Notas iniciais
Yay... Mais um... Acho que meus capítulos são grandes de mais x.x Mas eu os odeios. Minha história não tinha capítulos... E tive que colocar. Esse negócio de arrumar nome pra tudo quanto é coisa é horrível. Talvez eu tire os nomes, não sei. Vamos ver u.u Outra coisa chata é o Nyah! ficar trocando meus travessões por " r13; " Ò.Ó''' Bem, segue mais um capítulo

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A varanda de Yuki contornava toda a casa. Tinha um bom dimensionamento, com vasos de algumas plantas e um banco de madeira, bem largo, ao lado da porta. E ali estava o neko, balançando levemente as pernas, cujos pés por pouco não alcançavam o chão. Ele trajava o tênis casual, uma calça de moletom marrom bem escuro e uma camiseta de manga longa, mais clara. A tela pálida estava ao seu lado, encostada no banco.

Enquanto esperava por Roku, sua vista seguia um passarinho que rodeava as árvores, procurando por folhas e gravetos. Seu voar dançava no céu, caindo rasante até um galho, onde pousava, perdido entre as folhas amareladas. Nesse momento, Yuki avistou o amigo vindo ao longe. Saltou do banco e apressou-se para abrir o portão de ferro.

— Espero não ter demorado.

— N-não. Teremos bastante tempo.

— Ótimo! Vamos começar. Para onde devemos ir?

— Vou pegar a tela – Com passos saltitantes, o pequeno voltou onde estava, pegando o quadro – É por aqui.

Eles saíram do jardim e seguiram pela esquerda rente à cerca, entrando depois numa estreita trilha que começava entre duas árvores. O chão cheio de folhas secas fazia barulho conforme eles caminhavam. Curtos cem metros depois abria-se uma curva aguda, donde já podia se ver o local.

— Uau!

A exclamação de Roku foi acentuada. Uma clareira no meio daquela floresta revelava um belíssimo lago de águas azuis, surpreendentemente grande para aquele espaço. Uma grama verde e rasteira cobria tudo. Já do outro lado, as árvores tomavam conta da margem do lago, formando bonitas formas e contrastes de folhas e tons.

— Nossa! É isso que vamos pintar?! – Roku estava boquiaberto.

—V-você gostou?

— Demais!

Yuki não conteve se sorriso, totalmente feliz. Colocou a tela sobre o chão e se sentou, tirando do bolso da calça um lápis de carvão, próprio para desenhos, que trouxera consigo.

— Fiquei da mesma forma que você quando encontrei.

Roku levou mais um tempo apenas observando o lago. Era alimentado por um leve córrego que descia das entranhas da mata. As árvores que o margeavam, todas de folhas amareladas ou já sem elas, iam de arbustos a frutíferas. Mas uma lhe chamou a atenção: uma cerejeira. Ela não estava com as folhas amareladas nem alaranjadas. Estavam verdes, bonitas e vistosas. Ele só vira aquilo uma vez, e não imaginava que veria de novo.

— Yuki, você viu aquela cerejeira?

— Vi sim. É-é estranho ela não perder as f-folhas no outono. Tia Ellen me disse que a-acontece raramente. A cerejeira começa a-a florir antes do inverno e dar frutos, que d-

— Que depois congelam e viram pingentes – Roku finalizou o neko com um tom mais melancólico.

— S-sim.

Yuki estranhou a repentina mudança, mas voltou a desenhar. Começara pelo lago e já irradiava rápidos rabiscos onde formavam as árvores. Roku andou até a margem, molhando a mão em sua gélida e cristalina água. Percorreu os limites da clareira, encontrando arbustos de amoras e de morangos, arrancando alguns últimos vermelhinhos dentre os espinhos. Oferecendo ao menor, sentou-se ao seu lado, passando a observar as faixas de céu azul que passavam pelos galhos. Isso o lembrou de um local que costumava visitar quando era mais novo.

