As câmeras do hotel Merlaut captavam cada passo de seus hospedes. Uma jovem de pele amendoada, coberta por trench coach na cor grafite e chapéu na mesma cor escrevia sobre o balcão; os olhos circundados por sombra azul marinho e lábios cheios na cor rosa choque. Terminou de preencher seu cadastro e se retirou com sua mala xadrez.

Caminhou pelo saguão do hotel concentrada em seu celular, provavelmente alguma mensagem de amigo ou namorado. Sem querer esbarrou num homem: sobretudo marrom, boné escuro; observava tudo.

— Ok, estou no lobby do Merlaunt – cochichou o homem de boné através de seu fone preso ao ouvido.

— Beleza, Aiden. Vamos nessa.

Na tela de seu smartphone, Aiden foi recebendo dados de todas as pessoas que estavam conectadas naquele local, em seus tablets, telefones, notebooks. Aiden também recebeu conexões com câmeras de segurança, painéis de controle, bancos de energia e qualquer outro comando que estivesse ativado por chip eletrônico.

Do outro lado daquela conversa, um sujeito de touca, rosto macilento, boca larga, trabalhava para buscar e enviar dados para seu parceiro hacker.

— Olha só isso. Segredos e mentiras flutuando em uma nuvem de dados. É só baixar o dedo, e pronto! Tudo é meu... – ele riu.

— É nosso. – corrigiu-o Aiden, ainda caminhando pelo saguão – Concentre-se.

E o homem de touca continuou acessando cada vez mais dados:

— Eles têm um sistema de segurança perigoso. – comentou Aiden – Quanto já conseguimos?

— Cem mil pratas em 30 segundos. – respondeu o home de touca sorrindo satisfeito – Deus abençoe os ricos e famosos! – um laptop foi hackeado – Nós somos os magos da modernidade. Sugando contas bancárias a partir do nada.

— Ouviu o que acabou de falar?

Um chiado incomum soou na comunicação dos dois.

— O que foi isso?! – Aiden se preocupou.

— Olá... Eu acho que tem mais alguém invadindo. Vamos dar uma espiada. – e começou a procurar pelo novo hacker.

— De jeito nenhum. Continue com o plano, Damien. Desviamos as contas e saímos. – Aiden começou a ficar ansioso.

— Aventura, meu garoto! – Damien respondeu – Tenha fé em seu mentor. Algo acionou o alarme. Vamos ver o que é.

A imagem no celular de Aiden foi se perdendo e a comunicação falhando:

— Merda. Estão escaneando o sistema.— ele alertou.

— Calma, estou quase lá...

— Eu vou encerrar agora – disse Aiden por fim.

— Não toque em nada! – irritou-se Damien, ainda insistindo em manter o sistema aberto. – Consegui. Mas que merda é essa?

— Temos que abortar. – avisou Aiden, percebendo os seguranças do saguão começaram a se agitar devido seu comportamento ansioso.

— Ainda não terminamos! Me ajude.

— Damien, acabou. Eu vou desconectar.

— Aiden!!!

Mas este já corria pelo saguão, empurrando pessoas, numa tentativa de fuga. A conexão foi perdida.

Um homem teclou alguns comandos em seu computador e o perfil de um sujeito, Maurice, surgiu na tela. Com apenas um clique a chamada se iniciou:

— Maurice.

— Sim?

— É com você. Um de nossos contratantes descobriu a identidade dos hackers que entraram no nosso sistema. Estou te enviando. Aiden Pearce. Encontre-o e mate a família dele. Os dias de hacker desse cara já eram.

— Matar a família?

— Algum problema?

— Nenhum. Vou assustá-los de jeito. Nunca mais vai ouvir falar deles.

Alguns dias depois...

Pearce dirigia o carro. Levava seus dois sobrinhos, Jacks e Lena, no banco de trás. Atravessavam um túnel.

