Notas iniciais
Olá pessoas! Esse capitulo foi agendado pois estou tendo problemas com os offices do meu computador, então assim que acabei de escrevê-lo resolvi já deixar guardado aqui, pra não correr o risco de ter que reescrevê-lo. Queria agradecer todos que tem acompanhado, principalmente Hellt por seus comentários que me levam á um diálogo interessante comigo mesma hahaha. Então é isso, espero que gostem e não deixem de comentar, obrigada. —Beju, Mandy =D.

Grace.

É realmente desnorteante ficar inconsciente por causa de uma forte insolação e de repente acordar com um dilúvio.

Nossos corpos já estavam se afogando quando eu voltei à consciência. Puxei Tristan para perto e tentei acordá-lo, na esperança de que ele estivesse bem e que as alucinações de mais cedo fossem apenas consequência da insolação.

Demorei a perceber que nossa prisão chegará ao fim, enquanto o nível da água subia do lado de dentro, as barreiras começavam a se desintegrar. Logo já não éramos dois peixinhos dentro de um tanque, mas outro pavor cresceu dentro de mim.

Tristan não acordava de jeito nenhum e mesmo sabendo que de nada adiantaria, arrastei seu corpo o melhor que pude para debaixo de uma árvore. Eu permaneceria ali o tempo que fosse preciso, até que ele acordasse.
[...]

Longe dali :

—LIVRES!- exclamou a pequena morena.- ESTAMOS LIVRES!

—É, estamos sim!- concordou Kol, alegre.

—Então, Garoto Dourado, o que ainda faz aqui?- perguntou a menina, encarando Edriel.

—Garoto Dourado?- perguntou, a menina revirou os olhos.

—Já reparou na cor da sua pele?- perguntou. Edriel se observou, até que ela podia ter razão.

—Ok, mas prefiro Edriel mesmo.- falou ele.

—Você se acostuma, mas, enfim, o que você ainda faz aqui? Já devia ter ido embora há muito tempo.- retrucou ela.

—Eu não tinha para onde ir e pode parecer cruel da minha parte ter ficado e observado enquanto vocês definhavam, mas se não fosse por mim, vocês não teriam acordado.- falou ele, dando de ombros.

—Acho que seria bem melhor para nós ter morrido, mas de qualquer jeito, íamos conseguir nos salvar sozinhos.- disse a morena e começou a observar em volta.

—Não se preocupe, ela só esta enciumada por ser a única a não se lembrar do próprio nome.- comentou Kol.

—Então rapazes, temos que dar um jeito de comermos, não?- falou a garota, com um sorriso maroto nos lábios.

[...]

Deserto:

Uma coisa ruim no deserto? Não tem como definir UMA coisa ruim no deserto. Se eu sobreviver a isso, eu juro que nunca mais chego perto de areia.

Você pode até achar que eu esteja exagerando, mas na minha atual situação você também começaria a desenvolver uma certa fobia de areia. Veja o meu caso: horas vagando sem rumo, sozinho, quanto mais se anda mais parece que não se saiu do lugar. Eu devo estar enlouquecendo, mas ainda não tenho muita certeza disso.

Pois bem, depois de muito andar por essas dunas infinitas debaixo de um sol escaldante, eu resolvi me enterrar na areia, fingir que estava tudo bem e dormir um pouco. Resultado? Eu devo estar igual uma lagosta, grande e todo vermelho, com a pele ardendo de um jeito agoniante.

Pensa que eu continuei andando em busca de uma saída daquele lugar? Que nada! Voltei para debaixo da areia quentinha e cobri o rosto, só sairia quando a noite chegasse e eu esperava que chegasse.

[...]

Longe dali :

—Acho que deveríamos procurar um abrigo, ou tentar improvisar um, porque eu aposto que pegaremos um resfriado ficando nessa tempestade.- comentou Kol.

—Eu prefiro comer primeiro, mas você tem razão, não sabemos quais terríveis surpresas esse inferno ainda tem pra nós e ficar doente não é muito bom nessas condições.- falou a morena.

—Também acho que deveríamos te dar um nome, pequena, afinal uma hora precisaremos chamar você e sem nome fica difícil.- comentou Edriel.

—Vocês que sabem.- falou a menina, dando de ombros, mas, no fundo, chateada. Ela caminhou para longe e observou o melhor que pode as árvores.- Você disse que elas “se afastam” quando você se aproxima, certo?