Uma hora se passou. Yuki tinha os braços levemente doloridos, mas um desenho pronto e muito bem feito à sua frente. Descruzou as pernas e as flexionou, abraçado seus joelhos. Roku sainda entia a brisa e o azedume dos morangos que ficara em sua boca. Estava deitado na grama, bem ao lado de um pequeno formigueiro. Sorridente, feliz com o momento, o menor o chamou pelo nome:

— R-Ro-Roku.

— Huh?

— Eu já... T-terminei.

Ele levantou o tronco e se apoiou nos cotovelos, dando um leve bocejo.

— Gomen. Acho que... Mais um pouco e eu cairia no sono.

— T-também sinto sono aqui, quando não vejo pássaros p-para desenhar – Yuki ficou nervoso. Roku, deitado ao seu lado e agindo normalmente o envergonhava. Mas ele também não entendia o porquê. Aliás, ele sabia por que, mas não tinha certeza de como se comportar diante da situação.

— Deixe-me ver o desenho – Pegando a tela, ele se maravilhou. A boca abriu mais uma vez – Nossa! Está perfeito! E... Em tão pouco tempo. Caramba, como você consegue?!

— Ah... – As bochechas do neko se avermelharam – E-e-eu só... D-desenho. N-nada mais.

— Que vontade eu tenho de desenhar assim. Mas não tenho a mão leve como a sua – Roku ainda olhava para a tela, observando as folhas das árvores, principalmente as da cerejeira, que seriam pintadas em tons de verde. Ele olhou para Yuki com um sorriso, vendo sua cor e oferecendo a tela – Parabéns por esse dom.

A única coisa que o pequeno pôde fazer foi ficar mais enrubescido. Ao estender a mão para pegá-la, não conseguiu conter a tremedeira, tamanha era a insegurança. Roku notou.

— Yuki, você está vermelho e tremendo de novo – Largando a tela, pegou no pulso dele, puxando a mão para mais perto – Isso não é nada legal. Como você está se sentindo?

— N-n-na-nada – Este estacou. Suas bochechas estavam púrpuras.

— Como nada?! Você ficou desse jeito na aula, de repente. O que aconteceu?

— E-e-eu não sei... E-eu t-tre-tremo... S-só t-tremo – Yuki puxou sua mão de volta, pegando nela com sua outra, bem apertado, tentando se conter – Ma-mais nada.

Apertando-as ele começou a se acalmar. Logo sua respiração, antes entrecortada, já voltava ao normal. Apenas a cor vívida permanecia em seu rosto. O outro aguardou, sem desviar os olhos.

— Foi algo que eu fiz? Agora, ou... Na aula? – Roku tentou ser o mais sutil possível.

Olhando fixamente para as mãos, o menor respondeu:

— N-não! Só... É-é, não. N-na... Na aula... A-acho que... Pe-pela prova, eu me d-descontrolei.

— Prova? Ah!, de inglês?

Ele sacudiu a cabeça, afirmando.

— Você não gosta de provas?

— N-não sou bom e-em inglês. Não vou conseguir ir b-bem no t-teste e-e... Não quero tirar n-notas baixas.

— Huh. E se eu te ajudasse?

— Ajudar?! – Ele levantou o olhar, parando em Roku.

— É. A estudar. Eu vou bem em inglês e, posso te dar uma força. Aceita?

— H-ha-hai – Ele piscou algumas vezes, digerindo a idéia – E... Q-quando nós estudaríamos?

— Seus livros estão com você aqui? Podemos começar hoje. Ou então, agora.

— J-já?

— Sim! Vamos lá.

Roku se levantou e pegou a tela do chão. Yuki ficou ainda mais um tempo, abraçado aos joelhos e com o queixo apoiado em um. Gostara da idéia de estudar com o outro, o que lhe dava uma leve sensação de preenchimento; até um calor gostoso explodiu em seu peito. De repente algo o acordou de seus pensamentos. Ele olhou para cima e viu o amigo sorridente, com a mão estendida para lhe a ajudar levantar. O pequeno aceitou.

