto com as duas mãos, encostando seus lábios nos dela. Gostava do jeito que ela beijava. O beijo dela sempre se adaptava com o dele, apesar de geralmente ela demorar um pouco para pegar o ritmo.
E agora que ela tinha entrado no ritmo, ele queria aproveitar.
Quanto tempo ele ficou beijando ela? Minutos, horas, dias, anos? Kat sentia seu coração batendo em cada pedaço do seu corpo.
Foi então que ele afastou os lábios do dela.
Ela olhou pra ele, um pouco ansiosa, um pouco assustada. Ele não podia ir embora...não agora. Ela queria ele pra sempre. E ela conseguia ver os enormes olhos azuis dele, a pele branquinha, o cabelo loiro. Ela queria afundar a mão nos cabelos dele. “Por favor, não vai embora” ela pensava.
–Me mostra seu quarto? –Ele disse baixinho, o rosto tão perto, a boca quase encostando na dela de novo.
Kat sentiu as pernas amolecerem.
E ficou um pouco sem resposta.
(Trilha sonora — Kat e Niall ♪ Lana Del Rey — Video Games)
Enquanto ela via o corpo de Niall, subindo as escadas na frente dela como se soubesse exatamente o caminho, ela sentia seu coração batendo em todas as paredes. A casa estava silenciosa, e isso deixava ela ainda mais envergonhada. Parecia que todos podiam escutar o coração dela batendo depressa. Niall, seus vizinhos, a rua, o bairro.
Como ele não podia sentir o calor? Ela estava fervendo. Seu corpo todo estava em ebulição, e dentro dela tudo era uma confusão. Havia uma centena de vozes falando ao mesmo tempo. “Você não pode transar com ele! Não pode!” e “Aiii, vou fazer isso! E com o NIALL!!!” e “Você é virgem, devia avisar ele” e “Fica quieta. Se você falar algo ele vai embora” e “Droga, eu não sei fazer isso” e... droga. Suas mãos tremiam.
Ele olhou pra trás, como se checasse que ela ainda estava o seguindo, assim que chegou no andar de cima. Ela tentou dar um sorriso, e um barulho saiu junto, como um gemidinho assustado.
“Ah, ótimo” ela pensou “Agora ele vai achar que eu sou uma idiota”.
Niall parecia muito a vontade. Ele apenas olhou em volta, para as portas do andar.
_E então, qual é seu quarto?
Ela tentou falar, mas percebeu que sua boca estava completamente seca. Sua língua grudou com o céu da boca, então ela só pode apontar pra frente, pra porta do seu quarto, a direita, encostada.
Niall foi em frente e abriu a porta, olhando pra dentro.
Aquilo não o assustava muito. O quarto era bem pequeno, e ainda tinha papel de parede infantil, como se ali fosse o quarto de uma garota de sete anos.
Niall olhou pra cama, ainda desarrumada, o edredom embolado, o travesseiro jogado num canto. O resto, era bem simples. Uma estante, com alguns livros de escola, umas caixas, fotografias, uma escrivaninha com um computador e um armário. Tinha uma janela pequena também.
Ele se aproximou dos porta retratos. Kat estava em quase todos eles, a maioria abraçada com aquela outra garota que sempre andava com ela. Niall mal sabia o nome da menina, mas achou legal como elas pareciam felizes em todas as fotos. Tinha foto delas menores, pequenas com vestidos de criança, até fotos que pareciam recentes.
Então ele se lembrou que a garota estudava na sala dele também.
Droga, ele era um imbecil por não saber o nome dela não?
_Como é o nome dessa sua amiga mesmo? _Niall pegou o porta retrato e se virou pra Kat.
_Hanima _A voz dela saiu meio cortada, como se ela estivesse muito nervosa. Niall não percebeu, só devolveu o porta retrato no lugar, tentando se recordar do nome da garota. Meio minuto depois, já tinha esquecido.
Foi até a cama e se sentou ali, batendo no espaço do colchão ao seu lado, indicando pra Kat sentar ali. Ela veio e se sentou, olhando pra ele.
Ele passou devagar a mão pelo rosto dela e a beijou.
A beijou e a beijou, e foi aumentando a intensidade. Tirou o casaco, ainda com a boca colada na dela. Ela então se afastou, assustada.
