Watck - We Are The Cool Kids
3 ANA E HARRY
(Trilha sonora — Abertura ♪ Fun ft Janelle Monáe — We Are Young)
Ana abriu a porta de casa sem olhar ao redor e já se virou para trancá-la.
Tinha tido esse plano no domingo, depois da festa, da cadeia, de acordar na casa de Louis, de sair de fininho, de chegar em casa e brigar com a mãe, de não ter atendido as três ligações de Harry durante a tarde, de ter atendido Zayn e mentido sobre estar com cólica para não ter que encontrar todos eles, de ter ficado se revirando na cama e mal ter conseguido dormir.
O plano era que esse ano seria diferente.
Ana não ia deixar que Harry esmagasse seus sentimentos. Não ia ser uma bobalhona do amor como sua mãe e sua avó. Aquilo não era uma maldição da família Lines. Ela ia sair com garotos, encontrar um namorado e deixar Harry Styles e seus lindos olhos verdes e cachos para outra garota.
E por isso não ia mais ficar esperando ele passar na sua casa para os dois irem andando juntos pro colégio como faziam a muito tempo.
Esse era o primeiro passo pro seu plano dar certo: se distanciar dele, o que ela sabia que seria bem difícil já que ele fazia parte do grupo dos únicos amigos que ela tinha em Bristol, e não sair com Harry significaria muitas vezes não sair com ninguém.
Mas ela faria o sacrifício.
Só tinha que sair depressa dali antes que ele chegasse.
– Será que vai chover?
Ana fechou os olhos ao escutar a voz rouca e arrastada atrás de si.
Virou e viu Harry ali parado, segurando seu celular e olhando pro céu. Ele então a olhou e deu aquele sorriso mais lindo, com sua covinha aparecendo.
– Você nunca sai cedo de casa. Eu sempre tenho que ficar esperando aqui fora por décadas.
Ana apenas bufou, sem responder e enfiou a chave dentro da bolsa, passando por ele e andando de forma decidida pela rua como se nem o tivesse visto ali.
– Hey Lines, espera! – Ele correu atrás dela – Que foi? Tá com pressa pra chegar no colégio logo no primeiro dia de aula?
Ana não respondeu, só cruzou os braços e apertou o passo. Então se culpou por parecer uma garota mimada e dramática, e deixou os braços caírem ao lado do corpo.
– Por que você não saiu com a gente ontem? _Harry perguntou, andando ao seu lado com passos apressados para não ficar pra trás.
– Minha mãe – Ela resumiu. Não era a verdade, mas era uma boa desculpa. Mães servem como desculpa pra tudo.
– Qual é? Eu teria falado com ela se você me avisasse.
Ana virou os olhos, sem Harry ver.
– Já sei. TPM.
Ela se virou e olhou pra ele zangada. Não, não era TPM! Aquilo era um comentário machista e errado. Mas ela não ia discutir com Harry, por isso engoliu as palavras e continuou andando depressa pro ponto de ônibus. E ele veio atrás.
Zayn pegou mais impulso e o skate foi deslizando pelas ruas já movimentadas de Bristol. Ele tranquilamente desviava dos pequenos obstáculos enquanto comia um sanduíche e escutava música em seus fones de ouvido.
Totalmente descolado, pronto pra matar qualquer garota de vontade de ter um pedaço.
Dele, não do sanduíche.
– Tenha um bom primeiro dia de aula senhorita Every.
Every agradeceu Marco, seu motorista há anos, e fechou a porta, colocando seu óculos escuros. Começou a andar pelo gramado, observando o enorme prédio do colégio Roundview, onde estudava, todo feito de tijolos escuros. Desviou dos alunos jogados pelo gramado em grupos, esperando as aulas começarem, esperando alguém chegar ou as duas coisas, e ficou vendo as alunas da escola francesa do outro lado da rua, putas metidas em uniformes iguais, de olho nos meninos do seu colégio.
Só por que o colégio delas era só pra meninas não significava que elas tinham o direito de ciscar em outro terreno. Every fez uma cara zangada pra elas.
Mal o dia tinha começado e ela já queria um cigarro.
