Notas iniciais
Peço desculpas pela demorinha para atualizar a fic! Estava sem tempo e sem ideias! Enfim, aproveitem!

– Não interessa, tá? Dá só pra voltarmos a droga do trabalho?! — Ele gritou friamente. Eu realmente desisto de saber mais sobre esse garoto. Me afastei e voltei a me sentar, olhando a vara de pescar que se mexia freneticamente.

– Kensuke, olhe! O peixe mordeu a isca! Não o deixe fugir, só precisamos dele, puxe!

– Avisei, fitando o céu que já tinha um tom um tanto escuro por causa das nuvens de chuva. Queria logo ir embora dali.

– Calma, calma. — Ele puxou a linha e pegou o peixe, o colocando sobre uma folha de jornal enquanto o mesmo ainda se debatia. Quando o peixe parou, ele o enrolou no jornal e me entregou, continuando com suas expressões frias de sempre. — Vamos, temos que ir embora.-

Se levantou e foi na frente. Eu o acompanhei um pouco atrás, tinha a cabeça perdida em alguns pensamentos.

Alguns minutos depois, estavamos dentro do metrô. Um pouco molhados por que a chuva começara antes do esperado. Estavamos de pé, segurando em um daqueles apoios. Ele na direita e eu na esquerda, segurando o peixe fedorento.

– Onde vamos dissecar o peixe?

– Na escola. Pedi para nos deixarem fazer isso lá. Já como é importante, eles autorizaram.

– Achei que..

– Iamos fazer na minha casa? — Ele completou, com um sorriso idiota no rosto. — Não levo ninguém lá, pirralha.

Desviei o olhar e bufei. Parte de mim, queria que este trabalho idiota acabasse logo, e a outra parte não queria. Queria passar mais um tempo com aquele garoto esquisito e bipolar. A presença dele me presenteava com um misto de emoções, algumas boas, outras ruins. Mas não importava.

O metrô parou na estação que ficava perto da escola e saimos dali. A chuva havia parado um pouco, mas o céu continuava nublado, e a luz fraca do sol tremulava entre as nuvens.

Entramos na escola e seguimos para o laboratório, Kensuke continuava em silêncio desde a conversa no metrô, alguma coisa estava errada, mas eu não queria me meter.

Ele ligou a luz da sala e eu me sentei em uma das mesas, colocando o peixe numa bandeija, livrando-me do jornal que o cobria. O garoto de cabelos escuros vestiu um jaleco branco e parou em minha frente enquanto puxava uma pequena bandeija com alguns instrumentos que iriamos ultilizar.

– Como estou? — Ele perguntou e fez uma pose boba, ainda estava com o óculos de sol.

Ri baixinho, fazendo uma careta em seguida.

– Parecendo uma criança boba. Anda cá. Eu não sei usar isso direito. — Murmurei, mostrando o bisturi.

– Você não sabe usar isso, sério? Me pergunto como passou em Biologia. — Ele murmurou e fez uma careta boba, puxando uma cadeira para sentar do meu lado. Tirou o bisturi da minha mão e cutucou o peixe morto com o mesmo, fazendo uma cara feia. — Hmm.

– O que foi? — Perguntei e ele continuava com uma careta boba.

Depois daquilo, eu me arrependo de ter olhado pra minha mão, eu estava com a mão um pouco perto do peixe que o Kensuke começara a abrir com o bisturi, errando um pouco o corte.

– Tá errado, cuidado ai! — Avisei e sem querer acabei batendo nele, nisso, o bisturi desviou um pouco do peixe e fez um pequeno corte em minha mão.

Legal. Só tem um problema.

Eu tenho pavor de sangue.

Quando vi o líquido vermelho escorrer da minha mão soltei um grito involutariamente, não pela dor da lâmina fina, mas pelo sangue. E tudo ficou escuro.

Só me lembro de estar deitada no chão da sala e minha cabeça doia muito, ao abrir os olhos, vi o Kensuke bem na minha frente, rindo de um modo bobo, parecendo se divertir com tudo aquilo, eu acabei rindo junto e ele me ajudou a levantar, me contando como eu havia sido dramática e acabei desmaiando.

Terminamos o que tinhamos que fazer na escola e ele me deixou na rua de casa.

Eu estava com medo do dia seguinte. Eu tinha a certeza de que tudo que o prendia a mim, era a droga do trabalho idiota de biologia. Eu não sei o que estava sentindo pelo Kensuke, até que..

Eu estava arrumada para mais um dia chato na escola. Já tinha as falas do trabalho prontas. Vi o Kensuke andando de um lado pro outro na frente da minha casa, falando com alguém ao celular.

– Sim.. Eu sei, amor.. Eu já disse, vou te visitar semana que vem. Isso, no final de semana. Certo, certo. Também te amo. — E desligou.

Então, ele tinha namorada..

Senti meu coração apertar um pouco. Certo, eu estava gostando daquele idiota, mas aquela paixãozinha que já era impossível acabara de ficar mais impossível.

Não sei se o sentimento que me consumiu naquele momento foi raiva ou ciúmes, só sei que passei por ele rapidamente, seguindo meu caminho normal, sabendo que ele seguia logo atrás.

Aquele dia foi chato e triste. Depois de apresentar o trabalho com o Kensuke, no almoço, começou a chover fortemente, me obrigando a sair do meu lugar favorito e entrar no refeitorio.

***

A minha rotina voltara ao normal depois de alguns dias. Voltei a ficar em casa sozinha por longos períodos de tempo, a sair com a Sayuri e com o novo namorado dela o Natsu (vulgo panda) algumas vezes. A mesma chatisse de sempre.

Não falei com o Kensuke desde quando o trabalho terminara, nem ele falara comigo.

Eu sentia um vazio dentro de mim. Mas não queria admitir para mim mesmo que algo estava faltando.

Que ele estava faltando.