O sol já tocava o horizonte, deixando as nuvens coloridas. Nuances laranjas, fazendo pares com as árvores também alaranjadas. Claro, as que ainda não haviam perdido suas folhas. Uma leve brisa trazia um ar mais gelado à noite. Os dois nekos se sentiram reconfortados por entrarem em casa, totalmente aconchegante.

— Roku-san! Kombawa!

— Ellen-san, como vai?

— Bem, bem! Mas pare de me chamar assim. Me faz parecer muito formal!

Roku riu de seu jeito.

— Certo, Ellen-chan.

— Bem melhor, obrigada – Os dois riram levemente. Yuki continuava distante – Ainda bem que vocês já voltaram. Ia lhes chamar para jantar. E eu fiz aquele frango xadrez que falei. Duvido que você não vá repetir!

Os garotos passaram no lavabo para limpar as mãos e seguiram para a sala de jantar, toda perfumada com os temperos do prato. Realmente, estava tão gostoso que foi necessário comer outro prato. Depois, uma bela torta gelada de maçã, mais uma das iguarias de Ellen, que fez Yuki revirar os olhos. O sorriso não lhe fugiu da face enquanto ele comia mais uma fatia dela. Um sorriso infantil, mas feliz.

— Que bom que você vai dar uma força para Yuki. Sou péssima para ensinar. Já até tentamos, não é querido? Mas... Não deu nem um pouco certo! – Ellen riu. Depois juntou os pratos e os talheres de inox numa pilha e levou para a cozinha; voltou e levou a torta. O olhar do pequeno a acompanhou até sumir de vista.

— Você realmente gosta de maçãs.

— Hai! Elas são doces e um pouco azedas; vermelhas por fora e brancas por dentro; crocantes e macias. Como não gostar?

Roku estava impressionado. Nem parecia Yuki falando, tamanha sua objetividade.

— Sumimasen, Ringo-senpai!

A risada dele foi gostosamente alta, deixando o mais velho sem graça. Com um sorriso bobo na cara, esperou ele parar de rir.

— Nya! Ringo-senpai... Eu gostei! – Ele riu mais um pouco e se acalmou. Ellen, que tinha escutado a algazarra, voltou da cozinha, terminando de arrumar a mesa.

O bonito relógio que estava pendurado na parede marcava sete horas e trinta minutos. Roku o observou e fez as contas, concluindo que poderia ficar mais um pouco.

— Quer dar uma revisada na aula de inglês que tivemos hoje, Yuki?

— T-tudo bem!

Seguiram os dois para o segundo andar, entrando no quarto. Yuki pegou os cadernos enquanto o outro posicionava um banquinho ao lado da cadeira. A matéria que a professora passou precariamente para a prova, Roku leu, releu e explicou para o pequeno. Custou tempo para ele entender, mas no final conseguiu; pelo menos uma parte.

— Então, going to é para um futuro mais... Mais...

— Imediato.

— Certo. Ah... Se fosse explicado assim nas aulas... Acho que eu já tinha entendido.

— Com certeza. Eu mais do que mastiguei o assunto para você.

Yuki ficou sem graça. Pior é que é verdade.

— Mas é por causa disso que estou te ajudando. Não fique desanimado.

É mesmo! Se eu fosse bem em inglês, ele não estaria do meu lado agora. Talvez... E se eu... Passasse a ir mal de propósito? Algo bastante idiota... Mas... Um sorriso apareceu nos lábios do garoto, que se deliciava com a ideia.

— No que você está pensando que parece ser tão gostoso assim? – A pergunta saiu inocente, porém deixou o rosto do pequeno enrubescido num instante.

— Nada! Não é nada. E-eu... Eu... Eu n-não estava... Não... N-nã- na-nada.

— Acalme-se! Não comece a tremer de novo. Foi só uma pergunta – Roku riu enquanto falou – Não está mais aqui quem perguntou! – Terminou pegando um livro de cima da mesa.

