O jeito que o rapaz olhava para nós ainda me incomodava.

O arco em minhas mãos pesava, o silêncio ainda estava no ar. Então Olho para Ártemis, ela com um movimento sutil e leve, assente com a cabeça, atirando as três flechas no sujeito, mas ele desvia de todas, numa velocidade incrível, parecendo um fantasma. Mas minhas miras eram precisas! Como errei? Com a raiva subindo em minha cabeça, largo as flechas no chão e o arco, puxo minha katana e vou para cima do sujeito de capuz.

O rapaz solta o arco também e puxa uma cimitarra grossa, que parecia um facão grande. Seu gume era fino no começo, mas quando chegava a ponta era grosso e curvo.

Com minha corrida, pulo e preparo para fincar a espada nele, mas ele só vira para o lado me fazendo fincar a espada na grama e me fazer cair.

— Eu não quero lutar com você – Diz o rapaz. Sua voz era grossa, mas com uma melodia calma.

—Está arregando? – Levanto tirando a espada no chão e deferindo um ataque na vertical para cima, mas ele defende e me segura pelo pescoço me erguendo.

— Não quero lutar com você cria do caos, minha missão te proteger! – ele diz forte me olhando, enquanto eu me debatia.

Ártemis, que olhava nossa luta, interfere então.

— O que disse jovem? – Ela diz se aproximando.

— Sou Adwale, sou um sacerdote de Anúbis, descendente de tutankamon segundo, e minha missão é achar a cria do caos e leva — lá para o Egito para que possa ajudar num mal que está se aproximando, que só o caos poderia começar a amenizar esse destino da humanidade. – Ele fala olhando a deusa.

—Ta, poderia me largar então maguinho? – Digo o menosprezando e debochando. Ele me olha e me larga, me fazendo cair sentado. – Obrigado.

***

— Bom, então está na hora de você seguir seu caminho meu jovem – Diz a deusa para mim, me fazendo erguer as sobrancelhas.

— Mas nem morto! – Digo sem pensar. Não queira deixar a deusa. Sentia algo que eu não sabia o que era.

— Vá meu queridinho. Aqui é um grupo para mulheres, nem devias estar aqui – ela diz em uma risadinha, olhando Adwale. Ele era um negro forte, alto, careca, em baixo dos dois olhos havia três riscos curvos, como cicatrizes. Sua roupa era marrom, um manto que era uma regata. Seus braços eram fortes e em seu braço esquerdo havia uma tatuagem tribal que ia até sua mão, fechando o braço. Provavelmente deveria também estar em seu peito. Em suas costas estava o arco e a aljava e uma escopeta estilo pirata. Em sua cintura estava sua cimitarra. Ele era sorridente, uma pessoa carismática.

— Tá... –Digo cabisbaixo me levantando e Adwale também. Então algo estranho, Ártemis se levanta também e me abraça, algo muito incrível senti no momento, fiquei sem ação. Ela me soltou, foi um abraço rápido, mas para mim durou muito tempo. Seus cabelos ruivos brilhavam a luz da lua.

—Boa sorte Oliver, que sua caçada seja abençoada. – Ela diz dando um tapinha em meu ombro. – Cuide desse rapaz para mim sacerdote. – ela diz séria para o negro.

— Sim senhora – Ele diz com respeito, então os dois rapazes partem para o aeroporto mais próximo.

Adwale tinha um Ford taurus azul, último modelo. Um carro notável e bonito. Antes de entrarmos, ele abre a porta malas e me estende uma roupa, parecia uma armadura, estava enrolada em uma trouxa.

—Vista. – ele estende para mim.

—Não! – exclamo dando um passo para trás.

— Anda logo e deixa de ser mulherzinha como estavas sendo antes. – ele diz meio irritado.

— Gosto do meu manto assim- Digo o encarando, e ele faz o mesmo, me fuzilando com os olhos.

— Vista logo diabo, que merda, obedeça! – Ele esbraveja.

— Pra que eu iria colocar isso? – Digo com desprezo, passando a mão pelo meu manto.

— Porque você tem de usar isso para te proteger e proteger seu braço- Ele diz devagar, tentando ficar calmo.

— Hm...- penso um pouco, dando voltinhas com a mão no queixo, coçando, deixando o negro mais irritado e começando a bater os dedos na trouxa.

— Decide-se logo criatura insolente! – Ele esbraveja, e pelo jeito sua vontade era de colocar a roupa em mim a força, que me fez dar uma risadinha baixa.

— Ah, quero não, fica pra próxima – Digo zombeiro, indo entrar no carro.

