Este dia começou com chuva. Muita chuva. Aquele tipo de chuva que as nuvens chegam a engolir o sol e dar um 'chega pra lá' nele. O clima estava extremamente frio, coisa que ajudava a melhorar meu mal humor matinal por acordar cedo. Rolei na cama e me arrastei até a escrivaninha, olhando as horas no celular. 5:30. Fui até o banheiro e subi num pequeno móvel de madeira em frente a janela alta do mesmo, ficando na pontinha dos pés (necessário, para uma pessoa baixa, como eu) fitando o céu. As nuvens estavam num tom alaranjado único, coisa que era rara de se ver, o clima estava seco e frio e não se via sol por nenhuma parte. Me apressei em trocar de roupa e me arrumar para a escola. Eu estava sinceramente quase desistindo de ir. Tinha um certo ritual para me arrumar. Trocava de roupa depois de tomar banho e me deitava. Calçava os sapatos, e novamente me deitava. Arrumava o cabelo e me deitava mais uma vez. Meu pai como sempre, abria a porta do quarto e berrava que não tinha tempo para os meus cochilos e que tinha compromissos a cumprir, ao contrário de mim que só fazia estudar.
É por que ele simplesmente não sabe ou não lembra o inferno que é a escola. Certo, eu tenho meus amigos, o que é bom, as pessoas não zoam comigo, o que também é bom, eu entendo a maioria das aulas o que é ótimo mas só tem um probleminha que virou todo meu mundinho mais ou menos que perfeito escolar.
Ele. Ele tinha que aparecer pra estragar tudo. Eu o odiava e o amava ao mesmo tempo, não sei nem se alguém pode sentir algo tão confuso por alguém assim. Eu, Akemi Hashimoto havia prometido a mim mesma que esqueceria este sentimento idiota assim que notei que estava apaixonada por um cara comprometido. Mas falhei comigo mesma.
Kensuke Miyazaki era um cara totalmente idiota. Percebi isto quando fui o conhecendo aos poucos. CLARO que ele foi cercado por garotas desesperadas que nem eu (porém bem mais bonitas). Assim, mal tive chance de me apresentar.
Dias depois do Kensuke-kun dar as caras na escola, minha melhor amiga Sayuri logo percebeu que eu estava de olho nela. Ela tinha formado um conceito padrão sobre minhas paixonites escolares:
Primeiro: Eu sempre olhava o cara e era como se o mundo a minha volta.. Puff! Morresse, eu não ouvia ninguém falar comigo, ignorava todos e não olhava para nada ou ninguém, somente para o tal cara.
Segundo: Eu escrevia o nome dele no meu caderno ou desenhava chibis fofos dele. (Coisinha clichê..)
Terceiro: Eu sempre arrumava um jeitinho de acabar falando nele no meio de qualquer conversa com as meninas, mesmo que fosse para falar mal.
Foi aí que ela teve a brilhante ideia de me jogar pra cima dele. Literalmente.
Eu estava no corredor principal, ele era cheio de armários dos alunos em suas duas extensas paredes. Estava pegando meu caderno de desenho e o a apostila de cálculo. Eu fazia meus cálculos no caderno de desenho enquanto desenhava em todos os cantos da folha. (Geralmente algo bem besta e sem sentido.)
A Sayuri chegou correndo, radiante pelo meio do corredor, me abraçando logo que me viu.
- Akemi-chaaan! — Praticamente gritou aquela garota que chegava a ser menor que eu, eramos praticamente Hobbits! (Brincadeira.) — Adivinha, Adivinha!
- O professor de cálculo se matou? Seria uma boa, por que eu não estudei para o teste surpresa não tão surpresa dele.
- Não, isso ele faz quando descobrir que a mulher dele anda se pegando com o professor de educação física, queria entender o fetiche dessa mulher por professores sem sal.. Enfim, não tem nada a ver com isso. É sobre o Kensuke-kun..
- Por quê acha que eu quero saber dele? — Fechei o armário e segui pelo corredor a deixando ali, pensativa.
Instantes depois, ela já andava do meu lado. Como aquela pirralha é rápida!
- Porquê você gosta dele, ora essa! Está bem na cara, Akemi-chan.
- E-Eu.. Não gosto de ninguém. — Fiz cara feia e desviei o olhar, foi ai que ela viu a oportunidade de chutar minha canela por algum motivo. Minutos depois desta cena toda, eu descobri por que foi.
Eu acabei perdendo o equilíbrio ao ter a canela chutada com tanta força e adivinhem só quem estava passando bem pertinho dali?
Quem respondeu Kensuke Miyazaki, acertou a pergunta de um milhão de dólares!
Não vou dizer que esbarrei nele e ele me segurou ou que ele me pegou antes de eu acabar praticamente beijando o chão por que não foi isso que aconteceu e se tivesse acontecido, teria sido clichê e eu não escreveria isto.
Eu caí por cima dele e ele caiu junto. Certo, ele deveria ter me pegado, mas isso teve uma parte boa: Ele amorteceu minha queda. E teve uma ruim: Não gostou nada de ter amortecido minha queda. Eu estava por cima dele, com a cara em seu peito quando estávamos no chão, ele era muito grande. Bom, pelo menos para mim, era. Levantei meu rosto que estava mais vermelho do que uma tomate. Ele me fitou e suspirou fundo, acho que estava tentando controlar a vontade de querer me matar ali mesmo.
- Quem você pensa que é, menina desastre?
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