Talvez eu estivesse cansado e lento por ter libertado tanto poder, mas eu consegui matar o primeiro que veio para cima de mim com um corte em seu pescoço.

Meus dois companheiros lutavam com seus inimigos, mas por um leve descuido acabei me esquecendo dos meus. Ainda bem que eles eram mais lerdos que meu estado atual e usavam máscaras, pois daí eu não teria pesadelos com os rostos de quem matei.

Depois de uma luta violenta, desvio de uma estocada e enfio a katana no peito do último bastardo, ou foi o que eu pensei.

– Oliver, cuidado! — Trevor grita depois de decepar a cabeça do seu último oponente. Sinto uma aproximação, então uso o resto de minha energia para desviar rapidamente de uma lâmina que vinha em direção de meu pescoço. Olho para meu agressor, um cara enorme e musculoso, vestindo uma espécie de armadura medieval sem o elmo, deixando a mostra seu rosto feio com a cabeça calva e cheia de tatuagens estranhas. Em seus punhos havia uma espada medieval grande, com uma tinta vermelha pingando da sua ponta... não, não era tinta. Coloco minha mão em meu pescoço, sentindo algo escorrer, mas pouco. O maldito conseguiu fazer um pequeno corte.

– Grande. — Diz Adwale chutando o corpo falecido do seu último rival que estava com a machete perfurada em seu peito.

– E lento. — Diz Trevor abrindo um pequeno sorriso e começa a correr, com Adwale atrás dele.

– Trevor, Ed, Esperem! — Grito tentando correr, mas quase caio, do quão cansado eu estava, devido aquela maldita flecha.

O grandalhão ataca os dois com um golpe horizontal;se os dois não tivessem defendido, seriam cortados ao meio. Adwale avançou com um pulo, pronto para fincar a machete na cabeça dele, mas o inimigo o segura como um brinquedo com a outra mão e o joga com violência em direção de Trevor, que desvia, mas por descuido abre sua guarda e recebe uma estocada em seu abdômen, quase o perfurando pelo outro lado, se ele não tivesse soltando sua arma e segurar o fio da que perfurava-lhe, fazendo uma grande parede de fogo, assustando um pouco o grandalhão e o fazendo afastar, não empalando por completo o anjo, mas ele cai derrotado, com as mãos na barriga.

O Grandalhão se recupera, olhando para os dois caídos no chão, derrotados e sorri, olhando para mim.

– Próximo.

Aqueles dois idiotas, a única chance que tínhamos de lutar e vencermos juntos acabou por aquela estupidez. Minha situação era péssima, eu estava apoiado em minha katana, a usando com uma bengala, olhando meus companheiros caírem, sem eu poder fazer nada porque meu corpo não aguentava de tão exausto que eu estava. Eu sabia que não poderia vencê-lo na minha condição atual, mas eu tinha um truque, que eu não tinha testado antes, por falta de tempo e de privacidade.

Fecho meus olhos, apertando mais o punho da minha katana na mão direita, fechando um pouco a minha esquerda, mas nada aconteceu.

O inimigo ria, divertindo-se por me ver assim, meditando no meio da luta.

– Já está se entregando?

Então tudo fica escuro, como seu eu estivesse em uma sala. Não dava para ouvir o grandalhão me insultando, sentir o calor do deserto, nada. Então um vulto aparece em minha frente, com uma silhueta de homem. Um homem feito de sombras, no qual só dava para ver seus olhos totalmente vermelhos.

– Use seu poder, Oliver. — Ele diz com uma voz rouca, como de uma pessoa que passou a noite inteira gritando em um show.

– Quem é você?

– Não tenha medo do seu poder e o que podes fazer, Oliver. — Outro vulto aparece, mas ao invés de sombras seu corpo era revestido de luz, deixando metade da sala branca. Sua voz e semblante eram femininos, com olhos totalmente dourados. Ela se aproxima de mim, repousando a mão em meu ombro esquerdo.

– Quem são vocês?

– Somos sua sombra e luz; somos o seu Chaos; somos o seu poder. Nós somos você, Oliver. — O sombra diz me encarando com aqueles olhos perturbadores.

– Como posso ter personalidades diferentes em minha mente, se fui criado para obedecer o Chaos?

– Não faça perguntas, ainda é cedo e difícil para você entender. — A luz diz tirando a mão de meu ombro. — Abra os olhos, Olie; liberte seu poder; nós estaremos com você. — Ela se afasta de mim. Então noto algo estranho em sua voz, pois de algum modo ela era parecida com a voz de Ártemis.

Abro meus olhos devagar, olhando para minha mão esquerda e lá estava minha katana branca. Em meu braço, havia agora uma nova estrela do chaos, com os mesmos moldes do meu braço direto.

Me perdoe Arya

– Liberte! — ambos gritam em minha mente, então estico as duas katanas em direção do inimigo, que vinha até mim com um sorriso idiota no rosto. Uma explosão de energia ocorre.

Não sei se acertou o grandão, mas foi algo incrível, eu me senti tão aliviado, como se uma pressão enorme sobre minhas costas tivesse acabado. Quando a luz cessa, minhas duas katanas não existiam mais, agora elas era uma só. A nova katana era um pouco maior, talvez uns seis centímetros; sua lâmina era toda negra, sua guarda era revestida a ouro e seu cabo era dourada, com ornamentos prateados.

– Não vai me vencer com essa coisa — O grandão fala e parte em minha direção, então faço o mesmo, só que muito mais rápido e em uma fração de segundos o inimigo passa por mim, dando uma risada alta.

– "Done" — digo com um sorriso fraco, abaixando um pouco a cabeça, colocando a katana na bainha devagar, mas quando está quase guardada completamente eu a enfio com força, dando um grande "click" e ao mesmo tempo o grandão é partido em dois.