Parou, caçando seu maço em algum lugar da bolsa. Não era uma fumante, mas preferia fumar um cigarro do que roer suas unhas, então de vez em quando acabava pegando um.
Achou a caixinha de chicletes onde escondia alguns cigarros roubados da sua cozinheira e pediu um isqueiro emprestado de alguém por perto.
Colocou o cigarro na boca, puxando a fumaça, e se sentiu mais calma.
– Bom dia Princesa Cinzeiro – Louis encostou seu corpo no dela por trás, apoiando seu queixo no ombro de Every e roubou o cigarro com uma mão, colocando em sua boca e dando uma longa tragada.
– Ei, você não fuma.
– Nem você.
Ela suspirou e pegou o cigarro da mão dele.
– Já está ansiosa? – Ele sorriu, começando a andar pelo gramado ao lado dela. – Preocupada em não ser eleita representante da classe esse ano? Você já tem meu voto.
Every só fez uma careta em resposta à tentativa de Louis de irritá-la.
Os dois andaram até um ponto vazio do gramado e se sentaram ali, como sempre faziam, esperando os outros. Em segundos, Liam apareceu e sentou-se ao lado de Louis, olhando para Every e o cigarro com a testa franzida.
– Vocês são umas freiras – Every ralhou, decidindo apagar o cigarro na sola de seu sapato e jogando a bituca longe antes que mais alguém a olhasse como se ela tivesse com o rosto pintado de azul com bolinhas brancas.
– Sou totalmente contra isso – Liam disse, com sua voz de garoto responsável.
– Bom garoto – Louis bateu a mão na sua perna fazendo uma cara orgulhosa.
Os três ficaram um pouco em silêncio, até Liam ver Zayn andando tranquilamente pelo gramado em sua direção, com o skate em baixo do braço. Algumas garotas passaram por ele dando risadinhas e virando o pescoço, mas Zayn nem notou, com seu jeito desligado.
– E ai? – Se sentou ao lado de Liam, cutucando Louis que agora estava deitado no gramado com a cabeça apoiada em sua bolsa, de olhos fechados.
Mais um pouco de silêncio. Ninguém ainda tinha acordado direito ou estava muito animado.
Quem fica animado num primeiro dia de aula?
– Muito bom dia para todos! – Harry disse numa falsa voz animada, imitando o diretor da escola que sempre começava seus discursos com um “Muito bom dia para todos”, chegando e se sentando do lado de Louis.
Ana se sentou do lado de Every ainda parecendo meio emburrada.
Zayn olhou pra ela e a cutucou, encolhendo os ombros como quem pergunta “Que foi?” e ela só balançou a cabeça querendo dizer “Nada, não se preocupe”.
Só os dois pra se comunicar sem palavras.
– Ana está de TPM – Harry disse, acompanhando os dois com os olhos.
Ana só bufou e se levantou, andando pelo gramado.
– Que que você fez dessa vez? – Every empurrou o joelho de Harry com violência.
– Ei! Eu não fiz nada! Não fiz nada, juro!
Every suspirou e se levantou, indo atrás de Ana.
– Mulheres. – Harry resmungou, arrancando um punhado de gramas do chão.
– Loucas, mas necessárias. – Liam completou, observando Every alcançando Ana ao longe e as duas andando em direção do prédio do colégio. – Acho que a gente também devia entrar.
Harry jogou as graminhas de lado e se levantou. Louis pediu ajuda e ele puxou o amigo, e depois ficou batendo as mãos na calça para se certificar que não estava com a bunda cheia de grama.
– E o Niall? – Zayn perguntou, olhando em volta.
– O primeiro dia de aula não seria o mesmo se ele não chegasse atrasado – Louis enfiou as mãos no bolso e saiu andando pelo gramado. Os outros quatro foram atrás dele.
– A literatura atual nos diz que o caminho do contemporâneo pode ser melhor aproveitado que o antigo romancismo... – Louis sentia os olhos pesados enquanto a professora de literatura falava, com aquela voz monótona, sobre livros monótonos que ele não ia ler.
