Warriors

7 Coberta pelas chamas.


Subsolo:

O teto da caverna desabou e temi que me enterrasse junto com ele. Mas a caverna era funda o suficiente para que os destroços apenas afundassem e eu pudesse sair daquele buraco e ver o céu.

O problema é que as rachaduras nas paredes não pararam e o solo em volta começou a desabar também. O buraco ficando cada vez maior. Até que do nada, ouvi um grito e junto com os destroços, uma garota caiu ao meu lado. Sua pele estava vermelha e suja de terra. Ela me encarou com grandes olhos arregalados.

—Quem é você? -perguntou, se afastando desajeitada.

—Peter e você?

Ela me olhou desconfiada, eu ainda estava molhado.

—Noah.

Então olhou em volta, percebeu a água e correu para provar, ficou alguns minutos saciando a sede e depois jogou um pouco no corpo, suspirando de prazer. Então me encarou.

—Você fez isso?- questionou, se referindo ao estrago na caverna, confirmei. -Como?

Dei de ombros.

—Eu gritei. Não conseguia achar uma saída, o eco fez com que as estalactites que haviam no teto desabassem e criassem rachaduras, então tudo começou a cair, inclusive você.- expliquei.

—Então você estava preso aqui? -perguntou, assenti.- Sozinho?

—Sim. Por que? Tem mais gente lá em cima? -perguntei, ansioso. Ela desviou o olhar.

—Tem dois caras, meus amigos. -respondeu.

—Isso é ótimo!- exclamei, ela fez uma careta.

—Seria, se eu soubesse onde eles estão.

—Como assim?

—Saímos para procurar água, que é difícil de encontrar lá em cima. -começou. -Mas acabamos nos separando e eu me perdi do caminho, é por isso que cai aqui, estou perdida.

—Vamos sair daqui e procurá-los. -chamei, ela assentiu, então olhou pra água e ficou pensativa.

—Você não teria um recipiente por acaso? -perguntou, neguei.

—Lamento.

—Bem, teremos que buscá-los. -falou, determinada. Tomou mais um pouco de água com tanto gosto que tomei também.

Então, escalando os destroços, subimos para a superfície.

[…]

—Noah!- gritou Kol, a garganta ardendo.

Edriel tossiu.

—Minha garganta está seca demais.

—Precisamos encontrá-la. -insistiu Kol, agitado.

—A culpa é minha. -lamentou Edriel.

Kol respirou fundo, não queria discutir de novo, afinal, foi por causa de uma discussão que haviam se separado. Agora o céu estava ficando laranja e uma brisa suave havia surgido. Logo começaria a chover e seria impossível achar Noah numa tempestade como a do dia anterior.

—Como alguém tão pequeno pode se envolver em tantos problemas? -questionou Kol, sarcástico. Edriel sorriu, mas logo ficou sério.

—Espero que nem tantos assim, afinal, não sabemos o que esse lugar maldito ainda tem escondido. -comentou. Kol assentiu, voltaram a gritar por Noah.

Passaram vários minutos, até que um barulho lhes chamou a atenção. Ambos ficaram em silêncio, aguardando o que quer que fosse.

A tensão quase os matou de susto quando de repente um cara ruivo e bem-arrumado surgiu, carregando Noah em suas costas.

—Meninos! -ela gritou. -Ai estão os caras que mencionei. -falou para o ruivo, então encarou os dois.- Espero que tenham me procurado. Droga, eu me perdi, foi um saco, mas eu achei esse cara aqui e grande notícia, descobri uma caverna cheia de água!

Edriel tinha perdido à habilidade de falar, estava perplexo. Kol reagiu mais rápido.

—Mas que porra você tem na cabeça? -gritou.

Peter que estava rindo parou. Noah desceu de suas costas e cruzou os braços.

—Olha só, a culpa é toda sua. -retrucou. Kol jogou as mãos pro alto, mas Noah avançou até ele.- Se você não estivesse tão desesperado podíamos ter procurado água juntos e eu não teria me perdido e quase me ferrado, se não fosse por esse cara aqui, nem sei o que seria de mim nesse momento.

Noah se recostou no tronco de uma árvore, os pés ainda doloridos. Kol a encarava.

—A culpa também é minha, não devia ter deixado você voltar sozinha. -comentou Edriel. A expressão de Noah suavizou.

—Qualquer um podia ter se perdido depois que nos separamos. Pelo menos eu encontrei água. -respondeu.

