Notas iniciais
Muita gente pode achar de mau gosto esta historia mas machucar seu amigos não é uma opção. Não to dando sermão só to tentando deixar claro o meu ponto de vista, afinal, esse também é um motivo pelo qual a gente escreve fics.
Enfim, boa leitura.
:3

Meu nome é Kanashimi Karo, ou só Karo-Ni, como todo mundo me chama. Tenho 15 anos e frequento a escola pública Kiristu High.

Se perguntarem a alguns dos meus colegas, eles provavelmente dirão coisas do género de, “Karo-Ni? Oh! Ela é inteligente, bonita, gente boa.”, “Karo-Ni é uma garota forte. Eu gostaria de ser confiante como ela.”, ou ainda algo como “Já ouviu dizer que a gente tem que ficar perto de quem traz o melhor de nós? Pois bem, Karo é uma dessas pessoas.”.

Mascara…

Tudo não passava de uma mascara que eu usava para não deixar os outros preocupados. Cada gargalhada, cada palavra, cada sorriso não passava de uma farsa, uma grande peça de teatro, um ato após o outro, cobria a dor que feria meu peito todo dia.

Mais uma vez, voltava para casa sozinha, pelo mesmo longo caminho.

- Tadaima. – murmurava ao entrar em casa. De que valia eu dizer isso alto? Minha mãe estaria ocupada demais para responder e meu pai… bem, meu pai não poderia responder por mais que quisesse.

Dois meses atras recebera o diagnostico… uma doença neurológica incurável. Era a segunda vez. A primeira foi operável, mas a segunda não era.

Ai eu comecei a ver que os filmes não passavam de um monte de mentiras. “The fault on our stars”, muita gente não gostou do filme. Eu odiei. Porquê?

É a história de amor entre duas pessoas que tinham plena consciência de que iam morrer. Num outro filme eles acabariam sobrevivendo, ganhando a lotaria, se casando, tendo filhos, fazendo uma viagem pelo mundo todo, mas neste, quem tinha “mais chances” morreu primeiro. Ainda não entendeu porque eu não gostei? Deixa que eu explico melhor.

Tudo o que aconteceu nesse filme é a pura verdade, a dor, o desespero a vontade de desistir, era verdade, nada mais e nada menos do que o que realmente acontece com alguém que tenha e/ou convive com alguém que tenha uma doença incurável.

Pela primeira vez, eu me permiti chorar do fundo do coração. Estava tao grata por alguém tomar a iniciativa de contar a verdade e por isso odiei o filme. Odiei pelo facto de o ter amado tanto.

Troquei de roupa rapidamente e desci para preparar o jantar.

- Sumimasen. – de bandeja na mão, entrei no quarto do meu pai. Só se haviam passado dois meses, mas ele já não andava e tinha a metade esquerda da face paralisada.

Sentei na borda da cama e fui dando comida ao meu pai. O que aconteceu a aquele homem alegre? Como poderia a pessoa mais forte que eu conhecia, estar reduzida a isto?

Foi tudo tao rápido. Num dia, passeávamos pela praia e ele podia fazer tudo e mais alguma coisa, poucos dias depois, deixou de andar e agora mal conseguia se mexer.

- Olha só! Acabou tudo. – disse eu sorrindo. Já nem conseguia me lembrar da última vez que ele tinha acabado toda a sua comida.

Segurou na minha mão e deu um pequeno aperto, mostrando um sorriso amarelo. Queria tanto poder voltar a ouvir a sua voz.

- Tá. – disse levantando – eu vou lavar os pratos e venho fazer o dever aqui consigo.

Saí o mais rápido possível para esconder as lagrimas que ameaçavam cair. Enquanto lavava tudo, as gotas quentes caias nas minhas mãos. Eu sabia que quando voltasse ele já estaria dormindo, mas mesmo assim voltei e fiz meus deveres em silêncio.

