Watashi Wa Anata O Aishite Wa Naranai
4 A maldição da alma
Notas iniciais
4 — A maldição da alma
Frida vinha se incomodando em silêncio e nem os eventos em que ela se apresentava como a falsa Atena lhe entretinha. Todas as noites, Afonso surrupiava uma jovem serva da corte do templo e a possuia. Ele estava abusando da autoridade como "deusa" do Santuário, mas ela própria não podia faz podia fazer nada.Mais incômodo ainda era de vez em quando, ouví-lo falar seu nome. A imagem de Afonso como um estudante brilhante e amigo doce estava em ruínas com as visões noturnas.
Havia recentemente trazido coisas como roupas, livros e cadernos para ambos continuarem os estudos, pois era sabido que Frida e Afonso desejavam continuar suas vidas após o confronto com Nêmesis.
Ambos também souberam que seus parentes o procuravam de forma desesperada, o que quase o fizeram vacilar.
O próprio Grande Mestre estava tentando treinar Afonso, tentando buscar dele as memórias adormecidas da deusa e seu cosmo, que nunca mais despertara.
Depois de dias de fracasso, Afonso resolveu espairecer, descobrindo uma terma. Pensou em ir lá, relaxar.
Quando começou a se despir, ele notou que já havia alguém lá. A princípio pensou ser uma moça loura, mas quando a figura se virou, notou que era Kalisto. E como ele saia de lá na hora, ele notou algo muito estranho na anatomia do cavaleiro: não havia quaisquer orgão reprodutivo. Kalisto não era nem homem e nem mulher. -Sei que está aí, Atena. Sem opção, Afonso saiu do mato, trajando apenas sua box. -Você está perguntando por que tenho um corpo assim. Vamos, pegue suas roupas. Alguns aspirantes são traquinas e pegam as roupas. Afonso pegou suas roupas e sentou-se numa pedra, enquanto Kalisto retornou a água quentinha. -A geração anterior sofreu golpes internos no Santuário, e Atena, assim como você, estava fora do Santuário. Mas naquele tempo, não sabiam disso. O Grande Mestre havia sido dominado pelo mal e era uma farsa, mas três cavaleiros o seguiam. Incluindo meu antecessor, Afrodite. Ele era um homem belissímo, dizem. Na ocasião do final da batalha contra Hades, os deuses deram castigo para alguns deles. A própria deusa Afrodite ficou furiosa com o meu antecessor e o amaldiçoou. Afonso escutava com atenção a história. E Kalisto continuou. -Ele se tornaria um cavaleiro de novo, seria forte, belo e imponente, mas não teria sexo. Ele poderia ter um quando se apaixonasse, mas isso decretaria seu fim como cavaleiro, primeiramente. Seu cosmo minguaria a ponto de não poder lutar e continuaria minguando, matando-o de forma lenta e dolorosa. — o cavaleiro ergueu sua cabeça, com um sorriso triste. — a própria deusa falou isso na noite que ganhei a armadura. Se eu me apaixonar por uma mulher, eu serei um homem. Se eu me apaixonar por um homem, me torno uma mulher. Em ambos os casos, será meu fim como guerreiro e como ser humano. Afonso ficou em choque. -Eu não vou me apaixonar, Afonso. Se não, deixarei de ser eu mesmo, um guerreiro que luta pelo bem da humanidade.
-Se eu despertar meu cosmo, poderei te livrar disso? Kalisto balançou a cabeça em negativa e entao saiu da água, se enrolando no roupão felpudo que deixara separado noutro lado da margem. -Com sua licença, meu senhor. — e se retirou, deixando o jovem deus com seus pensamento. O o o | [♥] | o o O Já era noite e novamente o rapaz pegou outra serva para se satisfazer. As vantagens de ser o manda-chuva era não depender das suas mãos.
Mas ainda não era o que ele almejava tocar: Frida. Não podia fazer isso com a garota que sempre amou, então descontava em desconhecidas, sob desculpa interna que era para não fazer feio quando conquistasse Frida... Se é que conseguiria. Afinal, não sabia como faria quando se assumisse de vez como Atena, como poderia viver. Talvez Frida o quisesse longe.
A cada estocada, ele tbm se preocupava com o futuro de Kalisto. Condenado a viver as margens dos sentimentos. Logo o gozo veio, preenchendo a serva. Logo que ela sentiu seu corpo mais firme, a serva rapidamente se vestiu e saiu dali. Afonso abriu a janela, deixando a Lua banhar seu corpo, a cabeça a mil. Afonso tinha um corpo definido de leve, sem exageros, mas forte. Mas nada que o confundisse com um de seus cavaleiros. Ele voltou para a cama, como estava mesmo, adormecendo.
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No dia seguinte, vestiu uma toga grega, ainda que seu senso de moda condenasse o uso de tênis. Estava na casa de Peixes, vendo seu guardião cuidar de um vaso de rosas. Kalisto prontamente fez uma reverência ao jovem.
-Kalisto... Você sabe onde Afrodite fica?
O dourado ficou surpreso com a pergunta e apenas afirmou com a cabeça.
-Vamos falar com ela. Eu farei ela tirar sua maldição.
-Atena! Você não despertou, é perigoso! Afrodite é cheia de caprichos! — respondeu o defensor da última casa.
-Eu também preciso ver ela, uma parte minha ainda não acredita em todo esse mundo.