—E a mim. -completou Peter, Noah riu.

—É cara, você tem que tomar mais cuidado quando for destruir cavernas subterrâneas. -brincou ela.

—Como assim? -perguntou Edriel.

Noah e Peter contaram o que tinha acontecido, antes e depois. Noah queria levá-los até a caverna com água, mas como já estava prestes a escurecer, Kol e Edriel acharam melhor voltar para a caverna que eles haviam passado a noite para se abrigar da tempestade.

Peter que estava em melhor estado fez questão de carregar Noah, o que causou certo desconforto entre os outros dois, mas Edriel preferiu disfarçar e apaziguar os ânimos de todos. Kol preferiu a distância, ele havia se culpado o tempo todo pelo sumiço de Noah e ela fez questão de mostrar que estava chateada com eles, mas não só isso, aparentemente, ela se retraiu com ele e Edriel, mas se deixou carregar por Peter sem problema nenhum, mesmo depois de tê-los encontrado.

Quando encontraram a caverna, a chuva já havia começado. Edriel e Kol usaram folhas para coletar a água e beber, depois os três ajudaram Noah a pular num galho e conseguir mais frutas. Comeram já dentro da caverna, iluminados vez ou outra por raios cortando o céu escuro.

—Nossos dias vão se resumir a isso? -reclamou Noah.

—Espero que não. -respondeu Edriel.

—Aqui é muito frio. -comentou Peter.

—Infelizmente não temos um lugar melhor pra nos abrigar. -falou Edriel.

—Estou com calor. -comentou Noah, todos olharam pra ela. Estava suando. A pele ainda vermelha.

Kol se aproximou o suficiente para tocar seu braço, estava fervendo. Noah se retraiu com o contato.

—Você esta gelado. -reclamou, Kol a encarou, preocupado.

—Noah, acho que você está com febre.

—Você ficou muito tempo na água da caverna? -questionou Edriel.

—Não, ela só tomou bastante água e jogou um pouco no corpo, ela queria voltar pra buscar vocês. -respondeu Peter.

Noah começou a ficar sonolenta e Edriel achou que seria bom ela dormir. Mas Noah teve sonhos agitados, nos quais estava presa num incêndio. Ela se debateu até acordar, seu corpo parecia estar em chamas. Se encostou na parede fria da caverna e suspirou de alívio, porém não foi o suficiente.

Os outros estavam dormindo, cada um em um canto. A chuva caia forte lá fora, como se tivesse raiva do mundo. Lentamente se arrastou para fora, o corpo doendo. Não conseguiu sufocar o grito quando a água tocou sua pele. Deitou no chão lamacento. A água machucava ao mesmo tempo que ajudava.

—Noah.- chamou Edriel, na entrada da caverna.

Kol foi para o lado da morena, agora completamente suja.

—Meu corpo parece estar pegando fogo. -explicou ela.

—Você ainda esta quente.

—Esta melhorando. -garantiu.

Apesar do frio que sentia, Kol ficou ao lado de Noah até que ela finalmente conseguisse dormir, na entrada da caverna, sob a chuva. Peter não voltou a dormir, estava descansado. Kol e Edriel não demoraram a pegar no sono.

[…]

—Devíamos tentar achar um abrigo.- sugeriu Kennedy.

—Grace, acha que consegue andar? -perguntou Tristan.

—Sim, estou bem. -garantiu ela.

Juntos e carregando as poucas bananas que haviam sobrado eles começaram a vagar pela floresta. Vez ou outra, raios cortavam o céu e iluminavam tudo ao redor, mas era difícil andar sem um rumo certo. Acabaram desistindo e sentando sob uma árvore, Grace e Kennedy estavam sonolentos, enquanto Tristan se mantinha bem alerta, o que era bom, pois, se algo acontecesse, poderia avisar aos outros.

A noite foi repleta de barulhos provocados pela chuva. Tristan não tinha certeza da existência de animais naquele lugar, pois qualquer som que estes pudessem emitir, não seria reconhecível naquela situação.

Quando achou que não fosse suportar mais aquele frio e contato excessivo com a água, a chuva foi acalmando até se tornar apenas uma garoa. O dia foi clareando e logo o sol surgiu, esquentando tudo novamente. Não demorou para que ficasse seco novamente e que os outros acordassem.

—Minha cabeça tá uma droga. -reclamou Grace.

