Notas iniciais
Há!! Não disse que ia compensar?? u.u Um capítulo mais legal para vocês :3

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—... Com o céu bastante nublado durante todo o período diurno e o risco de chover no final da tarde.

— Arigatou gozaimasu, Hime-san, pelas essas notícias meteorológicas agora de manhã. E voltando ao caso...

Desligando a televisão, Roku levou o copo e o prato para a pia, deixando-os no balcão. Olhou para o jardim pela janela e viu que o frio e as nuvens estavam lá, confirmando a previsão. Talvez realmente chova, o que não seria muito bom. Se chovesse à tarde, ele não teria como pintar o trabalho de artes. E ficaria complicado para eu andar a pé até a casa de Yuki.

— Você fica olhando a paisagem enquanto o tempo passa, e a hora da escola também, Roku-kun.

Ótimo. A voz de Watanabe Mushi estridulou nos ouvidos do neko. Como começar bem um dia!

— Desde quanto você se interessa pela minha vida escolar?

— Desde que está escrito que sou seu pai.

— Ah, sério?! Aonde? Não na minha certidão, eu suponho.

Desdenhando-o com razão, Roku deixou o homem sozinho na cozinha e subiu para o seu quarto. Além de fingir horrivelmente que está preocupado, ele se esquece de olhar as horas e ver que tenho bastante tempo antes de sair. Trocando seu pijama pelo uniforme básico, ele checava se não havia esquecido nada. ... Meus pincéis, as tintas... Ah!, meu casaco.

Guardou tudo e desceu para o átrio. Passando pela sala, ouviu Mushi falar ao telefone celular:

— ... É, é! Pode ser aí mesmo. E faça exatamente como o combinado. Você sabe que o chefe pode não gostar nada, nada!

Virando as costas, tentou esquecer sua presença e saiu de casa.

——

— Yuki! Assim você vai me atrasar!

— Nya, obasan. Tinha esquecido meu livro.

— Certo, entre no carro.

No caminho para a escola, Ellen repassava as instruções com Yuki:

— ... E o micro-ondas, é só ligar na tomada.

— Hai, hai! Você já me disse tudo ontem de noite. E eu entendi. Não precisa ficar tão preocupada.

— Mas... É que... – Vencida, a mulher concordou – Você está certo.

Parando o carro, ela sorriu para o sobrinho.

— Você já está grandinho o suficiente para conseguir tomar conta de si em casa.

Ela lhe afagou os cabelos levemente, o que deixou o garoto corado. Não é só você que fica feliz em vê-lo crescer, onee-san.

— Obasan... Pre-preciso ir.

— Hai! Última coisa: estou bonita? Posso me apresentar assim?

O pequeno neko olhou-a com ar pensativo, de brincadeira.

— Se eu fosse o patrão, te contrataria só por sua roupa – Fazendo a tia rir, Yuki se despediu e saiu do carro, começando mais um dia escolar. Entrou no prédio, e caminhou para o fim do corredor de armários. Estranhou não encontrar Roku. Nya, normalmente ele chega antes de mim.

——

— Ohayo, Roku-kun.

Virando de uma esquina não muito movimentada, Ichida postou-se à frente de Roku, impedindo-o de continuar o caminho para a escola.

— O que você quer, Ichida?

— Mas que pressa! Vim apenas... Conversar – No momento em que dizia, ele olhou para trás do neko, donde de um beco entre dois edifícios saiu um homem enorme, de braços largos e fortes, nada bonito.

Roku se virou, deparando-se com aquele armário de pessoa, este que, pousando a mão em seu ombro, levou-o forçadamente até o beco. No meio de tonéis e latões de lixo, o forçou a se ajoelhar, mas sem soltar seu braço.

— O que vai fazer agora, Ichida? Bater em mim?

— Só se for necessário.

Sem dar muita importância à expressão do neko, Fujiwara começou um discurso que já tinha programado:

— Isso pode ser nostálgico, mas... Como você sabe, nunca fui com a sua cara. Sempre tive meus motivos, e, agora, tenho contas a acertar com você; e ordens a seguir. Então, preste muita atenção, felpudo: – Aproximando seu rosto ao de Roku, completou – Afaste-se do seu amiguinho, deixe-o viver sua vidinha e volte você a viver a sua.

— Qual é o seu problema comigo?! Por que me atormentar assim?! Vá embora, viver a sua vida!

— Não fale de minha vida! Tenho todos os motivos para não te deixar em paz! Olhe aqui, vai se arrepender se não fizer o que eu digo. Não pense que só você sofrerá as consequências. O seu coleguinha também está em jogo!

— O que você pensa que vai fazer com ele?! Ele não tem culpa de nada! Não vou deixar você se aproximar dele só por ser igual a mim! Não vou deixar você fazer com ele o que fazia comigo!

Roku, novamente, falara demais.

— Espere um pouco! Quer dizer que o seu amiguinho é igual a você? Ele tem essas orelhinhas estranhas? Há! Uma aberração versão míni! – Fujiwara não se aguentou e caiu na risada – Um novo gatinho para eu poder brincar!

— Você não vai encostar um dedo nele! Seu filho da-...

