Capítulo 1

Amélia White

Cloe e Jenny são ótimas amigas, principalmente pelo fato de elas saírem correndo quando a garota mais popular da escola veio falar comigo.

Estávamos no baile da escola, eu, a Cloe e a Jenny, minhas melhores amigas. E lá estava eu, me divertindo com elas, quando a Perrie chega.

Perrie é o tipo de garota perfeita. Cachos loiros caindo pelos ombros e uma franja que cobre toda a testa; isso só a faz ter um rosto mais parecido com o de uma bonequinha de porcelana. Uma bonequinha de porcelana cruel. Seus olhos azuis claros não são nada inocentes, e sim raivosos. Suas bochechas rosadas e as pequenas sardas no nariz a fazem ter uma aparência angelical. Até você a conhecer.

Desde que eu entrei na Wisdom High School, ela me odeia. Ela odeia todos os não- populares.

– White. – ela cuspiu – Venha comigo.

E com isso, ela empinou o nariz e girou, batendo com seus cabelos cacheados no meu rosto, e girando seu vestido. Ah, o seu vestido.

Aquele vestido me dava ânsia de vômito. Um vestido rosa claro, com lantejoulas, glitter e laços. Uma saia rodada de tule, e uma fita na cintura, com um laço roxo com glitter preso nela.

Fiz uma careta e segui Perrie McLean.

Os corredores da escola eram azuis claros, com listras laranjas e brancas. As portas eram de uma madeira bem clara e polida, como o chão de uma casa no lago chique.

Entramos no corredor dos armários, onde Perrie me parou.

– O que foi? – perguntei.

– Morra ... – ela sibilou.

Perrie se virou bruscamente, jogando algo em mim. Fiquei em choque, e então não consegui me esquivar.

Foi como uma explosão. Por um segundo, senti dor. Como se eu estivesse sendo queimada viva. Depois de um longo grito, me senti mergulhada em uma água fria e salgada. Reconheceria aquela água em qualquer lugar. A água da praia de Cancun. Cristalina, limpa e gelada. Maravilhosa.

Surpreendentemente, quando abri os olhos, eu estava viva. E em pé! Um escudo de água se formava à minha frente. Não sabia de onde ela havia vido, ou como isso aconteceu, mas a água me protegia, me fortalecia. As queimaduras na minha pele haviam desaparecido, e no lugar delas, pequenos desenhos de golfinhos azuis apareciam, e logo depois sumiam.

– Não ... não pode ser ! – berrou Perrie.

Ela jogou bolas de fogo em mim, mas a água me protegia, fazendo as bolas voltarem para Perrie.

– PARE! – ela berrou, jogando mais labaredas, mas felizmente, a água continuou a me proteger.

Perrie parou de repente, e sua expressão de espanto se transformou em um sorriso malicioso.

– Hum... me poderá ser útil... – ela sorriu, mais uma vez – Amélia White, não é? Pois bem, Amélia, já ouviu falar de...

Mas Perrie não pode continuar. Uma enorme cratera se abriu no chão, e de dentro dela, uma garota saiu. Ela se levantou rapidamente, e logo depois encarou Perrie.

– Então, nos encontramos novamente... – sibilou a garota.

– Oh, que tolinha, acha que pode comigo? Você só chegou ano passado. – Perrie riu.

A garota pareceu ofendida. Ela cerrou os punhos, esticou os braços na frente do corpo e abriu as mãos rapidamente. Ela lançou espinhos em Perrie, que se defendeu, jogando bolas de fogo na mesma.

A garota continuou atacando, raivosa. Infelizmente, Perrie foi mais rápida, e apenas se desviava.

– Pronto? Ah, agora sim, faz algum tempo que ando querendo participar de um homicídio, sabe? – ela perguntou.

Perrie foi corroída por fogo. Literalmente. Sua pele se tornou vermelha, com tatuagens de cobras, suas roupas se tornaram da mesma cor. Os olhos viraram vermelhos, sem pupila nem íris, apenas a cor vermelha. Os cabelos loiros viraram negros, e a boca ganhou presas. Nas mãos, imensas bolas de fogo, com lava escorrendo entre os dedos. E em volta de Pérola, labaredas.

