Warriors of Light - A Busca
7 Capítulo 6
Capítulo 6
John McLean
A porta do escritório se abriu. Ambas, Mia e Amélia se encontravam paradas nela. Mia fez uma reverência, enquanto Amélia observava, boquiaberta, o local.
Não posso culpa-la. As paredes trocavam de cor, verde, azul, branco e vermelho. Todas combinavam com a decoração do local. Colunas gregas, da cor do ouro se encontravam em cada canto do escritório. Os bustos dos imperadores, cravejados de diamantes, ali se encontravam. Os quadros tinham a moldura dourada, e refletiam diferentes fotos de Sr. Johnson. Em nenhuma delas ele sorria. Sofás coloridos eram espalhados pela sala, junto com mesas de vidro, ocupadas por mapas mágicos, pilhas de anotações e diplomas antigos. Porém, o mais impressionante estava no fundo da sala. Uma janela de vidro ocupava uma parede inteira. Com um controle, Sr. Johnson podia administrar o que as pessoas viam. Agora, víamos seu jardim. Em outra hora, poderíamos ver as pirâmides de Gizé, o Parthenon, o Central Park ou até mesmo uma fábrica de salgadinhos. Tudo poderia acontecer. Na frente da janela, estava a escrivaninha de Sr. Johnson. Era de mogno, tão brilhante, que desconfio que ele a tenha enfeitiçado para isso. Pilhas de papéis (arrumadas, é claro) estavam sobre ela, ao lado de um notebook negro, e em sua volta, aparelhos eletrônicos com uma tecnologia tão avançada, que eu poderia passar cinquenta anos só para ligar aquilo. Atrás da escrivaninha, sentado numa poltrona virada de costas para nós, estava Sr. Johnson.
– Sr. Johnson, desculpe pelo atraso. Trouxe Amélia, como pediu. – disse Mia.
– Sim, sim. – disse Sr. Johnson – Obrigado, Srta. Jones.
Ele se virou. Cabelos castanhos escuros, caindo um pouco abaixo do queixo, olhos cor de mel, sempre cobertos por óculos escuros e pele um tanto parda. Era belo, mas de um jeito selvagem.
– Então... deve ser a Srta. White, certo? – ele perguntou.
Ela assentiu, nervosa.
Sr. Johnson se levantou.
– Srta. White, o que temos que conversar é muito sério. Acontece que, provavelmente, você é a primeira domadora da água em vários anos.
– Ah... e isso é bom, não é? – Amélia perguntou.
Pude ver Mia se esforçando para não revirar os olhos.
– De fato... – disse o Sr. Johnson. Ele andava para lá e para cá na sala, observando tudo com atenção, desatento à conversa. – Porém... muito perigoso. Srta. White, lembra-se de seu primeiro dia aqui? Um rapaz, Billy, deve ter lhe contado sobre uma tal guerra, não? E a senhorita deve ter perguntado sobre... como é mesmo que a chama? Oh, sim, Perrie. Deve ter perguntado sobre Perrie para ele.
– Sim, mas...
– Imagine como um passatempo de ligar os pontos. É capaz de liga-los?
Silêncio. Amélia encarava o chão, a testa franzida. De repente, ela arregalou os olhos.
– Esse... esse tal imperador. Perrie planeja soltá-lo, não é isso?
– Ora... parece que sabe raciocinar...sim, Pérola McLean planeja soltar o Imperador do Fogo. Não sabemos como, mas temos uma ideia. Escolhi quatro domadores, um de cada elemento, para irem em uma busca por um artefato mágico, que poderá impedir esta fuga.
– Então... – Amélia arregalou os olhos- Ma-mas, se-senhor Johnson... eu cheguei aqui não faz nem um dia! Como vou... como vou para...
– Não se preocupe. Terão Cinco dias até o início da missão. Confiarei em vocês três para treinarem a Srta. White até dia 15. Ou senão... bem, já sabem a punição.
– Sim senhor. – disse Mia.
– Pode contar conosco. – Josh falou.
– Como quiser, Senhor. – disse eu.
– Ótimo. Dispensados.
Saímos do escritório de Sr. Johnson e entramos no elevador no fim do corredor, em silêncio.
Quando as portas se fecharam, Amélia escorregou até sentar no chão, e apoiou a cabeça nas pernas.
– Eu não acredito nisso! – exclamou – É tão... tão... injusto!
– Bem... quando se trata de Sr. Johnson, não podemos esperar muita coisa. – disse Josh.
Mia deu um tapa em sua nuca.
– JOSH! – e olhou ao redor – Nunca fale mal do Sr. Johnson.
– Ora Mia, você nunca gostou dele.
Ela revirou os olhos.
– A questão não é gostar... ele pode estar nos observando nesse exato momento.
Amélia fungou, e logo depois assentiu.
– Seria idiota da nossa parte sair falando mal dele. Principalmente no seu próprio prédio.
– Ok, ok... – disse Josh, com as mãos erguidas, em sinal de rendição – Não está mais aqui quem falou. Mas, sério, gente, ele é sinistro.
– Nisso eu tenho que concordar. – disse Mia – Tenho calafrios só de ouvir seu nome. – e esfregou o braço.
Olhei para o espelho. Quatro adolescentes de 13 anos, todos iniciantes, em uma missão superperigosa. Porque Sr. Johnson foi nos escolher? Bem... foi mesmo injusto ele escolher Amélia, mas como ela é a única domadora da água do condomínio... foi necessário. Mas... se não me engano, há 2 outros domadores da Terra, além de Mia. Sendo que um está aqui à 5 anos, e já tem 17. Então porque...
– JOHN! – Josh gritou.