Kalisto estava em dúvida, o choque parecia paralisar parte de seu cérebro. Foi quando notou que Afonso usava um pingente. Reconheceu o símbolo, era deNiké e Afonso notou isso.
-Eu achei quando criança numa praça. Desde então eu o uso.
Niké sempre soube onde Atena estava e enviara uma parte de si para cuidar da deusa. Com isso, ele tomou a decisão.
-Vou acatar sua ordem, meu senhor.
E partiram. Logo estavam no templo de Afrodite e a deusa, que costumava ficar neutra nas guerras santas, já parecia aguardar.
A beleza era estonteante, os cabelos loiro mel cacheados contornavam o corpo provocante. Afonso quando a viu teve trabalho em controlar sua mente, não queria ficar de barraca armada se iria arranjar briga com um deus.
-Até agora não entendo, Atena, porque optou por reencarnar num corpo masculino. — disse a deusa, deixando Afonso confuso. — Não se preocupe, não tenho intenção de dedurar você, talvez não se lembre, mas desde que causei a Guerra de Tróia, evito me meter em batalhas. Seja... Bem-vindo.
Ela olhou para Kalisto, que estava tenso.
-Ora, não se apaixonou ainda? Não poderá evitar pra sempre.
Kalisto cerrou os punhos, seus dentes rangiam, estava se controlando.
-É para isso que vim. Quero que tire a maldição de Kalisto. — disse Afonso.
-Deveria saber que não posso, Atena.
-Sabe que não sei. E mesmo que soubesse, não aceitaria. Kalisto não é seu antecessor, não merece isso. Além do mais, ele é forte, perdê-lo seria um problema de logística.
Afrodite riu:
-Faz tempo que não encarnava com uma mentalidade mais digna de guerra... Será a testosterona?
A deusa sensual elevou seu cosmo, alarmando Kalisto. Mas Afonso se pos a frente do cavaleiro.
Então uma onda de poder jogou o jovem deus alguns metros deixando Kalisto atordoado, se voltando contra Afrodite.
-Pare, cavaleiro. Ainda não entendeu o que fez ele proteger você? — disse a deusa de forma seria. — A ficha caiu, ele agora entendeu que é Atena e quer despertar.
Afonso se levantou. Era bem isso que Afrodite dissera, a ficha tinha caído.
O garoto novamente partiu para cima e de novo, caiu ao chão.
-Liberte Kalisto!
-Por que vou ouvir uma deusa patética, presa num corpo de um garotinho mais patético ainda? — gracejou Afrodite.
Kalisto via a cena, com uma rosa já em mãos, mas toda hora era censurado pelo olhar de Afonso.
-Eu não sou... Patético! — o pingente brilhou, e junto com ele, Afonso sentiu o mesmo calor daquele dia, quando conheceu Kalisto. Tinha conseguido dominar seu cosmo, ao menos em parte. O pingente se transformou no báculo, que o adolescente usou de forma desajeitada para lutar.
Afrodite segurou o objeto, travando uma batalha de cabo-de-guerra.
-Ah, agora sim... Está menos patético...!
Um novo estouro de cosmo por parte de Afonso e agora quem saíra voando foi Afrodite.
-Vou repetir de novo, Afrodite: liberte Kalisto da maldição!
A deusa começou a gargalhar, parecia louca. Ela se levantou devagar, mesmo ferida, continuava linda e tentadora. Ela se aproximou de Afonso e lhe roubou um beijo.
Kalisto não pôde se conter com o gesto mimado da deusa e jogou uma rosa em aviso, que cravou numa pilastra. Afrodite apenas olhou o cavaleiro com desdém.
-Meu caro deus... Quando aquela pessoa se apaixonar, irá definir seu sexo, apenas isso. — disse a deusa para Afonso. — Venha me visitar quando quiser...
Afrodite se afastou. Encarando os dois, terminou antes de sair
-Aliás, Afonso. Melhor fazer aquilo que deseja de uma vez.
Afonso ficou meu confuso e saiu junto de Kalisto, deixando a deusa do amor sozinha.
-Cumpra assim o último castigo pendente... Atena... — murmurou a deusa.
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Afonso tinha em sua mente uma grande confusão com as palavras de Afrodite. Claro que levar bronca do Grande Mestre não ajudava em sua mente, mas até o Grande Mestre ficou feliz em vê-lo com Niké, com quase todo seu potencial descoberto. Mas a presença de Frida ainda era necessário.
Frida. Aquele nome era uma porta fechada na cabeça do garoto. "Fazer aquilo que deseja". Afrodite era a deusa do amor, era sobre Frida que ela falava, não?
O barulho de Frida tomando banho e aquela conclusão parecia mexer com os brios de Afonso. A garota terminou o banho e abriu a porta, encontrando Afonso sentado na cama, apenas de box, olhando para o chão.
Fazia alguns dias que eles nada falavam apenas de coisas mínimas envolvendo o Santuário ou a matéria que estudavam no dia. Para onde tinha ido a amizade que tinham?
-Boa noite.
Ela disse e seguia seu caminho. Não dava mais, não podia mais aguentar. Rapidamente Afonso a tomou nos braços, deixando-a de costas para ele e a colocou contra a parede. Frida sentia o corpo dele tremer, como se houvesse alguma hesitação da parte dele, mesmo que algo em seu baixo ventre dissesse que não, que ele estava muito decidido a algo. Afonso respirava ofegante, prendendo os pulsos da garota que estava muda pela surpresa.
-Eu quero você, Frida. Eu quero você!
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