Notas iniciais
GOMEEEEEEEEEEEN pela demora! Eu realmente estava sem ideias, e achei que esse penúltimo capitulo ficou mais ou menos.. Mas espero que gostei! Obrigada por ler!

Subornando o zelador bêbado da nossa escola, consegui com que ele deixasse que eu ficasse ali até depois que a escola fechasse. Depois do trabalho, fui para a escola e entrei na sala de artes, arrumando a tela e o pincel junto das tintas.

Suspirei e visualizei a Akemi naquele dia triste e ao mesmo dia feliz. Lembro-me do seu sorriso torto e de sua mão direita erguida, movendo-se calmamente no ar enquanto ela se afastava um pouco.

A luz do sol havia refletido o cabelo escuro dela que parecia estar com mais vida do que nunca. E, era a primeira vez que eu a via desse jeito. Mesmo sendo baixa, se encaixava perfeitamente na paisagem. Consegui colocar tudo isso na pintura. A escola, as pessoas, as sakuras, o sol e a Akemi de costas, acenando, como se afastasse para longe.

Quando finalmente terminei, tirei o avental e senti um pouco de frio, por isso acabei soltando meu cabelo que estava preso num pequeno rabo de cavalo pelo elástico que eu sempre levo no pulso. Admirei o meu quadro assim que sentei numa das carteiras, ficando de frente a mesma. Não sei como, mas acabei adormecendo com só um pensamento que ecoava em minha cabeça: Akemi.

Eu sempre me perguntei o que sentia em relação a ela. Mesmo quando estava com a Yukari, sentia algo pela Akemi. Algo forte. Não sei bem explicar exatamente o que é, só sei que quero ficar ao lado dela. E protege-la.

Acordei ouvindo um grito ecoando do corredor principal, de uma voz extremamente familiar, mas.. O que ela faria na escola tão cedo? Ouvi passos e uma voz masculina falando algo que eu não consegui entender bem, mas mesmo assim, achei melhor investigar.

Empurrei um pouco a carteira e me levantei rapidamente, prendendo o cabelo com o elástico do pulso, colocando meus óculos que estava no bolso do uniforme pra não acabar esbarrando em alguma coisa. Fico quase cego sem eles, devido a forte miopia.

– Kensuke-san! Kensuke-san! – Ouvi a Akemi gritar do corredor principal, o maldito zelador bêbado da nossa escola estava pressionando-a em uma das paredes perto das salas, passando as mãos imundas por suas pernas enquanto ela tentava desesperadamente se soltar.

– O que você pensa que está fazendo?! Solte ela! Ela é minha! – Falei irritado e ela me olhou, um tanto surpresa. Suspirei e corri em direção ao bastardo que abusava da Akemi, me joguei em cima dele, fazendo com que nós dois caíssemos no chão, trocando socos e chutes enquanto eu tentava me levantar. – Corra! Akemi-chan, corra! – Ela correu e gritou por alguém, tentando conseguir ajuda.

Pra um velhote bêbado, ele até que era bem forte. Quando finalmente consegui me levantar ele foi mais rápido e me deu um soco no rosto enquanto eu tentava ver se a Akemi já estava longe de onde estávamos, o que acabou quebrando meus óculos ao meio, e machucando meu nariz, o fazendo sangrar. Como estava de frente a ele, mesmo sem conseguir enxergar direito lhe dei um chute com a perna direita, o fazendo cair no chão. Eu estava furioso, estava triste, e queria mata-lo, se possível. Acabei indo pra cima dele, ali, no chão mesmo, fazendo seu rosto sangrar com os socos que lhe desferia no rosto.

Eu não conseguia ver direito, mas conseguia ver as formas, as cores. Sabia onde ele estava, e sabia como me defender. Deixei a raiva tomar conta de mim, e quando ele parecia inconsciente, levantei. Já estava me preparando para sair dali e procurar a Akemi, mas ele me puxou pelo pé e me derrubou, começando a me socar no rosto e no resto do corpo.

Eu tentava me defender, mas já estava começando a ficar tonto, sentia que ia desmaiar e acabar morrendo, estava muito dolorido e sangrava demais, aquele velho era forte mesmo. Lembro-me somente de uma coisa antes de apagar. A Akemi vinhapor trás do velho que ainda me batia, com a garrafa de vidro de bebida dele vazia, ela levantou a garrafa e bateu com força na cabeça dele fazendo a garrafa se dividir em pedacinhos de vidro, deixando somente a parte de cima que ela segurava.

Depois disso, tudo ficou escuro. E eu não me lembro o que aconteceu nesse meio período de tempo. Acho que eu devo ter acordado algumas vezes enquanto as coisas aconteciam. Lembro de ser carregado. De estar na enfermaria da escola, e depois da claridade de um quarto branco do hospital. O rosto triste da Akemi do meu lado me deprimiu um pouco, odiava ver ela chorar, principalmente por mim.

Ela estava com o rosto escondido na cama, segurando a minha mão com um pouco de força enquanto chorava baixinho. Suspirei e entrelacei meus dedos aos dela, tentei me sentar, mas me corpo todo doía, mesmo depois dos remédios e ataduras. Parei de tentar sentar direito e sussurrei baixinho:

– M-Me desculpe...

Ela levantou a cabeça e bateu no meu peito de leve, o que doeu um pouco.

– Ai, isso dói. – Reclamei.

– Gomenasai, baka. Não peça desculpas. Você me salvou daquele idiota. E olha que antes eu até achava mesmo que ele era um cara legal, mesmo sendo um bêbado maluco. Kensuke-kun... Arigatou gozaimasu. Etto... Kensuke...

– Hn?

– Naquele quadro da sala de artes... Aquela garota era eu?

– Hm.. Tudo bem se for?

– Hahaha, tudo... Demo... Por quê você fez um quadro meu?

Suspirei, não mentiria pra ela.

– Sinceramente? Eu não sei. Mesmo. Só achei a cena bonita. Você simplesmente indo embora. Pra ser honesto, achava que aquela seria a última vez que você falaria comigo. Fiquei triste, e preocupado. Eu queria cuidar de você, ficar perto de você, ficar com você...

Arregalei os olhos. Por que eu tinha falado aquilo? Eu tinha que me vingar daquele babaca que abusou dela, e que me deixou hospitalizado. Isso não ia ficar assim.

Ela suspirou fundo e corou, baixando o olhar, deixando que a franja cobrisse-lhe os olhos, beijando a minha mão que ainda estava entrelaçada com a dela.

– Kensuke-san...

Notas finais
O próximo sairá rapidinho!