—Pelo menos conseguimos limpar o ferimento. -comentou Kennedy.

—Quero mangas. -falou Grace. -Lembro de ter visto um pé ontem.

—Durante a tempestade? -perguntou Kennedy, ela confirmou. -Tudo parece igual numa tempestade, você pode estar enganada.

—Então vamos descobrir. -chamou Tristan, se levantando.- Não tenho grande apreço por bananas.

Grace riu e indicou o caminho que achava ser o certo. Ela tinha razão, havia mesmo um pé de mangas ali. Juntos eles conseguiram erguê-la e pegar alguns frutos, que comeram ali mesmo.

—O que mais tem nesse fim de mundo? -perguntou Tristan. Grace deu de ombros.

—Não sei nem como Kennedy apareceu. -comentou.

—Devo confessar que é um mistério para mim também. -concordou Kennedy.

—Bom, acho que deveríamos explorar, afinal, até a noite precisamos ter um lugar para se abrigar. -sugeriu Tristan, todos concordaram.

[…]

—Peter?

Peter havia dado um breve cochilo, mas acordou imediatamente. O sol já estava alto no céu e a temperatura elevada. Noah estava acordada e se contorcendo, a pele completamente vermelha.

—Sim?

—Precisa me levar até a água, ou eu juro que vou arrancar minha pele. -falou, entre dentes. Peter já estava em cima dela.

—Consegue andar?

Kol se remexeu ao lado e acordou sobressaltado. Franziu o cenho imediatamente.

—O que foi?

—Preciso de água. -implorou Noah, desesperada. -Estou fervendo de dentro pra fora!

—Vamos. -chamou Edriel, já desperto.

—Esperem. -pediu Kol. -Peter, você sabe chegar na caverna?

—Sim, com certeza.

—Ótimo, então fique com Edriel e consigam mais frutas para nós. Noah pode me guiar até a caverna, nos encontramos lá. -sugeriu Kol.

—Maravilha, podemos ir? -reclamou Noah, trincando os dentes. Kol encarou os dois garotos.

—Claro, nós vemos em alguns minutos.- concordou Peter, Edriel assentiu.

Noah subiu nas costas de Kol e tentou indicar o caminho o melhor que conseguia se lembrar enquanto tentava reprimir os espasmos de dor. Depois de algum tempo eles finalmente conseguiram achar o lugar e desceram com cuidado. A caverna estava mais cheia de água, provavelmente por causa da chuva, mas a água continuava cristalina.

—Se eu mergulhar vou estragar a água. -observou Noah.

—Vamos tentar limpar você então. -sugeriu Kol.

Juntos eles tentaram tirar o máximo de lama seca que grudara em Noah, mas não foi o suficiente.

—Não fique brava comigo. Mas não vamos conseguir tirar toda essa sujeira de você, principalmente do pijama, acho melhor você tirá-lo e mergulhar. -falou Kol, deixando Noah sem palavras.

Ela estava cansada e desesperada, e também não via outra solução.

—Não se preocupe, vamos dar um jeito de achar água pra bebermos. -prometeu.

—Certo, mas vire de costas.

Kol riu, mas fez o que ela pediu. Alguns segundos depois ouviu o barulho de algo caindo na água, virou-se.

—Minha nossa, a água parece estar borbulhando ao seu redor e você está vermelha de um jeito estranho.

Noah parecia finalmente ter conseguido relaxar. Finalmente estava limpa, o pouco de sujeira que tinha ficado em seu corpo não estragará a água completamente. Felizmente, ela ainda podia contar com suas roupas íntimas, mas não era grande coisa.

—Me sinto extremamente quente, mas a água acalma minha pele. -falou, com um leve sorriso.

—O que me leva a crer que isso não é febre.

—Não faço a menor ideia do que está acontecendo comigo.

—Nós vamos descobrir. -garantiu Edriel, chegando na caverna com Peter.

[…]

—Espero que não tenham animais selvagens. -comentou Grace.

—É a última coisa de que precisamos. -resmungou Kennedy.

— Se houvessem animais aqui eles já teriam nos atacado, mas não descarto totalmente essa possibilidade, afinal, estamos numa floresta e quem nos colocou aqui já provou que desconhece o termo “limites”. -falou Tristan. Kennedy revirou os olhos.

—Cara, isso até faz sentido, mas não precisamos que você agoure essa merda mais ainda com suas deduções lógicas. -reclamou. Tristan o encarou irritado.