Adwale fica irritado e dá um tapão em minha orelha.

— Vá se fuder homem, vista logo isso, vamos perder o voo- Ele diz quase implorando.

— Então vamos hora essa! – Digo sem paciência.

Vendo que não conseguiria mudar minha opinião, guarda a roupa e entra no carro, a fechando com força. Sentei no banco da frente, mas sem falar com Adewale. Então ele decidiu puxar papo, por que eu já imaginava isso?

— Como posso te chamar cria de Caos? – Ele diz ligando o carro e dirigindo

— Pode começar a parar de me chamar de cria de Caos? – digo o olhando, abrindo a janela e encostando o cotovelo.

— Só se me disser seu nome. – Ele diz sorrindo sarcástico- e a propósito, tira o braço daí.

— Oliver! – Exclamo – e eu tiro se eu quiser – falo colocando o braço inteiro para fora, mas outro carro quase leva minha mão, então em um movimento rápido coloco o braço para dentro e fechando a janela, fazendo o rapaz rir baixinho. Depois de um tempo em silêncio ele pergunta de novo

— Só Oliver? Sem sobrenome?

— Sobrenome? Não eu não tenho...

— Precisa arranjar um. – diz ele, atento ao volante.

Fico em silêncio pensando em um sobrenome legal. Ainda bem que eu tinha a chance de escolher.

A viagem foi longa. Eu nunca tinha saído da floresta, tudo era novo para mim. Passamos por algumas lojas uma dela se chamava Harper armamentos, tinha a impressão de que conhecia aquela loja.

— Onde estamos?
— Alemanha

—Onde eu estava?

— Queensland, Áustria – ele diz rapidamente parando o carro em frente a um portão- Chegamos.

— Onde?

— Ao meu avião

— Como você tem um avião?- Perguntei. Mas como eu sabia o que era um avião?

— Sou rico!- Ele ri dando um tapinha em meu ombro. Ele sai do carro, tirando o sinto e saio também, mas antes ele vai ao porta malas pegar aquela trouxa.

—eu não irei vestir isso – Digo pausadamente, apontando para Adwale, que suspira.
Chegamos perto da aeronave que na verdade era um jato particular, cessna 337 skymaster, preto, bastante encerado, pois estava brilhando, ele abre a porta do jato e nós entramos.

— E então? Para onde vamos? Egito?- Pergunto, ele me olha estranho, vai ate a cabine do piloto e sorri de leve.

— Não tenho coisas para fazer na Inglaterra- ele senta fazendo o check list e sento ao seu lado, olhando o painel.

Depois de 30 minutos, ele liga os motores e fomos a boca da pista

— Você vai ser meu copiloto- Ele diz me olhando e colocando os fones, que o faço também – Me escuta? –ele diz no microfone do fone

— Alto e claro cap – digo zombando, fazendo-o rir de leve.

— Você só vai segurar o manche, esse... volante ai e só ajudará como eu irei fazer, o que eu faço, você faz e vice e versa. Não faça nada imprudente.

— Entendi, entendi – Digo colocando a mão no manche. Ele acelera e começamos a decolar. Não era difícil pilotar. Bom, para um copiloto em minha opinião, pois Adwale hora e meia clicava em algum botão do painel.

Não foi tão demorada a viagem. Chegamos por volta das sete da noite. Quando saímos do avião, ele se vira, quando eu descia as escadas do avião

— vamos sair, comemorar essa sua... vida urbana – ele ri um pouco, eu ficando sem entender nada – mas amanhã começaremos a ser sérios e cumprir a missão – ele diz sério, indo para fora da base aérea e mostrando seu passaporte. Quando me viram, pediram o meu também, me deixando confuso, pois não tinha nenhum documento. Adwale, vendo isso, encosta a mão no ombro do segurança, ficando um pouco clara a mão.

— Aí, meu amigo é sobrinho do Ringo cara – Ele diz sorrindo.

— o Ringo? Ringo Starr? –ele diz com os olhos brilhando – a, claro, passe, mas antes de um autógrafo? – ele diz parecendo um desses jovens fãs que ficam loucos quando veem seus astros

— hã... claro – digo rindo e riscando qualquer coisa em um papel e dou para ele junto com a caneta. Ele dá espaço e fica rindo, olhando para o papel. Depois que nos afastamos, Adwale estala os dedos e o homem fica olhando o papel estranho, tentando entender porque tinha um papel riscado na mão.

— Por essas e outras não gosto de magia – Suspiro, seguindo Adwale.