Ichida não esperou o neko terminar sua frase. Meteu-lhe um soco na boca, cortando seu lábio por dentro, no choque com os dentes. Afastando-se, completou:

— Isso é para você aprender a se portar diante de mim. Touma, pode larga-lo aí. Por hoje, já terminamos.

Com uma postura arrogante, Fujiwara virou de costas, permitindo um último olhar de desprezo a Roku, antes que seu parceiro o lançasse contra sacos pretos de lixo reciclável. Com um barulho de plástico, o garoto mergulhou involuntariamente naquele monte de lixo, acertando o chão. Os outros dois foram embora, enquanto ele tentava se levantar.

Maldito! Maldito!! Covarde! Além disso, é covarde! Argh! Como tem coragem de me ameaçar assim? Ah!, seu mesquinho! Desgraçado!

De pé, ele arrumou a roupa e sua mochila, que agora tinham um odor desagradável. Sem dar atenção para sua boca, continuou a praguejar Ichida em seus pensamentos, enquanto sentia o gosto férreo do sangue e limpava com a mão o que escorria. Ele chegou ao colégio e tentou andar o mais esguio possível dos outros alunos, indo para o seu armário.

Se ele pensa que vou me afastar de Yuki só por ele ter ameaçado, ele está muito enganado! Agora é que eu vou colar nele! Não vou deixa-lo um momento sozinho para Fujiwara fazer qualquer coisa contra ele.

— Roku-kun! Me responde!

— Ah! Y-Yuki? Gomen nasai.

— Tudo bem com você? Te aconteceu alguma coisa? S-sua gola está suja e sua roupa está... Cheirando e-estranho.

— N-não é nad-...

Roku engasgou-se com o próprio sangue, tossindo e cuspindo-o na mão, que correu para tampar a boca. Falar e engolir ao mesmo tempo foi o seu erro.

— Roku! I-isto é sangue! Nya! Tome, rápido!

Ligeiro, Yuki pegou sua toalha de rosto do armário e a entregou ao amigo para que se limpasse.

— Kami-sama! O que aconteceu?

— Eu... T-tropecei, e bati a boca. Só isso.

— V-você tem certeza de que está bem? Está... S-sangrando bastante.

— Já vai parar.

Fatigando, Roku se se encostou aos armários e escorregou até sentar-se no chão, estancando com a toalha. Não mais enevoado em seus pensamentos, ele começou a sentir sua ferida, que doía horrores. Yuki ajoelhou-se ao seu lado, preocupado.

— Você q-quer alguma coisa? Á-água... Ou...

— Não. Estou bem. Só... Um pouco cansado e... Dolorido.

Seu lábio não parava de arder, mesmo cicatrizando rapidamente, diminuindo o sangramento. Mas adrenalina do momento ainda não passara, o que a respiração entrecortada denunciava. Roku não percebeu, mas o medo percorria pelo seu corpo, desde a ameaça.

— Roku, você caiu aonde? Sua roupa... Está cheirando mal.

Eu conto para ele sobre o que Ichida disse? Bem... Não quero que fique com medo, mas enganá-lo não é certo. Droga!

O sino bateu pela primeira vez, anunciando que restavam cinco minutos para o início das aulas. Os dois nekos se levantaram.

— Obrigado... Pela toalha. Vá indo para a sala enquanto pego minhas coisas e passo no banheiro, para dar uma olhada nisso.

— H-hai.

Yuki encantoou o pano avermelhado em seu armário e, pegado seus materiais, rumou para a sala. Nesse meio tempo, Roku arrumou os seus e seguiu para o banheiro para lavar as mãos e o rosto. Usou o máximo de sabonete nelas, para disfarçar o cheiro, e correu também para a sala, avistando sua professora do outro lado do corredor, antes de entrar.

As aulas passaram e ele ficou totalmente avoado. Yuki tentou chamar-lhe a atenção diversas vezes, mas por fim, desistiu. Nem no horário de almoço conseguiu tirar alguma coisa dele. Sua boca manteve-se fechada, a não ser para dar respostas curtas e para ele mexer na região dolorida.

Só depois do término das aulas, quando eles estavam a vários quarteirões da escola, foi que o pequeno conseguiu algum progresso.

— Roku, v-você não está bem. Você não é t-tão quieto assim.

— Não se preocupe. Só fiquei um pouco atordoado, mais nada.

— M-mas... Você n-não é estabanado, nem fica tropeçando à toa. Te aconteceu alguma coisa e você n-não quer me contar, n-não é?

O mais velho suspirou. Chega de esconder.

— Yuki, você se lembra daquele garoto que quebrou a raquete na aula de tênis, sábado passado?

— Ha-hai. Ichida, não?

— E... Você lembra que eu falei que ele não gosta de mim... Na verdade, que ele me odeia?

— Sim, e... E que vo-você não sabia o porquê.

— Isso...

Roku deu uma pausa; cabisbaixo, mirava o chão aos seus pés. Yuki se adiantou até seu lado e perguntou mais baixo:

— O-o que tem ele?

