— E-Eu... Eu gosto de você, Akiyama-senpai.

Essa foi a minha confissão, feita no fim do último outono. Meu nome é Kitagawa Yuna e eu estou no primeiro ano do colegial.

Isso tudo começou com meu primeiro dia de aula. Eu tinha acabado de me mudar de cidade e não sabia muito bem onde ficava o colégio, então andei aleatoriamente por um tempo até que encontrei o gentil Akiyama Hikaru, meu senpai do segundo ano, que me levou até a escola. Depois disso, eu entrei no clube de artes e descobri que o senpai também estava lá. Bem, então acabamos ficando amigos, mas eu não sei como tudo acabou dessa forma.

— Mm... Kitagawa, eu...

— Não! Senpai, não precisa dar a resposta agora, só... Eu só queria que você pensasse um pouco sobre isso – a essa altura, claramente eu não sabia mais o que estava fazendo – Mas... hmmm... Akiyama-senpai, podemos continuar amigos?

— Claro – ele respondeu abrindo aquele sorriso gentil de sempre enquanto passava a mão na minha cabeça. Ele é tão injusto fazendo isso nesse tipo de situação! Mas o que eu posso fazer? Eu gosto tanto quando ele está comigo – vamos descer? Daqui a pouco o sinal das aulas toca.

Depois de conhecer o senpai já dá pra ter uma ideia do desastre que é ficar perto dele, certo? Eu nunca sei o que pensar, porque ele trata todo mundo muito bem. Mas parece que ele só me vê como uma irmã mais nova ou qualquer coisa do tipo. Mas eu não posso desistir! Isso tudo é só o começo... Eu espero.

~

Logo depois da minha confissão vieram as férias de inverno, então já faz um tempo que não vejo o senpai. Hoje começa o segundo semestre do meu primeiro ano de colegial e eu espero que tudo dê certo.

— Bom dia, Yuna-chan! Como foram suas férias?

— Ah, Momo! Bom dia, foi legal... Na verdade eu só fiquei assistindo alguns animes e lendo algumas coisas. Ah, e eu também visitei um templo com a minha família no ano-novo. E você? Como foram suas férias?

— Ah... – começou ela pondo as mãos no rosto e dando uma risadinha — Eu e o Atsuchi-kun saímos algumas vezes, nada de mais...

Desde que a Momo começou a namorar o Atsuchi-kun nós não saímos mais tanto quando antes. É um pouco triste, mas fico feliz por ela, afinal ela realmente ama o namorado, então acho que está tudo bem.

O sinal tocou e nós nos dirigimos ao ginásio, onde o diretor faria a cerimônia de início. É só um falatório e alguns conselhos para termos um bom ano de estudos, não costumam durar muito, no máximo, meia hora.

— Muito bem, podem se retirar – disse o diretor – tenham uma boa aula.

As primeiras aulas eram de Química, uma das minhas matérias favoritas, então eu estava feliz, eu acho. Mas essas cerimônias sempre me deixam meio cansada (ainda mais quando não vejo o senpai, hihi).

Como havíamos perdido uma aula por causa da cerimônia, o primeiro período passou rápido e logo era o intervalo. Eu acordei meio tarde, então não trouxe obentô:

— Momo-chan, você vai à cantina?

— Ah, eu vou com você! Vamos tirar jan-ken-pô para ver quem fica na fila?

— A Momo sempre fala esse tipo de coisa porque é sortuda e sempre ganha!

— Claro que não, Yuna-chan, que cruel! Vamos, vamos! Jan-ken-pô! – ela tirou tesoura e eu papel.

— Como esperado, — eu disse desanimada – eu vou enfrentar a fila... O que você vai querer? Niku-pan?

— Sim, por favor! Posso comprar dois chás verdes, né?

Eu e a Momo só nos conhecemos no início do ano, mas já sabemos do gosto uma da outra. Tive tanta sorte em achar uma amiga tão fofa! Corri até a cantina, na esperança de a fila não estar tão grande, mas estava. Então me apertei no mar de gente para entrar na fila e rezar para que ainda tivesse Niku-pan. Depois de algumas “horas”, consegui sair viva e com nosso lanche e fui andando em direção à nossa sala. Eu estava olhando, pela janela, alguns floquinhos de neve caindo do lado de fora e não estava prestando atenção no meu caminho, até trombar com alguém e quase cair, se não fosse por uma mão firme que segurou meu braço.

— Ah, desculpa, Akaiyama-senpai. Eu estava olhando a neve lá fora. Tudo bem?

— Sim, sim. Você não se machucou, Kitagawa?

— Não... Hum... – como eu imaginei, eu não sabia o que dizer a ele. Na verdade, acho que ainda estou meio envergonhada da minha confissão e tudo isso.

— Ah, sobre aquilo... Eu estou pensando seriamente então não se preocupe, certo? – disse ele, como se lesse minha mente. – você deixou algum pão pra mim, lá?

— Sim, ainda tem bastante coisa. Eu já vou indo, a Momo tá me esperando. Tchau... – respondi o mais rápido possível e saí correndo até minha sala.