Dois caras. Duas motos. Um deles ultrapassou o carro de Pearce, ergueu uma arma, disparou contra os pneus do veículo.

Pearce perdeu o controle da direção. O carro capotou. O ursinho de Lena voou pela janela.

Chicago acabara de anoitecer. Milhares de luzes perfurando cantos de toda a cidade. Pessoas agitadas na rua, trabalhando, passeando, se preparando para abraçar a noite, seja de festa ou trabalho. O grande estádio tremia em urros e gritos de todos os telespectadores daquele jogo. Seria um dia importantíssimo para os atletas, para os torcedores, para empresários, para organizações e para familiares.

Pearce jogou o sujeito contra o chão. Seu rosto sangrava violentamente e começava a ficar roxo. Estavam numa das salas de controle do estádio. A segurança local parecia mais focada em outra ala do estádio.

— Você precisa acreditar em mim cara... – murmurou o ferido. Pearce o encarava sem expressão alguma de pena ou arrependimento.

— Quem deu a ordem?

— Eu te falei... Eu não sei!

— Você não sabe... – Pearce tirou do bolso um celular e uma conversa gravada foi sendo ouvida.

“Mate a família dele. Algum problema? Nenhum. Vou assustá-lo de jeito. Nunca mais vai ouvir falar dele.”

O ferido se virou no chão e tentou se arrastar para longe. Pearce o agarrou, sua voz já ganhando emoção:

— Então o que acha, Maurice?! Conseguiu me assustar?! – e o empurrou contra uma estante.

— Era um trabalho, cara. Eu não sabia! – sua voz tremia.

Aiden se agachou de frente para Mauricen:

— Quem estava falando com você? Quero saber o nome.

— Eles não falaram o nome!

— Eu vou te falar um nome – e agarrou o pescoço do ferido – Lena... Lena Pearce.

Maurice se engasgava, sufocado pelo aperto no pescoço. Aiden o encarou, torceu os lábios e o soltou. O ferido tossiu, sujando o chão com mais espirros de sangue.

— Eu não sei de nada sobre a criança tá... Não era para acontecer aquilo!

— Eu quero que você pense bem. – e apontou o dedo para Maurice.

— Olha cara... Mesmo se eu soubesse o nome, eu não falaria. Esse pessoal... ouvi umas histórias. Eles são diferentes de tudo que você já viu. É melhor deixar isso pra lá, cara.

Pearce se levantou:

— Não dá pra deixar certas coisas pra lá.

— Por favor!

As imagens do dia do acidente vieram à mente de Aiden. Os tiros. O capote. O ursinho...

— Quem deu a ordem?! – tornou a perguntar, a raiva começando a tomar conta de sua razão.

— Falei com ele no telefone, tá bom?! Ele me disse onde te encontrar! É tudo que eu sei, cara! Eu juro!!!

— Me dê um nome.

— Eu não sei!!! – Pearce tirou um revolver do bolso e Maurice se encolheu, cobrindo a cabeça com a mão.

Pearce apontou a arma para sua cabeça:

— Me mata, cara! Me mata logo! – gritava Maurice. Aiden apertou o gatilho. Maurice gritou. Estava sem munição. O ferido gemeu apavorado.

— E como está sua memória agora? – Pearce perguntou guardando a arma e dando as costas.

Maurice avistou ao lado um taco de madeira; não pensou duas vezes e pegou o objeto para atacar o interrogador. Mas Pearce foi mais rápido: retirou um pequeno bastão da roupa, pressionando um botão que o fez esticar-se e acertou a perna de Maurice, fazendo o ferido cair no chão, o fêmur quebrar-se. Mais um golpe em sua cabeça e o homem apagou.

— O Maurice não quer falar comigo, mas aposto que falou com você... – Pearce ergueu seu smartphone e com apenas um clique hackeou o celular de Maurice, uma conversa gravada e recuperada.

