Watashi Wa Anata O Aishite Wa Naranai
5 Se amar é pecado, eu...
Notas iniciais
5 — Se amar é pecado, eu...
-Frida, eu te quero...
A voz soando em seu ouvido, tão baixa e grave a arrepiou. Frida sentiu que havia algo errado ali, sempre foram apenas amigos. Foi quando se tocou no que ele queria fazer e seus olhos se arregalaram e ela começou a se debater. Ela não era uma daquelas servas, não queria acabar como elas! Não era uma concubina.
Ela sentiu as mãos quentes do rapaz a prenderem com mais força.
-Não posso segurar mais...
-Afonso! Me solte!
A garota sentiu mais a pressão do corpo do garoto contra si, e que agora ele prendia seus pulsos com uma mão apenas, enquanto que com a outra ele abria o nó do roupão. Isso enquanto ele mordia a cartilagem da orelha.
Como poderia lutar com alguém tão forte, que a deixava tão frágil? Aquilo estava errado, mas a parte que sempre o amou em segredo estava até de acordo.
Só que ao que tudo indicava, ele apenas a desejava, deixando brotar lágrimas nos olhos de Frida.
Ele a tocava, desvendando cada curva do corpo da jovem, apreciando. Certamente ela, Afonso estava aproveitando, o pouco fio de sanidade ainda fazia com que houvesse algum controle sobre ele. Os seios macios, a pele sedosa, o cheiro tentador. Mesmo sabendo que ela não aceitava, sentia-a se entregando.
Quando percebeu, ele já a havia jogado na cama, com quase todo roupão desnudando o corpo e já livre da peça íntima dela. Por cima da mesma, a prendendo com o corpo, enquanto beijava-a vorazmente.
Suas mãos sentiam a umidade de Frida, enquanto seus ouvidos captavam um leve gemido. Ah, ele não podia mais se conter, retirou a sua única barreira, estando inteiramente pronto para tê-la.
Frida ainda chorava, foi o que ele viu naqueles olhos azuis tão profundos. Estava envergonhado, mas sentia que era tarde demais. Escondeu o rosto na curva entre o pescoço e o ombro e rompeu a barreira dela, sentindo-a soltar um grito de dor e as lágrimas ficarem mais espeças. Afonso se movia nela, enquanto no fundo, ambos choravam, seja externa ou internamente.
O o o | [♥] | o o O
Quando o dia amanheceu, Frida sentia os braços de Afonso a envolverem com força, ele ainda dormia, mas tinha um semblante triste. Tocando seu rosto, sentiu uma parte áspera e esbranquiçada pelas lágrimas.
Foi repentino e bruto, mas haviam tido uma noite juntos. Foram várias vezes naquela noite.
Afonso abriu seus olhos e ao notá-la acordada, ele a abraçou mais perto ainda de si.
-Me perdoe, não vá embora!
Com as outras servas, aquele jovem deus era frio e distante, não se importavam quando elas fugiam do quarto depois do ato. Frida sentia as lágrimas dele molharem seu cabelo.
-Me deixe te amar... eu te amo tanto... — sussurrava ele, com a voz embargada.
-Afonso...
Ouviram batidas na porta e Afonso a soltou. Tinha aprendido ontem a controlar um pouco do cosmo e logo também aprendeu a identificar. Era o próprio Grande Mestre.
-Afonso, está bem? — dizia a voz calma do líder.
-E-estou bem.
Frida se levantou e foi para o seu quarto.
-Já vou... Irei... tomar um banho, Grande Mestre.
-Estarei esperando o senhor e a senhorita Frida para o desjejum. — e Afonso sentiu os passos se distanciarem.
Viu Frida já usando um dos vestidos preparados para a deusa Atena ao que Afonso prontamente a parou.
-Você já se divertiu comigo, saia do caminho.
-Não, você vai tomar banho comigo.
-Não quero que me toque! — disse batendo na mão que a segurava pelo braço.
-Não me diverti com você. Jamais poderia me divertir com você! Amo você, Frida, amo você desde que éramos crianças.
-E em que importa, não? Revirou o templo inteiro com cada serva, me obrigou a fazer... isso... Você me machucou, destruiu todo carinho e amor que tinha por você! Eu te odeio! — dizia Frida, na língua materna de ambos.