Yuki pousou uma mão em seu próprio ombro oposto, ainda de bochechas vermelhas. Fitou seu caderno cheio de sentenças e frases, escritas da esquerda para a direita, numa caligrafia bonita: a de Roku. Fitou-a ininterruptamente enquanto o outro folheava o livro de exercícios.

— Podemos dizer como uma pessoa é só por olhar sua caligrafia. Melhor ainda quando a escrita está em caracteres ocidentais...

A voz de sua mãe ressoou em sua cabeça.

— Pronto. Escolhi alguns exercícios para você fazer. Eu vou ler o enunciado em inglês e te ajudar a entender. Se você não conseguir resolver algum sozinho, faremos juntos o exercício. Mas você vai conseguir, peguei só os fáceis.

Yuki sorriu, menos animado que antes. Lembrar não era algo que ele gostava muito de fazer. Mas se concentrou nas questões que Roku lia, esquecendo rapidamente do passado e aproveitando a companhia do outro. Passaram mais de uma hora solucionando os exercícios.

— Se vai ser daqui vinte anos, aí você usa o “will”.

— Sim, sim. Entendi.

Roku suspirou aliviado. Este era o último.

— Muito bem. Digamos que você conseguiu passar no meu teste – Isso arrancou um sorriso do pequeno.

— Mas... Foram só os exercícios m-mais fáceis, você disse. Estou mesmo p-pronto para a prova?

— Não! Ainda temos assuntos para revisar, Yuki. Vamos precisar estudar muito. Além de treinar. Se... Você quiser... Eu posso vir todos os dias. Eu pinto a tela de dia e, depois que anoitecer, revisamos inglês. Claro, temos que perguntar para sua a tia primeiro. Você topa?

Isso! Era exatamente o que o garoto queria.

— T-topo, sim. E-e duvido que tia Ellen não vá deixar.

— Vamos falar com ela, então. E então eu vou indo. São mais de nove horas, já!

Depois de organizarem a escrivaninha, os dois desceram até a sala, onde Ellen assistia o telejornal regional na televisão. Não hesitou quando lhe disseram a proposta de Roku, concordando plenamente que seria necessário. Despedindo-se, seguiram para o hall, agasalhando-se corretamente para saírem.

— Você levará a tela amanhã para o professor ver que já começamos. Depois temos mais duas semanas para pintar. Aí podemos ir com calma.

— Hai. E-e... Roku, eu q-quero te agradecer pela ajuda de hoje. Vo-você tem mesmo j-jeito para ensinar.

— Que nada. Só foi uma força – Novamente ele deu aquele sorriso terno e aconchegante para o menor. Enrubescido, este também sorriu, acenando até ele fazer a curva e sumir de vista.

Ele voltou para dentro e encostou-se na porta fechada. Bobamente lembrou-se do sorriso de Roku. Andou lento até o pé da escada, quando sua Ellen lhe chamou.

— Sim, tia Ellen? – Ele ainda estava estasiado.

— Yuki, você gostaria de ver comigo algumas roupas novas para você? Estou com umas ideias na cabeça que acho que ficariam muito legais!

— Iie, Obasan. Pode ser amanhã? Estou... Cansado. Tive de pensar muito hoje.

— Okay. Mas não vou deixar passar. Preciso de amostras e quero sua ajuda para selecionar as melhores para por no papel e fazer.

— Certo. Oyasumi.

— Durma bem. E sonhe com coisas boas!

Ele já subia as escadas quando ouviu. Sonharei com as melhores esta noite!

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Glossário:

Kombawa = Boa noite (saudação)

Ringo = maçã

Notas finais
É isso ai . '[ ... ] Como a gente achou que ia ser ' (8)
xD

Yeah, qualquer errinho, gramatical, de revisão, algum " r13 " perdido; etc... não dixem de me avisar !

Estou tentando manter uma rotina: escrevo num dia, reviso no outro.
Mas tenho que estar inspirado para escrever e com saco para revisar...

Estou conseguindo :B

Abraços õ/