Quando saímos do local e fomos para a rua uma coisa estranha aconteceu, uma explosão de luze novas para mim, prédios, carros, pessoas, movimento em toda a parte. A tal vida urbana que o negro disse para mim era algo novo, incrível para meus olhos. Vendo minha reação, ele sorri e encosta a mão em meu ombro

—Bonito Né? – ele diz sorrindo e de um jeito carinhoso

— Fiquei tanto tempo naquela floresta que isso – olho em volta – é difícil acostumar rápido assim

— mas uma hora vai – Ele tira a mão de meu ombro – Vamos olie, posso te chamar de olie?

— Não – digo ríspido.

— Ok Olie, vamos – ele ri e caminhamos e viramos na rua St. James, onde entramos em uma casa noturna, Aura Mayfair. Quando entramos, muitas jovens e jovens la dentro, curtindo, rindo, dançando com uma música alta. Pagamos nossa entrada e fomos ao balcão.

—um brinde, a sua vida nova, que pode ser uma merda – ele diz abrindo um pouco seu manto, que ele não tinha tirado desde a floresta, mas dessa vez ele estava com uma camisa branca por baixo. Ele pega um drink, me dando outro copo.

— Tá, um brinde – digo sorrindo, pegando o copo e brindando com ele. Ele bebe num gole, como se fizesse isso sempre, eu tento fazer o mesmo, mas cuspo me encostando no balcão.

— Uou, vai com calma amigo – diz o barman rindo me levantando – bebe isso – ele me dá um copo com um líquido meio amarelado – pouco teor a álcool, não é forte. – ele era um rapaz com seus 50 anos, cabelos grisalhos, uma pança notável e voz grossa.

— Obrigado – digo tossindo e bebendo o que ele me dera, e Adwale rindo a todo o momento e dando um tapa fraco em minhas costas.

— Relaxa e vamos curtir! – ele fala me olhando. No exato momento que ele fala um barulho de copo se quebrando e uma rodinha formando ali perto. Adwale olha sério e eu viro, vendo o que estava acontecendo.

— odeio quando isso acontece – diz o barman suspirando e secando um copo grande.

— Quer que a gente resolva? – digo de boa vontade, estralando os dedos e colocando a mão no cabo da minha espada, com cautela para ninguém ver.

— Deixa que a nossa segurança resolve – Ele diz sorrindo para mim.

— Pera, nossa segurança? São mais de quantos homens? – Adwale diz, contando cinco homens brigando.

— E quem disse que são homens? – o Barman ri com desdém. Então uma mulher loira passa esbarrando forte por mim, estralando o pescoço. Era forte, da minha altura, seios firmes e grandes, coxas definidas e vestia um vestido azul discreto, mas na altura das coxas. Ela entra na roda, fazendo eu e Adwale prestar atenção. Os homens da briga a olham, alguns maliciosos, alguns irritados por ela ter interrompido a briga. Bêbados, vão entender. Olho Adwale, que devia estar pensando a mesma coisa e concorda com a cabeça para mim. Então o massacre. Um dos homens vai dar um tapa na moça, mas ela se esquiva, segura sua mão e puxa ele, fazendo-o cair por cima das costas dela e dá um soco em seu nariz, o quebrando de certeza. Os outros homens a olham estranhos, com raiva e partem para cima dela. Um deles tenta lhe dar um soco, mas ela defende com um braço e o outro dá um soco em sua barriga, o fazendo ajoelhar e ela se esquiva para a esquerda, pois outro vinha por trás para dar um chute por suas costas mas chuta o rosto do que estava de joelhos. Eu e adewale nos atentamos mais a luta, pois isso foi um movimento que poucos conseguem fazer. O que deu o chute não teve muita sorte. A mulher vai para cima dele, que tenta dar um soco, mas ela desvia e faz um gancho em seu pescoço, o fazendo cair para trás e bater de cabeça no chão, o deixando desmaiado. Os outros dois que restava pegaram ambos duas garrafas e foram em direção da mulher, fazendo eu e Adewale avançar um paço, mas ela tinha tudo sobre controle. Quando um veio a golpear pela sua cabeça, ela se agacha dando uma rasteira nele e dá um chute no rosto do outro, sem deixar ele se concentrar em seu ataque. Depois dos cinco homens no chão, todos a volta começaram a bater palmas, ela agradeça e vem em nossa direção.

— Eu poderia fazer isso – Adwale diz bebendo mais um drink.

— Aé? Te dou um vestidinho e vai la bonzão – digo olhando para a mulher, com um sorrisinho no rosto.

Gostei dela.