……

Já era de dia e mais uma vez acabara por adormecer na poltrona do quarto do meu pai. Ele dormia calmamente. Levantei-me e fui preparar-me para ir a escola. Antes de sair, verifiquei se estava tudo em ordem.

- Casa limpa…confere, muda de roupa…confere, almoço…confere, medicamentos ordenados…confere. – e com isso saí para mais um dia de escola.

Sakagi e Yuki faziam as mesmas palhaçadas de sempre e eu ria. Simplesmente porque toda a gente se ria. E no fim, voltava pelo mesmo longo caminho.

Algo não estava bem. Meu coração palpitava e cada passo, minha mente gritava: “corre, corre”. E foi isso que fiz, corri, o mais rápido possível, abri a porta de casa e passo apressados no primeiro andar. Subi.

- Karo! Ainda bem que você chegou. – disse minha mãe – ligue para o médico. Rápido!

Saí correndo em busca da lista telefónica e liguei para o médico, que em poucos minutos chegou. Esperei na sala e minha mãe apareceu, sentando-se enquanto olhava para as suas mãos tremulas.

- É melhor passarem as despedidas. – disse o médico entrando na sala – daqui a pouco chamo a ambulância.

Entramos no quarto dele. O homem que outrora fora belo, agora tinha a sua cara desfigurada. Aquela doença tinha transformado meu pai num monstro.

Sentamo-nos da borda da sua cama, fazendo conversa até que minha mãe não aguentou mais, deu um beijo na testa dele e disse:

- Adeus meu bem, te amo tá! – e saiu sorrindo.

Quando eu me preparava para fazer o mesmo, meu pai segurou meu braço.

- Eu…eu… — ele tava tentando falar – eu sei… sei que não tenho muito tempo.

Sua voz, já rouca de cansaço, perfurava o meu peito.

- Não me deixe morrer… não me deixe morrer assim… não assim. – disse tirando uma caixa de morfina de baixo de almofada. Era seu último pedido e eu o garanti. Peguei na seringa e injetei a quantidade indicada.

- Te amo… te amo muito… muito minha pequenina.

- Também te amo Pai. – respondi, deitando-me ao seu lado e abraçando-o.

- Chore tudo… chore o quanto precisar… depois volte a si e cuide de sua mãe. – eu segurava cada vez mais forte – promete?

- Prometo.

Conseguia sentir sua vida se esvaindo e eu segurava cada vez forte, na esperança de poder prender o mínimo que restava. De repente seus músculos relaxaram.

- Não, ainda não. Pai, espere um pouco mais, só um pouco mais. – gritava enquanto minha mãe me puxava para fora do quarto para que aqueles homens pudessem fazer o seu trabalho.

Vi o meu pai entrando na ambulância dentro de um saco preto. Ela começou a se mover e eu não aguentei ficar ali parada. Saí correndo atras da ambulância.

Corri, corri, corri até minhas pernas darem de si e eu cair de joelhos. Olhei para os lados. Estava num descampado bem longe de casa. Durante quanto tempo eu corri? Tinha perdido a ambulância de vista segundos depois de ela arrancar, mas mesmo assim não parei de correr.

Toda a dor desses meses veio a tona. Gritei, um grito desesperado de um animal ferido. Já não conseguia sequer pensar direito.

Lagrimas nublavam a minha visão e eu corria, chutava o ar, dava socos ao nada e gritava, gritava uma e outra vez. Peguei num monte de pedras e fui atirando uma a uma, gritando cada vez que tomasse impulso, até que uma pedra bateu numa árvore e ricocheteou direto para a minha cara.

“Promete?...Prometo”

Conseguia sentir o sabor do sangue da minha garganta arranhada de tanto gritar. Chega, não podia continuar ali. Voltei para casa.

Minha mãe precisava de mim.

Notas finais
Espero que tenham gostado e aprendido algo com isso por favor comentem, até mesmo se for pra me xingar pela historia ;P
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!