Ao seu lado, Harry rabiscava em seu caderno, sem prestar a mínima atenção no que a professora tentava explicar. Liam se sentava algumas cadeiras adiante e ele sim estava prestando atenção e copiando algumas anotações no caderno. Ana se sentava próxima a ele e também estava atenta no que a professora tentava explicar. Ao seu lado se sentava uma menina magrinha e japonesa, que não fazia questão nenhuma de disfarçar que estava dormindo.
Na outra sala, Zayn brincava de se equilibrar na cadeira enquanto o professor de física discursava sobre como seria o ano letivo, o que eles aprenderiam (se eles se esforçassem) e o que ele esperava que os alunos cumprissem (“Comprometimento, interesse, exercícios” ele dizia, como se aquilo pudesse empolgar alguém). Niall ao seu lado tentava equilibrar um lápis entre os lábios e o nariz. Every, sentada no outro canto da sala, digitava algo no seu celular.
E no meio, na segunda carteira à direita, Hanima ficava olhando Zayn, balançando na cadeira, sua calça bege, seus tênis brancos, a camiseta branca limpa, o cabelo preto tão perfeitamente arrumado pra cima em um topete lindo. Ele era tão tão tão lindo que ela sentia vontade de chorar.
Enquanto observava ele, escrevia seu nome no caderno.
Hanima Malik. Hanima Malik. E corações.
Kat, sua melhor amiga, sentada ao seu lado, observou o que Hanima estava fazendo e sorriu. Puxou o caderno e escreveu Kat Horan no meio de um coração.
As duas trocaram um sorriso, como se aquilo fosse um segredo só delas.
“Pelo menos ele sabe que você existe” Hanima escreveu ao lado do coração e empurrou o caderno em direção à amiga.
“De que adianta se ele faz de conta que não existo de qualquer maneira?” Kat escreveu depressa, e suspirou, empurrando o caderno de volta pra Hanima, que olhou pra ela como quem diz “Isso é mesmo um saco e sinto muito”.
Kat só deu de ombros e voltou a tentar prestar atenção no professor, mas ia ser difícil. Niall deixou o lápis cair no chão, e se estendeu pra pega-lo no chão.
Até fazendo isso ele era tão fofo.
Ela queria comer ele inteiro, com uma cereja em cima, igual cupcake.
Liam olhou pra tela do celular, como se com a força do pensamento sua namorada fosse responder sua mensagem. Tinha mandado duas no intervalo de tempo entre sair da sala de aula, chegar no gramado e se sentar. E nenhuma resposta.
Eles sempre trocavam mensagens de texto durante o dia, mas ela não tinha respondido nenhuma das mensagens que ele tinha mandado desde a noite passada.
– Droga – bufou desanimado.
– Hei Lions – Every e Ana se sentaram uma de cada lado de Liam. Ana desembrulhava uma maçã e Every apenas bagunçou o cabelo de Liam, que desviou da amiga. – Que tá rolando?
– A Dani não está respondendo minhas mensagens – Liam disse numa voz desanimada. Every puxou o celular de sua mão e olhou as mensagens.
– Vai ver ela está ocupada. – Deu de ombros, devolvendo o celular pro amigo.
– Ela anda ocupada demais ultimamente.
– Não deve ser fácil namorar a distância – Ana disse, olhando pra Liam e dando a primeira mordida a maçã. Mas Liam não respondeu, apenas enfiou o celular de volta na mochila e ficou quieto.
O tempo estava gostoso aquela manhã. Nada de sol, nem chuva, só aquele dia morno e claro. Ana olhou para os grupos de alunos espalhados pelos gramados, aproveitando o intervalo das aulas.
Viu Niall e Zayn sentados perto do trailer de comida no final do gramado. Viu Louis conversando com um grupo de garotos da banda da escola. Harry não estava com ele.
“Eu não vou procurar por ele, eu não vou procurar por ele.”
Mas seus olhos sabiam exatamente onde acha-lo. Lá estava ele, do outro lado do gramado, entre um grupo de garotas da escola francesa, jogando seu charme em todas sem fazer esforço.
“Eu não vou ficar olhando, não vou.”
