Watashi no Me Wa Sumini Yuu Tameni Jirasai
4 Capítulo 3 - Algo que Mudou em Mim
Notas iniciais
Tinha começado a manhã de quarta-feira e meus amigos já estavam em minha porta tocando a campanha enquanto eu estava praticamente em meu vigésimo sono.
—Koichi! Somos nós! Chris e Soihiro! Viemos te acordar para gente ir pro colégio juntos!
Eu tinha me virado na cama até perceber a porta abrir e uma mão acariciar meus cabelos desgrenhados embaixo do cobertor.
—Não vem? Nós estamos te esperando há uns dez minutos...
Eu o havia agarrado sem pensar muito e percebi que ele não havia falado mais nada apenas tinha se coberto enquanto eu o agarrava pela cintura deitado. Após uns instantes eu acordei e observei com atenção o corpo de quem eu puxara para junto de mim debaixo da coberta.
—Hiro-kun?
—A... Hã? Você acordou? O Chris deve estar te esperando lá embaixo... Ele deve pensar que você já está pronto e... Se ele vir você agarrado a mim pode acabar com o seu relacionamento...
—A... É verdade...
Eu vi Soihiro estava feliz pelo abraço e embaraçado por tê-lo trazido para tão perto de mim, mas não só isso ele estava estranho parecia me admirar ainda mais na ausência de Chris. Algo que ainda me assustava, mas preferia isto ao ocorrido no vestuário anteontem. Logo eu já tinha me arrumado e Hiro-kun estava sentado em minha cama abraçado ao meu travesseiro como se este lhe fosse a última lembrança de um parente precioso.
—Bem... Vamos?
—Hã? Sim, sim!
Ele tinha se desvinculado de meu travesseiro como se este fosse um lixo agora em seus braços. Descemos e Chris havia me abraçado como se fosse a primeira vez que tinha me encontrado, mas logo ele estava olhando para Hiro-kun com um estranho sentimento de pena que o fez me afastar daquele abraço.
—Bem... Vamos para escola gente?
—Tudo bem, mas Chris você nem me deu um “bom dia”... Estou até chateado contigo...
—Deixa de ser bobo Koichi! Foi só um descuido de minha educação... Mas se lhe faz falta... Bom dia Koichi!
—Bom dia... Agora sim! Esse é o meu Chris!
—Seu idiota! (risadas minhas e de Chris)
Soihiro nos observava com inveja e um rosto de decepção combinado com um incômodo estranho em nos olhar em tamanha afeição.
—Aham! Não é melhor irmos logo pro colégio?
—A... É... Vamos logo não é? Koichi...
—Bem... Melhor irmos não é?
O dia passou tranquilamente como se não houvesse problemas em nossos destinos e como se hoje e somente hoje nada nem ninguém pudesse intervir em nossas vidas. Logo que saímos Soihiro havia se despedido e corrido para se juntar a seu irmão que já estava indo para casa — coisa que só acontece duas vezes. Uma quando ele quer brigar na escola e outra quando ele sente que irmão gêmeo está mal por causa de alguém ou algo do colégio.
Eu e Chris tínhamos caminhado como sempre fazíamos até nos separarmos defronte a minha casa.
—Koichi...
—Hã? O que houve Chris?
—Meus pais estão para viajar para o Cansas levar uns presentes para as minhas tias...
—Isso é bom...
—Você quer dormir lá em casa no sábado?
Eu corei pela proposta, mas acabei sem resposta a proposital pergunta.
—Hein? O que acha Koichi? Dormir lá em casa... Só para gente dormir juntinhos. Nada de mais...
—É... Nada de mais...
Eu o vi corar tanto quanto eu ou até mais, mas para nós nada mais importava além de estarmos juntos e felizes pela felicidade um do outro. Chegamos na porta de minha casa e nos despedimos com um beijo.
—Até sábado Koichi...
—Até... Chris...
Os dias que se seguiram foram monótonos e sem mais que piadas e brincadeiras entre nós como colegas de colégio. No sábado eu me arrumei e fui encontrar com Chris, mas parecia que ele havia me encontrado na porta de casa.
—Então vamos ao parque?
—Hã? Chris? Você estava aí?
—É que eu acabei de chegar... Bom dia.
—Bom dia... Parece uma ótima idéia.
—Então vamos?
—Claro!
Fomos ao parque de diversões e nos divertimos como nunca. Roda gigante, navio viking, casa de espelhos, mansão do horror... Andamos em tudo que podíamos até não termos mais forças para agüentar o almoço e o café da manhã. Depois fomos ao parque descansar nossos estômagos e corpos de tanta adrenalina e enjôo.
—Hoje foi um bom dia não é?
—É...
Eu observava o pôr-do-sol abraçado a Chris sentado num banco de frente ao lago tentando não pensar mais em nada que me distraísse de nós.
—Koichi...
—O que foi Chris?
—Não acha melhor irmos para minha casa logo?
—É verdade...
Levantamo-nos e fomos caminhando enquanto anoitecia até a casa de Chris e logo que chegamos pude ver os pais dele pegando um táxi para o aeroporto.