_Que foi? _Ele perguntou. Por que ela tinha cortado o clima?
_Eu...eu preciso te dizer uma coisa _Ela falou, olhando pra ele como se tivesse visto um fantasma.
Niall ficou esperando ela dizer o que queria dizer, mas ela apenas continuou olhando pra ele assustada.
_Ahn...o que foi? _Niall a incentivou.
_Eu... eu... eu não tenho camisinha _Ela disse, e no mesmo instante suas bochechas ficaram vermelhas. Não era isso que ela queria dizer. Ela queria dizer “Eu nunca fiz isso”. Mas ela sabia que se falasse isso, ele iria embora.
Ele sentiu que não era aquilo que ela queria dizer, por isso ficou olhando um pouco pra ela.
_Kat, você já fez isso não?
Ela arregalou os olhos.
_Kat, você não é virgem né?
Ela sentia. Aquela pergunta significava “É bom que você não seja, eu não quero fazer isso se você for”
_Não! Claro que não! _Ela falou, e deu um sorriso nervoso _Já fiz isso outras vezes. Claro que fiz. Com um menino nas férias passadas, você não conhece. Ele é de Bath, sabe, visitei minha avó, minha avó mora em Bath e ele mora lá... _Ela tinha que calar a boca. Kat não sabia mentir, mas ela só tinha que falar, por que estava nervosa demais.
Niall pareceu nem escutar.
_Eu tenho uma camisinha na minha mochila _Ele se levantou _Vou lá embaixo buscar.
E quando Kat viu, ele tinha saído do quarto. Ela finalmente pode respirar fundo.
Soltou um enorme suspiro, parecendo um balão esvaziando.
_Drogaaa! _Ela murmurou baixinho, roendo as unhas do dedo. Ela sempre fazia aquilo. Então viu o celular na escrivaninha. Correu até ele e mandou uma mensagem pra Hanima.
“Ele quer transar comigo. E agora?”
_Responde, responde! _Kat ficou segurando o celular, olhando pra tela desesperadamente. Precisava de alguém dizendo que aquilo era certo.
_Pronto! _Ela escutou a voz de Niall atrás dela, e largou o celular na mesinha na mesma hora.
_Ah, que bom!
Ele estendeu um quadradinho plástico no ar e ela ficou olhando um pouco confusa. Nunca tinha visto uma, só nas farmácias, mas elas sempre estavam numa caixinha ou num saquinho. Tinha visto uma também uma vez, jogada no chão no parque. Ela e Hanima deram risada e ficavam fazendo som de nojo, correndo de perto daquilo.
E agora, aquele plastiquinho não parecia algo conhecido, e isso deixou ela mais envergonhada. Ela tinha que fazer alguma coisa?
_Você quer colocar? O banheiro é no corredor _Ela disse, tentando controlar a voz. Aquilo estava indo cada vez mais longe e ficava mais difícil de voltar atrás. Se ele fosse no banheiro, ela teria mais cinco minutos pra esperar a resposta de Hanima.
Mas ele olhou pra ela com a testa enrugada e deu uma risada de deboche.
_Eu não posso colocar agora.
Ela ficou parada, tentando pensar no que aquilo significava, e ele ficou parado, pensando que ela estava brincando ou alguma coisa. Mas não parecia. Por um minuto ele pensou se aquilo era mesmo certo, mas não importava. Ele já estava ali, ele queria fazer aquilo, então eles iam fazer.
Ele então se aproximou dela. Não ia mais perder tempo.
Beijou ela no pescoço, enquanto procurava o botão que abria a alça do vestido que ela usava, atrás do seu pescoço. Ele conseguiu abrir os dois botões, e o vestido afrouxou. Ele deslizou as duas mãos pelo pescoço dela até seu peito, e apertou devagar.
Ela deu um gemido, e ele entendeu que então, eles tinham que ir em frente. Com seu corpo, ele foi empurrando ela, até que ela se sentou na cama.
Ele então puxou a blusa pra cima, e começou a tirar o cinto.
Ela ficou ali sentada na cama, olhando pra ele com uma cara perdida.
_Tira sua roupa _Ele disse baixinho.
Kat olhou por uma última vez pro celular ali, em cima da mesa.