Ela olhou pra Liam e Every e tentou conversar sobre qualquer coisa. Mas seu cérebro continuava avisando que em algum lugar lá perto, Harry estava tocando alguma das putas francesas. E aquilo sempre a deixava maluca.
Harry passou os dedos entre os cabelos loiros e ondulados de... como era mesmo o nome dela? Começava com M, ou talvez V... Talvez não importasse. Ela pelo menos sorria para ele como se nada importasse tanto.
– Você precisa ir. Vai ser nessa terça na minha casa.
– Terça feira? Que safadinhas vocês, fazendo festas durante a semana?
– Não é uma festa – A garota de cabelos curtos e lisos perto dele sorriu – É só uma reunião. Para pessoas legais. – Ela e a amiga trocaram olhares e deram uma risadinha.
A garota loira (Pensando bem, o nome dela começava com P...) puxou a mão de Harry, o fazendo chegar mais perto e disse.
– Meus pais não vão estar. Nós podemos aproveitar.
Harry sorriu, tentando parecer inocente mas com um milhão de pensamentos sujos atravessando sua cabeça.
Então viu Ana sentada no gramado mais adiante. Ela conversava com Liam, sentado ao seu lado, e Every. Harry ficou notando o jeito que sua boca se movia devagar. A maneira como ela pegava uma mecha do cabelo, sempre a mesma e enrolava no dedo. Seu cabelo que batia no ombro, tão liso e castanho. Como ela às vezes mordia os lábios, quando olhava para a grama, perdida em pensamentos.
– Harry?
Harry se assustou. Por um segundo se esqueceu do que estava fazendo.
– Ah, desculpa, o que você estava dizendo?
As garotas olharam pra ele um pouco confusas, mas estavam empolgadas demais pra perguntar qualquer coisa.
– Queremos saber se você vai na festa.
Harry passou a mão por seus cabelos cacheados, jogando eles de lado e olhou mais uma vez pra Ana. E agora, ela estava olhando pra ele. O olhar dos dois se encontrou no ar por uns instantes, mas ela se virou depressa e voltou a falar com Liam.
– Sem dúvida eu vou. – Harry sorriu, meio incerto sobre aquela resposta.
Harry esperava, sentado na muretinha perto da porta de saída do colégio. Ficava observando as pessoas saindo, andando pelo gramado, sumindo entre as esquinas. Algumas pessoas passavam por ele e o cumprimentavam e ele cumprimentava de volta, com um aceno simpático, enquanto balançava os pés.
Liam e Louis apareceram.
– E ai, vamos comer alguma coisa?
Harry fez uma careta desanimada.
– Qual é, vamos lá! Até o Liam vai. – Louis colocou a mão no ombro de Harry e apertou carinhosamente.
– Como assim “até o Liam vai”? – Liam fez uma careta, segurando as alças da mochila com ambas as mãos.
– Por que você é o Senhor “Tenho-que-ir-pra-casa-estudar”.
– Hoje é o primeiro dia de aula!
– E daí? Aposto que você já tem anotações de coisas pra fazer.
– Eu... eu... – Liam gaguejou por que aquilo era verdade. Ele tinha mesmo anotações de alguns livros que queria consultar quando chegasse em casa. – Ah, que se dane.
Louis deu um sorriso como quem diz “Viu?” e se virou pra Harry.
– Vamos então?
– Eu tenho que esperar a Ana. – Ele suspirou.
– A Ana já foi embora – Liam disse despreocupadamente.
Harry olhou pra ele com a testa franzida.
– Mas eu estou esperando aqui...
Liam só contraiu os ombros.
– Problema resolvido então, vamos nessa! – Louis, sempre o impaciente Louis puxou Harry, o empurrando pelos degraus da escada que dava para o gramado do colégio.
Ana escutou seu celular tremer do outro lado do quarto, e a luz da tela iluminou a escuridão. Odiava quando isso acontecia, quando o celular tocava exatamente no momento que tinha se enfiado nas cobertas e apagado a luz, pronta pra dormir.
Andou até o celular e o abriu, vendo o sinal de mensagem piscando.
“Está tudo bem entre a gente?”
Era Harry.