“Eu não posso continuar fugindo. Eu não posso fazer isso. O desgraçado daquele Aiden Pearce. Eu matei a sobrinha dele. Ele não para de me perseguir! Ah... Quem é esse cara?! O que eu vou fazer?! Ele continua vindo.”

— Eu preciso ir andando... – murmurou Pearce para si mesmo. Deixou Maurice nocauteado no chão e saiu pela única porta que havia na sala, dando de cara com um corredor.

— E aí Maurice... – a voz de um sujeito foi se aproximando de onde estava Aiden – e aí, qual é o problema, babaca?

Um cara de moletom com o capuz cobrindo a cabeça completamente tatuada apareceu no corredor e ao dar de cara com Pearce, assustou-se, recuando:

— Ah, merda! – exclamou retirando uma arma do bolso. Pearce ergueu as mãos em sinal de rendição.

— Onde você esteve? – perguntou Aiden, suspirando.

— Quê?! – o sujeito tatuado questionou confuso.

— Está falando comigo – respondeu outro homem que acabara de chegar na reunião. O japonês, vestido de terno cinza e luvas de couro pretas, retirou uma faca do bolso e com um rápido movimento perfurou a costela do tatuado. Este caiu e o japonês o desacordou tapando sua respiração.

— Te deixo só por dois minutos... – comentou.

— Me dá minhas balas – pediu Pearce.

— Eu joguei fora – respondeu o japonês.

— O quê?!

— Disse que ia matar ele.

— Eu pedi pra você guardá-las, Jordi.

O japonês aproximou-se de um sujeito que estava morto num canto, provável vítima de Pearce, e Aiden foi observar o outro corredor para conferir se vinha mais alguém:

— Mas onde você estava? – Pearce questionou.

— Ah... Precisei fazer uma ligação. Pegou o que queria com o Maurice? – e ajeitou o morto.

— Pare de admirar seu trabalho. – irritou-se Pearce ao ver a forma como Jordi cuidava das vítimas mortas.

— Aí, está tudo ótimo, mas eu estou desapontado, Pearce. Você não está conseguindo identificar o drama entre gangues que estou criando. – e fez uma dancinha com os dedos, apontando para os caídos.

— Não gosto de deixar nada inacabado. Vamos tirá-lo daqui.

— Não, tarde demais. Já está no fim e o Chicago está liderando. – Jordi colocou sua arma na mão do sujeito tatuado – O jogo está acabando. Estamos sem tempo. – e disparou contra o outro morto no canto da parede, criando assim, uma cena de crime perfeita. – Belo tiro. – comentou dando um tapinha no sujeito tatuado.

Jordi se levantou e esfregou as mãos analisando a cena:

— Fala sério, você não quer falar sobre a ligação que eu fiz?

— Tudo bem, então. – Pearce suspirou – Me conte sobre a sua ligação.

— Que bom que perguntou. Tudo bem, temos um bando de corpos, tá? Temos 40 mil pessoas sobre nós. Precisamos distraí-los...

Pearce ergueu uma sobrancelha:

— Eu liguei pra polícia. – Jordi sorriu satisfeito e cruzou os braços.

— Não fez isso.

— Ah sim, é verdade. Então quando a polícia aparecer e os soldados de Maurice chegarem, vai ser – e apontou os dedos um para o outro, imitando tiros – pow, pow, pow, pow, pow.

— Jordi, diga que está brincando.

— Não, não, eu liguei pra eles também. – e pôs a mão sobre o ombro de Aiden – Olha, vai ser uma bagunça no final do jogo. Assim você e eu podemos sair sem sermos notados. Mais tarde você vai me agradecer.

— Suspeitos armados. Vá com cuidado. – ouviram a polícia alertar algumas passagens a frente deles.

— Ótimo. Os policiais chegaram pontualmente. – comentou Aiden – Eu cuido deles. Pegue o Maurice e tire ele daqui.

— Maurice? Por acaso eu tenho cara de motorista?