— Hoje, depois que saí de casa, eu me encontrei com ele... Parecia que ele já estava à minha espera. Ele e outro homem, enorme. Eles me levaram para um beco e...

Roku parou. Droga, conto ou não conto?!

— O-o que eles fizeram c-com você?!

— Ichida falou que... Que, por causa de eu ter ganhado dele, eu merecia um soco. E me bateu na boca. De-depois aquele gigante me jogou no lixo.

Yuki ficou horrorizado.

— Por isso eu estava sangrando e minha roupa cheirando mal.

— Ichida era capaz de fazer isso?

— Ichida?! Ah!, ele é um d-... Um... – Roku não queria começar com os xingamentos novamente – Bem, não é a primeira vez.

— E-ele... Ele já te bateu antes?!

— Ele costumava puxar minhas orelhas. Várias vezes por dia.

Yuki aquietou-se. Guardando todas as outras perguntas, quis pensar um pouco em silêncio. Roku-kun também passou por coisas muito difíceis. Como eu. Nya, se não fossem os meus pais... Nem sei o que seria de mim.

O outro aceitou bem o silêncio. Não gostara de ter mentido para Yuki, e sua consciência o perturbava. Seu eu contar a verdade, ele pode querer se afastar de mim, por medo. Ah! Mas eu não quero perder sua amizade, e nem posso esconder isso dele. Eu sei que Ichida não vai fazer nada comigo por perto, mas... Como vou fazer para ele confiar plenamente em mim?

Eles caminharam mais um pouco, até chegarem à entrada da chácara, onde começavam as árvores que rodeavam a rua. Nesse momento, Roku parou. O pequeno continuou mais alguns passos e também parou, virando-se para ele.

— R-Roku?

— Yuki, eu quero que você preste atenção.

— Ha-hai.

— Você é um amigo muito importante para mim, e por isso, eu vou sempre te proteger. Nunca se esqueça disso!

O neko mais novo ficou bastante corado, mas seus lábios se ascenderam num leve sorriso, antes de ele falar.

— Eu... E-eu confio... Em você, Roku-kun.

Aproximando-se dele, Roku também sorriu, fazendo aqueles olhinhos cor-de-mel cintilarem.

Não posso simplesmente perder esta amizade. Yuki... Ele já é especial para mim.

Continuaram, e logo chegando a casa. Depois de trocar o uniforme fedido de lixo por uma roupa limpa, Roku esperava pelo outro, que fazia o mesmo. Com seus pincéis e tintas e um casaco nas mãos, estava um tanto impaciente, posicionado ao pé da escada. Porém, ao avistar Yuki, seu queixo foi ao chão, tamanha a singularidade e o caimento de suas roupas.

De baixo para cima, ele usava uma calça jeans, skinny e preta; sua camiseta era de manga longa, branca, com um enorme trevo de quatro folhas verde estampado bem no centro, e rodeado de vários outros menores, escassamente; e, para completar, ele tinha nas mãos um moletom de zíper, listrado de preto e um verde parecido com o tom dos trevos.

— O-o que foi? Tem alguma coisa em mim?

— Hum? O que perguntou?

— O que você tanto olha em m-mim?

Roku não percebeu que havia grudado os olhos nas vestes do pequeno, deixando-o envergonhado.

— Olhar...? Ah! S-sumimasen! Eu estava olhando as suas roupas... Acho q-que... Bom, me perdoe!

— Minhas roupas? Por quê? Estão... Ruins?

— Pelo contrário! Eu as achei perfeitas! Sua obasan tem sorte de desenhar modelos para você. Dão uma combinação arrebatadora.

O rosto de Yuki também não podia ficar mais rubro do que com o último comentário do mais velho. Ele tentou mudar o assunto várias vezes, mas até quando chegaram à clareira, suas bochechas se mantiveram rosadas por causa do elogio.

— Vou armar este trambolho de madeira aqui e começar.

— Hai.

Durante um bom tempo os dois se mantiveram calados. Yuki ficou sentado, observando o outro passar o pincel nas tintas, e depois na tela. Viu o traçado do pincel, como ele segurava o instrumento, e percebeu também sua compenetração. Ele tem uma mão bem firme; não treme, como eu. Por isso não sirvo para pintar.

Esgotando-se as atividades ali sentado, ele foi até o lago, andando pela margem e agachando-se em alguns pontos para mexer nas gramíneas e na água. Ele adorava o minúsculo ruído que ela fazia quando ele mergulhava a sua mão. E sua presença envolvente, apesar de gélida, lhe era reconfortante.

Porém, bem antes do esperado, a luminosidade da clareira diminuiu. Os raios de Sol que transpassavam por algumas folhas na borda leste sumiram e um leve murmúrio de chuva já podia ser ouvido.

— Chuva?

Notas finais
Vai, fala aí: este Ichida é realmente odiável, não?
Argh ù.ú

Espero que quem está lendo sinta a mesma emoção que eu sinto, escrevendo e relendo *-*

Well, se quiser mandar dicas para eu incorporar a história, mandem!!!
Uma pessoinha pediu uma coisa nos primeiros reviews, eu gostei e incorporei ^^
Quando chegar a hora, eu aviso ;)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.