O o o | [♥] | o o O
Frida passou por todos ali, feito um furacão. Iria tentar deixar sua cabeça respirar, era tantas coisas de uma vez. Mesmo a dor que sentia não a impedia os passos rápidos. Descia as 12 casas, ainda que alguns cavaleiros protestassem, mas não conseguiam impedir a jovem de descer cada vez mais.
Foi quando ela chegou na casa mais fria, fria por falta de cosmo, a única sem um guardião: Gêmeos. Ficou em frente a armadura, que reluzia solitária num pedestal. Pretendia soltar alguma palavra quando olhou para um vulto, um vulto masculino.
-Você se esqueceu? — disse a voz desconhecida. — Você que escolheu...
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-Frida!
Nem mesmo o Grande Mestre conseguiu segurar o jovem que tinha Atena em si. Ele nem vestiu algum traje mais correto para a reencarnação de Atena, usava um bermudão de tektel, sandálias e um colete leve.
Kalisto, que tinha ido levar rosas para enfeitar o salão de jantar e se surpreendeu ao ver o garoto correr desesperado.
Quando o cavaleiro encontrou o Grande Mestre, o olhou confuso.
-Parece que ele brigou com Frida. — o idoso suspirou. — Até que ele desperte por completo como Atena, ele continuará sendo o menino Afonso.
-Assim como foi a encarnação anterior, né?
O líder sorriu, se lembrando de Saori Kido no começo, ainda tão mimada e inocente.
-Senhor Kiki... Acha que será tão igual como antes? — indagou o cavaleiro de Peixes.
-Não sei. Nunca antes Atena escolheu renascer como um homem. Talvez teremos uma "deusa" mais impulsiva.
O o o | [♥] | o o O
Logo que alcançou a terceira casa, Afonso sentiu um aperto. Ele só sabias das histórias, mas as vezes conseguia sentir pequenos flashs de sentimentos. A única das 12 casas sem guardião.
Quando ouviu a história de Kalisto, e quando o Grande mestre lhe contou as histórias sobre a última encarnação de Atena, imaginou que o guardião daquela casa houvesse sofrido um grande castigo.
O garoto deu mais alguns passos e encontrou Frida, de frente ao altar onde estava a armadura de Gêmeos, ajoelhada, encarando o objeto. Certamente sua imagem devia ter reluzido o objeto, pois ela pareceu enxugar as lágrimas e se virar para trás, encarando o jovem deus.
-Frida... Me desculpe...
-Você me magoou, muito, Afonso.
-Eu fui muito inconsequente, mas me deixe arrumar isso...
-Arrumar? Afonso, você é Atena. Mais dia ou menos dia, o cosmo ou sei lá como chamam esse poder que vocês tem irá fazer que tudo fique pleno. Você realmente será Atena. Ainda vai continuar sendo o Afonso? Ainda vai querer ir para a universidade ou vai querer só proteger o mundo com um bando de marmanjo?
O garoto se aproximou, ajoelhando e a abraçando com delicadeza, ao que ela respondeu, dando uma cotovelada.
-Não me toque!
-Se eu não te tocar, não vou poder te abraçar, me redimir e enxugar suas lágrimas.
-O Afonso... o MEU Afonso já está enterrado.
-Não, não está... Eu tenho tanto medo... Tanto medo quanto você desse futuro como "Atena". Eu não sei o quanto vai mudar nossas vidas, mas quero que o presente seja vivido.
-Amar-nos é um pecado... — Frida murmurou, enquanto encarava a armadura dourada.
Ela finalmente se deixou ser abraçada, o amargo gosto de saber que iria se ferir muito e muito no futuro. Os braços quentes que um dia não abraçariam mais, a trocariam pelo devo. Esse era seu pecado e seu castigo.
Afonso sussurrou ao ouvido de Frida o quanto a amava, e ela voltou seu rosto para o dele, aceitando o beijo carinhoso que o rapaz lhe dava.
Logo estavam num dos quartos desativados, mas que as servas sempre buscavam arrumar esperando que o amo daquela casa fosse finalmente escolhido. Suas bocas, mãos e corpos se roçavam, nus, sob o calor da Grécia. Enquanto o tempo divino não alcançasse, era tudo o que podiam ter.
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