—Sim, toda vez. Mesmo nos galhos mais baixos, quando eu tento pegar algo ela dá um jeito se ir pra longe do meu alcance.- respondeu Edriel, a menina ficou pensativa por um momento.

Ela se aproximou de uma árvore e se esticou o máximo que conseguiu. A árvore imediatamente se afastou, como se fosse elástica. Ela se encostou no tronco, ainda debilitada e tentou buscar forças dentro de si, as engrenagens de seu cérebro girando alucinadas.

—Vocês dois vão pra perto de uma árvore.- pediu ela, os meninos a encararam.- Só façam o que eu falei, por favor.

Os dois deram de ombros e foram. Mesmo com a aproximação, tudo pareceu continuar normal.

—Kol, eu sei que você está fraco, mas eu tive uma ideia e preciso que vocês usem toda a força que ainda tiverem.- avisou. Eles apenas assentiram.- Juntem suas mãos com as do outro, como um apoio para algo.- pediu a menina, os dois fizeram.- Fiquem firmes, tentem não se mexer e concentrem suas forças nas pernas.- instruiu. Enquanto os garotos tentavam entender o que ela queria dizer com tudo aquilo, a morena se agachou, ainda apoiada na árvore, respirou fundo e tomou impulso.- FLEXIONEM OS JOELHOS!

Então no momento certo, eles flexionaram os joelhos enquanto a morena pulava na mão junta deles e eles a ergueram pra cima, dando impulso para que ela se jogasse o mais rápido que pudesse para os galhos da árvore. O movimento foi tão rápido que a árvore não teve tempo de prever o “ataque” e arquitetar sua armadilha, mas assim que a morena fixou-se no tronco da árvore, a árvore começou a se contorce pra se afastar, mas não rápido o bastante para evitar que a morena derrubasse algumas maças de seus galhos.

Quando a árvore começou a se chacoalhar, a morena foi jogada pra o chão, mas antes que caísse, Edriel e Kol se juntaram e a pegaram.

—Quem está com fome?- perguntou ela, sorridente e sem nenhuma energia.

—Vamos logo comer para podermos pensar num abrigo.- disse Edriel, feliz.

[...]

Grace:

Debaixo da árvore, Grace tentava acordar Tristan, que estava acomodado com a cabeça em seu colo. Apesar dos esforços, o garoto de cabelos brancos não dava nenhum sinal de vida além dos fracos batimentos e a respiração entrecortada.

Mesmo desesperada, o cansaço acabou falando mais alto e a morena desmaiou encostada na árvore, com Tristan desacordado em seus braços e a tempestade os deixando ensopados.

[...]

No dia seguinte.

De manhã o Sol já raiava alto no céu azul e sem nuvens. Após uma longa noite de muita chuva e ventos fortes, ver o nascer do Sol era como uma esperança surgindo.

Foi um pouco desconfortável acordar com a luz forte batendo em seus rostos, mas Edriel, Kol e Noah (nome sugerido por Edriel para a pequena morena, mostrando sua inclinação para o judaísmo), ficaram felizes ao ver que a tempestade havia acabado e agora eles poderiam sair daquela caverna escura e fria que usaram para se abrigar durante a noite.

—Eu realmente não entendo como não me lembro de nada sobre mim, mas sei que Noah é um nome hebraico e que significa paz e bonança.- comentou Edriel, comendo uma maçã. Encarou a morena por um minuto.- Você me parece uma pessoa bem agitada, mas com um espírito livre, alegre. Por isso acho que este nome combina.

Ela deu de ombros, mastigando.

—Tanto faz, ainda tenho esperança de que sairemos daqui.- respondeu.

—Foi apenas uma sugestão, você pode escolher o nome que quiser, ou nenhum.- falou Edriel, percebendo o desconforto da garota. Ela o encarou.

—Eu sei que preciso de um nome e que você só está tentando me ajudar, não quis ser grossa, desculpa.- resmungou ela. Olhou para o céu por um momento e fez uma careta.- É um bom nome, gostei do significado. E também é muito interessante saber que essas coisas estão guardadas ai dentro.

Kol, estava encostado numa árvore um pouco mais distante, apenas observando os dois. Apesar de Noah ter se mostrado extrovertida, ela ainda não conseguia se aproximar totalmente dos dois, afinal, eles tinham acabado de se conhecer. Kol estava mais tranquilo com a situação, mas preferiu dar espaço a ela. Edriel já se mostrava mais amigável e tentava fazê-la se sentir a vontade conversando amenidades.

