Capítulo 2

John McLean

– Já a encontraram ? – perguntei a Sr. Johnson, que estava sentado em uma grande poltrona de couro.

– Enviei uma domadora da terra para a combater. Tenho certeza que ela vai conseguir. Mesmo sendo uma iniciante, a Terra tem o dobro de forças que o fogo. – Sr. Johnson me olhou – Sem ofensas.

– Tudo bem . – fiz um sinal de desprezo.

Pérola e eu somos irmãos gêmeos. Ela me odeia, eu a odeio, nós nos odiamos. Simples.

Porque a odeio? Digamos que somos de uma raça diferente . Não somos nem humanos, nem monstros, ou aliens, sei lá. Somos domadores dos quatro elementos. Descobrimos nossa origem com 11 anos, e fomos levados à um prédio onde esses “mutantes“ viviam. Nessa época, existiam quatro imperadores. O imperador do fogo se chamava Nakérion; o da água era Koring; o do ar era Rashig e o da terra era Kinirión. Nomes estranhos, mas com muito poder.

Na época, os 4 dividiam os poderes dos 4 elementos igualmente. Nakérion era o mais ambicioso, ele queria mais e mais. Ele uniu todos os seus súditos, e o reino do fogo se rebelou, causando desequilíbrio no mundo mágico. Uma grande guerra começou, e os vencedores foram os reinos da Água, da Terra e do Ar.

Nakérion foi aprisionado nas masmorras do palácio do ar. Porém, em Janeiro desse ano, guardas escutaram ele murmurar sobre uma fuga. Uma fuga, e uma morte. Mas as noticiais ruins não foram só dele: Pérola sumiu no mesmo dia, e dois meses depois descobrimos que ela era líder de uma associação rebelde, à favor de Nakérion . Agora estamos a procurando, para depois ... não sabemos mais o que fazer com ela, mas temos que encontra-la, e rápido.

A porta foi aberta, revelando uma garota de cabelos castanhos escuros com mechas verdes, olhos verdes oliva, pele bronzeada e algumas sardas no nariz. Ela vestia uma camiseta do Nirvana, uma calça jeans rasgada e um all star preto com spikes pratas.

Ao lado dela, uma garota de cabelos castanhos claros, olhos azuis, pele clara e com uma expressão confusa, não parava de perguntar alguma coisa à Mia. A garota usava um vestido azul claro de tamanho médio, com uma flor que estava presa na fita que marcava sua cintura, sapatos azuis claros e uma parte cabelo presa com uma presilha de flor azul.

– Encontrou ela? – perguntei.

Mia fez que não.

– Eu estava esgotada, só consegui fazer um buraco que a levasse para o outro lado do país.

– Só ? – a garota perguntou – Ela deve ter quebrado todos os ossos, vai aparecer do outro lado do país com sorte de ter quebrado o corpo todo e você diz só?

Mia revirou os olhos.

– Acho que ela é uma domadora da água, isso explica Pérola a atacar primeiro. – Mia explicou.

– Você conhece Perrie? E como assim, atacar primeiro? – a garota perguntava.

– Qual seu nome? – perguntei.

Mia bufou.

– O nome dela é Amélia White, 13 anos, filha de Josh White e Elizabeth Skeeter. – ela falou, se jogando em um sofá de couro vermelho sangue.

– Como sabe? – perguntei.

Ela deu de ombros.

– Li seu currículo escolar.

– Ei! – Amélia reclama.

– Pois bem, Amélia, já ouviu falar dos quatro elementos? – perguntei.

***

– Ela vai ter que ver o vídeo educativo... – Mia revirou os olhos.

Estávamos saindo do prédio onde os domadores mais importantes moravam.

Eu e Mia pertencemos ao mesmo nível de domadores. Mesmo ela chegando aqui no fim do ano passado, nós dois sabemos controlar os poderes igualmente. Ou pelo menos quase, já que eu sabia um pouco mais que Mia.

– Vamos logo, o prédio 560 já vai fechar! – Mia exclamou, me puxando pela mão até o prédio.

O prédio 560 é onde os domadores iniciantes (de 1 até 3 anos como domadores) moram. Lá, nós aprendemos mais sobre a história dos 4 elementos, dos imperadores, de suas origens ...

Temos 5 andares: O térreo, que tem piscinas, jardins, lareiras e vários ventiladores para os domadores iniciantes treinarem.

As salas de aula: Os domadores aprendem muitas coisas importantes sobre a origem deles e os quatro elementos.

O centro de combate: Onde nós testamos nossos poderes, sendo fazer uma plantinha crescer à fazer uma enorme cratera no chão, e por aí vai.

Os dormitórios: Masculinos e femininos – Os dois andares restantes são os dormitórios, divididos pelo o papelzinho que pegamos com o porteiro, James.

Entramos no 560 correndo, empurrando todos à frente e apertando o botão 4 no elevador. As portas se fecharam logo em seguida, fazendo-nos desabar sobre o carpete vermelho sangue e dourado.

– Que dia cansativo... – Mia suspirou.

– Quero muito ficar longe de livros pelo menos por algumas horas... – bufei.

Nos olhamos no espelho que havia grudado na parede do elevador. Mia parecia esgotada, com os cabelos bagunçados e roupas sujas de terra; na sua bochecha, um corte fino que deduzi ser devido aos tombos que ela leva quando produz crateras. Queimaduras em sua pele, e um corte profundo no braço. Já eu, estava pálido, com as roupas amassadas e olheiras de cansaço.

– Lutou bastante? – perguntei, observando Mia.

– É... digamos que sim. – ela disse.

– E a novata?

– Que tem ela?

– Ela ajudou?

– Oh, sim, eu estava quase morrendo e ela joga água na orelha da sua irmã.

– Dá um desconto para ela, você foi pior. – sorri.

– Com os poderes sim, mas eu lutei karatê com aquele anão muito bem, ok? – ela perguntou, me dando língua.

Ri e dei um tapa em sua nuca.

As portas se abriram, revelando o corredor para os dormitórios masculinos. Algumas crianças de 10 anos brincavam com Beyblades, e pareceram ter se assustado com o barulho da sineta.

Me levantei, e tirei o pó de minhas roupas.

– Até amanhã, Mia. – sorri, com o canto da boca.

– Até amanhã, John. – Mia também sorriu, e logo depois, apertou o botão do 5° andar.

As portas se fecharam, e o elevador subiu. Me virei, passei pelos garotos e entrei no dormitório número 42.

– Até qualquer dia, Pérola. – sussurrei.

E assim, fechei a porta.