Ela atacou. Foi tudo muito rápido, não pude visualizar direito. Em um instante, a garota misteriosa estava em pé, horrorizada, e no outro, estava caída no chão, com queimaduras por todo o seu corpo, e cortes nos braços.

Perrie já estava começando a agir. Estava em posição de ataque. Mais uma bola de fogo, e a garota morreria.

Então, um pensamento estranho me ocorreu. Eu tinha que salvá-la. Mas eu não era capaz de lutar com Perrie, eu não tinha poderes.

E como você explica esse escudo aquático?

Ah, é mesmo, o escudo aquático.

Me concentrei com todas as forças em jogar a água em Perrie.

Vá.

E de uma hora para outra, escutei um barulho de água, um grito de espanto, o chão tremer e um grito de dor. Depois de alguns minutos, fez-se silêncio.

Abri os olhos devagar, e me deparei com lava nas paredes, crateras pelo chão e armários caídos. No centro de tudo isso, estava a garota estranha.

Me inclinei para a frente, espiando a cratera onde estava Perrie momentos antes. Pude vê-la se segurando em uma raiz, que poderia se partir à qualquer momento.

– Não se aproxime...– a garota murmurou.

A obedeci, e segundos depois, Perrie caiu na escuridão.

– Ótimo. – e cambaleou, se apoiando em um armário torto.

– Quem é você? – pergunto, assustada .

– Isso não importa agora. – ela disse – Venha comigo.

– Me obrigue!

Ela me encarou . Seus cabelos negros com mechas verdes cortados ao estilo “rock n’ roll“ destacavam seus olhos da cor verde oliva. Ela era assustadora, e ao mesmo tempo, bonita. Uma combinação meio estranha.

– Quer sobreviver ou não? – ela cuspiu.

Eu iria devolver de uma maneira bem antipática, mas não tinha escolha. Ela salvara minha vida, e se eu não a seguisse, seria em vão.

– Posso ao menos me despedir das minhas amigas ? – perguntei.

– Tem 1 minuto.– ela disse – Nem um segundo a mais .

Cansada, corri.

Encontrei Cloe e Jenny tomando ponche e rindo. Corri até as duas, cansada.

– Mellie, o que aconteceu? – perguntou Jenny, espantada.

– Olhem, não tenho tempo para explicar, e mesmo que tivesse, eu não sei o que está acontecendo. Só sei que preciso sair daqui, e rápido. Não sei quando vamos voltar a nos ver, mas garanto que vou tentar manter contato. – expliquei, rapidamente.

– Mas Mellie, o que...? – começou Cloe, mas logo ela foi interrompida pela voz do apresentador, que anunciaria o rei e a rainha do Baile.

–Até!- gritei, e voltei correndo até onde a garota estranha estava.

– 61 segundos. – disse ela – Já iria te buscar. Venha, temos muito caminho à andar.

Hesitante, a segui.

A desconhecida olhava as paredes, nervosa. Parecia preocupada, com medo de algo dar errado.

– Onde é a saída? – ela perguntou, enfim.

A encarei.

– Como assim onde é saída? Você simplesmente emergiu do chão da minha escola e não sabe onde é a saída? Quero dizer, já deve ter passado por lá, né? – perguntei, indignada.

A garota estranha me encarou. Ela me fuzilava com os olhos, como se eu a tivesse insultado.

– Quando se está no subterrâneo, não se pode ver o que está acima. – ela explicou, nervosa.

Dei de ombros, e a levei até a saída.

– Pronto. – eu disse.

–Não, ainda não está pronto. Precisamos chegar até lá. Me diga uma coisa, Amélia, você é claustrofóbica, ou tem medo de lugares escuros e apertados?

– Não...

– Ótimo, então segure firme no meu ombro.

– Espere! Para onde vamos...?

– Mia. Vamos à um lugar chamado Warriors Of Light.