Me virei. As portas do elevador já tinham se aberto, e Josh estava entre elas para impedir que elas se fechassem.
– Anda logo, cara.
Saí do elevador, e logo Josh me seguiu. As garotas estavam no jardim, entre as flores.
– Eu já te disse, elas são amaldiçoadas! – Mia exclamou.
– Eu não ia pegar a safira! Só quis tocar uma pétala! – Amélia gesticulou com as mãos.
– Safira, pétala, folha, cabo... sei lá. Continua sendo amaldiçoada.
– Que mal uma pétala pode fazer?
– Hum... deixe eu pensar... fazer pedaços do seu corpo caírem? É, deve ser isso...
– Você fala como se não fizesse nada de errado!
– Ora...
Corremos até as duas.
– Ei. – disse eu – Se controlem.
– Certo. – disse Mia – Da próxima vez vou te deixar morrer lentamente... é, irá ser divertido.
– Mia! – Josh a repreendeu.
Ela apenas deu de ombros,
– Vamos logo. – eu disse – Quanto mais rápido sairmos daqui, melhor.
Caminhamos em silêncio, até sairmos da mansão/ prédio, onde o porteiro devolveu nossos cartões.
– Ei, porque eu não ganhei um? – Amélia perguntou.
– Só ganha quem já saiu do Condomínio. – expliquei.
– Mas eu VOU sair daqui.
– Exatamente. Vai, verbo futuro. Você ainda não saiu. Quando voltar da missão, irá ganhar um.
– Se eu voltar da missão... – ela murmurou.
Caminhamos em silêncio, até chegarmos ao prédio 560, onde três garotas nos esperavam.
– AMÉLIA! – gritou uma ruiva, que logo correu até nós – Ficamos preocupadas! O que aconteceu?
– Nada de importante, Lindsay. – disse Mia – Só algo sobre os treinos e os horários de Amélia.
– Mas é Billy quem os entrega. – disse uma garota de óculos.
– Sim, mas como Amélia é a única domadora da água aqui, o Sr. Johnson achou melhor ele mesmo entregar para ela.
Uma garota hippie arqueou as sobrancelhas.
– Okay...entendemos. – ela disse, mas soava pouco convincente – Agora, venha Amélia. Mal arrumou suas coisas.
Amélia arqueou as sobrancelhas.
– Mas que coisas? Eu só vim para cá com esse vestido de baile...
Lindsay revirou os olhos.
– E para que serve a magia? Venha, vamos subir.
Como também morávamos no 560, as seguimos. O elevador ficou um tanto apertado com todos nós, mas coubemos.
Enquanto subíamos, um silêncio desconfortável pairou entre nós.
As amigas de Amélia se mexiam, desconfortáveis. Lindsay e Josh olhavam para o rosto de cada um, como se suspeitassem de algo. Amélia estava olhando para o espelho, fingindo arrumar os cabelos, quando na verdade prestava atenção em nós. Mia me encarou, de repente. Percebi que movia os lábios devagar.
“ Não aguento mais isso.” – ela disse
“Não só você.” – respondi.
“Quando começamos os treinos de Antélia?”
“De quem?”
“Os treinos, sabe.”
“Sim, sei.”
“O que?”
“Sim, sei.”
“Pintou o que?”
“SIM, SEI”
“Sim, mas o que você pintou?”
“Caramba, Mia, não pintei nada. Eu sei dos treinos.”
“O que você d...”
As portas do elevador se abriram. Estávamos na ala dos dormitórios masculinos.
– Vamos parar aqui. Amélia vem conosco. – disse Mia.
As garotas olharam para Amélia, preocupadas.
– Vão indo. – disse ela – encontro vocês depois.
E deu um sorriso como canto da boca.
– Tudo bem... – a garota hippie apertou um botão.
As portas do elevador se fecharam.
***
Corremos até chegarmos em um corredor escuro. Era tão escuro, que mal podíamos ver nossos rostos.
Paramos para descansar um pouco.
– Mia, o que... – começou Josh.
– Ano passado. – Mia o interrompeu – Logo quando cheguei aqui, me perdi. Descobri um corredor que ligava as duas alas, através de uma escada. E este é o corredor. Não sei a finalidade dele.
– Não sabe? – Josh riu.
Juro que Mia deve ter corado.
– JOSH! – ela o repreendeu – Bem... Lembram que barulho o chão faz quando pisamos forte nele?
– Sim. – disse Amélia. – Porque...
– Agora pulem e batam os pés com força no chão.
Pulamos. O barulho não se assemelhava ao dos outros corredores. Era quase como se fosse...
– Oco. – disse Mia – Já pararam para pensar...Porque ele é assim, tão escuro?
– Para esconder algo. – arregalei os olhos – Mas o que seria...
– Aqueles tais... guerreiros da luz. –Josh falou a última parte num sussurro.
– O que? – Amélia perguntou.
– Sabemos tanto sobre eles quanto você. – disse Mia – Mas John sabe sobre eles... não é mesmo?
– A única coisa que sei... é que são um tipo de ordem que trabalha para o Sr. Johnson. Desconfio que tenham ajudado os 3 imperadores na Guerra... mas só sei disso, desculpem.
– Bem, é um mistério, não é? – disse Amélia – Depois resolvemos isso. Precisamos falar sobre a missão.
– Amélia, você ainda não entendeu? – perguntou Mia – A conversa do Sr. Johnson... A Ordem... A missão... O corredor... Está tudo ligado. E além do mas... esse tal objeto poderoso que temos que encontrar... só pode ser obra deles!
Amélia arregalou os olhos.
– Então quer dizer...
– Sim. Os Guerreiros da Luz são nossa única chance.
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