Terminaram de comer as maçãs que haviam colhido e saíram para explorar a área ao redor e procurar água. Para seu segundo dia num lugar desconhecido como aquele, eles já haviam passado por várias coisas, mas fora o redemoinho que trouxe Edriel, nada estranho.

O lugar parecia normal, com um chão vermelho de terra, grandes árvores de diferentes tipos espalhadas por todo lugar, uma vegetação bem diversificada e ampla e o Sol esquentando tudo a uma temperatura bem elevada.

—Seria bom ter um mapa.- comentou Edriel.

—Acho que devemos marcar o caminho até a caverna, caso precisemos voltar.- disse Noah.

—Ela tem razão.- concordou Kol.

—Algumas árvores tem cipós, podíamos tentar usá-los.- sugeriu Edriel.

—Mas se estiverem bem presos, não vamos conseguir arrancá-los sem um facão ou algo do tipo.- falou Noah.

—Só vamos saber se tentarmos.- falou Kol, dando de ombros.

Juntos, foram para perto das árvores, que não se mexeram, essas não tinham frutos. Kol tentou puxar o cipó, para testar sua resistência, mas o cipó apenas balançou sem sinal de que se soltaria da árvore em que estava preso.

—Que tal você subir e tentar arrancá-lo lá de cima?- perguntou Kol, olhando Noah, que era a única do grupo leve o bastante para ser erguida.

Já na árvore, Noah se esticou até o cipó, mas mesmo forçando, a planta nem se mexeu.

—Não adianta, o cipó está bem preso na árvore, talvez nem com um facão sairia.- falou Noah, sentando-se frustrada no galho da árvore. Mas foi então que soltando todo seu peso sob o galho, este estalou e se partiu, jogando a garota em direção ao chão.- AHH!- gritou.

—NOAH!- gritaram os meninos e correram para tentar pegá-la, mas a garota acabou caindo em cima de Edriel.

—Ai, cara, estou quebrado.- gemeu Edriel, enquanto Noah saia de cima do garoto.- Para alguém do seu tamanho você até que é bem pesada.

—Desculpa.- pediu a garota, com um sorriso amarelo, enquanto Kol ria da situação.

—Anda, vocês dois, vamos logo.- chamou ele, voltando a caminhar.

[...]

Grace sonhou com Trista.

Fazia Sol, mas não estava calor. Tristan encontrou a garota dormindo encostada numa árvore e gentilmente foi acordá-la.

Ei, Grace, acorda.- chamou ele, mas ela não se mexeu.- Grace, acorda preguiçosa.- tentou novamente. Enquanto a garota parecia que não acordaria tão cedo, um barulho chamou a atenção de Tristan, que foi olhar ao redor.

Passou-se algum tempo e Grace continuava adormecida. Após a saída de Tristan não houve mais nenhum barulho, mas algo estava errado. A garota então tentou acordar, mas seu corpo parecia inerte, o desespero começou a tomar conta de si, foi quando o barulho voltou, ela ficou atenta, logo Tristan surgiu. O garoto parecia assustado, agarrou Grace e a sacudiu, tentando fazê-la acordar.

—Grace, vamos, acorda. Grace, acorda. Você tem que acordar, Grace!- exclamou Tristan.

Foi então que a garota conseguiu abrir os olhos.”

Ao abrir os olhos, Grace não encontrou Tristan lhe chamando, o garoto ainda estava deitado em seu colo desacordado, o que há chateou um pouco, mas algo lhe chamou a atenção. Um barulho próximo, em meio as árvores.

A garota se levantou e esperou, o barulho ficou mais alto e próximo, foi quando um garoto alto e de cabelos escuros apareceu. O garoto analisou Grace de cima a baixo e ficou desconfiado ao ver Tristan desacordado aos pés dela. Grace encostada na árvore relaxou a tensão de seu corpo e se inclinou na direção do garoto.

—Quem é você?- perguntou ela, o garoto ergueu as sobrancelhas.

—Eu é que pergunto, oras! Afinal, esse sonho é meu.- retrucou ele de forma arrogante, Grace riu.