—Aqueles são seus pais?
—É... São eles sim, mas é bem provável que não tenham me visto despedir-me deles com um aceno...
Vi no olhar de Chris que ele amava seus pais mesmo que não o dessem muita atenção ou que não estivessem muito presentes, mas isso ainda o feria como um soco na alma e me fazia sentir tão mal quanto.
—Então... Não vamos entrar?
—E os seus pais?
—Hã? Meus pais o que?
—Eles também são assim? Assim como os meus?
—Bem... Meu pai é meio estranho às vezes, mas sempre me apoiou e me ajudou quando precisava de alguém para me explicar algo... E minha mãe, bem, ela sempre foi carinhosa e atenciosa devo minha educação e meu bem estar a ela. Mesmo quando eu brigava no colégio ou no parque e aparecia em casa chorando com cara de poucos amigos ela me afagava a cabeça e beijava minha testa dizendo que é só uma discussão entre crianças e que logo eles entenderiam o meu jeito de ver a situação ou eu entenderia o jeito deles de ver o mesmo...
—É... Seus pais parecem tão legais... Queria ter pais como os seus...
—Nunca mais diga isso! Se não fosse por seus pais serem do jeito que são você não seria do jeito que é e provavelmente não gostaria de mim como gosta agora ou talvez nem viesse para cá... Por isso não repita uma besteira dessas novamente!
Ele tinha se calado surpreso pelas minhas palavras, mas logo que terminei, ele sorriu, me abraçou pondo seu rosto em meu peito.
—Você é sempre tão legal comigo... Koichi...
Depois de entrarmos começamos a fazer uma baderna na cozinha em prol de nossa fome monstruosa e também em prol de planos de assistir a um bom filme na televisão com muita pipoca e refrigerante gelado.
—Vem logo Koichi! O filme já está começando!
—Tudo bem, mas eu ainda não terminei de fazer a pipoca!
—Vem! O filme não espera não ta?
—To indo! Calma... O que eu perdi?
—Nada... Só o título do filme...
—A... Que droga logo a melhor parte?
Nós rimos e assistimos a um filme da Disney... Acho que era “Encantada”... Mas como isso não vem ao caso, logo tínhamos quase dormido. Eu sobre o sofá e Chris abraçado a mim e deitado entre minhas pernas e o sofá.
—Boa noite Chris...
—Boa noite Koichi...
—Irmão... Eles dormiram?
—Parece que sim... Mas por que você me acordou?
—Você já não está mais acorrentado não é?
—Não... É Serenith... Parece que eles já não precisam mais de nós...
—Sim, Malifysence... Parece que é verdade... Você pensa em voltar a Ângelus?
—Não... Acho que...
—O que irmão?
—Estou pensando em desistir...
—O que? Você quer perder as asas? Quer desistir da missão? Logo agora que ela já está cumprida? Logo agora que não há mais o que fazer além de voltar e declarar glória?
—Sim... Não acho que Ângelus seja mais meu lugar...
—Como assim irmão? Eu vim a tua procura querendo lhe bem... E você agora quer desistir? Quer jogar meus esforços fora?
—Desculpe irmã... Mas já me decidi...
—Tudo bem... Mas se você vai mesmo desistir eu vou cuidar de você... Mesmo que para isso eu precise da permissão de Deus ou até que eu precise quebrar as regras dele!
—Adeus irmã...
—Não é um adeus... É apenas um “até logo”... Desejo que ache aquilo que busca irmão...
—Muito obrigado irmã... “Jazem os dias em que estas asas levaram-me aos céus; Jazem também as penas que nelas eram irmãs; Jazem, contudo estas correntes pendentes que ainda estão presentes; Jaz o dia que este espírito escolheu um corpo; Pois agora que o destino o despoja da missão; Pois diante deste desejo ardente que o tempo esqueceu; Há um novo caminho, um novo ser, uma nova criação; na desistência destas asas e da missão divina que me foi concedida; Tornar-me-ei mortal para voltar a servir o pai!”
A sala pareceu estar dentro de uma tempestade ou de um tufão, pois dela saiam luzes vindas dos corpos de Chris e Koichi e que ventos estranhos circulavam os dois. Logo que os ventos cerraram-se eles estavam de volta as suas posições anteriores no sofá e seus corpos já não cintilavam mais.
—Ah... Que frio...
—O que foi Koichi?
—Hã? Nada... Só estava com um pouco de frio...
Eu olhei nos olhos de Chris e percebi uma coisa estranha... Já não havia um anjo reluzente de asas brancas tão belas quanto o próprio portador dele.
—Estranho...
—O que?
—Serenith...
—O que tem ela?
—Ela não está mais no fundo dos teus olhos...
—Agora que você disse... O Malifysence também não está no fundo dos seus... Será que eles...
—É o que eles disseram “Os anjos têm a missão de preencher o vazio nos corações dos mortais até que eles encontrem alguém que os preencha após isto nós voltamos a Ângelus”... Espero que eles estejam bem...
—É... Eu também...
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