Capítulo 4

Josh Agron

Acordei. Não me lembro de ter dormido.

Me sento na cama onde estava deitado. Minha cabeça lateja, e eu resolvo deitar de novo para parar a dor.

Fecho os olhos e relaxo. Eu deveria lembrar de alguma coisa... ela seria muito importante...

Mas... onde eu estou? Estou à dois anos no Warriors of Light e nunca vi esse lugar.

Cubro o rosto com as mãos, frustrado.

Sinto um leve odor de queimado, que foi se intensificando até meu nariz arder com o cheiro. Tiro as mãos do rosto, e abro os olhos, tentando me acostumar a claridade.

Corro os olhos pelo quarto. Não vejo nada queimado.

Me sento na cama, olhando para meus pés. Meus tênis foram retirados, me deixando apenas de meia. Espere, minhas meias estão queimadas. Eu estou queimado.

Observo meu corpo. Braços arranhados de leve, mas sujos de fuligem... eu acho. Pernas cortadas e rosto... bem, meu rosto está queimado. Tomo coragem e levanto da cama onde estava, e logo em seguida me espreguiço.

Vejo alguns corpos nas camas ao meu lado. Uma garota ruiva, uma garota de cabelos castanhos claros, uma garota de cabelos cinzas, um garoto moreno e um garoto loiro.

O que aconteceu? Será que essa gente também foi queimada?

Passo pelas camas, tentando reconhecer as pessoas. Ao meu lado, vejo Lindsay, minha irmã. Sua pele está mais pálida do que o normal, seus cabelos laranjas bagunçados e seus olhos fechados. Passo a mão por sua testa, onde há um curativo com um desenho de raio. Será que ela foi atingida por um raio? Seu guarda-chuva rosa e azul está parado ao seu lado, apoiado na cama.

Na cama do meu outro lado, posso reconhecer a novata. Os cabelos castanhos caindo sobre o rosto, a pele pálida e um curativo igual ao de Lindsay no pescoço.

Na cama ao lado dela, havia uma garota muito pálida, com os cabelos cinza escuros caindo em cascatas sobre a cama. Os olhos bem fechados e o curativo de raio na testa. Arquejo. Eu a conheço. É Jenn.

Nunca a vi assim. Estava sempre e com o cabelo de cores vivas. Então como...

A verdade veio à tona. A briga no refeitório, é claro. Passo os dedos pelas bochechas pálidas de Jenn. Ela não deveria tentar me ajudar.

Uma cama está desarrumada ao lado de Jenn. Não há ninguém nela, obviamente esse alguém já saiu.

Caminho para as outras duas camas na fileira. Reconheço Rick e Jack, ambos com curativos na barriga.

Não vejo John em lugar algum. Onde ele poderia estar agora?

Nesse mesmo instante, a porta do quarto se abre, e uma Mia apressada segurando um pacote de Doritos entra.

A observo. Ela está com um short e um top branco, e há curativos de raio por todo o seu corpo.

Mia fecha as portas, apressada, e corre até a sua cama desarrumada.

– Quase fui pega. – ela arfou, abrindo o Doritos – Mas não consigo ficar sem comer entre meia e meia hora. Com uma exceção de quando estou dormindo, claro.

E colocou um Doritos na boca.

– Há quanto tempo está acordada? – pergunto.

– Asheianora. – ela murmura, com o Doritos ainda na boca.

– O que? – pergunto.

Mia engole o Doritos.

– Há Meia Hora. – e dá de ombros.

– E Jenn e Lindsay, como estão?

– Não vi Lindsay, me desculpe. Jenn parece estar bem. Pelo menos melhor do que antes. Os cabelos estavam cinza claro... Você estava murmurando algo sobre unicórnios que roubavam chocolates e ouvi a voz de John falando com alguém. Aliás, você viu ele?

Nego com a cabeça.

– Nem sinal dele... – digo, com a boca seca.

Me sento na minha cama.

– Afinal, onde estamos? – pergunto, sem pensar.

– Na enfermaria, dã. – diz Mia – Nunca veio aqui?

Nego com a cabeça.

– É como meu terceiro lar... quero dizer, casa. – ela murmura.

– O que aconteceu para estarmos aqui? – pergunto.

– Já era de se esperar que não se lembre... bem, quando Spencer chegou, apenas eu, John e você vimos. Rick soltou uma descarga elétrica no chão, aproveitando que eu estava distraída, Jack jogou um raio nas costelas de John, e Brad... bem, Brad jogou um raio na sua testa e outro em seu braço... e aí você desmaiou, junto com a gente, mas não sem antes lançar dois raios na barriga de Rick e Jack. – ela explicou.

– Nossa! – exclamei – E onde estará John? Quer dizer, era para ele estar com a gente, não?

– É. – disse Mia – Ele deve ter ido falar com Spencer. Só sei que o refeitório tá uma zona. – ela deu de ombros.

Deitei na minha cama, frustrado. Onde estaria John? E Brad?

Pude ver Mia andando de um lado para o outro, e se apoiando na parede perto da porta.

Fecho os olhos.

– AI!

– Mia! – exclamo, e corro para onde ela está.

Mia estava caída no chão, com um pedaço da parede caído sobre ela.

Coloco uma mão em sua cintura e outra em seus ombros, enquanto ela se apoia em mim para levantar.

– Você está bem? – pergunto.

Ela assente.

– Estou... só... meio tonta. – ela olhou para o pedaço da parede caído – Mas que merda foi essa?

Olho para a parede. Um buraco substitui o pedaço da parede caído. Coloco a cabeça para dentro.

– Escada. – digo.

– O que? – Mia pergunta.

– Tem uma escada aqui. – respondo.

Nos inclinamos para passar pelo buraco. Subimos as escadas em silêncio, observando o local escuro. Mia tropeça uma cinco vezes, e tenho que a segurar antes que ela role uns dois lances de escada abaixo.

A escada leva à um corredor escuro, com alguns ratos e baratas circulando por ele. No fim do corredor, há apenas uma porta.

– Devemos abrir? – pergunto à Mia.

Ela faz que não com a cabeça.

Nos esgueiramos na porta e tentamos ouvir alguma coisa.

– Escute, isso é realmente muito importante. Temos que alertar os Guerreiros da Luz o mais rápido possível. Tenho que reunir mais três domadores e vocês sairão o mais rápido possível.– reconheço a voz do Sr. Johnson.

– Mas quem irá comigo? – levo um susto ao ouvir essa voz. -É John.

– Precisamos apenas da domadora d’água, acho que conseguiremos convencê-la. Ah, e os seus amigos também vão. Sabe, os que estão atrás dessa porta.