—Tão ingênuo.- debochou ela.- Queridinho, se isso aqui fosse algo do nosso subconsciente, com certeza, não seria um sonho. Você, assim como nós, foi trazido para este lugar desconhecido por alguma razão, mas ao contrário de mim, alguém estava querendo se livrar de você quando o mandou para cá.

—O que você está insinuando, garota?- falou, irritado.

—Ora, querido, com esse seu jeito ignorante, quem é que quereria ter você por perto?- respondeu Grace, ríspida.

—Você que é muito “atirada” e não sabe se portar como uma dama.- resmungou o garoto.

—Em que século você vive? Além do mais, eu me comporto do jeito que eu quiser e você não tem nada a ver com isso, você que veio aqui e invadiu meu espaço.

—Eu não estou vendo nenhuma placa ou cerca indicando que este lugar lhe pertence.- falou o garoto, cruzando os braços, Grace bufou.

—O que você quer? Não tem nada pra você fazer aqui, então me deixe em paz e vá embora!- exclamou ela.

—E esse garoto que você nocauteou ai?- perguntou ele, se referindo a Tristan.

—Cala essa boca! Você não sabe o que aconteceu e não tem o direito de se intrometer!- gritou Grace, irritada e chateada. Decidiu ignorar o garoto e cuidar de Tristan, ele precisava acordar!

Enquanto isso, o garoto apenas ficou lá, observando enquanto Grace que parecia querer chorar se abaixava e cuidadosamente cutucava Tristan.

[...]

No deserto:

Levando em conta meu pouco tempo nesse deserto e o quanto meus planos fracassaram, devo concluir que sou muito azarado e que numa possível vida fora desse lugar eu seria alguém que só cairia em desgraça.

Prazer, meu nome é Anúbis. Faz mais ou menos um dia que estou preso num deserto infinito com um Sol quente que parece estar me cozinhando em “banho Maria”, mas sem a água. Quando achei que as coisas iam melhorar, ao cair da noite, descobri que podiam piorar e que areia não tem um gosto lá muito bom, sem falar que ao ser pego por uma tempestade de areia, a areia pode adentrar muito mais lugares que eu achava não ser possível. Então cá estou eu, andando igual um condenado, com a pele avermelhada e ardendo e areia pelo corpo todo.

Acho que eu nunca estive tão desesperado para sair de um lugar como estou agora, mas como não tenho lembranças de nada além de acordar nesse deserto infeliz, não posso tirar muitas conclusões além do atual momento, o que é meio depressivo, pois estou sozinho e perdido.

Eu até que sou alguém calmo, sofri todas essas coisas, mas não me importei muito, talvez pelo fato de que não tenha ninguém com quem eu possa reclamar, mesmo assim continuo tentando dar meu jeito pra sair daqui. A parte boa do meu jeito de ser, é que não sou extrovertido, eu me contento com ficar quieto e sem fazer nada por um longo período sem enlouquecer. Ás vezes eu até tenho que sair correndo, como quando aquele bicho bonitinho que tentei fazer carinho resolveu me atacar (procurem por Feneco no google) ou também quando eu estava enterrado na areia e aquele dromedário pensou que meu cabelo era uma planta exótica e tentou mastigá-lo, isso me faz ter adrenalina suficiente pro resto do dia.

Então, apesar de tudo, até que eu estou bem, exceto quando uma miragem aparece e faz meu estômago roncar de fome, mas fazer o quê, eu disse que não tinha sorte!

[...]

Paraíso Artificial da Ilusão:

Lanai mesmo aos tropeços e confusão tentou escapar daquela praia ilusória, mas não era nada fácil quando tudo ao redor era uma grande ilusão.

Quando achava que estava indo pelo caminho certo, acabava voltando para o mesmo lugar em que começara, ou quando tinha certeza de que podia atravessar certa árvore, pois era ilusão, acabava descobrindo com uma forte batida que na verdade, aquela era real.

Seu corpo doía, a cabeça dava voltas tentando saber o que era real ou ilusão, o estômago embrulhado, ela estava em péssimo estado. Sem falar que aquelas frutas suculentas nas árvores altas e o som da água salgada do rio só faziam aumentar sua fome e sede. Não havia tortura pior no mundo.

A exaustão e confusão a fizeram desmaiar algumas vezes, mas a água salgada ajudava a refrescar seu corpo, pois apesar da sombra das árvores, o Sol elevava cada vez mais a temperatura. Cada minuto, cada hora, se tornava mais insuportável permanecer naquele lugar.

[...]