—Falar a verdade não é agourar.

—Você já ouviu falar em “atrair” as coisas com pensamentos?

—Sinceramente eu não sei nem se eu tenho uma vida fora desse lugar. Mas eu sei, sim, que esse seu mau humor não vai nos ajudar em nada.

—Se as moças já terminaram, eu quero encontrar logo um lugar pra descansar. Esse sol está me matando, de novo. -disse Grace.

—Se estivéssemos carregando menos mangas talvez fossemos mais rápidos. -retrucou Kennedy.

—Se você não quer ter o que comer mais tarde, é só largar aí mesmo, mas eu não vou ficar me jogando em árvores só porque você não consegue carregar umas frutinhas. -falou Grace, também irritada. Kennedy riu.

—Até parece que você faz isso toda hora. -debochou.

—Você é escroto assim mesmo, ou só finge quando não precisa que ninguém te faça nada?

—Eu não preciso que ninguém me faça nada. Eu te ajudei mais do que você me ajudou.

—Claro. Até porque você conseguiu mesmo alcançar aquele cacho de bananas sozinho. Meus parabéns, Kennedy, se é tão independente, porque não cai fora? -desafiou Rose.

—Ótimo, vou me virar sozinho mesmo. -respondeu, largando as duas mangas que segurava no chão e dando as costas pra Grace e Tristan.

—Kennedy, é burrice ficar sozinho e você sabe disso! -chamou Tristan. Kennedy se virou parar Tristan enquanto se afastava e deu de ombros.

—Talvez eu seja burro, mas quem sabe…

—Grace, qual é, você sabe que se importa com ele, mesmo que seja um pé no saco. -tentou Tristan. Grace fez cara feia.

—Se ele quis ir, é problema dele. -respondeu e também deu as costas para Tristan.

—E agora você também vai me largar? -questionou, sarcástico.

—Então começa a mexer essas pernas, não vou carregar e nem esperar ninguém.

—Maravilha pessoal, você são mesmo incríveis! -debochou. -Devo estar aqui quando vocês caírem em si. -avisou, sentando-se no chão, enquanto Grace e Kennedy iam para lados opostos.

[…]

—Me desculpem por estar estragando a única fonte de água potável, mas não conseguimos tirar toda a sujeira do meu corpo.- explicou Noah.

—Sem problemas, ainda tem uma porção que não foi afetada pela lama.- observou Peter.

—Parece fundo, será que tem um canal subterrâneo? -questionou Edriel.

—É uma possibilidade. -concordou Peter.

—O que vocês conseguiram trazer? -perguntou Kol. Peter sorriu.

—Temos mangas, laranjas e pêssegos. -exclamou Peter, alegre, colocando algumas frutas num canto. Edriel fez o mesmo.

—Está se sentindo melhor? -perguntou Edriel, para Noah.

—Ainda sinto meu corpo quente, mas a água alivia bastante. -respondeu.

—Isso definitivamente não é uma febre. -comentou Edriel.

—Esse é o problema, se não é febre, o que é? -questionou Kol.

—Pode ser um tipo de reação do organismo dela. Eu não entendo muito disso, mas sei que vocês ficaram expostos a várias coisas, isso pode ter causado alguma coisa nela que ainda não sabemos. -sugeriu Peter.

—Espero que não seja nada, não quero ficar mais ferrada do que já estou. -comentou Noah.

—Agora temos que esperar e torcer pra não ser nada. -encorajou Edriel.

Os meninos se sentaram em formato de u, ficando mais ou menos perto da água, para que Noah tivesse privacidade. Eles começaram a jogar pêssegos um para o outro enquanto esperavam a temperatura corporal de Noah baixar, mas isso não parecia que ocorreria tão cedo.

—Temos que voltar antes de escurecer. -comentou a morena, ainda na água.

—Cara, sua pele continua vermelha, como se você tivesse ficado sob o sol um dia inteiro. Mas isso não acontece desde ontem, já era pra ter melhorado um pouco. -falou Edriel.

—Não há muito o que fazer, não podemos ficar aqui quando escurecer, esse lugar não é confiável com aquela tempestade.

—Bem, vamos esperar o máximo possível, mas ela tem razão. -concordou Peter.

—Pelo menos aqui é agradável, não aguento mais aquele sol dos infernos. -falou Kol, encostado na rocha fria.