Não sabia se aquilo era certo. Não tinha muita certeza.
Será que fazendo sexo com Niall ele iria olhar pra ela no dia seguinte? E se ele continuasse a ignorar ela no colégio, como se não a conhecesse? Ela não ia aguentar...
Aquilo era meio que importante.
Ao mesmo tempo, ele era o cara que ela amava, mas que qualquer coisa do mundo. Ela tinha certeza que não ia amar mais ninguém na vida. Quantas garotas podiam falar que tiveram sua primeira vez com o cara que amavam de verdade?
Pensou em Hanima, fantasiando com Zayn, que nem sabia que ela existia.
Zayn nunca ia dormir com Hanima. Agora Niall estava ali, na frente de Kat, e ele estava de cueca! Como ela podia não aceitar aquilo?
Ele pedia pra ela tirar a roupa, e aquilo ia significar ficar só de calcinha na frente dele. Ela não queria tirar a roupa, não queria mostrar seu corpo. Niall ia achar ela gorda e ia embora. Ela não era magra igual as amigas dele, as garotas que ele andava. Não era bonita igual Every, que parecia uma modelo, nem bonitinha como Ana, que tinha aquele ar infantil. Ela era gorda e feia.
Por isso ela mal conseguia olhar pra ele.
_Kat?
Mas ele continuava ali. De cueca. Na frente dela. Era uma daquelas cuecas que parecem um shortinho, grudadas na perna, branca com o elástico preto. Meu Deus, ele era tão lindo... Então ele se abaixou e segurou a barra do vestido dela, puxando pra cima.
Não tinha como voltar atrás. Ela deixou ele puxar seu vestido, se levantando. Cobriu o peito com os braços, enquanto o vestido saia e ele jogava de qualquer jeito pelo chão, e a beijava de novo.
Definitivamente, era tarde demais pra voltar atrás.
Kat acordou. Estava deitada na cama e lá fora ainda estava claro. Olhou pro relógio em cima da prateleira, marcando seis e cinco. Seu corpo doía um pouco, e definitivamente, aquilo doía ainda. Ela teve que se segurar para não dizer nada enquanto tudo acontecia. Ela tentava pensar só que Niall estava ali, com o corpo em cima dela, e que ele estava fazendo aquilo, e que ela não podia se concentrar no fato que aquilo doía. Ela só podia se concentrar no fato que era ele. E que ela não era mais virgem.
Mas agora, sozinha no quarto, ela pensava que não tinha sido bem do jeito que ela esperava. Tudo tinha sido meio rápido, e meio estranho. Ela não sabia o que fazer, nem como devia fazer, por isso deixou que ele controlasse a maior parte da coisa.
E onde ele estava?
Ela se levantou, e viu que nenhuma das roupas dele estavam ali. Talvez ele tivesse na cozinha, já vestido. Ela foi até o guarda roupa e pegou uma calça e uma blusa simples, se trocando depressa.
_Niall? _Ela o chamou, descendo as escadas.
Mas não havia ninguém lá embaixo. Ninguém na cozinha, ninguém na sala. Ela foi até a porta, e viu que ela estava destrancada. Quando ele entrou, ela tinha trancado a porta.
Então ele tinha ido embora.
Kat tentou não pensar naquilo. Não. Dessa vez tinha que ser diferente. Eles tinham feito sexo, não era só uns beijos e amassos escondidos, era muito mais importante.
Ela subiu as escadas, de dois em dois degraus, e foi pro quarto.
Procurou se ele havia deixado algum bilhete, ou alguma coisa. Talvez tivesse se lembrado de algo que precisava fazer e teve que ir... talvez ele tivesse mandado alguma mensagem pro seu celular.
Ela pegou o aparelho em cima da escrivaninha e viu que havia uma mensagem.
Mas não era de Niall. Era de Hanima.
“Talvez você não devesse fazer isso.”
E de novo, era tarde demais.
Notas finais
E não esqueça de adicionar o link da fanfic no seu computador: watck. tumblr. com. A partir de janeiro, esse site vai cancelar todas fanfics com bandas, então vamos ter que mudar, e eu não quero perder nenhuma leitora! :)
PS: No próximo capítulo, eles vão pra Paris. :) O que você espera que aconteça?
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