Pearce o encarou:

— Ele é o atirador. Ainda tenho pendências com ele. – e dizendo isso, Pearce cobriu metade do rosto com um pano negro.

Jordi balançou a cabeça e suspirou conformado:

— Hunf... Besta. – e saiu torcendo a cara.

— Polícia de Chicago, se houver alguém aí, saia e se identifique.

Pearce abaixou-se atrás de uma pilha de caixas e observou a sua frente: havia um deposito de empilhadeiras, uma van abandonada, a direita dois policiais inspecionando os cantos, atrás da van mais dois agentes, e a esquerda do galpão uma rampa circular.

— Esquadra, temos dois corpos no porão do May Stadium. Gangsters.

Agachado correu para a próxima pilha de caixas e aproveitou que os policiais da direita estavam distraídos e correu até a van.

— Entendido. – respondeu uma voz feminina – Fiquem em sua posição. Vamos enviar os forenses e vasculhar os andares do estádio.

Por baixo do veículo, Pearce notou que os outros dois afastavam-se para trás e correu até a rampa, se escorando na mureta e subindo-a com cautela.

— Entendido. – respondeu o policial encerrando a comunicação – Não parece certo. Por que eles se matariam, e justo aqui de...

Pearce alcançou o andar superior, um pequeno estacionamento para despacho. No topo de uma escada havia uma porta, provavelmente uma saída próxima a área de segurança. Aiden saltou a grade da escada e a subiu.

— Droga... trancada! Hunf, beleza, mas não por muito tempo.

Pearce pegou o perfurador, nome dado a seu smartphone hackeador, e com um clique obteve sinal de todos os aparelhos que poderiam hackear naquela área. Entrou no sistema da câmera mais próxima, obtendo a filmagem da área onde havia os quatro policiais e a van. Pulou para a próxima câmera, uma nova ala ainda maior. Num canto do galpão, um painel de controle. Pearce avançou o sinal para o painel e em apenas um toque na tela, a porta a sua frente foi destravada automaticamente.

A porta deu para um novo salão, com alguns balcões, colunas, andaimes e um guarda em vigia. Atrás dele, uma porta.

“Ele não vai sair dali, a não ser que eu dê um motivo...”, pensou Pearce.

Avistou uma espécie de Ipod em cima do galpão onde estava escorado e pegou o aparelho. Digitou alguns comandos em seu smartphone e conseguiu controle sobre o aparelho de música.

“Ótimo, agora só preciso usar isso de isca para distraí-lo”.

Pearce mirou a parede próxima ao guarda e atirou o aparelho que grudou no concreto, tecnologicamente. Aiden acionou o comando e música começou a tocar:

— Huh?! – assustou-se o guarda. Este procurou o local de onde vinha o som até avistar o aparelho e aproximar-se. Pearce aproveitou a deixa e pulou alguns balcões, passando pelo guarda com sucesso e discrição.

Pearce atravessou a porta e deu de cara com uma ala da arquibancada. A sua frente, uma imensa parede de vidro transparente lhe dava visão das pessoas que torciam os últimos minutos do jogo. A esquerda, uma passarela com dois guardas a postos.

Aiden fez uma nova ligação, dessa vez para um cara chamado Badboy.

— Badboy. A polícia está prestes a interditar o lugar todo. Eu vou ficar preso aqui, a menos que nós criemos uma distração maior. Eu quero cortar a energia e passar despercebido.

— Do estádio todo? – ouviu-se uma voz masculina camuflada – Pensei que você quisesse manter “o Vigilante” fora dos noticiários. Tudo está conectado ao ctOS com uma firewall poderosa.

— Eu preciso sair do estádio agora. Você pode encontrar o ponto de acesso mais próximo?

— Na próxima sala. Mas você terá que achar alguém com autorização da segurança.

E desligou a chamada:

“O segurança deve ter acesso. Com tantos policiais, tem que haver um por perto.”