Eu sei, sou uma idiota. Se mesmo ele está bem com isso, por que eu estou agindo assim? Não sou eu a culpada disso tudo?

Como era o primeiro dia, quem participava de clubes tinha que ir às salas, para organizar as coisas. Ou seja, eu teria que ver o Akiyama-senpai de novo. Sim, é uma coisa ótima, mas ao mesmo tempo eu não sabia o que fazer. Fiquei tão preocupada que acabei com uma dor de estômago e não participei das atividades do clube de artes. Bom, pelo menos eu não tinha que encontrar com o Akiyama-senpai. Não hoje, pelo menos.

~

— Ei, Kitagawa...

— Aahhhh, senpai, não faça isso! Que susto! – Eu realmente me assustei ao ponto de perder o equilíbrio por um momento, então resolvi sentar pra evitar problemas.

— Me desculpe — ele começou a trocar seus sapatos — você está melhor agora? As meninas me disseram que você não estava se sentindo bem ontem e teve que ir embora...

Essa preocupação toda dele e as expressões que ele faz. Tudo isso é tão injusto. Será que ele percebe?

— Está tudo bem, agora... Foi uma dor de estômago.

— Ainda bem. Bom, eu vou indo... Até mais – ele falou acenando e já virando de costas para mim.

— Ah, tchau. – respondi me levantando, quando, de repente, ele se virou para trás, fazendo com que a distância entre nós se reduzisse a meros milímetros.

— Ah, — ele se afastou um pouco, mas ainda estava muito perto! – me desculpe – mais alguns passos para trás – é... Essa semana o pessoal do clube combinou de ir ao parque, para desenhar ao ar livre e eu fiquei de te avisar.

— Ah... – meu rosto estava queimando – t-tá, eu... Acho que eu vou. Ahn, você vai?

— Sim, eu vou. Vai ser legal.

~

O dia estava muito bonito, estava um pouco frio para ir ao parque, mas não ficaríamos até tarde, então tudo bem. Havia algumas crianças brincando por lá e eu resolvi desenhá-las. Sentei em um banquinho e coloquei o caderno no colo.

— Posso sentar aqui? – era o Akiyama-senpai.

— Ah, sim, pode... – respondi juntando minhas coisas e abrindo espaço.

— Isso pode parecer estranho, mas você é, na verdade, muito fofa, não? – ele disse rindo um pouco. Por que ele disse isso? Não faço a menor ideia.

Por fora, eu só fiz uma cara confusa, mas por dentro meu sistema estava entrando em curto e tudo estava pegando fogo, emitindo um alerta vermelho. Para ser sincera, acho que isso estava estampado na minha cara, porque o senpai riu e passou a mão na minha cabeça. Cara, não sei se amo ou odeio quando ele faz isso. De qualquer forma, eu não conseguia responder então só fiz que sim com a cabeça e continuei desenhando, mas a presença dele me deixava inquieta e eu não consegui prestar muita atenção. Além de que eu já estava começando a ficar com frio.

— Ei, Kitagawa... Você está bem?

— Sim, eu só estou com um pouco de frio... Acho que eu já vou embora...

— Ah, eu te acompanho até a sua casa. Só me deixa arrumar as minhas coisas.

— Não, não precisa, eu... Eu vou sozinha.

— Não, eu também estou ficando com frio, então já vou indo.

No fim, fomos juntos e compramos umas bebidas quentes numa máquina que encontramos no caminho. E, apesar de eu recusar, ele me emprestou o cachecol dele.

~

Depois de alguns dias, eu fui à sala do senpai devolver o cachecol dele.

— Aqui, o seu cachecol. Demorou um pouco, porque eu estava lavando... Obrigada. – disse entregando a sacola com o cachecol.

— Ah, tudo bem... Acho que já vou usá-lo – ele pegou o cachecol da sacola e enrolou no pescoço – Humm... Está com um cheiro gostoso, me lembra de você...

— É mesmo? Acho que é o amaciante... De qualquer forma, obrigada, Akiyama-senpai, até mais tarde.

Essas coisas que ele fala. Me pergunto se ele é assim com todas as garotas. Mas ele é tão injusto, fazendo isso sabendo que eu gosto dele. Mesmo assim, acho que não tem como evitar que eu me apaixone ainda mais. Minha cabeça estava nas nuvens até que ouvi algumas colegas de classe do senpai cochichando:

— Hm... Essas garotinhas do primeiro ano não estão ficando abusadas demais? Gostar de um veterano, tudo bem, mas ficar enchendo ele na sala?

— Sim, Akiyama-kun é muito gentil por aturá-las. Mas eu fiquei sabendo que essa garota se confessou para ele. – Como ela sabe da confissão? Ah, acho que não tem como evitar. Todos sempre acabam sabendo cedo ou tarde.

Bem, digamos que o senpai é um pouco popular nas escola e as “admiradoras” dele não gostam de mim porque nós conversamos sempre, ou algo do tipo. Então sempre tem esse tipo de coisa. É um pouco incomodo, mas, desde que não passe disso, está tudo bem.