Ela suspirou. Aquela simples frase tinha tantos e tantos significados, mas Ana sabia que Harry tinha escrito aquilo sem nenhum significado escondido. Queria mesmo só saber o que tinha feito de errado.
“Sim” ela digitou depressa e enviou.
Em segundos, o celular tremeu de novo.
“Então por que está tão estranha?”
Ana suspirou.
Ficou olhando alguns minutos para a mensagem, desejando ter uma resposta muito boa. Ela queria afastá-lo, queria que ele apenas a deixasse pra lá. Seria mais fácil aguentar o fato que ele era apenas um amigo se ele não mandasse aquele tipo de mensagem, se ele não a olhasse pelo gramado, se quando ela abrisse a porta de manhã ele não fosse a primeira pessoa que ela visse.
“Acho que cada um devia ir pro colégio sozinho esse ano” ela digitou depressa, tentando não pensar, senão não faria aquilo, e apertou o send na mesma hora. Depois se arrependeu um pouco. Aquela frase parecia idiota e infantil.
Harry não respondeu nada, então ela mordeu os lábios insegura. Devia se sentir aliviada, mas se sentia perdida. E se ele realmente se afastasse? Era mesmo o que ela desejava? Cuidado com o que deseja que você pode conseguir, não é isso que sempre dizem?
O celular tremeu de novo, e seu coração deu um pulo.
Que droga. Se ela queria ele longe, por que ficava tão aliviada quando ele respondia?
“Mas sempre fomos juntos pro colégio!.” ele respondeu.
Ela ficou olhando pra mensagem e pensando no que ia responder, mas o celular tremeu de novo.
“Deixa pra lá. Faça do seu jeito”.
Se ela queria afastá-lo, por que sentia vontade de gritar?
Harry jogou o celular de lado, nervoso. O aparelho caiu entre um bolo de roupas usadas que estavam jogadas no chão. Ficou ali deitado na cama, olhando pro teto.
Que história maluca era aquela de ir sozinha pro colégio?
Eles sempre foram juntos, desde que Harry mudou pra lá há sete anos! No começo as mães sempre se encontravam no caminho e acabaram amigas, e depois dividiam a tarefa de andar com eles até a escola: um dia a mãe de Ana levava os dois, no outro dia a mãe de Harry fazia isso. Até o dia que os dois foram sozinhos (e se perderam), e muitos dias depois.
O que Ana queria fazer? O caminho dos dois era o mesmo, ele morava na rua de cima dela! Os dois iam andar um do lado do outro na calçada sem falar nada, fazendo de conta que não se conheciam?
Inferno de garota, inferno de garota complicada!
Harry bufou, e se virou de lado, puxando as cobertas.
Era melhor dormir que ele ganhava mais.
(Trilha sonora — Cena ♪ Keane — Somewhere Only We Know)
Quando Ana saiu naquela manhã, não havia ninguém esperando no portão.
Só naquela hora ela percebeu que não era bem aquilo que ela queria.
Ela queria ver os olhos verdes vivos dele, olhando pra ela e sorrindo, o cabelo bagunçado que ele mal tinha penteado e ficava jogando pro lado. O celular, que ficava na sua mão o tempo todo, e que Ana sempre brincava de roubar e o deixava maluco. Até disso sentia falta. E os dias que ele se empolgava com algo e passava o caminho inteiro falando sem parar.
Ana suspirou e saiu caminhando no silêncio da manhã. Não havia mais ninguém na rua, só ela, andando. E então, duas esquinas adiante, aquele emaranhado de cabelos castanhos e cacheados apareceu, de costas pra ela. Usava fones de ouvido e caminhava com as mãos no bolso, sem perceber ela ali, a alguns passos para trás.
Ana ficou vendo Harry caminhar, suas calças jeans escuras, seu casaco preto com as golas pra cima.
Deu alguns passos pensando em correr até ele e acabar com aquilo, mas de algum modo não conseguiu. Suspirou e ficou ali parada, observando ele se afastar em direção ao colégio.
Notas finais
Até a próxima atualização.
PS: Vocês acham que precisa de um texto introduzindo todos personagens ou está dando pra entender?
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