— Aí, é o Alan?

— Sou.

— Tem um plano de evacuação?

— É claro que temos...

— Vamos dar início a ele.

Dois guardas conversavam numa sala e Aiden podia observar e ouvir tudo através da câmera de segurança:

— Não vamos evacuar 40 mil pessoas pra brincarmos de polícia e ladrão. Tivemos um caso isolado no porão, podemos fechá-lo. Não tenho nenhum problema.

— Aqui vai ficar cheio de viaturas da Polícia de Chicago. Vai causar pânico. Temos que tirar as pessoas daqui com segurança.

“Perfeito! Consegui o código de acesso. Hora de agir”.

Pearce procurou pelo painel de força e com um clique, a energia foi desligada. Aos poucos, o estádio inteiro ficou em total escuridão. Não demorou muito para que gritos começassem a ecoar pela arquibancada.

— Aqui é PH-2, as coisas parecem estar bem feias aqui. O apagão destruiu algumas luzes de arco. É possível que haja feridos. Temos pessoas se aproximando do campo.

Atravessando o escuro, Pearce passou pelos seguranças que vasculhavam com suas lanternas o espaço enegrecido. Já do outro lado do saguão, o celular de Aiden vibrou:

— Onde você está, Jordi?

— Quê? Já fui. Eu sou alérgico a policiais. O Maurice também. Mas não se preocupe. Eu te deixei um presente. Um amigo de um amigo meu vende carros usados. Tem uma belezinha esperando por você na garagem do outro lado da rua. Pode pegar ou largar. Eu não me importo.

E desligou. Pearce atravessou a passagem do saguão e saiu numa espécie de bar, uma única luz iluminando todos que esperavam pela volta da energia. Andando calmamente, passou pelas pessoas e finalmente alcançou a avenida.

A luz voltou com toda intensidade.

— A polícia está em perseguição. – Aiden ouviu o através do comunicador hackeado em seu celular. Sem esperar muito, começou a correr até o outro lado da praça onde estaria o tal veículo a sua espera.

Pearce quebrou o vidro do veículo vermelho e entrou, já dando a partida e acelerando a tona. Através do GPS em seu perfurador, ele pôde observar a área de alcance da polícia, o que significa que se conseguisse sair daquele perímetro, sua fuga seria bem-sucedida.

Acelerou pelas ruas e avenidas de Chicago, desviando e esbarrando em dezenas de carros. Atravessou o viaduto e logo após a ponte, estaria livre a perseguição. E não deu outra: assim que alcançou a barreira, o comunicador da polícia chiou:

— Perdemos o suspeito.

Aliviado, Pearce diminuiu a velocidade. Deu meia volta numa rotatória e seguiu para seu novo destino.

Estacionou na área aberta do hotel onde estava morando. Subiu até seu quarto e se trancou no lugar apertado. A sua frente, um painel de gigante com fotos, perfis, dados e um fio vermelho ligando qualquer relação entre seus alvos.

Digitou alguns comandos no notebook acima da mesa e adicionou suas novas informações. Encarou a tela e acionou a câmera de dentro da casa de Nick, sua irmã. A loira sentava ao lado de Jacks e tentava conversar com o filho.

— Sua festa está próxima, querido.

— Ele vem, né? Não como antes...

— Jackson. Eu já convidei ele.

— Faz tempo. Ligou para o número certo?

Aiden sentiu-se derrotado após ouvir aquilo:

— Querido. Seu tio é uma pessoa diferente. Mas não quer dizer que ele não se importa.

Pearce encarou a foto da pequena Lena. O quão frustrante era tudo aquilo! Socou a parede, irritado e jogou-se na cama, enterrando o rosto por entre as mãos. Queria que tudo acabasse logo.

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Notas finais
Algumas partes estão idênticas ao jogo. Essa história é apenas uma versão alternativa. Espero que gostem.