—Precisávamos encontrar um lugar mais quente para passar a noite ou vamos acabar tendo hipotermia.- reclamou Edriel.

—Fale por você. -brincou Noah.

O tempo foi passando e logo o céu já estava ficando com um tom alaranjado.

—Temos que ir.- chamou Kol. -Noah, como você está?

A morena olhou para o próprio corpo, já sabendo a resposta.

—Ainda vermelha.

—Seria perigoso esperarmos a chuva começar pra voltarmos. -comentou Edriel.

—Tudo bem, acho que não tem problema, fiquei o dia inteiro aqui dentro. -falou.

—Beleza, então vamos.

—Se vocês puderem fazer a gentileza de virar de costas, eu agradeço. -pediu.

Os três se viraram pro lado oposto, enquanto Noah saia da água e vestia suas roupas, que se grudaram ao seu corpo.

—Eu estou um desastre, meu Deus. -reclamou. Instantaneamente, três pares de olhos se viraram para olhá-la. A roupa ainda suja contrastando com a pele avermelhada. -Muito bem, já podemos ir. -chamou, um tanto envergonhada.

Eles saíram da caverna e caminharam tranquilamente. Mas conforme foi escurecendo e o clima mudando, a pele de Noah parecia brilhar.

—Eu estou ficando assustado. -comentou Peter.

—Você? -gritou Noah, cambaleando agitada. -Minha pele está fervendo desde ontem e não está melhorando!

—Esse brilho pode ser um reflexo da lua. -tentou Edriel, mas nem ele estava convencido.

—Talvez fosse melhor te levar de volta pra caverna subterrânea. -sugeriu Kol, preocupado.

—Seria perda de tempo, melhor irmos pra caverna e eu fico na chuva de novo. -falou Noah, andando apressada.

Eles chegaram na caverna instantes antes da chuva. Os garotos entraram, mas Noah ficou do lado de fora, aguardado impaciente. Foi quando um raio cortou o céu e os primeiros pintos lhe tocaram a pele que aconteceu. Ela gritou de agonia enquanto a pele adquiria um brilho cada vez mais intenso. As gotas evaporavam em sua pele, não lhe dando nenhum alívio.

Kol tentou aproximar-se, mas Noah não queria ninguém por perto, num movimento rápido, levantou sua mão em um sinal para que ele parasse, e da sua mão saiu fogo.

O medo a consumiu, assim como várias chamas envolveram seu corpo. Ela gritou de pavor, mas finalmente parou de sentir a dor e ardência no corpo. Ela finalmente relaxou e o fogo foi se apagando, até que estivesse ensopada pela chuva.

—O que foi aquilo? -gritou Peter, num misto de incredulidade e felicidade.

—Não faço ideia. -respondeu Noah, agora dentro da caverna. -Eu juro que não sei o que aconteceu, eu só levantei a mão pra que Kol não se aproximasse e tudo aconteceu.

—Eu só queria ajudar. -explicou Kol, Noah sorriu pra ele. Sua pele ainda estava um pouco vermelha.

—Eu sei, não quis te machucar. Mas eu estava enlouquecendo já. -falou.

—Seria ótimo se você conseguisse fazer de novo, ou vamos congelar está noite. -falou Peter.

—Não sei se é uma boa ideia, não sei como funciona. -respondeu Noah, temerosa.

—Eu sei que seria muito útil ter fogo agora, mas acho melhor ir com calma. -aconselha Edriel.

Eles se sentam no chão da caverna, Noah é a única que sem encosta na parede, sua pele ainda está quente, a fazendo sentir calor, mas nada insuportável.

—Se eu estou sentindo esse calor todo agora, vou entrar em combustão amanhã. -comentou sarcástica.

—Sua pele ainda está um pouco vermelha, mas não como antes, parece estar melhorando. -observa Kol.

—Licença, mas você parece estar irradiando calor e eu estou congelando. -falou Peter, sentando ao lado de Noah e encostando seu braço no dela. Ele estremeu com o calor inesperado. -Você ainda está quente além do normal, queima um pouco, mas é suportável.

Noah sorriu um pouco constrangida. Todos adormeceram rapidamente, a noite anterior não tinha sido fácil. A medida que o tempo foi passando, a temperatura corporal de Noah ia voltando ao normal, logo seu corpo não estava mais vermelho e ela se aconchegou em Peter, ambos compartilhando seu calor corporal.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.