~

— Ei, Yuna-chan! O Akiyama-senpai ainda não deu uma resposta? – o rosto da Momo estava um pouco vermelho, com o frio ou com o esforço, não sei bem.

— Ah... – estava meio sem fôlego por causa da corrida (aula de Educação Física) – ainda não, por que?

— Heh... Já faz um bom tempo, né? Ele já deveria ter dado uma resposta. Por que você não pergunta?

— P-perguntar? Como assim, Momo?

— Oras, você chega e diz “Eaí, senpai, o que me diz?”.

Essa Momo sempre me convence de fazer umas coisas um tanto quanto... idiotas? De qualquer forma eu decidi que iria perguntar depois da aula.

~

Terminada a aula, nós trocamos de roupa e eu comecei a andar em direção à sala do Akiyama-senpai quando virei a “esquina” do corredor, o vi com uma das garotas que falavam de mim mais cedo. Claro que eu não ficaria muito abalada com isso. Se ele não estivesse a beijando. Foi como um tapa. Repentino, dolorido e provavelmente deixaria uma marca. De alguma forma, encontrei forças para virar de costas e começar a correr. Acho que, graças aos céus, ele não percebeu a minha presença. Então eu decidi simplesmente voltar para minha sala e ficar lá até o fim do intervalo. Claro que a Momo percebeu que tinha alguma coisa errada, mas ela não disse nada, só passou a mão no meu cabelo e me deu um chá que ela tinha comprado.

Ao fim da aula eu decidi juntar as minhas coisas e esperar um tempo para evitar um esbarrão com o Akiyama-senpai. Mas é claro que não deu certo. Apesar de eu ter ficado quinze minutos esperando na sala, quando eu saí, ele ainda estava na parte da recepção. Então eu resolvi trocar de sapatos rápido e sair furtivamente. E é claro que isso também não deu certo. Ele me viu e apesar de eu estar quase correndo, ele segurou meu braço quando eu estava quase virando a esquina da escola.

— Ei, ei... Por que parece que você está fugindo de mim? Hmmm... – ele passou a mão no cabelo antes de continuar falando – eu ia te chamar pra ir a uma cafeteria aqui perto, o que você acha?

— E-eu não quero ir – respondi olhando para o lado.

— Ah, o que eu faço? Mesmo quando você recusa um pedido meu, você continua fofa... Que injusto.

Certo, de alguma forma aquilo mexeu comigo e começou uma avalanche que eu não consegui conter.

— Por que você faz isso? Por que você continua me chamando de fofa?

— Porque você é fofa... – eu senti meus olhos se enchendo de lágrimas, que patética.

— Eu não quero que você me ache fofa – eu disse (quase gritando) enquanto soltava meu braço – eu quero que você me trate igual à senpai! Mas você nem mesmo pensou na minha confissão, não é? – eu olhei para ele, mas não consegui enxergar nada por causa das minhas lágrimas.

— Senpai? Que senpai?

— Aquela que estava com você hoje! Se você não queria meus sentimentos deveria ter respondido mais cedo! Teria evitado isso tudo! – Eu esfregava freneticamente meus olhos mas as lágrimas não paravam de escorrer.

— Ah... – seus olhos se acenderam e ele se aproximou de mim – você deve estar falando da Shitagawa. Escuta, — ele se aproximou mais um pouco e segurou meu rosto enquanto limpava algumas lágrimas – ela disse pra mim que eu deveria ficar com ela e te esquecer, mas quando eu me recusei ela me abraçou e... bem, você sabe... Isso... Eu queria conversar com você hoje no café, mas acho que pode ser por aqui mesmo. Eu descobri isso hoje, e só demorei tanto porque é uma coisa natural para mim.

Eu estava confusa e não sabia o que estava acontecendo ou do que ele estava falando. E ele deve ter percebido porque me abraçou forte e disse:

— O que eu quero dizer... É que... Eu te amo.

~

— Yuna!

— Ah, o que foi, H-hikaru-senpai?

Hoje foi o último dia de aula e já faz algum tempo desde que eu, Kitagawa Yuna, e meu senpai, Akiyama Hikaru, começamos a namorar. Eu ainda não me acostumei a chamá-lo pelo primeiro nome, mas nunca estive tão feliz. Com o tempo, as outras garotas que gostavam do senpai acabaram se acostumando com a ideia e não fazem mais comentários chatos.

— Vamos a algum lugar agora...? Para conversarmos sobre nossas férias...

— Nossas férias?

— Sim, eu estava pensando em nos encontrarmos... Ou você planejava me evitar...?

— N-não, eu quero te ver sempre... – respondi olhando para baixo.

— Ah, você é fofa demais para mim! – disse ele me abraçando.

O que dizer? Eu realmente amo esse Hikaru gentil que sempre me abraça e me chama de fofa.

— Uh... Eu te amo – respondi abraçando ele ainda mais forte.

— Eu também te amo, Yuna.

Notas finais
Então, o que acharam? Espero que tenham gostado! Por favor, deixem seus comentários! Obrigada por ler ♥

Glossário:
Jan-ken-pô = pedra, papel, tesoura
Senpai = veterano
Niku-pan = pão de carne
Chan/kun = formas de tratamento
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!